[SÉRIES] The Walking Dead – 4ª Temporada, Episódio 1

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Rick Grimes, Daryl Dixon e sua turminha do barulho estão de volta para a 4ª temporada da série mais boladona do momento. Neste primeiro episódio a história se passa apenas 30 dias após o final da temporada anterior, todos estão felizes e contentes, formando casais, plantando hortinhas e ensinando criancinhas a sobreviverem a um apocalipse zumbi quando… Bom, continue lendo para descobrir. 😉

Daqui pra baixo você entra em zona infectada por SPOILERS ZUMBIS DO INFERNO!! Estão avisados.

Antes de começar a falar do episódio em questão, devo confessar que quebrei uma promessa. Quando terminou a 3ª temporada de Walking Dead prometi que não voltaria a assistir a série. O motivo? Estava gostando bastante dela, apesar de ter dado unlike pra falta de coragem dos realizadores da série na hora de explorar as atrocidades ocorridas em Woodbury, e a psicopatia do Governador (sim, eu sou dos que leram os quadrinhos antes de assistir a série, e ficaram decepcionados com vários pontos da adaptação pra TV), até que veio o episódio final que acabou com minhas esperanças de ver um embate violento e catártico que fizesse jus ao conflito armado durante toda a temporada. Decepção é pouco pra definir o que senti ao final do episódio. Nem vou entrar em detalhes sobre o que mais não gostei. Basta dizer que pegaram um personagem que foi eleito um dos melhores vilões dos quadrinhos da última década, e amenizaram todo o sadismo que o tornavam tão memorável, temível, odiável e uma presença magnética a cada aparição que fazia nas páginas.

Um bate-papo pra descontrair, e dar um pouco de carisma pra Michonne, que tava precisando.

Um bate-papo pra descontrair, e dar um pouco de carisma pra Michonne, que tava precisando.

Mas, sigamos em frente, que este é um dos temas desta nova temporada. Semelhante ao início da 3ª, esta começa algum tempo depois da temporada anterior, embora nesta a elipse temporal seja menor: apenas um mês entre o season finale e esta premiere. Rick ainda tenta lidar com as perdas sofridas e os efeitos das decisões que tomou. Michonne tem feito buscas periódicas nas redondezas à caça do Governador e seus capangas. Carl continua forçando seu próprio amadurecimento para adaptar-se a um mundo a cada dia mais perigoso. Gleen continua comendo Maggie (que pro alívio do rapaz não está grávida), cujo pai Hershel ganhou uma perna mecânica (“Sem mais muletas e calças com perna balançando pra mim! Weee!!!” \O/). E Beth, a caçula de Hershel, não deu bola pras investidas de Carl e arrumou um namoradinho entre os refugiados de Woodbury. Quem também encontrou uma companheira entre o pessoal que veio de lá foi Tyreese. Enquanto isto Carol faz “hora do conto” com as criancinhas, algo que acaba se mostrando uma fachada pra outro tipo de aula (num daqueles momentos que a série novamente mostra o potencial que tem pra ser tão colhuda quanto os quadrinhos nos quais se baseia). E Daryl continua sendo o caipira fodão e carismático, e justificando o porquê de ser o preferido entre a maioria dos fãs da série.

Dois deles morrem neste episódios. Pode adivinhar quais?

Dois deles morrem neste episódio. Pode adivinhar quais?

Alguns rostos novos aparecem rapidamente: os interesses amorosos de Beth e Tyresse, que servem apenas ao propósito de fazer com que nos importemos minimamente por seus destinos (o suficiente pra lamentar, bem de leve, a morte de um deles, que tem um diálogo divertido com Daryl e Michonne, o qual consegue a proeza de transformar a bad girl da katana numa personagem tão carismática quanto sua versão dos quadrinhos, algo que a temporada anterior não conseguiu); um nerd que não gosta de facas e serve como gancho para o segundo episódio; e um “woodborense” com problemas com álcool, que desencadeia uma das melhores e mais frenéticas sequências de ação DE TODA A SÉRIE. Espera-se que sejam desenvolvidos nos próximos episódios, e alguns deles causem “altas traquinagens” (aposto no alcoólatra, obviamente, que já foi traficante na EXCELENTE série de The Wire – citação especialmente direcionada para nosso nerd-mor Nelson Silva).

Zumbis + carchaça de helicóptero + telhado podre = MELHOR SEQUÊNCIA DE AÇÃO DA SÉRIE EVER!!!

Zumbis + carcaça de helicóptero + telhado podre = MELHOR SEQUÊNCIA DE AÇÃO DA SÉRIE EVER!!!

E já que toquei no ponto que sempre foi o mais positivo de Walking Dead, falemos um pouco sobre o combate no supermercado transformado em base-militar abandonada. Na verdade não dá pra dizer muita coisa sem estragar algumas surpresas, basta comentar que envolve uma “chuva de zumbis” e uma carcaça de helicóptero que ameaça piorar ainda mais uma situação já sufocante e cheia de tensão. Sensacional!

Mas não é só ação de primeira que este episódio proporcionou, houve ainda uma melhora considerável no aspecto dramático da narrativa. A interação dos personagens soou mais natural, os diálogos foram mais econômicos, espirituosos e eficientes ao retratar os dramas, sem apelar pro melodramático e discussões redundantes, dois grandes problemas das temporadas passadas.

The Walking Boring

The Walking Boring

De negativo somente a subtrama envolvendo Rick e uma sobrevivente que ele encontra perdida na floresta das redondezas, que até começa prometendo alguma reviravolta interessante, mas termina por se revelar apenas uma encheção de linguiça que toca em temas já exaustivamente abordados durante a série. Uma pena, pois a atriz convidada interpreta bem uma mulher digna de pena, e seu visual desperta uma curiosidade inicial que me fez cogitar a possibilidade de ela ser uma nova espécie de zumbi, de tão podre que ela se parece depois de perambular por um mundo em estado constante de putrefação (o que é uma ótima sacada da já imbatível equipe de maquiagem comandada por Greg Nicotero, que também dirigiu este episódio de estréia, e novamente não decepcionou na função).

Do que pode ser deduzido deste episódio, e do final da 3ª temporada, o Governador prossegue como potencial vilão, que provavelmente voltará mais pro meio ou pro final da 4ª temporada (e vou me permitir ter um pouco de esperança de que desta vez seja “com tudo”, pra compensar o final broxante da temporada anterior).

Em suma, estou contente de ter quebrado minha promessa. Talvez a maior vantagem dos roteiristas da série terem tomado um caminho completamente diferente do seguido pela HQ, após a fase “Presídio versus Woodbury”, seja a independência que alcançaram para surpreender ainda mais, tanto o espectador que nunca leu os quadrinhos, quanto aquele que já devorou cada uma das edições lançadas com o mesmo apetite dos zumbis por vísceras humanas (o/). Com isto eles ganharam um novo mundo a ser explorado, cheio de potenciais tramas paralelas às da obra original, e a julgar por este início ainda dá pra nutrir alguma fé de que a série amadureça o bastante pra equiparar-se a sua fonte original de inspiração. Que comecem a fazer justiça ao sucesso já alcançado oferecendo um entretenimento de qualidade aos milhões de espectadores que foram responsáveis por esta conquista.

Melhor piadinha do episódio.

Melhor piadinha do episódio.