[TOP 10] Melhores Realidades Alternativas dos Quadrinhos e da TV

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“Vá então, há outros mundos além deste…” – Jake Chambers em “A Torre Negra: O Pistoleiro,” de Stephen King

A ficção sempre foi obcecada pelo conceito de realidades alternativas e universos paralelos. Afinal, o que é melhor que um mundo ficcional fascinante? Outro ainda mais fascinante e fantástico!

Foi a DC Comics que começou a brincadeira nos quadrinhos em 1961, na clássica e icônica The Flash 123. Desde então o Multiverso DC expandiu, e foi quase obliterado da existência nas décadas seguintes, em três grandes Crises (nas Infinitas Terras, Infinita e Final), voltando agora a destacar-se no evento The Multiversity, que começou semana passada (leia a resenha da primeira edição aqui).

A Marvel respondeu com a criação de realidades e linhas temporais alternativas, como a “Contra-Terra” de Heróis Renascem, o mundo dominado por super-heróis mortos-vivos de Zumbis Marvel, e o pós-apocalíptico de Dias de Um Futuro Esquecido.

Este ano a contrapartida da Marvel é a saga Spider-Verse, e as ameaças ao Multiverso apresentadas em Novos Vingadores desde a estréia de Jonathan Hickman como escritor do título.

Mas universos e realidades alternativas não são exclusividades dos quadrinhos, e já foram abordados também em filmes e séries de TV clássicos e recentes, além de fazerem sucesso ano passado com o game Injustice: Gods Among Us, e a série em quadrinhos homônima (recentemente publicada no encadernado Injustiça: Deuses Entre Nós, pela Panini Comics).

Com o conceito de Multiverso tão em voga, traduzimos a lista abaixo, feita pelo site Newsarama, sobre 10 realidades alternativas marcantes da ficção. Confira, e cite nos comentários outros de seus universos paralelos preferidos:

COMMUNITY – ‘A LINHA TEMPORAL SOMBRIA’

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Abrindo a lista temos a realidade alternativa que existiu por apenas alguns minutos na série de TV Community.

Qual o motivo de sua inclusão? Porque foram três minutos memoráveis de existência, quando Troy desceu as escadas pra pegar uma pizza no episódio “Remedial Chaos Theory” da 3ª temporada.

Uma reação em cadeia levou ao que Abed definiu mais tarde como “a mais terrível e sombria linha temporal” das várias realidades alternativas apresentadas naquele episódio – Pierce está morto, Annie num hospício, Shirley é alcoólatra, Jeff perdeu seu braço, Troy perdeu sua laringe, e Britta… tem uma mecha azul em seu cabelo.

Foi divertido (e surpreendentemente bem elaborado pra uma sitcom), mas sua verdadeira influência é o que veio mais tarde: o que foi essencialmente uma gag descartável tornou-se um grito de guerra para os fãs e a imprensa quando a série foi posta num hiato em novembro do ano passado. Inúmeros observadores concluíram que a notícia significava que estávamos mesmo vivendo numa “linha temporal sombria,” e espectadores furiosos usaram cavanhaques em seus avatares do Twitter (e algumas vezes em suas próprias imagens) num sinal de solidariedade e protesto.

MUTANTE X

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Como tirar Destrutor da sombra de Ciclope, seu irmão mais velho? Jogue ele em outra realidade!

De 1999 a 2001, Destrutor foi o líder da principal equipe de heróis mutantes de uma Terra alternativa. Na série escrita por Howard Mackie, Alex Summers da Terra 616 – o Universo Marvel principal – quase morreu, no momento exato em que o Alex Summers da Terra 1298 foi baleado e morto. Isto fez com que espírito do Destrutor 616 fosse parar no corpo do 1298, ajudando-o a sobreviver, e a tornar-se o líder dos heróis mutantes daquele mundo, após os X-Men serem mortos/tornarem-se os vampiros conhecidos como “Os Seis.”

Tempestade era uma vampira, o Fera era o Bruto, um sapo/lagarto/demônio no lugar de um homem-macaco/gato, Warren Worthington III respirava fogo, e Destrutor era casado com Madelyne Pryor, e até tinha um filho com ela! Ah, e ela também era uma louca que matou o clone do Homem-Aranha (!), o Duende Verde (!!), e foi possuída pelo Beyonder (!!!). 

O bacana desta série era acompanhar o Destrutor sendo o líder da principal equipe de heróis daquele universo. Ele foi um líder tão respeitável quanto o Capitão América, ao lidar com ameaças a todo o universo praticamente sozinho. A série mostrou como Destrutor poderia ser sem a supervisão de Scott Summers, o que foi fantástico para os fãs do personagem.

Infelizmente Mutante X teve apenas as três primeiras edições publicadas no Brasil. Portanto, só importando mesmo pra conferir o restante da série, que foi bem divertida, e cheia de idéias e reinterpretações malucas do Universo Marvel.

FRINGE – ‘O LADO DE LÁ’

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A Divisão Fringe do FBI investiga eventos e crimes que acontecem nos limites da ciência que conhecemos. Ficção científica vira ciência real conforme a equipe tenta dar sentido ao nonsense e explicar o inexplicável.

A Divisão Fringe do FBI do “Lado de Lá” é uma filial de alto nível controlada diretamente pelo Departamento de Defesa e é igualmente respeitada e temida, além de ser a linha de defesa de uma vindoura guerra contra a realidade que, segundo creem, está lentamente destruindo a deles.

Esta era a verdadeira trama da série de ficção científica Fringe, que era centrada no conceito de realidades alternativas, peças fundamentais, causa-e-efeito, e em como as coisas podem dar errado por causa de decisões simples. Após introduzir a ideia do mundo alternativo conhecido apenas como o “Lado de Lá” (além dos maravilhosos nomes das contrapartes, como “Fausolivia” para a versão alternativa de Olivia, e o “Walternativo” a versão paralela de Walter Bishop), as coisas ficaram ainda mais loucas. Mais diante surgiu uma 3ª realidade que tinha sua própria versão do “Lado de Lá.”

Fringe não apenas tomou emprestadas as realidades alternativas dos quadrinhos (e da ficção científica e fantasia de outras mídias também, obviamente). Na trama também existia uma raça de seres carecas que juraram apenas observar os eventos e personagens mais importantes de todas estas realidades, conhecidos apenas como Observadores… que de tempos em tempos quebravam seu juramento pra ajudar nossos heróis. Soa família pra você que é fã da Marvel?

O “Lado de Lá” de Fringe é um dos universos alternativos mais legais por uma simples razão: um monte de zeppelins espalhados pelo céu! *_____*

SUPERMAN: ENTRE A FOICE E O MARTELO

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Verdade e justiça… na Rússia Soviética.

Superman: Entre a Foice e o Martelo, de 2003, apresentou um conceito simples e fascinante: O que aconteceria se o Superman, símbolo do orgulho estadunidense, houvesse crescido na União Soviética ao invés de numa fazenda do Kansas?

Mark Millar, criador de Procurado e Kick-Ass, uniu-se aos artistas Dave JohnsonKilian Plunkett para contar a história, que substituiu o tradicional “S” no peito do Homem de Aço por um martelo e uma foice, e incorporou trechos da história real à fantasia super-heroica.

BUFFY, A CAÇA VAMPIROS – “TERRA DOS SÓSIAS”

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Você conhece o ditado “cuidado com o que deseja.” Infelizmente Cordelia não pensou nele no episódio “Doppelgangland” da 3ª temporada de Buffy. Felizmente, sua tolice criou uma das melhores linhas temporais alternativas de todas. Uma na qual Willow era uma vampira, e a Willow Vampira era tão formidável que ganhou um episódio inteiro focado nela.

Graças à Willow Vampira ganhamos frases como “Cansei agora…” e “Acho que sou meio gay!” (o que foi significativo, pois Willow realmente descobriu mais adiante na série que era gay). Também vimos Willow “sair do armário,” e o papel de Anya dentro da equipe cresceu graças aos dois episódios em que a sósia apareceu.

TERRA 3 (SINDICATO DO CRIME)

jla-earth-2Observação: apesar de estar escrito “Earth 2” (Terra 2), esta é uma das versões do Sindicato do Crime, criada por Grant Morrison e Frank Quitely, que na história em questão vinha da Terra 2. Usei pra ilustrar porque é minha versão preferida. 😛

Na Terra 3, tudo é ao contrário. Alexander Luthor é o maior (e único) herói do mundo. Personagens que parecem familiares certamente não são as pessoas que você espera. O Superman tornou-se o assassino brutal conhecido como Ultraman. Batman é o Owlman, o estrategista brilhante que usa suas habilidades pra ajudar sua equipe a governar o mundo. Anel Energético, Johnny Quick, Super-Mulher e outros sósias habitam este planeta, formando o Sindicato do Crime da América, os maiores vilões do mundo.

A Terra 3 ofereceu a oportunidade para explorar outra grande pergunta da fantasia: o que você faria se tivesse poder absoluto e nenhuma consciência? Isto levou a histórias divertidas e verdadeiros clássicos de Grant Morrison e Dwayne McDuffie nos quadrinhos e nos desenhos animados.

Recentemente a Terra-3 apareceu pela primeira vez nos Novos 52, quando o Sindicato do Crime escapou do seu mundo para o Universo DC principal, após seu universo ser destruído por uma ameaça que só foi revelada no final de Vilania Eterna (atualmente sendo publicada no Brasil pela Panini Comics).

ERA DO APOCALIPSE

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Legião, um mutante telepata, telecinético e capaz de viajar no tempo, que além disto tudo tem personalidade múltipla  (!!!),  achou que havia descoberto a melhor forma de fazer seu pai, ninguém menos que o Professor Xavier, sentir orgulho dele: viajar de volta no tempo e matar o mutante megalomaníaco Magneto.

O único problema foi que ele acabou matando o Professor X no lugar de seu maior nêmesis, fazendo com que ele nunca criasse os X-Men e o mundo sofresse as consequências disto.

Parte da linha de futuros distópicos do Universo Marvel, o mundo de Era do Apocalipse era sinistro, pois estava sob domínio do milenar e mega-poderoso Apocalipse. Magneto acabou criando os X-Men nesta linha temporal para combater ameaças aparentemente insuperáveis.

A Era do Apocalipse tomou conta de todos os títulos mutantes da Marvel por quatro meses em 1995, com cada um deles ganhando um novo título e uma nova numeração antes de reassumirem suas antigas posições e nomes após a conclusão da saga.

Só isto torna esta uma das realidades alternativas mais arrebatadoras da história dos quadrinhos, que acabou ganhando continuações em várias séries ao longo dos anos, chegando a ganhar uma série mensal, gerar um novo crossover e spin-offs, e servir de base para boa parte da aclamada fase de Rick Remender no título Fabulosa X-Force, que por sua vez está servindo como base para o longo arco do autor em Fabulosos Vingadores.

E não podemos esquecer, é claro, de que ela pode ser a inspiração do filme X-Men: Apocalypse, com estréia prevista para 27 de maio de 2016.

JORNADA NAS ESTRELAS (STAR TREK) – “ESPELHO ESPELHO”

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O episódio “Mirror Mirror” da série clássica Jornada nas Estrelas estabeleceu várias regras para universos paralelos na cultura pop em 1967. Graças a um defeito no transportador, a tripulação da Enterprise vai parar num mundo “espelho” sombrio, onde encontram versões mais sinistras de si mesmos.

Além de ser um dos episódios mais memoráveis de uma das franquias de ficção científica mais queridas de todos os tempos, ele também deu ao mundo um ótimo presente: o cavanhaque do Spock Espelhado, que tornou-se sinônimo de “gêmeo mau,” parodiado em filmes como Quando Mais Idiota Melhor (Wayne’s World, 1992), em séries como a já citada Community, entre outras.

TERRA 2

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Sim, há uma nova Terra 2 nos Novos 52, mas o conceito já existe há bastante tempo. Paradoxalmente, a Terra 2, apesar de seu número, era habitada por heróis mais velhos nas versões mais antigas do Universo DC, ou simplesmente possuía heróis há mais tempo do que a Terra 1 ou Nova Terra.

O mundo da Terra 2 clássica deixou os heróis da Era de Ouro continuarem relevantes, apesar dos heróis mais jovens e mais famosos como Hal Jordan e Barry Allen. Lar da Sociedade da Justiça da América e de uma segunda geração que também já havia se tornado adulta, a Terra 2 era um lugar onde o Batman podia ter um filho já crescido, ou até mesmo já ter falecido.

O problema com a Terra 2 clássica foi que ela abriu pra DC a possibilidade de criar novas Terras – um número infinito delas, na verdade – que a editora aproveitou, obviamente, mas descontroladamente. Logo tudo ficou confuso e contraditório demais, e foi preciso uma Crise Nas Infinitas Terras para reunir todos as Terras paralelas e dar algum sentido a elas.

Nos Novos 52, a Terra 2 foi o lar de um Batman, um Superman e uma Mulher-Maravilha mais velhos, que morreram heroicamente salvando o mundo das forças de Darkseid e Apokolips. Agora uma nova geração de heróis, liderada por um jovem Alan Scott (o Lanterna Verde gay), Jay Garrick, e outros heróis clássicos reinterpretados como versões mais jovens, reuniram-se para combater Apokolips mais uma vez. Embora tenha mudado muito do conceito clássico da Terra 2, a atual está oferecendo uma abordagem moderna do Universo DC, para que os fãs o enxerguem de múltiplos pontos de vista ao mesmo tempo.

UNIVERSO MARVEL ULTIMATE

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Universo Ultimate começou em 2000 como um Universo Marvel com o qual os leitores estavam familiarizados, mas criado do zero para uma audiência mais moderna: Peter Parker tornou-se o Homem-Aranha devido a engenharia genética ao invés de radioatividade, por exemplo, e o mundo era mais diversificado, com um Nick Fury afro-americano no lugar de um caucasiano.

Porém, nos últimos 14 anos, o Universo Ultimate assumiu identidade própria, graças a três grande eventos, Ultimatum, A Morte do Homem-Aranha e o recém-concluído (lá fora) Cataclysm.

Ultimatum mostrou Magneto realizando um ataque em larga escala, que normalmente ele só ameaça fazer, com vários personagens – incluindo o Professor X, Ciclope, Wolverine e o próprio Magneto – morrendo durante a saga.

A “Morte do Homem-Aranha”, como o próprio título entrega, mostrou a morte do Peter Parker do Universo Ultimate, abrindo caminho para um novo Homem-Aranha, o metade afro-americano, metade hispânico Miles Morales.

Já em Cataclysm, o Galactus do Universo Marvel 616 – o universo principal da editora – vai parar no Universo Ultimate, onde funde-se com sua contraparte daquele universo, Gah Lak Tus, e quase destrói o mundo, matando milhares de pessoas, entre elas o Capitão América.

Agora com o mundo desvatado, um novo Homem-Aranha, uma S.H.I.E.L.D. que foi destruída, e a perda de diversos dos seus maiores heróis, o Universo Ultimate deixou de ser uma versão simplificada do Universo Marvel clássico, e está mais para um lugar onde qualquer coisa pode acontecer. Os leitores sabem que o “verdadeiro” Peter Parker não morrerá pra valer no universo clássico por uma série de razões práticas, mas no Universo Ultimate nenhuma reviravolta chocante está fora de cogitação. Nele morte significa morte, o que permite a este mundo evoluir de uma forma mais rápida que o Universo Marvel principal.

O Universo Ultimate, desde sua criação, apresentou ao mundo diversos novos talentos, que se destacaram na Marvel nos últimos anos, entre eles nomes como: Brian Michael Bendis, que era relativamente desconhecido em 2000 quando Homem-Aranha Ultimate foi lançada, e agora é um dos nomes mais importantes da indústria. O trabalho de Mark Millar em Os Supremos e X-Men Ultimate o ajudou a tornar-se um superstar em seu meio. Robert Kirkman, criador de The Walking Dead, também passou alguns anos escrevendo X-Men Ultimate. E além deles podemos citar outros grandes autores e artistas dos quadrinhos que trabalharam na linha, como Brian K. Vaughan, Bryan Hitch, Jason Aaron, Mark Bagley, David Finch, Mike Carey, Stuart Immonen, Jonathan Hickman, Andy Kubert, Adam Kubert, Warren Ellis, Leinil Francis Yu, Jeph Loeb, Art Adams entre muitos outros.

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