[TOP 5] Franquias que ficaram boas quando você menos esperava

Essa é a história mais velha do mundo: você já ouviu falar de determinada franquia, assistiu, leu ou jogou os primeiros passos, e percebeu que aquela obra não é realmente interessante, isso quando não é apenas ruim que dói mesmo.

Então, sei lá, uns cinquenta anos depois você ouve que ainda estão fazendo essa franquia e se pergunta “oh god why?” ou “quem paga por essas coisas?”. O que você talvez não saiba é que, no meio do caminho, essas franquias evoluíram e mudaram. Algumas ficaram excelentes, algumas ficaram assistíveis… Mas, hey, uma evolução é uma evolução, certo?

5. VELOZES E FURIOSOS

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O QUE ERA: Velozes e Furiosos é meio que pegar todas as coisas que alguém poderia achar legal, bater em um liquidificador, e jogar de qualquer jeito na tela. Tem assaltos espetaculares, carros mitadores, mulheres tortas de tão gostosas e muita badassisse.

Pra ter uma ideia do nível de maturidade da coisa, uma das falas mais profundas do Vin Diesel é: “You break her heart, I’ll break your neck.” Uau, esse cara tem o quê? 17 anos?

Por favor, né?

Aqui é Brasil, hue!

Aqui é Brasil, hue!

O QUE SE TORNOU: O terceiro filme da franquia, Tokyo Drift, é estranho, é meio que uma versão mano/badass do remake de Karatê Kid. Jurei que em determinado momento alguém ia dizer pro gringuinho lá: “Entra no carro. Sai do carro. Entra no carro.” O que não é importante para o que eu queria dizer, mas precisava compartilhar isso.

Então, aconteceu que após o quarto filme – muito depois de qualquer um ter parado se de importar – o elenco original voltou (Paul Walker, Vin Diesel, Michele Rodriguez), e de alguma forma começaram a se tornar filmes de ação bastante interessantes.

Os filmes equilibram muito melhor a coisa de assaltos espetaculares, ao mesmo tempo que mostra que os bandidos e gangstas manos também são pessoas, e fazem churrasco de domingo, ou aturam muita merda calados por suas famílias. Com efeito, Vin Diesel disse que a palavra “família” seria a melhor para definir a franquia.

E como cereja do bolo, adicional Dwayne “The Rock” Johnson. E não tem NADA que não fique legal com o The Rock. Sério, se ele fez Escorpião Rei assistível (ao menos as cenas dele), imagine em um filme que já tem bases legais. Adicionalmente, os filmes aprenderam a não se levar tão a sério, e abraçaram a diversão da ação trash, e isso os tornou exponencialmente mais divertidos.

4. KINGDOM HEARTS

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O QUE ERA: Em 2002, a Square-Enix lançou um RPG de ação que, na melhor das hipóteses, arrancaria um “QUÊ?” das pessoas. Kingdom Hearts era um crossover entre as franquias da Square-Enix e da Disney, de modo que tínhamos fases que se passavam no fundo do mar com Ariel e na outra estávamos enfrentando Sephiroth.

Com efeito, o protagonista era um molequinho genérico de RPG da Square-Enix, ao qual se juntavam Donald e Pateta para salvar Mickey de uma ameaça genérica.

Legalzinho, mas apenas isso.

Mickey

O QUE SE TORNOU: Depois dos primeiros dois jogos para Playstation 2, a Square-Enix desembestou a lançar jogos da franquia para os portáteis da Sony (PSP e posteriormente PS Vita).

O que era esperado. O que não era esperado era que a história de uma premissa tão simples se tornasse tão confusa e sombria quanto é atualmente. Eu diria, na verdade, que ao lado de Xenogears e Bioshock Infinite, é uma das histórias mais complicadas que eu já vi em um jogo. Sério cara, eu entendi de boa a história de Neon Genesis Evangelion, mas quando se trata de Kingdom Hearts, eu só posso dizer, depois de piscar várias vezes, “não, espera, o quê?”

Só posso dizer que a TRETA É TENSA. E ÉPICA PARACAÍ.

Certamente ninguém viu isso vindo…

3. RESIDENT EVIL

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O QUE ERA: Adaptações de videogames para cinema certamente tem sua má fama por um motivo, e a franquia Resident Evil foi um dos pilares que ajudaram a construir esta reputação.

O primeiro filme (“Resident Evil – O Hospede Maldito“, sério, alguém é pago por estas traduções?) é um filme de ação ok, com algumas cenas memoráveis (quem não lembra da cena do grid de lasers?), e dá pra ver a ppk da Milla Jovovich (se você pausar o vídeo no quadro certo… não que eu tenha feito isso… repetidas vezes… só ouvi falar…). Eu posso viver com isso.

Mas daí pra frente a coisa só vai ladeira abaixo com gosto e feijoada. “Esquecível” é o termo mais generoso que eu encontrei para descrever os filmes da franquia, que são uma mistura estranha de atuações ruins, roteiro fraco, falta de noção (sério, algumas coisas dos videogames, ou de qualquer mídia na verdade, não podem ser adaptadas literalmente para o cinema), e muitos clichês nos brindam com filmes previsíveis e modorrentos.

Que é mais ou menos o que se espera quando se fala de uma adaptação de jogos, na verdade.

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O QUE SE TORNOU: Foi só no quarto filme da série que ela retornou para as mãos do diretor original (Paul W. S. Anderson) com Resident Evil: Afterlife, e de cara os primeiros quinze minutos do filme são dedicados a apagar completamente as cagadas dos filmes anteriores em cenas belíssimas.

Sério, o filme tira um bom tempo para começar dizendo: tá vendo o que aconteceu antes? Esquece, vamos começar novamente. Isso já é um bom presságio. Tanto que no Brasil o filme foi chamado de “Resident Evil: Recomeço“.

O filme se parece, quem diria, com um bom filme de zumbis ambientado no universo de Resident Evil. Poxa, era só isso que a gente estava pedindo, não era realmente tão grande coisa assim. E este filme entrega isso.

Sobreviventes presos em um prédio cercado por zumbis, gente surtando, traidores, corporação maligna fazendo treteagens, e de brinde temos Wentworth Miller (mais conhecido por seu papel em Prison Break) sendo maneiro como Chris Redfield, e muitas cenas de ação estilo videoclipe (característica do seu Anderson). Nada original, mas com certeza bom.

Viu? Um bom filme de Resident Evil, não era tão dificil assim. E aposto que nem deve ter doído. No quinto filme a coisa só melhora, e eu diria que é a melhor adaptação de videogames para o cinema. O filme não é fiel a nenhum jogo (até porque, o que Resident Evil se tornou nos games nem é digno de nota), mas passa muito bem o feeling do que seria uma adaptação dos jogos para a tela grande.

De bônus, Anderson resgata as coisas que funcionaram no primeiro filme (Michele Rodriguez e a inteligencia artificial do complexo da Umbrella) e ta-da, hoje em dia pode-se dizer que Resident Evil é uma franquia que merece o seu tempo.

2. MISSÃO IMPOSSÍVEL

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O QUE ERA: Se tem algo que tem tantas chances de dar certo no cinema quanto adaptar jogos, certamente é adaptar séries de TV antigas. Pior ainda se você fizer isso apostando apenas no estrelismo de estrelas que não são tão estelar assim.

Quer dizer, Tom Cruise pode ser muitas coisas para as meninas e para o Thranduil, mas se tem algo que ele definitivamente não é, seria ser considerado um ator confiável.

Tom Cruise não leva um filme nas costas nem fodendo… se bem que eu não subestimo seu potencial para ator pornô.

Tirando a icônica cena da invasão pelo cabo suspenso (que ainda hoje é parodiada à exaustão), o filme não tem muita coisa digna de nota, e eu fortemente recomendo usar seu tempo com coisas mais uteis, tipo aprendendo esperanto.

No máximo você vai perder algumas cenas de ação genéricas, Tom Cruise tomcruiseando, e uma que outra cena legal, mas nada imperdível.

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O QUE SE TORNOU: Todos os filmes da franquia sempre foram dirigidos por grandes diretores, como Brian De Palma e John Woo, mas foi só na mão de J.J. Abrams (na época em seu primeiro projeto no cinema) que as coisas começaram a entrar nos eixos, com Missão Impossível 3.

Mensagens que se autodestruirão em cinco segundos e explosões falotécnicas sempre são legais, mas são mais legais se acontecerem com personagens com os quais conseguimos nos importar minimamente que seja, e este é o truque aqui. Dando tempo para o espectador respirar, e usando este tempo para se importar com os personagens.

O filme é bom e vale ser assistido, mas esbarra nas limitações dramáticas e necessidade de atenção de Tom Cruise.

O que não acontece no quarto filme da série, “Protocolo Fantasma”, dirigido por Brad Bird (Os Incríveis, Gigante de Ferro). Ele pega tudo que funciona nos filmes anteriores, e administra magnificamente bem os chiliques e a canastrice de Tom Cruise. Se o anterior valia o seu tempo, este certamente recupera completamente o bom nome da franquia no cinema.

1. CRESPÚSCULO

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O QUE ERA: yeah, yeah, eu sei. Eu já ouvi todas as piadinhas sobre vampiros que brilham, amores adolescentes idiotas, mary-sueness ao extremo e yada yada yada.

“Ainda é uma história de amor melhor que Crepúsculo” virou um meme na internet, com efeito.

A coisa é que pouca gente se liga que Crepúsculo, o filme, é uma excelente adaptação do livro. O livro, afinal, é do começo ao fim uma aula de como não se escreve. De um ponto de vista narrativo e técnico mesmo, sem entrar no mérito do conteúdo, o livro é ruim e mal escrito.

Ora, é apenas justo que o filme seja o seu equivalente cinematográfico: uma aula de como fazer cinema ruim. O roteiro é fraco, as motivações dos personagens inexistentes, a escolha da iluminação por si só já transforma o filme em uma piada, e a escolha do elenco não poderia ser menos inspirada.

Na verdade, eu tenho muita dificuldade em dizer o que, tecnicamente, não é ruim em Crepúsculo, ou sua continuação. Eu imagino que as pessoas que pagaram para ver isso no cinema ou são reencarnações de nazistas acertando seu carma, ou estão acumulando créditos para nascer na Finlândia na próxima vida.

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O QUE SE TORNOU: Os últimos três filmes da série não são cinema de ponta, e dificilmente entrarão na lista de qualquer pessoa de “filmes para se ver antes de morrer” (de qualquer pessoa cuja opinião valha a pena, pelo menos), mas há que se reconhecer que os filmes melhoraram infinitamente. Como filmes mesmo.

Os últimos filmes, inclusive, oferecem um propósito maior em jogo do que mimimi de paixonite adolescente – mas, mais importante, e improvável, algo com o que você consiga se importar.

Não são obras primas, mas são filmes perfeitamente assistíveis – e dado como os primeiros são ruins, apenas isso já caracteriza como a maior evolução da história do cinema…

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