[SERIES] UNDER THE DOME (Prisão Invisivel) – Resenha – Terror são as adaptações de Stephen King para TV

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Stephen King é, segundo os meus cálculos, o segundo autor mais adaptado da história da literatura adaptada. Acho que ele só perde para Tom Clancy, que neste exato momento deve estar terminando mais 4 livros, dois roteiros para jogos, e um filme com o Sean Connery, enquanto provavelmente deve estar pegando mais novinhas do que você jamais pegará em toda sua vida. Ah Tom, seu malandrinho…

Como não poderia deixar de ser, quando falamos de entretenimento por atacado, muito do que é adaptado de Stephen King é ruim. Muito ruim. Terrivelmente ruim. Prometheus ruim. Under the Dome ruim. Mas já chegamos lá.

Stephen King é especialista em escrever sobre um grupo de pessoas presas em algum lugar devido a circunstancias sobrenaturais, e explorar o desenvolvimento das relações humanas em tais circunstancias (ou seja, os nego pirando). O Nevoeiro, O Iluminado, Langoliers e A Tempestade de Século são bons exemplos disso, e Under the Dome segue nesta linha, então, não seria uma escolha ruim adaptá-lo como uma série de TV, certo?

Adicione a isso um ator querido dos fãs (Dean Norris, o Hank de Breaking Bad) e o que poderia dar errado?

Uaaaaaaaiiiiiiii ggooooddddiiii?!?

Uaaaaaaaiiiiiiii ggooooddddiiii?!?

Bem… então…

Bem vindo a Chester’s Mill, uma cidadezinha da taqueopareo do interior dos US and A mundialmente famosa por não ser famosa em nada (dica: se você estiver em um livro do Stephen King, fuja do Maine por sua vida, aquele fim de mundo só se fode nessa porra). Quer dizer, era só um cara chamado Chester que construiu um moinho, o quão importante pode ser isso?

As coisas mudam no Moinho do Chester Cheetah quando, do nada, um domo de uma energia misteriosa se forma ao redor da cidade, a isolando completamente do resto do mundo. Oh noes, e agora? Quem poderá nos defender?

Sim, a barreira literalmente caiu ao redor de Chester's Cheetah Mill

Sim, a barreira literalmente caiu ao redor de Chester’s Cheetah Mill

A ideia parece, e muito, com o filme dos Simpsons, e se você já assistiu um, já sabe o que esperar do outro. Algo como isso:

Degeneração humana, recursos, terra sem lei, cada um por si, yada yada yada.

Verdade seja dita, Stephen King escreveu Under the Dome em 1976, mas não publicou porque não tinha certeza de como seriam as consequências climáticas de tal acontecimento, sendo que nos anos 2000, agora rico pra caralho, e cercado de consultores para tal, ele pôde fazê-lo. Então, apesar do filme dos Simpsons ter sido feito primeiro que o lançamento do livro, não é como se ele tivesse copiado a ideia.

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Mas, ao contrário do que você possa imaginar, e aqui é onde as coisas começam a ficar estranhas – e não o tipo bom de estranho – porque aparentemente viver isolado do mundo não é tão ruim assim.

Em Chester’s Mill não falta água, não falta comida, as ruas são relativamente seguras de se andar, não parece faltar luz, enfim, a cidade não parece afetada em nada pelo isolamento do resto do mundo. Passa-se mais de um mês, e Chester’s Mill continua de boa na lagoa. Diabos, mais de um mês isolada do mundo, e essa cidade parece mais limpa e segura do que qualquer cidade brasileira!

Sério, quem é que recolhe o lixo? E sistema de esgoto não teria sido cortado do resto do mundo também? Por um homem pode enfrentar muitas coisas, mas quando a água da privada não desce é que o pavor realmente aperta.

Adicionalmente, na cidadezinha também venta, chove e o clima está sempre agradável. Veja, eu não estou sendo cri-cri, porque mimimi seria cientificamente impossível ter um microclima assim dentro do domo, ou algo assim, eu to pouco me fodendo para isso, eu estou reclamando porque isso fodancha, e muito, é com a tensão da série.

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Sério, assistir Evangelion me deixa mais angustiado que isso, porque naquela porra é sempre verão, e se eu ouvir mais uma cigarra cantando a giripoca gonna pew-pew, maluco! Mas aqui não, Chester’s Mill tá de boa. Heck, depois de quase um mês de isolamento, a lanchonete está funcionando tranquila, qualé!

A série basicamente se divide em dois tipos de momentos: os adultos pirando com as adultices de viver em uma cidade isolada do mundo (que sempre são problemas pontuais, resolvidos em um episódio ou menos, e depois nunca mais se fala no assunto), e do outro lado um bando de garotos desvendando o mistério do domo.

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A segunda parte é ligeiramente mais interessante que a primeira e, apesar de atuações constrangedoras e muita leitura de texto (sério, os teens puxam muitos fatos aleatórios que claramente eles só estão falando porque está escrito que eles têm que falar, naturalidade zero), é até interessantezinho.

Agora, o que não é interessante são os “conflitos humanos” da série. Tirando Dean Norris, que sempre é legal em cena, o resto das atuações são… vergonhosas. E se as atuações são menos que otimizadas, o roteiro então orgulharia os produtores de Troll 2:

Esse é o nível de qualidade com o que estamos trabalhando aqui!

A série parece ter sido escrita no estilo Game of Thrones de previsibilidade: em dada cena basta imaginar qual a coisa mais “chocante” que pode acontecer (mesmo que seja clichê pra caralho) e ta-da, você já pode prever como as coisas vão se desenrolar.

O Xerife da cidade tem um marca-passo, é citado isso 15 vezes em 5 minutos, o que será que vai acontecer com ele?

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A cidade tem só uma caixa d’agua, é lembrado isso mais de dez vezes, o que será que vai acontecer com ela?

O cara pira por motivo nenhum e acorrenta a guria no porão por uma semana, ela sai e não se fala muito mais no assunto, e estamos de boa com isso. Na verdade ele vira policial, e continuam dando armas para ele, sendo que qualquer um ve que o guri não está regulando bem ao ponto que a coisa fica ridícula.

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Uma personagem importante surge depois de uma semana, onde ela estava esse tempo todo? A resposta é “ah eu estava … big ball of timey-wimey… stuff…” e fica por isso mesmo, como se ela estivesse estado ali o tempo todo.

“Barbie” é o macho alfa da série, e se apaixona por uma gatinha ruiva, mas Barbie tem um passado sombrio e era um cobrador de divida de jogo que veio a Chester’s Mill cobrar um cara, e acabou matando ele acidentalmente… o marido da guria de quem ele gosta! Para lidar com isso, Barbie decide que a melhor coisa a se fazer é… se mudar para a casa dela e não falar nada a respeito! Oh noes!  A tensão! Os segredos! Tá sentindo? Dá pra sentir A TENSÃO?!?

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E assim vai.

O roteiro é escrito com a sutileza e eloquência de um elefante com urtiga nos testículos, que são complementadas por atuações que foram rejeitadas em elencos de filmes feitos para televisão, tudo isso em um cenário que não ajuda, e sabemos que estamos diante de uma perola trash da televisão.

Ah, sim, talvez você ache que eu estou exagerando a respeito da ruindade das atuações desta série, então me permita compartilhar este momento de pura arte: a melhor convulsão da história da TV ever (que acontece a cada dois episódios, mais ou menos).

É como se juntasse os piores (e mais enraivecedores, não no sentido legal) momentos de Walking Dead com aquelas cenas infinitas de Breaking Bad onde nada acontece e você pode ter uma ideia do que esperar.

Honestamente, o único mistério que essa série apresenta é como algo assim ainda não foi cancelado. Meu parecer: (faça a leitura labial)

bullshit

nota-1

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