[TOP 5] Grandes marcas registradas dos animes (que são truques baratos que os animes usam para deixar a produção mais barata ainda)

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Desenhos animados não são baratos de se fazer, seja aqui, seja no Japão, ou seja na fronteira ocidental do Turcomenistão. Então, um dos grandes desafios dos animadores foi não só como transmitir um conteúdo relevante para o público certo, mas também fazer isso da forma mais barata possível para o negócio ser viável.

Não é por pura jacuzisse (embora seja também) que a Nick tratou a Lenda de Korra como seu filho bastardo: era um desenho animado muito caro de se fazer, e para um público que não era o habitual do canal.

Então, comofas\\\?

A tecnologia tem ajudado muito nisso, seja o uso de computação gráfica nos modelos (não, os 85 clones genéricos de cada novo filme da Pixar que você vê na barraquinha de camelo não são feitos em CG por uma decisão artística), seja o uso de ferramentas de animação que economizam tempo e dinheiro.

Se My Little Pony parece um desenho feito em flash, é porque a realidade não é muito diferente disso.

Mas, antes dessa maravilhosa era de ouro da tecnologia, onde qualquer um com uma ideia na cabeça e um Adobe After Effects na mão pode fazer sua própria animação, como se fazia? Qual era o modo rápido e barato de fazer desenhos animados?

Hanna e Barbera ensinaram algumas lições sobre isso, sentando o facão sem dó nem piedade nos custos de produção de como fazer um desenho animado. Porém, tudo isso empalidece diante do rol de GAMBIARRAS que os japoneses inventaram para sua indústria, a tal ponto que você não consegue pensar em anime sem dissociar destas coisas que eu vou citar agora.

18epd9jkbqavijpg5) ANIMES NÃO SÃO ANIMAÇÕES MUITO BOAS (ou a regra dos três frames)

Existe uma diferença entre desenho e animação. Eu não tenho nada contra o estilo japonês de desenhar pessoinhas (apesar da sua aparente fixação em pré-adolescentes onde 2/3 do peso corporal são os seios). Animação é o que dá a sensação de movimento entre os desenhos, e é aqui que começa a gambiarra.

Quando foi criado, o anime de Astro Boy usou de 500 a 800 quadros de animação para um episódio de 25 minutos. Uma animação tradicional de qualidade (tipo filmes 2D da Disney) tem em média dez vezes mais que isso.

Então, animes são basicamente um slideshow de mangá. Aí você pode estar dizendo “balela, balela, fogo na guela” (ao que eu te parabenizarei pela referência), porque você já assistiu muito anime e saporra não é slideshow porra nenhuma, é uma animação muito fluída e viva!

Mas… é mesmo?

Vamos analisar uma das cenas mais épicas e memoráveis da história dos animes:

Foda pra caralho, né? Épico e lindo.

MAS… vamos dar uma olhada na parte técnica. Repare como a grandessíssima maioria das cenas é composta de tomadas de 3 quadros animação que ficam repetindo. Preste bem atenção nos movimentos e veja como isso é muito barato de se fazer!

A cena em que o Camus explica sobre o congelamento das armaduras, por exemplo. É uma imagem parada que se dá um zoom e coloca-se uma camada repetida de efeitos especiais em cima para dar a ilusão de movimento. E assim, com quase apenas três imagens, vai quase um minuto do episódio!

Mas por que não passa a sensação de ser parado? Alguns motivos muito inteligentes. Em primeiro lugar, devido ao excelente trabalho de dublagem que é feito nos animes, que fazem o espectador se investir emocionalmente o suficiente para você não se importar com detalhes.

Em segundo lugar o uso muito esperto de tomadas panorâmicas. Repare em como muitas cenas são a mesma imagem, e que é a câmera que desliza pela tela. Às vezes uma célula de animação parada é que desliza pela imagem.

Eu nem estou falando de episódios filler, cuja única intenção é encher linguiça. Essa técnica é chamada de “Cel Banking”, e é o pão com manteiga dos animes.

Existem várias outras técnicas de edição para fazer o anime parecer menos parado do que é realmente, como uma edição frenética, com cenas de poucos segundos, para a audiência não perceber quão pouca fluidez há ali.

Não vou me alongar muito mais no tema, mas recomendo a excelente matéria do Togofu explicando as artimanhas visuais dos animes para fazer menos com mais.

4) A CORRIDA NARUTO

Corrija-me se você estiver errado, mas certamente você já viu alguém em anime correndo assim:

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tumblr_m10oojzudw1qf8wzatumblr_o9yov19oyf1qcil0co1_540A corrida com braços abertos é uma marca registrada de animes, e quando você pensa sobre isso entende o motivo: porque é mais fácil (ergo, barato) desenhar dessa forma sem movimentar os braços. E sem isso, jamais teríamos cenas como essa:

Obrigado, Japão!

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A abertura de MOB Psycho 100 é bastante… bastante… hm, bem, é…

3) ABERTURAS/ENCERRAMENTOS

Aberturas e encerramentos de animes são geralmente muito bem feitos. Não raramente, os valores de produção ali são maiores do que da média do anime em si. Então como isso é um truque para economizar dinheiro?

Uma abertura de animação ocidental tem em média, SE MUITO, trinta segundos, e mais ou menos o mesmo de créditos de encerramento.

Animes têm aberturas e encerramento MUITO MELHORES. Isso permite que elas sejam mais longas sem que as pessoas se cansem. E é aqui que mora o truque para economizar dinheiro: são pelo menos três minutos, pelo menos, do seu programa que vão se repetir toda santa semana (e uma vez por ano na semana santa). Dos 25 minutos (aproximados) que um anime tem que durar, três já estão pagos e garantidos desde o primeiro episódio. Dindin, bródi!

E não, eu não me interesso (ao menos no momento) de fazer um post sobre as melhores aberturas de anime. Até porque o Amer, que é um cara que escreve muito melhor que eu, já fez isso, e se você não está lendo o blog dele, eu só posso lamentar por sua alma imortal.

2) HENSHIN!

Os japoneses não inventaram os heróis com alter-ego, obviamente. O que eles inventaram foi uma forma de capitalizar isso de forma a baratear a produção dos animes (e vender brinquedos de lambuja). Porque os mesmos frames de animação serão exibidos de novo e de novo do primeiro ao último episódio.

São preciosos segundos nos quais os japoneses jamais precisarão investir outro centavo novamente!

Ou minutos, no caso de Digimon

2.1) GOLPES ESPECIAIS

Movimentos especiais são uma das marcas registradas dos animes favoritas de todos. Caramba, teve até uma vez que um golpe muito famoso recebeu sua própria música-tema! Sim, aquele mesmo que você cansou de tentar imitar quando achou que não tinha ninguém olhando.

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De segunda a sexta, a mesma animação repetida ou seu dinheiro de volta

Todos estivemos lá e fizemos isso.

Agora, isso não quer dizer que golpes especiais não sigam a mesma lógica das transformações: preciosos segundos de ienes economizados que serão repetidos de novo e de novo.  De fato a lógica é tão a mesma que dá pra considerar o mesmo item.

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O episódio do muro das lamentações, sem as partes em que dificuldades auditivas acometem a todos, teria aproximadamente 4 minutos apenas

1) PERSONAGENS SURDOS

Você já reparou que a maioria dos personagens de anime é surdo como uma porta?

– O que? Ele disse surdo como uma porta?
– Uma porta? Não pode ser!
– Ele falou mesmo uma porta?!

E assim vai. Animes shonen são campeões nisso. Até parece que um japonês não pode ouvir uma receita de miojo sem ter que interromper para repetir algumas palavras-chave, não é?

Se parece que os personagens de anime estão se fazendo de burros para comer tempo da animação e economizar custos (além de artificialmente alongar a série, como no caso das adaptações longas de mangá), é porque é exatamente isso que eles estão fazendo.

  • O que? Cortar custos?
  • Não pode ser, ele disse cortar custos?
  • Custos… cortados?
  • Sim, eu disse cortar custos.

E por aí vai…

Pode não parecer, mas em termos de produção animes são o fast food do entretenimento. O segredo do sucesso dos japoneses é servir esse fast food com um ótimo acompanhamento de uma boa salada de ideias e não raramente por um garçonete com sutiã tamanho J