[TOP] Cinema: 8 Filmes Que Se Desviaram Bastante dos Livros Que Adaptaram

Todos nós já assistimos filmes baseados em livros que adoramos. Portanto já tivemos aquele sentimento levemente superior e enfurecido quando descobrimos que o filme desviou-se de sua fonte original. Embora seja raro, nem todos são terríveis. Alguns, dependendo de pra quem você pergunta, acabam sendo até melhores que a obra original – levando, inclusive, alguns autores a concordarem com isto.

Dito isto, veja abaixo uma lista de oito filmes quase inteiramente distintos de suas contrapartes literárias.

Los Angeles – Cidade Proibida
(L.A Confidencial, 1997)

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O filme é baseado no terceiro de uma série de quatro livros escritos por James Ellroy, e tornou-se o mais conhecido do autor graças à adaptação que ganhou pros cinemas. Mas ela é muito diferente da obra original. O diretor Curtis Hanson considerou vários pontos importantes do livro horríveis demais para os espectadores, incluindo uma narração mais detalhada relatando o massacre de  Fleur-de-Lis e do Nite Owl. As características de Jack Vincennes (Kevin Spacey) e Ed Exley’s (Guy Pearce) são bem mais sombrias que as mostradas no filme, enquanto parte do clímax do filme na verdade ocorre no prólogo do livro. Mesmo sem seus pontos mais tenebrosos o filme fez sucesso, e entrou em várias listas dos melhores de seu ano, além de ganhar dois Oscars. Até mesmo o autor o adorou, considerando-o uma “obra de arte.”

Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado
(I Know What You Did Last Summer, 1997)

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Quando Julie recebe um bilhete anônimo que diz apenas “eu sei o que você fez no verão passado,” ela fica aterrorizada. Julie tem um motivo pra ficar assim, já que o bilhete faz alusão a uma criança que morreu num acidente de carro no qual ela e seus amigos se envolveram, e que todos ajudaram a encobrir. A obra original era um suspense, escrita em 1973 por Lois Duncan, já a adaptação para o cinema de 1997, escrita por Kevin Williamson, acabou virando um filme de horror. Nela um pescador estranho perseguia Julie (Jennifer Love Hewitt) e seus amigos, matando-os um por um. Na época em que foi lançado, a autora disse que sua maior preocupação com a adaptação foi sua visão trivial da morte e a maneira horrível como foi retratada por ela.

Blade Runner, o Caçador de Androides
(Blade Runner, 1982)

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Baseado no clássico Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas? de Philip K. Dickrepublicado este ano no Brasil pela Editora AlephBlade Runner de Ridley Scott mudou vários detalhes da obra original. Tais mudanças podem ser atribuídas ao fato de Scott jamais ter concluído a leitura do livro (!!). A ambientação e a época foi alterada também: da São Francisco de 1992 para a Los Angeles de 2019. Além disto, o personagem J.F. Sebastian (William Sanderson) não aparece no livro. E diferente do livro, o Rick Deckard (Harrison Ford) não é casado e não tem nenhuma ovelha elétrica. Por fim, o termo “Blade Runner” jamais foi usado por Philip K. Dick, e sim criado exclusivamente para o filme (provavelmente por ser mais fácil de referir-se a ele no lugar de “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?”). E ainda teve o desserviço prestado pelos tradutores brasileiros, que incluíram um subtítulo que nada tem a ver com a trama do filme, pois os adversários de Deckard não são androides, mas replicantes, e não são seres artificiais, mas frutos de engenharia genética.

Forrest Gump, O Contador de Histórias
(Forrest Gump, 1994)

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O drama campeão do Oscar de 1995, dirigido por Robert Zemeckis e estrelado por Tom Hanks, é baseado no pouco conhecido romance homônimo escrito por Winston Groom. O final de Jenny Curran, o grande amor de Forrest, é diferente do descrito no livro, além disto, o filme também deixou de fora vários feitos de Gump… entre os quais: tornar-se um famoso jogador de xadrez, concorrer ao Senado dos Estados Unidos e viajar para o espaço como um astronauta onde ele conhece um macaco (?!). Além disto tudo, o autor originalmente imaginou Forrest como John Goodman – pois no livro o personagem tem 1,96m de altura e pesa 107 kg. Isto dá um bocado de caixas de chocolate. 😛

O Iluminado
(The Shining, 1980)

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O Iluminado nem sempre foi um filme de Stanley Kubrick elogiado pela crítica como é hoje em dia. Quando foi lançado nos cinemas, as críticas eram bem variadas. Mas aos poucos o filme conquistou seu público, ao contrário de Stephen King, autor do livro no qual baseou-se. O Jack Torrance do cinema (eternizado pela interpretação de Jack Nicholson) é bem diferente do antagonista “humanizado” do livro, algo que frustra King até hoje. O escritor também reclamou de Wendy (interpretada por Shelley Duvall), que ele considera “uma das personagens mais misóginas usadas num filme.” King chegou envolver-se com a produção de uma minissérie pra TV que foi bem mais fiel ao livro, embora com resultados variados.

O Corcunda de Notre Dame
(The Hunchbadk of Notre Dame, 1939)

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Adaptar um romance de Victor Hugo nos anos ’30 era visto como praticamente impossível devido ao restritivo “Código Hays,” que determinava explicitamente que “a simpatia da audiência jamais deve ser inclinada para o lado do crime, do delito, da maldade ou do pecado.” Fora isto, graças à natureza vil e auto-destrutiva do Arquidiácono Claude Frollo, e à regra de “tratar respeitosamente o clérigo” nos filmes da época, fez com que vários pontos da trama fossem alterados. Isto incluiu retratar Claude Frollo (Cedric Hardwicke) como um querido Arquidiácono, além de Pierre Gringoire ocupar o papel de “galã” (a falta de um nos filmes dos anos ’30 aparentemente era um pecado mortal). O filme também ganhou um final diferente da obra original, no qual bem mais personagens sobreviviam, ao contrário do que ocorre no romance de Victor Hugo.

Clube da Luta
(Fight Club, 1999)

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Tyler Durden e O Narrador se conhecendo numa praia de nudismo, fazendo sabonete a partir da gordura da lipoaspiração da mãe de Marla e o Narrador terminando a história num hospício são três das diferenças mais notáveis entre a adaptação e o livro de Chuck Palahniuk. No lugar disto, o roteirista e diretor David Fincher achou que botar os dois se conhecendo num avião, roubando gordura de lipoaspiração de um lixo hospitalar e dando um final mais esperançoso pr’O Narrador (Edward Norton) ficava melhor nas telonas. Palahniuk chegou a dizer que tinha “um pouco de vergonha do livro” em uma das notas presentes na edição especial do DVD do filme, diante do que Fincher havia realizado visualmente (o que não o impediu recentemente de escrever uma continuação em quadrinhos do livro).

Sob a Pele
(Under The Skin, 2013)

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Em primeiro lugar o que mais chama atenção em Sob a Pele, dirigido por Jonathan Glazer, é a ausência de diálogos. Optando por mover a narrativa visualmente ao invés de auditivamente botou o filme anos-luz de distância do romance escrito por Michael Faber. Embora Faber permita que o leitor saiba quem é a protagonista desde o início, ele não revela o que ela é até mais adiante – e não fica claro para o que ela está usando os homens que ela apanha em seu veículo. A lenta história de Isserely (Scarlett Johansson – em sua primeira cena de nu frontal no cinema) foi adaptada para o cinema por Glazer e Walter Campbell – sendo que este último sequer leu o livro antes de recriá-lo.

Fonte: Shortlist

One thought on “[TOP] Cinema: 8 Filmes Que Se Desviaram Bastante dos Livros Que Adaptaram

  1. Nem sabia que Forrest tinha livro.
    E Clube da Luta, apesar dessas diferenças, é beeeeem parecido com o livro

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