[VÍDEOS] Curtas Animados – Parte 1: 25 dos melhores que se encontra na internet

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Todo nerd gosta de desenhos animados, e a presença do YouTube em nossas vidas só facilitou a tarefa de alimentar esta paixão. Nele é possível encontrar desde episódios inteiros de várias séries, até alguns curtas de animação que, uns anos atrás, só podíamos assistir em festivais.

Abaixo preparei uma lista com alguns dos melhores que assisti nos últimos anos, acompanhados de informações sobre o ano de produção, os diretores, o título original, e comentários a respeito dos aspectos de cada um que mais se destacam.

Como deve ter reparado no título do post, esta é apenas uma de várias listas.

Deixe nos comentários do post sugestões de outros curtas para as próximas partes.

Vincent
(idem, 1982)

Dirigido por Tim Burton

Um dos melhores trabalhos do diretor, que aqui apresenta um equilíbrio exemplar entre animação, roteiro e a narração de Vincent Price, que faz toda a diferença. Nota-se através desse curta o quanto a identidade visual de Burton não mudou muito depois de mais de três décadas (para o bem ou para o mal…).

Lily e Jim
(Lily and Jim, 1997)

Dirigido por Don Hertzfeldt

A expressividade dos personagens, feitos com traços tão simples e primários, impressiona. Ajuda ainda mais o talentoso casal de dubladores e o divertido roteiro, que compensam o aspecto precário da produção. O uso dos balões de pensamento, dos silêncios incômodos, e do som ambiente nas cenas do restaurante, que ilustram o desconforto dos personagens, lembram muito o Woody Allen de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall)

O Balão do Billy
(Billy’s Balloon, 1998)

Dirigido por Don Hertzfeldt

O traço extremamente simples, aliado a um humor sem diálogos e gags físicas, torna este outro curta de Hertzfeldt muito divertido justamente por sua despretensão, e o crescente absurdo da situação, que beira o non-sense em seu final.

Ela e Seu Gato
(Kanojo to Kanojo no Neko, 1999)

Dirigido por Makoto Shinkai

Uma história de amor contada de maneira criativa, que transmite através de cenários e objetos pintados com riqueza de detalhes, e um uso excepcional de luz e sombra, os sentimentos de um felino por sua dona. Uma abordagem que adequa-se perfeitamente ao ponto de vista adotado.

As Misteriosas Explorações Geográficas de Jasper Morello
(The Mysterious Geographic Explorations of Jasper Morello, 2005)

Dirigido por Anthony Lucas

O visual é inspirado, a fotografia combina perfeitamente com o tom sombrio da história, e os personagens, mesmo que apareçam apenas como silhuetas, são muito expressivos.

Achei a voz do protagonista bem parecida com a do Johnny Depp. Talvez não seja apenas coincidência, pois a animação guarda semelhanças com os longas animados produzidos por Tim Burton, cujas parcerias com o ator são mais do que conhecidas.

A Lenda do Espantalho
(La Leyenda Del EspantapáJaros, 2005)

Dirigido por Marco Besas

A mistura de animação 3D com 2D funciona, o que é raro, e o visual gótico combina com a natureza sombria da narrativa, que conta uma versão bela, poética e simples de um mito.

História Trágica Com Final Feliz 
(idem, 2005)

Dirigido por Regina Pessoa

O visual, que remete a xilogravuras, usa um traço que lembra o do artista gráfico Peter Kuper neste curta que prende a atenção pelo modo como os personagens e os cenários se movimentam constantemente, dando um aspecto vibrante que contrasta com o clima sombrio e desolador da história, salientado pela entonação de voz usada pela narradora. É uma poesia audiovisual que funciona pela delicadeza como foi trabalhada.

Madame Tutli-Putli
(idem, 2005)

Dirigido por Chris Lavis e Maciek Szczerbowski

O que impressiona neste melancólico curta de terror em stop-motion é a expressão facial dos personagens, especialmente seus olhos. O brilho aquoso dos olhos da protagonista “denuncia” a moderna técnica de montagem usada pelos animadores, que filmaram os olhos de uma atriz, e os sobrepuseram digitalmente no rosto da boneca.

O final da história é aberto a interpretações, mas o que importa nela é seu forte impacto visual, que assusta o espectador mais pelo realismo do olhar dos bonecos, do que pela violência gráfica da história.

O Paradoxo da Espera do Ônibus
(idem, 2007)

Dirigido por Christian Caselli

Neste o diretor conseguiu sustentar o curta inteiro com imagens estáticas montadas de maneira a adequarem-se à monotonia das divagações do narrador. A entonação meio “chapada” usada pelo ator é o grande trunfo deste curta, e tem um ótimo efeito cômico.

Como Terminar Com Sua Namorada em 64 Passos Fáceis
(How To Break Up With Your Girlfriend in 64 Easy Steps, 2007)

Dirigido por Levni Yilmaz

Bonequinhos de palito e um narrador monocórdico: poucos conseguem transmitir tanto com tão pouco e de maneira tão espirituosa. Excelente!

A Bela Adormecida da Vovó O’Grimm
(Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty, 2008)

Dirigido por Nicky Phelan

A grande sacada deste é explorar o ponto de vista de uma personagem pouco aproveitada no conto original, e transformar sua história numa metáfora sobre as frustrações e decepções da velhice, que funciona também como uma crítica divertida aos maus tratos contra idosos. E apesar de não ser original, a ideia de usar animação 2D pra representar o conto de fadas funciona bem aqui pra criar o contraste entre as narrativas paralelas.

Sebastian’s Voodoo
(idem, 2008)

Dirigido por Joaquin Baldwin

Neste destacam-se as cores e a iluminação, que me fizeram lembrar os trabalhos do artista plástico Dave McKean, conhecido ilustrador das capas de Sandman, de Neil Gaiman. A própria história parece algo saído da mente do escritor britânico. E merece elogios a ideia de abordar uma cultura pouco explorada em produções do gênero, dando um bem-vindo tom exótico à produção, que pode ser definida como e uma versão diametralmente oposta de Toy Story.

A Casa de Pequenos Cubos 
(Tsumiki no ie, 2008)

Dirigido por Kunio Katô

O visual remete a ilustrações de livros infantis neste curta sem diálogos que apóia-se não apenas em sua arte arrebatadora, mas também na inspirada trilha sonora, que consegue transmitir leveza, paz e nostalgia, compondo uma belíssima metáfora de como um homem enxerga toda a plenitude de sua vida próximo ao final dela. Tocante, emocionante e encantador.

Alma
(idem, 2009)

Dirigido por Rodrigo Blaas

Imagine um curta da Pixar com roteiro de Neil Gaiman, e você terá uma boa noção do que encontrará em Alma.

A Confissão de Fumiko
(Fumiko no Kokuhaku, 2009)

Dirigido por Hiroyasu Ishida

Em apenas dois minutos Ishida mostra que, apesar de iniciante no ramo da animação quando produziu este curta, possui um enorme talento para a comédia.

Partindo de uma premissa simples, o ridículo da situação vivida por Fumiko atinge proporções absurdas, e diverte justamente pelo exagero com que os fatos se desenrolam.

Alarme
(Alarm, 2009)

Dirigido por Moo-hyun Jang

A trama em si é simples, mas diverte bastante, especialmente por tratar de um tema universal sem depender de diálogos. O que impressiona é sua qualidade técnica. As texturas, reflexos, incidência de luz, a leveza e fluidez dos tecidos. Exceto pelo protagonista feito em um traço mais caricato, o realismo do cenário é de cair o queixo.

Pixels
(idem, 2010)

Dirigido por Patrick Jean

Uma ideia simples, executada com muita criatividade, e que dialoga excepcionalmente bem com a nostalgia de quem conhece os jogos usados. O ataque do Tetris é fantástico! Vale acrescentar que está sendo produzida uma adaptação em longa metragem dele.

Out of Sight
(idem, 2010)

Dirigido por Ya-Ting Yu

Uma encantadora e criativa interpretação do mundo lúdico de uma garotinha cega, cuja sensibilidade remete aos longas do Estúdio Ghibli.

Rain Town
(idem, 2011)

Dirigido por Hiroyasu Ishida

Outro curta de Ishida, que aqui adapta seu estilo para um tom completamente diferente de seu trabalho anterior (A Confissão de Fumiko), contando uma história sem diálogos, em que os detalhes dos cenários e as sutilezas dos movimentos dos personagens são usados para estabelecer um background do mundo apresentado, que pode ser apenas deduzido pelo espectador. A animação é tecnicamente rica e cria admiravelmente uma atmosfera melancólica através da trilha sonora toda em piano, pontuada pelos sons das gotas de chuva, e a predominância da cor azul.

The Deep
(idem, 2011)

Dirigido por PES

O uso inteligente das ferramentas certas, de uma fotografia bela e sombria, e uma trilha sonora que sugere o mistério das profundezas do oceano, reproduz de maneira criativa a atmosfera das regiões abissais do oceano, habitadas por seres subaquáticos estranhos, e transmite ao espectador uma leve claustrofobia aquática, que torna os meros dois minutos de duração do curta envolventes o bastante para nos mergulhar no mundo concebido por ele.

Primeiro Outono
(Premier Automne, 2013)

Dirigido por Carlos De Carvalho e Aude Danset

Um mito de origem visualmente belíssimo, que lembra uma pintura pontilhista em movimento. O imaginário apresentado no curta parece levemente baseado nas criações fantásticas de Hayao Miyazaki, em especial os misteriosos seres das florestas vistos em Princesa Mononoke.

Sr. Hublot
(Mr Hublot, 2013)

Dirigido por Alexandre Espigares e Laurent Witz

O riquíssimo trabalho de produção de arte, com cenários hiperdetalhados, é apenas o plano de fundo de uma crítica à “robotização” da humanidade, e de um conto divertido sobre o poder de um “animal” de estimação no processo de “reumanização” de um “homem” entregue à solidão e ao seu transtorno obsessivo compulsivo.

Control Bear
(idem, 2013)

Dirigido por Yojiro Arai

Uma surreal e multicolorida viagem imaginativa que vale pelos cenários e situações fantásticas, que atingem uma proporção grandiosa ao final.

Paths of Hate
(idem, 2010)

Dirigido por Damian Nenow

Este curta apresenta uma das melhores batalhas aéreas já feitas em animação, num ritmo vertiginoso e frenético, ao mesmo tempo em que reserva momentos visualmente poéticos, filosóficos e dramáticos durante o combate entre dois pilotos de avião que insistem em sua guerra pessoal. A animação impressiona pela qualidade, e a trilha sonora consegue ser tão boa quanto ela. O final ainda apresenta uma montagem que conecta o combate que testemunhamos a uma cadeia ainda maior de eventos, que torna a mensagem deste curta ainda mais contundente e fulminante.

O Avião de Papel
(Paperman, 2012)

Dirigido por John Kahrs

Um conto de fadas moderno produzido em animação tradicional pela Disney. O charme deste curta é o fato de ter sido todo feito em preto e branco (com exceção de um elemento importante dele, que você descobre logo no início). A bela e romântica trilha sonora dá conta de embalar a agradável história de amor.

 

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