[Top 10] Livros obscuros de Ficção Científica que você precisa ler! (PARTE II – FINAL)

A Semana Sci-fi no Nerd Geek Feelings acabou, mas a ficção cientifica sempre se fará presente por aqui. Se você deu bobeira e perdeu a primeira parte deste TOP 10, acesse AQUI. E vamo que vamo!

5 – Ballroom Of The Skies (John D. McDonald)

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Criador da famosa série Travis Mcgee, McDonald é considerado pelo mundo um escritor misterioso. Como vencedor de um Grand Master (prêmio para escritores de ficção, pelo conjunto da obra), ele certamente é. Mas McDonald é um autor de primeira linha também. Suas numerosas histórias curtas de sci-fi, vendidas a revistas, geralmente mostram fino trato e compreensão quanto ao gênero… E nunca desapontam. De seus três trabalhos mais longos de sci-fi, “Ballroom of the Skies” é provavelmente o melhor. Pesado e algumas vezes com diálogos empolados no começo, mas usando muita descrição no decorrer da história, quando os personagens se deparam com eventos grandiosos, a novela essencialmente explora a questão fundamental de por que os humanos são sempre levados às guerras e desastres auto-impostos, mesmo quando suas outras atividades rumam para melhorar o modo de vida  e a condição humana. Claro… A explicação é sinistra.

4 – Midworld (Alan Dean Foster)

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Alguns podem já ter ouvido falar nesse livro. Mas é uma das obras mais obscuras do autor e é desconhecida do grande público, exceto por pouquíssimos fãs que o elevam ao status de cult. O livro tem uma das melhores descrições de biosfera alien já descritas. O planeta é uma imensa floresta, com clorofila elevando-se a alturas vertiginosas e um infernal pôr-do-sol na superfície dos pântanos. Descendentes de humanos, de uma nave que caiu no local há muito tempo atrás, vivem nos níveis médios (mid) desse mundo. Daí o título. À primeira vista eles parecem primitivos selvagens, mas suas habilidades para sobreviver em um ambiente inóspito e perigoso fizeram deles pessoas familiares com seu meio mais do que qualquer índio já foi. Então uma companhia chega ao planeta para explorar as propriedades medicinais de uma planta. Nosso herói (considerado imprudente e estranho por sua tribo), juntamente com seu furcot (um ser nativo que pode falar e tem uma relação mais íntima com humanos do que cachorros, por exemplo) concorda em guiar dois cientistas perdidos de volta à sua base no topo da árvore. As descrições das formas de vida aliens são espetaculares. O livro passa aquela mensagem “viva com a floresta, não a explore”, mas sem chatear conservadores políticos nem nada chato assim. E há um segredo que é revelado e faz com que a leitura seja ouro puro!

3 – Agent Of Chaos (Norman Spinrad)

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Spinrad é conhecido principalmente por sua novela “Bug Jack Barron“, de 1969, uma precursora do cyberpunk. Agents Of Chaos, de 1967, é sua segunda novela. O livro pode ser descrito como ficção científica política. Mas calma aí, pois isso está longe de ser entediante. Quem detesta política também pode gostar muito, já que o background da história é algo digno do melhor de Heinlen (criador de Tropas Estelares). Mas política é realmente o centro de tudo, ou melhor, poderia até dizer que meta-política é o tema. Temos um governo totalitário (A Hegemonia) e uma conspiração underground rebelde (o Movimento Democrático). Enquanto essas duas facções brigam, os Agentes do Caos – conhecidos na república como A Irmandade dos Assassinos – intervém vez ou outra com atos aleatórios de violência, que podem ser a favor da Hegemonia em um dia e a favor do Movimento Democrático no dia seguinte. Qual o objetivo deles? O verdadeiro caos, mas por razões políticas esse motivo é revelado vagarosamente. Algo central no livro é o conceito de entropia, mesmo em sistemas políticos. A Hegemonia luta por ordem e para eliminação da aleatoriedade, portanto é certo que há uma reação do Movimento para mudar o que acontece até a ordem. Só que os Agentes tem outras ideias. Espere só até descobrir o que os Agentes consideram ser o Ato Caótico Final!

2 – Of Men And Monsters (William Tenn)

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William Tenn era o pseudônimo de Phillip Klass, professor da Escola Estadual Penn. Nos anos 50 e 60 ele escreveu toneladas de contos de ficção científica para a revista “Galaxy and Astounding“. Quase todas essas histórias eram satíricas e/ou humorísticas, escritas em um estilo simples e rápido. Apesar disso ele escreveu apenas uma novela: “Of Men And Monsters“. E mesmo essa é de leitura fácil e curta – dá pra ler de uma vez só. É uma história excelente e original, mesmo que sua premissa soe boba e padronizada. Aliens gigantes parecidos com louva-deuses conquistaram a terra e criaram quarteirões com casas gigantescas. Mas alguns remanescentes da humanidade sobreviveram, literalmente, vivendo como ratos nas paredes das enormes casas dos aliens. E como ratos eles devem enfrentar a morte para poder roubar comida. A graciosidade do livro está em seu desenvolvimento da cultura tribal que a humanidade adota sob essas condições. E, claro, há um espírito de rebelião em nosso protagonista… Levando-o a contrariar a ordem social humana.

1 – Wasp (Eric Frank Russell)

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Russel em si já é um autor obscuro, pouco apreciado pelo fãs de sci-fi de hoje. Mas ele foi o favorito de duas lendas: o editor John W. Campbell e o autor Alan Dean Foster. Seus contos tiveram várias edições, e algumas de suas histórias são mencionadas com louvor, como “Allamagoosa“. Mas suas novelas não eram tão boas…  

Depois dos atentados de 9/11 nos EUA, esse livro voltou a ser bastante vendido, pois o protagonista emprega táticas terroristas efetivas… O que é pintado no livro com humor negro. Wasp, de 1957, é uma história curta e de divertida leitura. O título do livro faz referência ao fato de que algo insignificante pode causar resultados desproporcionais, como uma vespa que distrai um motorista e causa um acidente com vários carros, que envolve mão de obra e dinheiro para lidar com o resultado (limpar destroços, pagar danos, etc).

James Mowry se torna uma Vespa treinada pelo Governo, deixado sozinho e disfarçado em um planeta inimigo durante uma guerra feroz com a Terra. Na verdade, é algo similar às tropas aliadas mandando soldados paraquedistas sozinhos atrás das linhas inimigas na Segunda Guerra Mundial, com instruções para danificar comunicações, trabalhar silenciosamente para, geralmente, perturbar e fazer traquinagens em tudo. O que, no livro, Mowry faz com um heroísmo espirituoso pautado no humor negro. Os truques e táticas que ele emprega fazem o livro valer a pena (coisas simples, mas com efeitos incríveis). Combine isso a um personagem que detesta o autoritarismo de seu próprio Governo, mas acha que o totalitarismo do inimigo pode ser pior, e temos um clássico como poucos.