[SÉRIES] THE WALKING DEAD: mid season finale (review) e a manoelcarlisação da TV

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A maior parte do público que consome cultura pop pela internet não assiste novelas – diabos, eu sequer tenho uma TV em casa mais – mas, ao contrário dessa leva de novinhos e novinhas, eu sou de uma era sombria e estranha, de um mundo sem informação, de um mundo sem internet, de um mundo sem o Homem-Aranha – Electro feelings. O que significa que eu já assisti muita novela. Tipo, muita.

E Manoel Carlos é o único nome de autor de novela que eu conheço, então, pra mim, são todos Manoel Carlos.

Por isso é bastante comum os nerds em geral acharem que George Martin é a última bolacha do pacote e que inventou a roda, mas na verdade ele só está usando um recurso batido, que qualquer roteirista de novela da Globo conhece bem desde os anos 70: na dúvida, mate um personagem. Sempre funciona.

Sempre.

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Se uma novela da Globo vai mal de audiência é batata: alguém vai morrer de uma forma misteriosa. Isso mantém o publico cativo que, de outra forma, estaria cagando para a trama. Em outra escala, é mais ou menos isso que George Martin faz com Game of Thrones, embora eu não esteja dizendo que a série não faria sucesso sem o “fator chocante”, não há como negar que grande parte do seu sucesso com o público vem da técnica narrativa mais manjada ever.

E The Walking Dead com isso? Ora, The Walking Dead tem tudo haver com isso! Até a metade da quarta temporada, a série andava mais perdida do que um zumbi errante, e tinha virado uma paródia de si mesma. Então, da metade da quarta temporada para cá, as coisas começaram a melhorar e, quem diria, coisas aconteceram. Coisas interessantes.

Então os roteiristas da série começaram a se perguntar: e agora, José? O que faremos? O que é que vamos fazer?

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Ora, na dúvida siga o líder! Ou seja, se inspire em Game of Thrones – que nada mais é do que o Manoel Carlos épico da TV, atualmente.

E sabe, esse não é o problema, diacho, se o problema fosse copiar fórmulas que desse certo, então não haver mais televisão. O problema é como isso foi feito.

Nesta meia temporada fomos apresentados a um novo núcleo de personagens: o Hospital. Como todas as comunidades de Walking Dead, à primeira vista parece ser um lugar legal, em que finalmente as coisas vão pra frente, mas aí você descobre que é tudo doido e fodido por debaixo da aparência maneira.

Sei lá, parei de me surpreender na 8ª vez que eles fizeram isso.

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Então, temos a galerinha do Hospital, que parece ser super do bem – só que não. Ok, até aí é o procedimento padrão de Walking Dead. As coisas se complicam, personagens fazem imbecilidades sem sentido que só fodancham mais as coisas, enfim, Walking Dead sendo Walking Dead.

O que realmente incomoda é que você percebe que toda essa construção, e essa cena foi feita para um único e exclusivo propósito: matar um personagem. Porque matar personagens é legal agora, é o que fazemos, certo?

Então, temos a pequena e bela Beth, que tem um desenvolvimento legal de personagem, e você sente que a nova Beth poderia ser um acréscimo interessante a série. Não fosse o fato de que, bem, temos que gameofthronizar tudo. Alias Manoelcarlolizar tudo.

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Então chegamos ao clímax da meia-temporada, o momento de tensão para o qual tudo se construiu (até relativamente bem, se você assistir a série de boa vontade), e na cena derradeira de tensão… nada acontece.

Há uma troca de reféns, e nada especial acontece, porque simplesmente não faria sentido nada acontecer, não é como se um lado tivesse algo particularmente contra o outro. Não havia como inserir nada extraordinário na cena, porque não tinha como mesmo.

Mas então os roteiristas do episódio sentiram o senhor Manoel Carlos (ou seu pupilo, George Martin) cobrando a tal da morte do personagem – porque temos uma cota de mortes de personagens a cumprir!

Posto isso, sem motivo nenhum, sem motivação nenhuma, a tal da Beth puxa do bolso uma imbecilidade – do puro ar mesmo – e acaba conseguindo morrer.

Tenho que admitir que fiquei chocado. Bastante. Não pela morte, mas por como a cena foi mal escrita, sem sentido ou motivação, senão o fato de “gameofthronisar”. A cena foi tão mal escrita que, do nada, sem motivação nenhuma, a Betty decide esfaquear a chefona do hospital. No colete à prova de balas. Com uma mini tesourinha cirúrgica.

Sério. Não to brincando que o clímax da temporada é ruim assim, foi exatamente isso que aconteceu. Sem exageros da minha parte aqui.

é pra glorificar de p... ah, esquece

É pra glorificar de p… ah, esquece

E agora Rick Grimes e sua galerinha muito louca vão embora do Hospital, e o assunto fica por isso mesmo.

Toda essa meia temporada foi para isso? Sério? Mesmo? A cara de pau deles realmente me deixou chocado.

A coisa foi tão ruim, mas tão ruim, que o criador da HQ, Robert Kirkman, se manifestou no Twitter dizendo o quanto essa escolha e sua execução sugam bolas euclidianas.

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Sabe, por um momento eu realmente achei que The Walking Dead tinha mudado. Por um momento eu achei que a série iria para algum lugar, ou tinha alguma coisa para dizer. Mas não, obviamente era apenas pensamento positivo meu.

The Walking Dead continua sendo o que se tornou: apenas uma encheção de linguiça sem propósito, que fez toda uma cena apenas para jogar um truque narrativo cliché. Não que eu os culpe, esse tipo de coisa realmente funciona como funciona nas novelas da Globo, como funciona em Game of Thrones, e como funciona com você, que vai continuar assistindo essa série, na esperança de que ela seja sobre alguma coisa que não tomar o seu tempo.

SPOILER: não é.

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The Walking Dead ficou de pé, bateu na taça de champanhe, pediu a atenção de todos, e a festa parou para ver o que ela ia dizer. E ela só tinha uma som de peido com o suvaco para fazer – se achando a coisa mais engraçada do mundo.

Na boa, pra mim deu. Parei com essa série. Dei uma última chance, e essa foi a resposta que eu tive. Chega de perguntar “mas já fazem três anos, como isso ainda funciona?” Chega de perguntar porque eles estão há três anos andando em círculos no interior do país. Chega de perguntar como é possível que as estradas no meio do nada sejam sempre tão povoadas. Chega do continuísmo PORCO entre as cenas. Chega da consistência do cenário ser inexistente. Chega dos personagens sem noção de nada (oh, quem imaginava que o padre iria surtar e fazer merda?). Chega de aguentar os mimimis dos personagens, que não vão levar a lugar nenhum. Nada vai levar a lugar nenhum, senão para fazer um truquezinho narrativo barato. Larguei os tacos.

Boa sorte pra quem fica, porque você vai precisar.

E dessa vez a culpa nem é do Chris.

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One thought on “[SÉRIES] THE WALKING DEAD: mid season finale (review) e a manoelcarlisação da TV

  1. Nossa cara, você tem uma maneira tão idiota de falar da série… Mas é s sua opinião… Você não entende muito bem de histórias bem contadas, não!!

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