[TOP 10] Os Filmes Mais Claustrofóbicos do Cinema

Claustrofobia é a aversão por confinamento ou lugares fechados. Mas a definição de claustrofobia torna-se elástica à medida que apreciamos algumas obras de arte. Já não se tem mais a ideia de confinamento físico, mas de uma prisão mental, uma atmosfera abafada por medos e desespero.

Alguns filmes são tão angustiantes, que têm o poder de ser claustrofóbicos, mesmo em lugares abertos. A impressão que dá é que a câmera fecha os personagens num labirinto interminável.

Tomemos um fôlego e apreciemos um pouquinho de claustrofobia.

1. Repulsa ao Sexo (Repulsion, 1965) – de Roman Polanski

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Catherine Deneuve é uma mulher perturbada, instável e sexualmente reprimida. Repleta de problemas no trabalho e assediada por um homem apaixonado, ela se tranca no apartamento, que divide com a irmã. Como sua irmã está em viagem, a garota fica solitária e começa a ter alucinações, até começar a não diferenciar seus delírios da realidade, com consequências trágicas. Um filme excepcional de Roman Polanski, com uma interpretação antológica de Deneuve. Um dos filmes mais claustrofóbicos já feitos.

E se você lembrou de Cisne Negro (de Darren Aronofsky), não tenha dúvidas de que há ligações entre os filmes.

2. O Barco – Inferno no Mar (Das Boot ,1981) – de Wolfgang Petersen

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O drama antibélico de Wolfgang Petersen tem poucas cenas externas e chega a ser asfixiante. Neste caso, a ideia de claustrofobia é concreta e abstrata; o filme se passa quase todo o tempo dentro de um submarino alemão, que é enviado numa perigosa missão na “Batalha do Atlântico” durante a Segunda Guerra. O longa mostra de perto o engajamento dos 42 marinheiros em cumprir as missões e sobreviver, mesmo sem entender a ideologia de quem os comandava.

E este detalhe de não se ter ideia da ideologia pela qual se luta parece conduzir o espectador também a uma ideia de claustrofobia mental… Muito interessante.

3. O Quarto do Pânico (Panic Room, 2002) – de David Fincher

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Jodie Foster é uma mulher rica e recém divorciada, que muda-se com a filha para um casarão em Nova York. Sua casa é invadida por 3 ladrões e elas se escondem num quarto blindado, especialmente projetado para este tipo de situação – o que por si só já é bastante esquisito. Mas o que os bandidos querem está exatamente neste quarto. Eles começam a tentar obrigá-las a sair. A sensação é a de ser um animalzinho indefeso acuado. Não assista sem tomar um calmante…

4. O Iluminado (The Shining, 1980) – de Stanley Kubrick

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O filme já guarda a característica de claustrofobia em seu princípio, quando uma família feliz é levada a ficar meses num hotel, sozinhos. Graças ao emprego temporário de Jack, um escritor frustrado, a família – ele, sua mulher e seu pequeno filho, dotado de uma mediunidade perturbadora – ficam confinados no luxuoso hotel… E pra piorar, ao lado do prédio há um labirinto.

Curioso é que os corredores e grandes ambientes do lugar não aliviam a sensação de claustrofobia, especialmente quando Jack, que trabalha como caseiro, começa a enlouquecer, e passa a se comunicar com os espíritos malignos e insanos do lugar. No fim das contas, sua loucura o leva a querer aumentar a população de espíritos com sua mulher e filho.

Um plus na sensação de terror reside na atuação de Jack Nicholson… (dispensa comentários). É uma obra-prima de Stanley Kubrick, embora Stephen King, autor do livro que deu base ao filme, discorde.

5. Morte em Veneza (Morte a Venezia, 1971) – de Luchino Visconti

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Baseado em romance homônimo, o filme se passa numa cidade inteira, mas Veneza é labiríntica e tudo no filme oprime o protagonista. Cada parede, cada muro parece empurrar e comprimir o espaço de conforto do espectador. O vento quente e seco do Sirocco, a peste que se espalha, o amor impossível pelo garoto polonês, as ruelas, as faces feias dos trovadores. É um filme claustrofóbico a céu aberto – o que é genial – e angustiante.

6. O Cubo (Cube, 1997) – de Vincenzo Natali

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Este filme canadense de 1997 surpreendeu por sua originalidade, tanto que ganhou duas continuações – bem inferiores. Os pontos de similaridade com “Jogos Mortais” são bem claros, embora não haja um vilão, ou pelo menos não “O” vilão.

O filme só seria mais claustrofóbico caso se passasse na solitária de uma prisão.

Um policial, um ladrão, uma matemática, uma psicóloga, um arquiteto e um garoto autista descobrem-se misteriosamente presos num labirinto de alta tecnologia. Sem comida nem água, eles têm que achar um jeito de sair dali, indo de um cubo para outro, tendo o cuidado de não acionar as armadilhas letais, que se encontram em algumas das saídas.

7. Jogos Mortais (Saw, 2004) – de James Wan

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O filme, que acabou virando uma franquia – demonstrando mais uma vez que o ser humano adora ver sangue e desgraça. Em um deles, dois homens acordam presos numa armadilha, dentro de um banheiro desconhecido. Um deles recebe instruções de matar o outro, ou sua família será morta. Os dois terão um tempo limitado para soltar-se ou também morrerão – aliás, para todas as torturas/mortes terríveis, há algum tipo de limite de tempo… Só pra aumentar o desespero. Em paralelo, dois policiais tentam encontrá-los.

E esse nem foi o mais sufocante dos filmes, muito menos a pior das torturas.

8. A Cela (The Cell, 2000) – de Tarsem Singh

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Um serial killer, constrói uma cela numa fazenda abandonada, uma câmara para onde leva suas jovens vítimas, para um ritual pós-morte. Quando o FBI consegue capturá-lo, ele sofre um ataque e entra em coma, sem revelar o local da cela, onde estava uma das vítimas. Com a ajuda de uma terapeuta, eles tentarão entrar em sua mente e descobrir o local, mas aí quem entra em perigo é ela.

A genialidade do filme reside na “cela” em que está preso o bandido – que não é uma cela normal, num presídio, mas o corpo em si, e na Cela perigosa em que a terapeuta se aventura.

Muito Freudiano, este filme te deixará sem dormir.

9. Kill Bill, Vol. 2 (2004) – de Quentin Tarantino

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Produzido pelo maravilhoso e único Quentin Tarantino (sim, eu puxo o saco dele), esse filme não é de todo claustrofóbico. Mesmo porque, isso nem combinaria com o estilo tarantinesco. Há apenas uma sequência, onde a noiva – Uma Thurman – é enterrada viva, com uma lanterninha pra piorar a sensação de pânico. Tarantino dá um show de claustrofobia, que é uma das melhores coisas do filme. Logo ela irá escapar, utilizando as técnicas aprendidas com o Pai Mei especialmente para esta eventualidade. Ótimo filme (afinal, é do Tarantino).

10. O Escafandro e a Borboleta (Le scaphandre et le papillon, 2007) – de Julian Schnabel

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Esta história vai muito além da claustrofobia, tornando reféns da clausura não apenas o protagonista, mas os espectadores. 

O drama narra a história real de Jean-Do, responsável pela escrita do livro que originou o filme (leia uma resenha dele aqui).

Vítima da Síndrome de Locked in, uma espécie de AVC que deixa o paciente completamente consciente de tudo, mas o faz perder todos os movimentos, Jean-Do se vê preso numa cama de hospital sem poder mover mais que os olhos.

Como o próprio nome deixa claro, Jean-Do sente-se preso a um escafandro, enquanto seus pensamentos, como uma borboleta, voam longe.

Mesmo sendo um filme de belíssima fotografia, é impossível não ter a sensação de nervosismo diante da imobilidade do protagonista.