[Top 10] Livros obscuros de Ficção Científica que você precisa ler! (PARTE I)

Todos nós conhecemos (lemos ou pelo menos sabemos do que se trata quando são mencionados) vários clássicos da literatura de ficção científica. Nomes como Isaac Asimov, Philip K. Dick, H. G. Wells, Douglas Adams, Arthur C. Clarke e Julio Verne são medalhões do gênero. Mas… E os não tão conhecidos, será que são bons?

A Lei de Sturgeon nos diz que “90% de qualquer coisa é lixo”. Então apresentaremos abaixo uma lista (publicada originalmente no site listverse, em tradução livre aqui) com 10 nomes que fazem parte dos 10% restantes da ficção científica obscura que são puro ouro. A segunda parte da lista sai essa semana mesmo!

10 – Bloodworld, de Laurence M. Janifer 


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Seu título original é “You Sane Men”, mas é reconhecido mais facilmente como Bloodworld. O problema com Janifer é que, bem, ele é um picareta. Escreveu profissionalmente por 50 anos. Mas pegue qualquer livro dele e provavelmente você ficará desapontado. Apesar disso, nos anos 60 ele ganhou uma nominação ao prêmio Hugo (O prêmio é entregue anualmente para os melhores trabalhos e realizações de fantasia ou ficção científica do ano anterior) como co-autor (sob o pseudônimo de Mark Phillips) com Randall Garret na obra Brain Twister, uma obra que, graças a deus, não venceu. Contudo Janifer detonou em Bloodworld.

Essencialmente a história trata de homens dominantes em um planeta colonizado que se mantém sãos  e capazes de realizar suas obrigações sociais ao torturar mulheres de classes inferiores como atividade recreativa. Até então a trama era definitivamente provocativa e uma tentativa intencional de chocar. As cenas de torturas são mostradas com um tom de que “isso é tudo normal e certo”… Até que o protagonista desenvolve sentimentos por uma de suas mulheres torturadas, aí é que a conduta moral entra em ação e a história fica ótima.

09 – Skinner, de Richard S. McEnroe

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Alguns livros, por melhores que sejam, correm o risco de se tornarem desconhecidos e esquecidos em algum sebo ou livraria em uma estante escondida e escura. Skinner, de 1985, sofre disso. Foi feito há quase 30 anos e até hoje não encontramos muita informação sobre ele, nem mesmo um review decente no site da Amazon.

O protagonista, um anti-herói, se vê extraditado para um mundo desértico e profundamente endividado. O planeta é comandado e chefiado por uma empresa familiar para a produção de seu único grande monopólio: caçadas a dragões. Os critters não são dragões reais, apesar de parecerem-se com eles. São enormes lagartos nojentos que vivem nas areias do deserto, e sua pele é praticamente indestrutível. Um skinner sai (com seus suprimentos e aparelhos comprados na empresa da família, aumentando assim seu débito) e faz o melhor para matar essas bestas e conseguir voltar são e salvo com as peles. A empresa tem até uma enfermagem onde criam bebês répteis, um trabalho que pode ser mortal. Somos jogados em intrigas de facções rivais à família que controla tudo e temos uma aventura franca que poderia se passar em alguma cidade carvoeira da Terra do ano 1890. O livro nunca será um clássico, mas Skinner é uma leitura satisfatória do gênero.

08 – The Greks Brings Gifts, de Murray Leinster

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Outro picareta, um verdadeira picareta de pulp-fictions. Will Jenkins escreveu milhares de contos sob uma variedade de pseudônimos em uma variedade de gêneros como faroeste, romance, aventuras na selva, horror, roteiros para rádio e pelo que é mais conhecido – a ficção científica, sob o nome de Murray Leinster. Chegou a fazer algum sucesso com seu conto “Primeiro Contato”, mas a vasta maioria de suas obras são, no mínimo, sem inspiração. The Greks Brings Gifts é uma exceção. 

O título é uma alusão ao mito do cavalo de Tróia, apesar do “Greeks” ter sido escrito errado, com apenas um “e”. Uma grande nave com assustadores e indiferentes Greks está a caminho da Terra. Ela é uma escola para trabalhadores do espaço e tem uma classe de agradáveis e peludos Aldarians à bordo. Pode ser uma boa experiência fazer contato com uma nova raça, os humanos. Ah, e os Greks fornecerão qualquer tipo de tecnologia que disponham para que a vida possa ser melhorada, sem custos. Apenas a coisa certa e amigável a se fazer. E “energia transmitida” quase ilimitada é algo incrível para nós humanos. Porque construir carros à combustão quando em breve todos terão carros alimentados à “energia transmitida”? Após ajudar, os Greks se vão, mas agora as coisas se ajeitarão. Todos os problemas serão passado. Quanto aos inofensivos Aldarians deixados na Terra (um presente grego?) … Dá pra imaginar.

07 – House of Stairs, de William Sleator

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William Sleator é um nome que não soa familiar aos fãs de sci-fi, mesmo tendo feito a vida por mais de 30 anos como escritor, majoritariamente, de ficção. Sleator escreve ficção juvenil, mas seu estilo é completamente diferenciado – ele se especializou em climas estranhos e situações bizarras. House of Stairs, de 1974, é verdadeiramente estranho e definitivamente bizarro. A novela é – perdoem a expressão – anos luz à frente de seus outros trabalhos. É difícil proporcionar uma sinopse que não contenha spoilers para o novo leitor e que não estrague as surpresas que a obra apresenta.

Mas vamos tentar: um grupo de adolescentes que não se conhecem acordam em um lugar estranho. Escadarias e rampas estão por todos os lugares, em três dimensões, e isso é tudo o que eles veem. Tudo é arrepiante e não há comida ou água. Então, em uma ocasião, eles são alimentados por barras de nutrientes providenciadas por máquinas. E isso é tudo o que podemos dizer da história sem estragá-la. Ao ler este livro você vai se considerar extremamente normal e pensar se outras pessoas, principalmente o público juvenil a que é direcionado, devem mesmo o ler e também por causa de um conceito que não podemos mencionar aqui para evitar spoilers. Mas, aparentemente, até o momento, ninguém teve problemas sérios por causa deste livro.

06 – Iceworld, de Hal Clement

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Hall Clement foi um autor essencial de sci-fi old school. Na verdade muitas de suas novelas até mesmo hoje são consideradas difíceis pela maioria dos leitores de ficção científica, por causa das numerosas passagens em que o autor utiliza seu conhecimento em física e exobiologia. Mesmo fãs de sci-fi moderna, como os populares trabalhos de Robert J. Sawyer, consideram os livros de Clement a cura perfeita para a insônia. Mas, por ter sido um professor de química e astronomia, a ciência em seus livros é tão genuína quanto possível (pelo menos em sua época), meticulosamente trabalhada e livre de erros. Clement ganhou fama e aclamação crítica por sua novela “Mission Of Gravity”, de 1954 – um livro sobre humanos coordenando centípedes inteligentes exploradores em um mundo com densa gravidade (onde uma queda de três metros perto dos polos seria com certeza fatal) para recuperar anotações de uma sonda que caiu perto da linha equatorial, onde a gravidade não é tão extrema.

Iceworld tem menos ciência do que seus outros trabalhos – no entanto não há ciência fajuta em nenhum livro de Clement. Nesse livro sobre tráfico de drogas nós vemos o ponto de vista dos Aliens mais do que o nosso próprio, de humanos. No caso, a droga traficada é o tabaco, a única droga capaz de ter algum resultado arrasador e viciante em uma única “dosagem” para os aliens. O mundo gelado é a própria Terra – para os aliens, qualquer lugar que contenha água é extremamente galado. Excelentes personagens são retratados, tanto humanos quanto aliens, e tudo se torna uma leitura envolvente. Nota: nada disso descrito acima se trata de spoiler – é apenas a sinopse.

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