[TURISMO] Evento DarkSide Books: São Paulo Maldita

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Capela e cemitério localizado no bairro Liberdade.

No dia 5 de novembro tive o prazer de conhecer São Paulo através de uma nova perspectiva graças a editora DarkSide que organizou um evento em colaboração com a Rede Vamp. O passeio ‘São Paulo Maldita’ conduzido por Lord A. e Vincent está já no seu quinto ano, e devo dizer que essa selva de pedras abriga histórias de dar calafrios.

A ideia floresceu há 10 anos juntamente com a escrita do livro Mistérios vampyricos, e graças a um hobby do Lord A. No intervalo de escrita de seus livros ele costumava vagar com sua caderneta pelo centro da cidade desenhando e buscando ideias e material para seus livros, bem como visitar igrejas, bibliotecas, conversar com vigias de igrejas católicas e ‘tiozinhos de bares’ sobre as histórias e ‘causos’ que assombram o centro da grandiosa São Paulo. Com o tempo, todo o material foi reunido, e em junho de 2011, primeira vez um grupo de amigos foi convidado para um passeio diferente de final de tarde, tornando assim real o que até então vivia apenas no plano das ideias. Abriu-se assim uma fenda para outra dimensão de São Paulo, a dimensão da arquitetura, da São Paulo de Álvares de Azevedo, da arte, de prédios antigos, do folclore, do imaginário.

O tour começou em um lugar muito especial o Teatro Municipal, edifício esse de beleza ímpar projetado por Ramos de Azevedo. Existem variados relatos em relação ao edifício, principalmente sobre vultos e dedilhar de pianos quando não há ninguém mais trabalhando além dos vigias. Há ainda quem alegue ter visto de pessoas vestidas com roupas de épocas caminhando pelos corredores e cochias. Parapsicólogos costumam a aparecer no teatro, que alegam ter visões nos locais. No entanto, a maioria dos relatos fala de uma dama nos corredores, cuja voz e presença são constantemente sentidas pelos funcionários, o que causa apavoramento nos mesmos e faz com que evitem determinados locais.

O tema central do passeio foi ‘demonologistas’. Os demonologistas eram que pessoas que estudavam as ações dos “demônios” nos comportamentos e corpos das pessoas, os hoje sabidos transtornos ou comportamentos repetitivos e maníacos. Essas pessoas estudavam essas relações, e traçando paralelos com a psicologia e psicanálise, conseguiam intervir nessas ações desses padrões a sua própria maneira. Hoje o demonoligista seria algo equivalente a um acadêmico, especialista na área de humanas, e conhecedor de história de religiões e temas associados à teologia.

Lord A. e Vincent - Teatro Municipal

Lord A. e Vincent – Teatro Municipal

A próxima parada do passeio foi o Vale do Anhangabaú, um lugar considerado amaldiçoado pelos indígenas (Anhangabaú do indígena ‘lugar de águas ruins’, Anhanga – espírito ruim, baú – lugar onde tem águas). Fatos ocorridos no entorno acabam por reforçar essa fama. O vale é considerado assombrado. E atualmente se tornou palco de ocupações principalmente artísticas.

Teatro Municipal de São Paulo vista frontal

Teatro Municipal de São Paulo vista frontal

Ao sair do vale amaldiçoado, a próxima parada foi nada mais nada menos que um dos edifícios mais macabros da cidade de São Paulo, o primeiro arranha céu do Brasil e da América Latina, o famigerado Edifício Martinelli. Um dos lugares mais macabros e arcaicos, onde corpos eram escondidos e que sediou inclusive uma clínica de aborto ilegal. O edifício foi construído por um conde milionário italiano, cujo sobrenome deu nome ao local, e que tinha a ambição de construir o maior edifício da cidade. Naquela época muitos alegaram que a estrutura do local era instável devido a sua altura, no entanto, Martinelli reafirmou sua confiança em seu projeto e sua segurança pedindo que o topo do prédio abrigasse sua mansão. Sendo o prédio mais alto da cidade por muito tempo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Martinelli precisou vender suas posses e se desfez de seu edifício. Administradoras e outras pessoas começaram a ocupar o edifício, advogados, alfaiates, no entanto devido à crise essas pessoas não conseguiram manter-se por muito tempo no local. Logo o local tornou-se moradia de pessoas que trabalhavam no centro da cidade, pessoas com ocupações questionáveis, e então o prédio começou a sediar prostíbulos, bares, e devido à falta de fiscalização clínicas de aborto ilegais. Há ainda relatos de corpos jogados no fosso do elevador desativado, e histórias de crime e assassinatos e morte. E mesmo após o governo ter retomado o prédio e o ter transformado em um prédio comercial e estatal, ainda há andares que permanecem desocupados, e há quem diga que na calada da noite, pode-se ouvir o som de máquinas datilografando e barulhos pavorosos nos andares desativados, que outrora enlouqueceram uma série de funcionários.

Uma das vistas do Vale do Anhangabaú

Uma das vistas do Vale do Anhangabaú

O mesmo local que aterroriza os pensamentos de uns, desperta por sua beleza a curiosidade de outros. Durante a semana o edifício Martinelli é visitado por uma série de turistas, ansiosos por observar a cidade do alto do majestoso prédio e sentir o vento no rosto e nos cabelos, sendo uma das vistas mais lindas da cidade.

Edifício Martinelli

Edifício Martinelli

Uma curiosidade interessante que surgiu no passeio foi o fato de que desenhistas mais antigos do Batman, da época do Neil Adams utilizavam como referência fotos de Nova York, Chicago e também da cidade de São Paulo daquela época, para desenhar as ruas de Gotham City. Incrível não?!

O próximo ponto visitado foi a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, o lugar que forneceu o gancho para sabermos mais a respeito de Álvares de Azevedo, que outrora fora estudante de direito.

Faculdade de Direito do Largo São Francisco

Faculdade de Direito do Largo São Francisco

Há relatos que nesse local havia um fantasma, vulto, que foi visto por um dos homens que guardavam as ruas durante a noite, e que durante as doze badaladas do relógio da fachada perguntava insistentemente ‘Que horas são?’ tendo aterrorizado muitos guardas, que posteriormente se recusaram a passar pela região.

Busto em homenagem a Álvares de Azevedo localizado em frente a Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

Busto em homenagem a Álvares de Azevedo localizado em frente a Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

Durante o período em que Álvares de Azevedo cursava a faculdade de direito há relatos de que durante vários anos seguidos algum dos estudantes do quinto ano morria de maneira trágica, e há quem diga que o escritor listou os anos e nomes dos estudantes mortos na parede do seu quarto, deixando uma interrogação no ano em que ele iria cursar os quinto ano, seguida de uma observação em que constava que esse seria o ano de sua morte. Coincidentemente ou não no ano previsto Álvares de Azevedo veio a falecer.

Fachada de um dos edifícios onde havia encontros de uma das Sociedades Secretas de São Paulo.

Fachada de um dos edifícios onde havia encontros de uma das Sociedades Secretas de São Paulo.

Detalhe da fachada de um dos edifícios onde havia encontros de uma das Sociedades Secretas de São Paulo.

Detalhe da fachada de um dos edifícios onde havia encontros de uma das Sociedades Secretas de São Paulo.

Além de fatos e histórias como essas o passeio é recheado de outras surpresas, como sociedades secretas, ocorridos na Praça da Liberdade em um tempo não tão distante, bem como uma série de outras histórias. As curiosidades acima são apenas um pedacinho de tudo que vi e ouvi ao longo dessa experiência maravilhosa na dimensão maldita da gigante São Paulo, tão admirada e bem preservada pelas palavras do Lord A. e do Vincent. Deixo o resto do mistério para quem acompanhou esse texto até aqui, e um convite, a visitar esses lugares por mim citados, bem como muitos outros, sem os óculos da realidade apressada que temos no nosso dia a dia, mas sim com os olhos de uma criança curiosa e que adora um ótimo mistério.

E pra quem quiser saber mais sobre o passeio São Paulo Maldita, recomendo acompanhar a página do evento. Vocês não irão querer perder esse passeio de arrepiar, acreditem!

No mais só tenho a agradecer a DarkSide pelo convite e experiência incrível proporcionada, e por ter ainda tornado possível a interação e bate papo com o autor Cesar Bravo do livro Ultra Carnem, e pela chance de conhecer e ter acesso a um pouquinho da expertise dessas pessoas incríveis que são o Vincent e o Lord A. depois desse passeio… São Paulo nunca mais será a mesma.

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