[TOP 5] Coisas de que os nerds precisam parar de reclamar nos filmes

não é um dragão de verdade

Ninguém odeia o cinema mais do que os cinéfilos. Se para qualquer pessoa o anuncio de um filme se classifica apenas como “vou ver” ou “não tenho interesse”, os nerds fazem cruzadas ideológicas na internet  por coisas absolutamente sem sentido. Muito disso acontece porque as pessoas adoram reclamar, e se sentem especiais e inteligentes fazendo isso, quando na verdade estão sendo mentalmente preguiçosas e mimizando, apenas porque viram alguém fazendo e nunca questionaram. Eu separei algumas coisas que particularmente me incomodam, e que deveriam te incomodar também.

poe casaco tira casaco curitiba

Been there, did that.

5) REMAKES/REBOOTS

Quando eu cheguei em casa aquele dia, senti que havia algo errado. Fui até meu quarto e percebi que alguém havia mexido na minha coleção de DVDs: meu DVD de Robocop havia sumido. Fui até a internet, e todas as cópias do filme haviam desaparecido, ao redor do mundo pessoas alegavam que seus filmes originais haviam sido levados para sempre. Isso só podia significar uma coisa. Me prostrei de joelhos e ergui meu punho para os céus em fúria, bradando: “ELES FIZERAM UM REMAKE!”

Você não odeia quando isso acontece com você?

O original não deixa de existir porque alguém reutilizou aquela propriedade intelectual trinta anos depois. Toda vez que eu vejo alguém dizer que um remake/reboot estragou alguma coisa, eu realmente fico muito curioso em saber como exatamente as coisas funcionam na cabeça dessa pessoa.

Eu me sinto constrangido em ter que dizer isso para pessoas adultas, mas ninguém é obrigado a assistir nada e ficar mimizando só porque vão FAZER alguma coisa, significa que você é um chato de galochas. Talvez ninguém nunca tenha te dito isso com essas palavras, mas, na boa, você é mais chato que o tiozão que pergunta se o pavê é pavê ou pacomê.

Jaws 4 - The revenge

Porque os filmes de hoje são apenas caça-niqueis sem respeito pela inteligencia do espectador, ao contrário de antigamente

4) HOJE EM DIA É SÓ DINHEIRO/NÃO SE FAZEM MAIS FILMES COMO ANTIGAMENTE

Certamente você, amigo cinéfilo, pode recitar duas duzias de filmes dos anos 70/80/90 enquanto vocifera que hoje em dia todo cinema é uma indústria comercial e sem alma. Quer dizer, existiam tantos grandes filmes antigamente, e hoje em dia temos blockbusters como Crepúsculo e Prometheus, não se fazem mais filmes como antigamente, certo?

Não. Você está fazendo duas coisas erradas, na verdade.

Primeiro, você está falando da sua nostalgia. Se eu perguntar de “He-Man e os Mestres do Universo“, você vai comentar que assistia o filme na Sessão da Tarde nas férias de verão, enquanto sua vó fazia bolinho de chuva, e seu falecido cachorro Pangoberto dormia nos seus pés. Que era um tempo bom do qual você sente saudade e blablabla. Ok, ótimo, bom pra você e pro Pangoberto, mas não foi isso que eu perguntei, eu perguntei do filme, e o filme em si é bem tosquinho.

Sem os bolinhos de chuva, sua vó, férias de verão ou o Pangoberto, você é a mesma pessoa que suspira apaixonada por “He-Man e os Mestres do Universo” mas desce a lenha em Hércules do The Rock. Sério mesmo que foi o cinema que mudou? Ou será que foi você?

E outra coisa: quando você citar os grandes filmes dos anos 70/80/90 que não se fazem mais hoje em dia, será que você vai mencionar Superman 4, História sem Fim 2, Toxic Avenger, The Cannonball Run, o filme do Mario ou Porky’s (caso você não lembre, é o American Pie dos anos 80) na lista? Porque aí é muito fácil, né amigo? Pegar apenas o filé do filé de três decadas, varrer o lixo pra debaixo do tapete, e comparar com toda e qualquer coisa que é feita hoje em dia. Que diabo de comparação é essa?

Claro que se faz muito lixo esquecível hoje em dia, COMO SEMPRE SE FEZ. Fingir que 85% do que se produziu naquela época (assim como hoje) sequer é digno de ser mencionado não muda isso.

i-dont-know-what-i-expected3) JULGAR UM FILME PELAS SUAS EXPECTATIVAS, NÃO PELA PROPOSTA DELE

Toda vez que eu vejo alguém falando mal de Godzilla (2014), eu tenho que parar e perguntar: “Ok, mas qual seu filme do Godzilla favorito?”, e as respostas que eu tenho são “nunca vi nenhum” ou “não gosto desse tipo de filme”. Quando eu vejo alguém falar mal de Pacific Rim, eu tenho que perguntar qual seu robô gigante favorito, e usualmente a pessoa responde “nunca gostei desse tipo de coisa”.

Sério. Então. O. Que. Vocês. Estavam. Esperando?

É preciso ser um tipo muito especial de idiota para comprar ingressos para um show do Paul McCartney e reclamar que não está tocando Elis Regina. Muito especial.

Embora não pareça, eu não sou uma menininha de 14 anos com pôsteres do Nickelback (que vieram na Capricho) no quarto. Aliás, só o fato de eu saber o que é Nickelback já prova que eu não tenho 14 anos… Mas, então, não é surpresa que eu ache mais graça em pagar para contrair ebola, do que ler os livros do Nicholas Sparks. Então, porque diabos eu iria reclamar de uma coisa que não foi feita para mim? Por mais foda que eu seja, eu não me acho o centro do universo, e tem coisas que existem sem a minha benção – por incrível que pareça.

Eu sou idiota, mas não TÃO idiota assim.

Em tempo, meus problemas com Crepúsculo não são a temática, e sim o filme ser ruim como filme mesmo. Tanto que depois, a série toma vergonha na cara, e até fica assistivel, como eu já havia falado disso antes.

django racista2) JULGAR UM FILME PELA SUA AGENDA SOCIAL

Azul é a cor mais quente” é um filme chato. O diretor (e o publico alvo, por tabela) claramente só queria uma desculpa para bater umazinha, e como acontece com todo pornô, fica chato, e até meio nojento, depois que já atingiu seu objetivo. E neste caso, tem mais duas horas de filme depois que o seu objetivo foi alcançado, que era mostrar as meninas botando os capôs de fusca pra se bater.

Existem inúmeras criticas que podem ser feitas ao filme em narrativa, proposito, edição, bom gosto, potencial desperdiçado, duração, ou o que quer que seja, mas usualmente as pessoas pegam para criticar a única coisa que realmente não importa no filme: que ele não serviu como uma ferramenta de propaganda na agenda da aceitação do homossexualismo.

Espera, o quê?

Filmes têm uma única função na face da Terra: aquela que você quiser que ela tenha. Você pode ver um filme para aliviar a cabeça, para refletir sobre uma causa, para ver uma boa história, apenas para ver peitinhos de celebridades, ou o que quer que você escolha. That’s fine. O que é loucura, no entanto, é atribuir uma missão divina ao filme na Terra escolhida pelo próprio Jesus J. Cristo, e sair vociferando contra o filme por ele não cumprir a agenda social que você, na sua cabeça, sozinho, decidiu que ele deveria ter. Se isso parece loucura, é porque é realmente.

Tenho certeza que não existem tantas chances assim para usar palavras como semiótica, metalinguagem ou heteronormatividade, e que você precisa se agarrar com unhas e dentes a cada mínima chance que aparece. O que é ok, bom pra você, mas isso ainda te torna um mala.

adaptações de livros1) NÃO É FIEL AO LIVRO

Tenho que admitir que não consegui bolar nenhuma grande teoria para essa. Quer dizer, eu não consigo imaginar um único motivo razoável para as pessoas darem chiliques homéricos quando os filmes não são 100% iguais às obras nas quais foram baseados. Eu realmente não entendo isso, quando eu leio um livro, aquela experiencia foi suficiente, e eu não entendo o tesão que as pessoas têm (ao ponto de ficarem incomodadas se não acontecer) de ver a mesma história novamente.

A minha única ideia é que as pessoas consideram o livro um meio de entretenimento inferior, e que precisa ser “oficializado” pelo filme, mais ou menos como quando você tem uma teoria sobre uma série (ou um ship, para esse propósito) e ele é oficializado. Eu não tenho muita certeza de por quê as pessoas fazem isso, mas é a única explicação. Parece que elas sentem como se aquele fanfic encadernado que elas leram (a.k.a. livro) não tem validade nenhuma, a menos que venha o filme e diga “sim, isso é oficial”.

Outra teoria possível (mas que não se aplica a quadrinhos e games), é que ler é um processo complicado, que necessita formar historinhas na sua cabeça, e 75% das pessoas não consegue desenhar o próprio nome sem ter um principio de hemorragia cerebral. A maioria das pessoas tem uma imaginação tão merda, que tudo que eles obtêm quando leem um livro é um vago esboço, e quando vem o filme, esse esboço porco é preenchido com cor, textura, som e movimento. E por isso mesmo, as pessoas ficam putinhas quando as coisas são diferentes, porque não vai ter ninguém para completar a imagem para elas.

De qualquer forma, o meu ponto é: quando você reclama que a adaptação X está diferente, é um atestado publico que você está passando de que considera o livro/HQ/jogo uma forma de entretenimento inferior, e que sua vida está incompleta sem a homologação da mídia mestra – o cinema, aquele que não só explica tudo direitinho, como desenha pra você, porque pensar dói, né?

Seja como for, não seja esse cara. Não seja nenhum destes caras, na verdade.

6 thoughts on “[TOP 5] Coisas de que os nerds precisam parar de reclamar nos filmes

  1. Concordo com a maioria e não se aplica apenas aos nerds. Só tenho uma visão diferente quanto ao último tópico, na minha cabeça eu separo “adaptação” e “baseado em..”, numa adaptação acho que as mudanças só poderiam ser aquelas que realmente não são possíveis mostrar num filme/série ou que dão uma dinâmica melhor, exemplo: O filme do Senhor dos Anéis foi bem filel e só cortaram partes que realmente não eram importantes sem mudar personalidade de ninguém(cortaram o Tom Bonbardil que não influi em nada, mudaram detalhes do entbate entre outros). No caso de algo baseado no universo, considero aquele filme/série que se passa no mesmo mundo mas contando outras histórias ou com personagens diferentes, exemplo: jogo The Walking Dead, da Tellate que contam a história de Lee e Clementine no mundo de twd, passando até por lugares e personagens comuns da hq, e ainda sim se fosse um filme seria uma grande história até melhor que a série. Under the Dome, mudaram tudo, qual o motivo? Só precisavam dar um final melhor, cortar alguns personagens, mas mudaram a personalidade de todos, deixando bem mais raso que o livro, e colocaram acontecimentos forçados, além de esquecerem crimes e mortes, se era mudar totalmente por que não mudar os personagens?

  2. meu pai odiou o remake do robocop e do karate kid e ele não é nerd, e ambos os filmes foram mal das pernas em critica e bilheteria, quer dizer que não posso reclamar de remakes ruins? aposto que se anunciassem que iam fazer um remake de volta para o futuro todo mundo ia ficar p da vida

    existem remakes desnecessários que simplesmente provam que hollywood está sim sem ideias novas, do mesmo modo que você tem a sua opinião critica e eu respeito, você deveria respeitar a opinião critica das outras pessoas pelo menos é o que eu acredito e não tachar fulano de chato simplesmente não conseguir aturar certos filmes isso sim é realmente chato

  3. “Eu realmente não entendo isso, quando eu leio um livro, aquela experiencia foi suficiente, e eu não entendo o tesão que as pessoas têm (ao ponto de ficarem incomodadas se não acontecer) de ver a mesma história novamente.”

    Talvez porque a pessoa que leu o livro e gostou muito dele, por acaso também é cinéfila. E por acaso, gostaria de ver seu livro favorito transformado em filme. Algum pecado nisso? Não. Sua crítica não tem fundamento algum, ainda mais quando insinua que quem gosta de ver o livro transformado em filme não gosta de “pensar”. (Com relação a essa sua insinuação: apenas por uma questão de educação e civilidade não vou dizer o que eu realmente penso de sua opinião e onde você pode enfiar ela.)

    É claro que não temos que ser puristas e exigirmos que o filme TEM que ser 100% como no livro, porque cada um imagina seu livro de uma maneira, a adaptação vai mesmo desagradar em alguns pontos. Mas é só ser flexível e ter sempre em mente que o cinema é uma mídia diferente da mídia livro, portanto usam linguagens diferentes.

    Ah, Azul é a Cor Mais Quente não é um filme chato. Não é apenas um filme bom porque tem boas cenas de erotismo, mas porque a relação das duas protagonistas realmente comove e faz com que o expectador empatize fortemente com elas.

    E, sim, eu gostaria muito que The Martian (do Andy Weir), livro que li recentemente, se torne filme. Estou sabendo que será o Ridley Scott o diretor megalomaníaco com “síndrome de James Cameron”. A adaptação poderá apresentar diferenças em relação ao livro? Com toda a certeza! Vou odiar o filme POR CAUSA DISSO? De jeito nenhum! E sim, eu gosto de pensar. Ou não teria lido The Martian, uma FC literária hard de primeira qualidade.

  4. Cara pra começar, nada pior e mais esdrúxulo do que um site que tem como título Nerd Geek reclamar de coisa que nerds fazem… começa por aí…

    Com relação as reclamações do autor do texto, eu concordo em parte, vamos aos pontos:

    – remakes, assiste e gosta quem quer… eu assisti aos dois Robocops e gostei dos dois…
    – a indústria buscar dinheiro ?? Vamos ser realistas, ela busca dinheiro desde seeeempre…
    – reclamar de filmes com generos determinados é absurdo, como minha cunhada que é uma pseudo intelectual/artista que cree que assistir a filme europeu e brasileiro faz ela mais culta disse uma vez que não acreditava que o Robert Downey Jr que interpreta o Sherlock Holmes também fez o Homem de Ferro, completou com um pobrezinho ainda, mal sabe ela que se não fosse o Homem de Ferro ele estaria enchendo a cara em algum lugar ao invés de ganhando milhões e se dando ao luxo de escolher os filmes que faz, mas enfim…
    – filmes e livros porcaria, novamente busca quem quer, a realidade dos jovens de hoje em dia é essa mesmo em sua maioria, pessoas sem conteúdo que buscam tudo raso e mastigadinho, igualzinho o telespectador do jornal nacional… não sou tão velho, tenho 35 anos, mas ouvi de um cara de 28 anos uma vez que ele achava o primeiro Matrix um puta filme babaca e que não entendeu nada do filme, ou seja, por causa de uma geração inteira descerebrada temos que aguentar os Crepusculos e 50 tons de cinza da vida…
    – O livro não é igual ao filme, ok, não sou nerd a tal ponto, mas existem certas ridicularidades dos diretores que são injustificaveis de tão idiotas, como por exemplo em Batman -TDKR quando o Robin se identifica como ? Robin !!! Foi ridículo !!! Ao extremo !!! Mas como disse acima, só assim pro pessoal descerebrado saber que é o Robin… dividir O Hobbit em tres filmes também foi ruim, mas o pior foi ver cenas como a entrada dos anões na varanda de Beorn ser ignorada pra dar mais tempo pra vermos um romance ridículo e inexistente entre a elfa e o anão, então se concordei com voce na maioria, nessa fico contra voce, já que encheu o filme de besteiras, ao menos tente ser fiel ao que realmente tem no livro… e na minha opinião, o cinema não diminui o livro de forma alguma, pelo contrário, ele engrandece, pois quem tem mais de um neuronio vai assistir, mas via se perguntar – como será a história em que esse filme se baseou ?

  5. Pingback: [CINEMA] O JOGO DA IMITAÇÃO (resenha) | NERD GEEK FEELINGS

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