[VOCÊ JÁ JOGOU…] SHADOW OF THE BEAST? (Amiga, 1989)

Você já jogou?” é uma série de reviews de jogos do passado que podem ter passado por você. Revisitando a nostalgia com um olhar atual, um jogo de cada vez.

Se você cresceu com um Amiga como videogame nos anos 90, é muito provável que uma de suas memórias mais firmes deve ser… hm, quer saber? Esquece isso. Quer dizer, se você teve um Amiga, não há tem como possivelmente eu imaginar como foram suas memórias de infância. Qualquer coisa entre férias em Aspen, e ser criado no esgoto por tartarugas com nomes de artistas da renascença, eu suponho. Sério, quem diabos teve um fucking AMIGA?

De qualquer forma, vamos falar sobre um dos principais títulos do sistema: A Sombra do Cramuião.

Foi aqui que pediram uma FIGUEIRA SANGRENTA DU CÃO?!?

Em um mundo de fantasia a ser especificado, o maligno SENHOR DAS TREVAS MALETOTH tinha o hábito moralmente questionável de sequestrar crianças para dar-lhes sangue de bestas alterado magicamente, a fim de transformá-las em super monstros, que serviriam como seus minions DU MAUUUUUU. Tudo certo até aí. Porém, os planos do vilanico DENTERUIM são postos em cheque quando um de seus minions recupera suas memórias de humano e decide picar a mula para fora dali – esse seria você, e é aqui que o jogo começa. Basicamente você é o Forrest Gump monstrão, e tem que correr em direção a um objetivo nunca previamente estabelecido.

Sabiam motivar os jogadores como poucos, essas histórias dos anos 80, viu…

Fala-fala a parte, Shadow of the Beast foi a tentativa da Reflections (hoje mais conhecida pela série Driver, Watch Dogs e… Just Dance?) de fazer o seu Altered Beast. Enquanto é louvável se inspirar em um dos arcades mais populares de uma década, isso meio que foi só até onde os caras chegaram. “Hm, acho que daria pra pagar a Netflix do mês se nós fizermos nossa própria versão de Altered Beast” foi todo processo criativo que esse jogo teve.

Então o que você faz é andar, socar coisas e… bem, é isso na verdade. Esse é todo o jogo. Você tem um pulo horrendo de ruim, que não serve para muita coisa a não ser desviar de inimigos pequenos demais para você socar (não tem plataformas nesse jogo), e seu ataque é muito curto, fazendo você ser atingido boa parte das vezes que for tentar socar alguma coisa.

Eu não sei quanto a vocês, mas um jogo que consiste basicamente de “andar e socar”, e a parte de “socar” não é divertida, parece um problema muito grave para mim.

Ah sim, e o jogo é curto também. Tipo realmente curto. Não essa frescura de hoje de “ain, o jogo tem só 10 horas de duração, roubaram meu dinheiro, mimimi”. Essa geração criada a leite com pera me fode a paciência, viu. Enfim, dizia eu que a aritmética o jogo dura menos de vinte minutos.

Oh, mas não se preocupe muito quanto a isso: os caras da Reflections pensaram bem em como resolver esse problema, e adotaram o expediente padrão dos anos 80 sobre como alongar artificialmente os jogos. Esse câncer de bunda é difícil, mas filhadaputamente difícil. Sério, eu já joguei um monte de jogos insanamente difíceis, e enquanto me falta a habilidade e a paciência para completá-los, eu aproveitei a maioria deles. Agora, este jogo… é o jogo mais difícil que já joguei, e na pior maneira possível. Eu não me importo quando um jogo é difícil para mim porque falta-me habilidade, mas eu fico muito frustrado quando é difícil devido ao seu design muito ruim.

Caso esteja se perguntando, inimigos brotando aleatoriamente mais rápido que a velocidade da luz em um mangá do Kurumada + controles mais duros que o coração da sua ex é a minha definição de MUITO RUIM.

Para adicionar ofensa a injúria, o jogo é horrivelmente mal programado. Tipo, se você fizer as coisas fora da ordem que os programadores pensaram (tipo derrotar o chefe antes de conseguir a chave) ele simplesmente trava. Estamos lidando com profissionais aqui, hein?

Mas caso, numa improbabilidade aristoteica de que você seja o bilauzudo do videojogo, e consiga lidar com o liquidificador de merda com a tampa aberta que a Reflections jogou na sua cara, eles têm mais uma carta na manga: o jogo tem apenas uma vida, sem continues.

Ah, na boa, na moral cara…

Aí você pode se perguntar (estás perguntador hoje, hein, amiguinho?): mas espera, algo errado não está certo aqui. O jogo é mais curto que todos os minutos que eu já passei transando na vida. O gameplay foi classificado como crime de guerra na convenção de Aia… Como pode esse ser um dos melhores e mais memoráveis jogos na biblioteca do Amiga?

Bem, basicamente por dois motivos. Primeiro porque o Amiga não tem os padrões realmente mais altos, né? Por favor… mas, mais importante que isso realmente, é porque o jogo é visualmente espetacular. Não só os personagens são grandes e bem detalhados ao ponto de que fariam um Arcade chorar lágrimas de tungstênio, como o jogo conta com DOZE CAMADAS de efeito de parallax. Fucking DOZE, o que era impressionante em 1989.

“Efeito Parallax” é quando as coisas se movem em camadas diferentes nos jogos, dando esse efeito de movimento bonitão. Nem preciso dizer que quanto mais camadas, mais complicado é de fazer a coisa toda não bugar

Direto do Greatest Hits de R’lyeh

Sério, o jogo é estupidamente bonito para os padrões da época. Mesmo hoje ele não faz nada feio, de verdade. Mas, mais importante que isso, é o quanto é legal todo visual dele. Digamos que se Lovecraft tivesse uma banda de metal, a capa teria os inimigos e obstáculos desse jogo.

Para um jogo que se chama SHADOW OF THE BEAST, o conceitual do jogo faz muito bonito, com direito a cadáveres, sangue, espigas de aço e instrumentos de tortura (claro que a versão do SNES levou um corte bonitaço, mas isso é outro problema).

Com efeito, a única coisa mais maneira que o visual do jogo é a sua trilha sonora, que é basicamente composta de um metal melódico que PUTA MERDA ME ENGRAVIDA SEU LINDO!

Não, sério, ouve só um negócio desses:

Que DILIÇA MERMÃO…

… exceto se você (muito provavelmente) conheceu o jogo no seu port para Mega Drive, que é famoso por ter uma placa de som composta por aqueles tecladinhos brancos da Casio, aí tu tá fodido e meio mermo, mermão.

Mas, enfim, meu ponto é que SOTB tem uma apresentação auditiva e visual espetacular, pena que não vem um gameplay espetacular de brinde. E você aí achando que jogos de bosta que colocam 4k/1080p de resolução pra disfarçar um jogo mal feito é uma coisa moderna, né?

Deixe uma resposta