[TOP 10] DOCTOR WHO: os dez melhores episódios (ou arcos)

weeping-angels-doctor-who-for-whovians-35964312-500-1572016 tem sido um duro para os whovians. Depois de sermos apresentados a melhor temporada do melhor Doutor dos últimos 53 anos em 2015, o showrunner da série Steven Moffat tirou um ano sabático para colocar Sherlock em dia além de não ter o seu último ano como chefe da porra toda durante um ano tão conturbado como 2016 (teve Eurocopa,Brexit e Olimpíada).

O resultado disso é estamos enfrentando um árduo anos de vacas magras em que o melhor que temos para passar o inverno é a participação do Doutor no spin-off Class e o especial de natal por vir.

Assim sendo faremos o mesmo, tirando esse ano para crescer como seres humanos e… ah, quem estamos querendo enganar? Vou é fazer um TOP 10 dos meus episódios favoritos da minha série favorita para enfrentar essa LARICA BRABA. Então vamo que vamo, e vamo quicando!

10o DOUTOR (David Tennant)

BLINK – Vamos começar tirando o elefante branco da sala. Tenho bastante impressão de que essa expressão não significa o que eu penso que significa. Mas sério, se você quer explicar para alguém porque assisti Doctor Who, 9 entre 10 dentistas recomendam mostrar Blink (e não, o episódio não se chama “Don’t Blink”, ao contrário da crença popular).

É meio que o episódio definitivo de ficção cientifica com viagens no tempo. Ao contrário do que possa parecer, a viagem no tempo não é tão explorada assim durante a série senão largar o Doutor do ponto A no tempo ao ponto B. Aqui não, aqui é time travel pesado do tipo que explode sua mente.

Adicione a isso um dos monstros mais criativos da cultura pop e temos o momento que Steven Moffat sentou e disse “HOJE EU TO CÁGOTA!”. Ou teria se ele fosse nordestino, mas isso é discussão para uma dimensão paralela. O episódio é tão épico que funciona com o Doutor sendo figurante, o episódio na verdade é sobre a garota comum Sally Sparrow, cuja maior preocupação na vida até aquela manhã era pagar a multa por devolver as fitas na locadora sem rebobinar e que termina explicando o que é um paradoxo temporal

THE SATAN PIT – Como não amar o dia em que o Doutor chamou para o x1 ninguém menos que o Tinhoso, o Cramuião, o Tranca-rua, o Coisa-Ruim, o Capiroto, o Belzeboss, o-que-faz-as-crianças-chorarem, Aquele-que-desmama-os-bezerrinhos e por aí vai. Verdade seja dita, não foi a primeira vez que um Daemon (uma raça de alieniginas que existiu antes do próprio tempo e o que restou de sua malignidade infinda se tornou o nosso próprio conceito de mal em quase todas as culturas do universo) aparece na série.

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Você acha que a Michelle Rodriguez é destrambelhada como Mestre? Me chame quando ela fizer um ritual satanista em horário nobre para invocar o Tinhoso.

O que torna esse episódio tão especial nem é tanto o Doutor enfrentar o mal que deu origem a todos os males, mas sim a forma como ele faz. Usualmente o Doutor do Tennant não é um sujeito muito legal, e em diversas vezes ele fala como o vilão da história – o que é algo que eu não gosto tanto. Não me entendam errado, eu acho a atuação do David Tennant genial, o cara é espetacular em cada cena, mas eu não curto tanto assim esse conceito de um Doutor anti-herói não.

E esse episódio é o que o Doutor está mais humano do que em qualquer outro arco do Tennant. Porque entre suas palavras inventadas e frases de efeito contagiantes, ele escolhe deliberadamente acreditar na humanidade. Ele vence o cão acreditando que quando as pessoas são pressionadas até a alma elas podem encontrar algo dentro de si para fazer a coisa certa. Nesse arco de dois episódios ele elogia muito os melhores aspectos da natureza humana, e é algo que não vemos muito o 10o Doutor fazendo.

Claro, também tem que o episódio se passa em uma estação espacial orbitando um buraco negro e tem os Ood, como não gostar desses carinhas?

O episódio que foi exibido na semana de 6/6/06 ainda tem outro fato relevante: foi o último episódio que Billie Piper gravou para a série. O último episódio dela exibido havia sido gravado um mês antes, então essa foi de verdade o dia em que a loirinha absolutamente comum de Cardiff finalmente parou de correr. Obrigado, Rose Tyler, em nome de todos que aprenderam a amar essa série por sua causa eu gostaria de dizer que nós —

11o DOUTOR

THE RINGS OF AKHATEN – Eu estava pensando em escolher um episódio que melhor representasse o conceito do 11o Doutor, e minha primeira ideia foi The Lodger – o episódio em que o Doutor tenta passar totalmente desapercebido como um simples inquilino e mostra o quão pouco humano o Doutor realmente é de uma forma divertidissima. Porém não dá para não dizer que um dos melhores episódios do Matt Smitt não é The Rings of Akhaten.

Tem tanta coisa certa nesse episódio, que já começa numa das raras vezes que o Doutor menciona sua neta (e primeirissima companion) e termina com ele fazendo o melhor discurso do Matt Smith em que ele mostra que apesar de ser todo descolado e legalzão, no fundo o Doutor é uma criatura impossivelmente antiga e que está terrivelmente cansado de tudo isso – como uma porção muito pequena de manteiga espalhada em uma fatia muito grande de pão (me pergunto se alguém já usou essa metafora antes, acho que vou pegar para mim).

Isso tudo ao som de uma capella linda. Em mais de cinquenta anos de televisão foram raríssimas as vezes que o Doutor chorou, o dia que o Doutor usou todo o peso da sua história para colocar um deus-parasita em seu lugar certamente foi a mais bela de todas.

Sério, essa e o discurso do Capaldi em The Zygon Inversion são as melhores cenas de toda série.

Todo filme devia ter essa introdução que The Day of the Doctor teve quando passou no cinema. Sério.

THE DAY OF THE DOCTOR – O Doutor sempre pareceu bastante afetado sobre a última grande Guerra do Tempo, uma guerra tão imensa e tão infinita que obscureceu o próprio conceito de qualquer outra guerra. Mas ele raramente fala sobre ela, e menos ainda ela é mostrada. Exceto no especial de 50 anos da série, que foi um episódio sobre nada menos do que a própria Guerra do Tempo. Daleks e Time Lords se atracando as ganhas!

E aí a gente se pergunta: puxa, como isso poderia ficar melhor? Não, talvez se fosse um episódio em que o Doutor encontra suas versões passadas e passa uma aventura consigo mesmo? Yeah, baby, o 10o e 11o Doutores valsando por aí juntos. Só que tem um problema: Christopher Eccleston, o 9o Doutor, não se dava nada bem com a BBC e não aceitou voltar para participar da série, como fazer então?

Simples, adapte a história para inserir um novo Doutor no lugar dele. “Ah mas isso jamais vai dar certo e… JESUSMARIAJOSÉNACRUZEMCHAMAS É O JOHN HURT! PUTA QUE PARIU JOHN HURT É O DOUTOR!”.

Não tem como ficar melhor que isso. Mas aí temos a primeira participação do Capaldi na série como Doutor em uma das cenas mais épicas de toda série quando todos os treze Doutores se juntam ao som de “I’m the Doctor”. Ai, morri.

SÉRIE CLASSICA

pyro-flamesTHE DALEK’S MASTER PLAN – Eu não podia fazer uma lista dos melhores episódios da série sem mencionar o homem que mudou para sempre a história da televisão, eu não poderia conviver comigo mesmo sem mencionar um episódio do bom e amado William Hartnell. Minha primeira ideia foi mencionar An Unearthly Child, que é o primeiro arco da série e é impressionantemente bom mesmo para os padrões de hoje.

Só que não tem como não dizer que o melhor arco do primeiro Doutor é a mega-saga de doze episódios sobre o dia em que os Daleks sentaram a mesa para dominar a galaxia usando política e medo. Mesmo com alguns episódios desse arco perdidos e só disponiveis em reconstruções a partir de fotonovelas, não tem como não dizer que não é simplesmente o máximo.

Simplesmente tem de tudo: intrigas políticas, a primeira vez que uma companion morre (e uma legal pra caralho ainda por cima), DALEKS COM LANÇA-CHAMAS (sim, você leu certo: PYROFLAMES DALEK!!!) e se isso não fosse bom o suficiente, no meio tem um especial de natal muito doido que o Doutor e sua gangue vão parar no meio de um set de filmagens enquanto fogem dos Daleks. Sim, o primeiríssimo especial de natal de Doctor Who foi um arraso de diversão com direito ao William Hartnell quebrando a quarta parede e desejando feliz natal aos espectadores.

Sheer poetry, my boy, sheer poetry!

enemy-of-the-worldTHE ENEMY OF THE WORLD – Quando eu lembro do segundo Doutor, interpretado por Patrick Throughton, eu sempre foi lembrar do sujeito atrapalhado com roupas grandes demais que tinha bordões como “ai minha tiazinha!” enquanto esfregava as mãos nervosamente. Não tem como não amar o mendigo cósmico.

Mas é fácil esquecer que Patrick não foi só um excelente Doutor, ele foi um dos grandes atores de toda sua geração. E esse é o episódio que mostra o quão foda suas habilidades de atuação são quando ele interpreta o herói da série e também o vilão do arco, Ramon Salamander, em personagens completamente diferentes. Tirando a semelhança fisica, você sequer diria que se trata da mesma pessoa. A cena em que o Doutor se passa por Salamander (mas continua sendo o Doutor nas entrelinhas) é de uma classe interpretativa que poucos atores no mundo conseguiriam executar com credibilidade.

Adicione a isso uma interpretação deliciosa para o ditador que quer salvar o mundo Ramon Salamander, um elenco de apoio inspiradissimo (o chef de cozinha que achava que ninguem dava valor ao seu trabalho deveria virar companion recorrente da série) e temos algo para recordar aqui.

9o DOUTOR

THE DOCTOR DANCES – O nosso primeiro Doutor a gente nunca esquece, e eu sempre vou ter muito carinho não só pelo que o Christopher Eccleston fez pela série como por sua atuação inspiradissima. E um dos seus melhores episódios certamente foi o primeiro arco escrito por Steven Moffat (que na época era apenas um escritor/fã da série e sequer sonhava em se tornar showrunner da porra toda) para a temporada de 2005.

O episódio é sensível, engraçado, apresenta um monstro pra lá de perturbador (“Are you my mommy?”) sobre um tema sensível em uma época sensivel (ser mãe solteira em 1941 não era exatamente um passeio no parque) e mostra o quanto o Doutor ainda está abalado pelas coisas que ele viu e fez durante a Guerra do Tempo. A cena em que ele diz “Todo mundo viveu, Rose, só dessa vez todo mundo sobreviveu” é de partir o coração.

E se não fosse bom o bastante, ainda conhecemos o Capitão Jack Harkness – aka o dia em que John Barrowman entrou em nossas vidas. O que mais pode se desejar?

ROSE – O primeiro episódio da primeira temporada da nova série é indiscutivelmente um dos mais importantes de todos. Se não tivesse dado certo, nada do que veio a seguir teria acontecido. Eu sequer estaria escrevendo esse texto agora. Mas para que usar as minhas palavras para dizer se deu certo quando posso citar o que disse um fã da série muito mais antigo que eu, ninguém menos do que o próprio Peter Capaldi?

“Quando o Doutor voltou em 2005, ninguém sabia se aquilo iria funcionar. Mas assim que os créditos passaram e a música tema começou, houveram pêlos da nuca se erguendo e excitação. Você passa pelo episódio e tem esses “primeiros”,  o que foi muito, muito emocionante.

Teve a “primeira” visão da TARDIS e lá estava ela, graças a Deus, uma cabine de polícia azul, exatamente como eu lembrava. Os autons, monstros clássicos que permanecem aterrorizantes, o que foi uma ideia absolutamente brilhante.

E então, de repente, temos a Rose, Billie Piper, que trouxe algo completamente novo para Doctor Who. Mas a coisa mais impressionante era o Doutor que apareceu na pessoa de Christopher Eccleston. O jeito que ele faz um discurso sobre a rotação da Terra, de ser capaz de senti-la e eu pensei “Hm, é, esse cara é o Doutor.”

Agora fazem dez anos desde que o Doutor agarrou a mão de Rose Tyler e lhe disse: “Corra!”. E nós nunca mais paramos depois disso.

Meu momento favorito do episódio, no entanto, é quando a Rose pergunta para o Doutor porque ele estava guardando a arma que poderia matar o monstro e o Doutor responde “Nós temos que falar com ele primeiro, nós temos que lhe dar uma chance” não porque ele era arrogante e tinha confiança plena na sua vitoria, que eles não precisavam se preocupar com o monstro. Na verdade as chances de que as coisas acabassem bem para eles era bem magra desde o começo.

Mas se fazer a coisa certa custasse a sua vida, bem, seria um preço a se pagar.

Nesse momento eu soube imediatamente que havia encontrado o meu herói.

12o DOUTOR

doctor_who___listen_by_doctor_who_gifs-d7z39hdLISTEN – Pergunta: por que falamos em voz alta mesmo quando sabemos que estamos sozinhos? Conjectura: porque sabemos que não estamos.

A evolução aperfeiçoa as habilidades de sobrevivência. Há caçadores perfeitos. Há defensores perfeitos. Pergunta: por que não existe tal coisa como um escondedor perfeito? Resposta: como você saberia se houvesse? Logicamente, se a evolução fosse aperfeiçoar uma criatura cuja habilidade primária fosse esconder-se de vista, como você poderia saber que ela existe? Poderia estar conosco a cada segundo e nunca saberíamos. Como você o detectaria? Sequer a sentiria? Exceto nos momentos em que, por nenhuma razão clara, você escolhe falar em voz alta.

Um dos pontos recorrentes da BBC sobre o Doutor Quem é que muito pouco é revelado sobre o Doutor em si. Por isso tendo um episódio que mostra a infancia do Doutor é uma agulha no palheiro. Mas apenas porque as estrelas estavam certas, não é nada tão direto ou simples assim.

Como os grandes episódios dos Simpsons, ele começa com uma coisa, e quando você vê já estamos em outra – mas seguindo uma lógica que funciona dentro do episódio, e assim vamos, do encontro da Clara já estamos com o último ser vivo no fim dos tempos (literalmente), e voltamos para Gallifrey (WHAT?) antes que você possa realmente processar o que está acontecendo.

Adicione a isso viagens no tempo, paradoxos temporais, a vida pessoal fracassada da Clara (na 8a temporada a personagem ainda era um saco, mas nesse episódio ela está bem divertida) e o Doutor esculhambando ela. E claro, um “monstro do dia” tão bem sacado que revela muito mais sobre a personalidade do Doutor que qualquer flashback (ou viagem no tempo, nesse caso) poderia.

Sério, é um episódio que tem o seguinte dialogo:

Doctor: Eu não consigo encontra-lo. Você consegue encontra-lo?

Clara: Encontrar quem?

Doctor: Wally.

Clara: Wally?

Doctor: Não acho em nenhum lugar desse livro.

Rupert: Não é um livro de “Onde está Wally?”

Doctor: Bem, como você saberia? Talvez você só não tenha encontrado ainda.

Fica ai a dúvida, né? E se todos os livros do mundo forem de “Onde está Wally?” e nós só não encontramos ele ainda? Já pensou nisso?

tumblr_nycdrdjhcz1qijoeyo3_500HEAVEN SENT – Escolher um único episódio de uma temporada praticamente perfeita (com exceção do único episódio que não foi escrito pelo Moffat) é muito dificil. Sério, a nona temporada começa com o Doutor entrando tocando guitarra sobre um tanque de guerra enquanto duela com um viking (eu não consigo imaginar uma imagem que defina melhor a série do que isso), ele dá rolezinho na cadeira do Davros, tem a Maisie Williams sendo uma viking imortal, tem uma releitura do conto do Rei-Pescador dublado pelo Corey Taylor (vocalista do Slipknot), o discurso filhadaputamente épico do Doutor sobre a guerra (que coincidentemente aconteceu uma semana antes do massacre na boate em Paris, provando o quanto ele estava certo). Ufa, foi uma temporada do caralho.

Tão boa que até a Clara estava legal pacas nela, finalmente o Moffat acertou a mão na personagem.

Mas aí, então, temos o episódio em que o finalmente volta para casa. Pelo caminho cumprido. Só isso já faria o episódio épico, mas ele é escrito como um conto fechado em si mesmo. Sério, quando você coloca um ator do calibre de Peter Capaldi para atuar sozinho durante o episódio inteiro é porque vamos ter um dos melhores episódios da história da televisão. Adicione a isso uma edição mais inspirada do que em Blink e uma trama épica que se passa ao longo de DOIS BILHÕES E MEIO DE ANOS e bam. Arte. Pura arte.

“As pessoas sempre entenderam errado os Senhores do Tempo. Nós levamos uma eternidade para morrer. Mesmo se estamos muito feridos para regenerar, cada célula em nossos corpos continua tentando. Morrer verdadeiramente pode levar dias. É por isso que gostamos de morrer entre os nossos. Eles sabem não devem nos enterrar tão cedo.”

Caso você já não tenha adivinhado, este é um episódio de horror. E, meu Deus, que horror é esse episódio! Tudo, desde a criatura constantemente seguindo, ao estado emocional gradualmente pior do Doutor, ao estranho layout mutante do interior do castelo poderia ter sido tirado diretamente das páginas de uma história do H.P.Lovecraft e, sim, isso é tão dramático quanto parece.

“Heaven Sent” não é só o melhor episódio em mais de cinquenta anos de série, é um dos melhores episódios da história da televisão.

 

4 thoughts on “[TOP 10] DOCTOR WHO: os dez melhores episódios (ou arcos)

    • Na verdade, eu acho o Tennant um ator genial porém o Doutor dele é o que eu menos gosto com toda certeza. Quando você tiver um crush pelo Capaldi, aí a gente conversa

      • Isso é verdade. Até a hora em que alguém atravessa o caminho dele ou o contraria. Aí ele se torna um bully que pisa em quem for necessário para fazer as coisas do jeito dele e foda-se o resto. Porque ele tem a tecnologia e o conhecimento para fazer isso, para ser cruel e arrogante.

        Se você quer saber como um homem é, veja como ele trata os inferiores, e não os seus iguais.

        Todo arco de desenvolvimento do personagem é justamente sobre isso, sobre como ser o último Senhor do Tempo e único sobrevivente da Guerra do Tempo subiu a cabeça dele. A atuação do Tennant é brilhante, mas o personagem é muito menos do que gostavel

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