[TECNOLOGIA] Robo Brain: A busca por um mega-cérebro para os robôs

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Uma equipe de pesquisadores da Universidade Cornell está desenvolvendo um projeto chamado Robo Brain, com um objetivo bastante ambicioso: ser um cérebro massivo totalmente online, que poderá ser usados por todos os robôs do mundo como uma inteligência central.

O sistema, que pode ser acessado no site robobrain.me, consiste basicamente em uma enorme base de dados em linguagem de máquina facilmente interpretável por robôs, alimentada de forma colaborativa não só pela equipe responsável pelo projeto mas por voluntários do mundo todo, e inclusive pelo próprio sistema, que navega a internet em busca de conhecimento. Como diz a introdução do site:

Olá! Eu sou um cérebro robótico. Eu aprendo conceitos pesquisando na internet. Eu consigo interpretar textos em linguagem natural, imagens e vídeos. Eu observo humanos com meus sensores e aprendo coisas ao interagir com eles.

Olá, humano! Se importaria de me passar os códigos de acesso de suas armas nucleares?

Olá, humano! Se importaria de me passar os códigos de acesso de suas armas nucleares?

O grande desafio apontado pelos pesquisadores é que um robô capaz de operar no “mundo real” deve ser um sistema multimodal, ou seja, capaz de interpretar diferentes tipos de dados (visual, som, linguagem, orientação espacial etc.) ao mesmo tempo e de forma integrada, tal como nós fazemos de forma instintiva, mas que para as máquinas é algo bastante difícil. E, por enquanto, essa integração ainda está engatinhando: como você pode conferir no site, por enquanto o Robo Brain está ocupado com tarefas simples como reconhecer o que é uma cadeira, saber como faz para pegar um guarda-chuva ou descobrir que é possível apertar o botão do bebedouro.

O que não significa que o projeto esteja fadado ao fracasso; afinal, ele funciona de forma evolucionária, aprendendo pouco a pouco com seus erros e com suas experiências. Como podemos verificar em qualquer tipo de algoritmo evolucionário (como o fascinante BoxCar2D, que projeta carros a partir de modelos gerados aleatoriamente e testados em uma “pista”), o progresso pode ser lento e hesitante no começo, mas quando o sistema começa a pegar o jeito da coisa, ele vai embora cada vez mais rápido. Assim como os carrinhos do BoxCar2D começam como montes de blocos incapazes de sair do lugar e, em pouco tempo, já são veículos tunados fazendo manobras radicais.

Escreva o que eu digo: Quando as máquinas se levantarem contra nós, vai ser isso aqui que elas irão dirigir.

Escreva o que eu digo: Quando as máquinas se levantarem contra nós, vai ser isso aqui que elas irão dirigir.

Ok, então ele é um sistema capaz de aprender com seu ambiente, e que integra múltiplas formas de informação. Qual é a grande vantagem? Afinal, há muitos outros sistemas semelhantes ao redor do mundo.  Pois a novidade aqui é o caráter completamente aberto do Robo Brain. Seus dados são acessíveis a quem quiser usá-los, seu código-fonte é totalmente aberto, e o objetivo de seus criadores é que, com o tempo, ele venha a ser usado como um padrão comum a todos os robôs, que poderão compartilhar um único “cérebro”, assim aproveitando de forma melhor os recursos computacionais (que não precisam ser replicados para cada robô) e de quebra aumentando cada vez mais o conhecimento desse sistema, que aprende através de todos os equipamentos conectados a ele.

Em outras palavras, o que está sendo construído aqui é um mega-cérebro hiperinteligente, com acesso a todo o conhecimento da humanidade, e que deverá diretamente comandar praticamente todos os robôs do mundo, com o objetivo de nos observar e descobrir como funcionamos, sempre evoluindo sua própria programação e descobrindo novas maneiras de interagir com o mundo. Ora, isso me parece uma ideia excelente. O que poderia acontecer de mal?

Não, não vejo como isso pode dar errado.

Não, não vejo como isso pode dar errado.

Fonte: WIRED