[SÉRIES] Supergirl: episódio piloto (primeiras impressões)

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O texto contém SPOILERS

Com estreia prevista para novembro deste ano, Supergirl “estreou” meses antes com seu episódio piloto “vazado” na internet.  Poderia ser encarado como um “descuido”, mas de qualquer outra forma, justificativas para esse “vazamento” me fariam escrever mais palavras entre aspas. Pois bem, assisti ao episodio piloto – assim como milhões de afoitos que não aguentariam esperar até a data oficial de estreia para ver qual o potencial da Supergirl na televisão.

Antes de tudo é preciso comentar sobre a reação negativa que o primeiro trailer recebeu. Evidente que as comparações ao filme “O Diabo Veste Prada” e do trailer paródia do SNL sobre a Viúva Negra não podem ser evitadas, pois no trailer, Supergirl é vendida como uma série mais leve, divertida, mas com uma pegada muito superficial cuja trilha sonora contribuiu para ar mais descompromissado das coisas.

A reação negativa pode até se justificar pelo fato de que a produção de uma série protagonizada por uma personagem mulher seja aguardada com muito entusiasmo por aqueles que anseiam a representatividade feminina sendo levada a sério. É um assunto complicado e nem vou aqui desenvolver isso bastante, pois me faltam conhecimentos de causa para tratar melhor do assunto, de qualquer maneira, o episódio piloto de Supergirl apresenta um belo potencial para o desenvolvimento da personagem.

A história de origem de Kara Zor-El é quase a mesma dos quadrinhos. A beira da total destruição do planeta Krypton, o cientista Jor-El resolve enviar seu único filho ao distante planeta Terra onde possa sobreviver. Nesse mesmo momento, os pais de Kara a enviam também para a Terra com a missão de cuidar do primo Kal-El. O futuro Homem de Aço parti primeiro, Kara logo em seguida, mas a onda de choque provocada pela explosão de Krypton joga a nave de Kara na Zona Fantasma onde permanece por anos, mas dentro desse espaço, o tempo não passa. Após conseguir sair da Zona Fantasma, a viagem original de Kara continua e ela chega ao planeta Terra onde é recepcionada por seu primo, já adulto e mundialmente conhecido como Superman.

Superman então leva a prima para ser cuidada por um casal de cientistas, os Danvers, interpretado por Helen Slater (a Supergirl do filme de 1984) e Deain Cain (o Superman da série Lois & Clark) numa rápida participação especial neste episódio, que cresce junto com Alex Danvers, filha do casal. Daí podemos dar um salto para Kara – não Zor-El, mas sim Danvers – em National City trabalhando no conglomerado de comunicações de Cat Grant (num tom deveras exagerado interpretada pela atriz Calista Flockhart).

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Kara é uma jovem ciente de seus poderes, mas que os esconde. Porém Kara acredita que também pode contribuir como Superman. Podemos ver que secretamente ela deseja alcançar os céus e se revelar para o mundo. Sua estreia heróica acontece quando a avião que levava Alex para Genebra ameaça cair sobre National City. Kara voa para impedir a tragédia e numa sequência de ação bem realizada, tensa e acompanhada de uma boa trilha sonora. A jovem kryptoniana salva o avião ganhando os imediatos holofotes da mídia e as câmeras de centenas de celulares que captam o momento.

É muito legal ver a euforia de Kara ao saber que sua proeza foi bem sucedida e que está sendo noticiada na televisão. Ela não entra numa profunda reflexão dos seus poderes ou se perde em pensamentos das consequências da sua exposição. Ela apenas está curtindo o momento, está curtindo poder enfim, usar seus poderes para ajudar os outros. Aqui está uma das diferenças dessa adaptação para outras que vem sendo realizadas com personagens do universo DC, com exceção de The Flash, tudo é muito soturno, “real” demais. Um pouquinho da fantasia e da pegada dos quadrinhos não faz mal nenhum.

Para lutar contra o crime, Kara decide também ter seu próprio uniforme. A inspiração é evidentemente influência do seu primo e assim nasce a Supergirl, mesmo que Kara pareça relutante inicialmente ao nome. A construção da imagem da heroína segue um ritmo de videoclipe, onde Supergirl vai impedindo vários crimes. É uma sequência cômica dada a interação da personagem com seu colega de trabalho (e alguém que deve inspirar muita confiança), Winslow Schott (que nas HQs é Homem-Brinquedo!).

A presença de James – e não Jimmy – Olsen é outro elemento vindo diretamente dos quadrinhos. Mas a série aposta numa versão – aqui sim – jamais vista do personagem. Geralmente Jimmy Olsen, o amigão do Superman, é retratado como um jovem enérgico, inseguro que vive sobre a gritaria de Perry White, editor do Planeta Diário. O James Olsen interpretado pelo ator Mehcad Brooks traz uma versão adulta, segura de si e confiante.

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O episódio piloto apresenta as prováveis ameaças que Supergirl terá que lidar na série: invasões alienígenas. O vilão deste episódio é representado por Vartox, um criminoso que escapa da prisão que antes se localizava na Zona Fantasma que assim como a nave que trouxe Kara, também caiu na Terra. As prováveis ameaças alienígenas, que tiveram início com a revelação da existência do Superman, levaram a criação de um grupo paramilitar conhecido como DOE, Departamento de Operações Extranormal, chefiado por Hank Henshaw (Superman Ciborgue nos quadrinhos) e onde trabalha Alex Danvers, a irmã de Kara.

A relação inicial entre Henshaw e Kara é hostil, pois o chefe da DOE não confia em alienígenas. Muita coisa é forçada nesse núcleo, além da xenofobia que Henshaw possui, ele sugere a Kara “buscar o café” colocando evidente seu papel, enquanto mulher, naquele situação. “Buscar café” tem sido um clichê abusado a enésima potência para mostrar como mulheres são encaradas antes de mostrarem que podem fazer a diferença. A abordagem preconceituosa é necessária para mostrar como a personagem lida com essas situações, mas podia ser feita de uma maneira mais original.

Vi pessoas na internet reclamarem que Kara teve que pedir licença para poder atacar Vartox. Ok, ela podia ir lá na marra, mas se a DOE já a derrubou uma vez, quando foi capturada por Henshaw, poderia fazer de novo. Então pedir licença naquele momento era dizer “me dê uma chance, posso mostrar que sou capaz”.  E ela vai lá e mostra que é capaz.

Vartox é apenas o primeiro peão da grande ameaça que está por vir. Provavelmente, o grupo de criminosos alienígenas que se encontrava dentro da prisão que estava na Zona Fantasma vai buscar vingança. Vingança contra seus opressores o que inclui a mãe de Kara, Alura. Mais pessoal não poderia ficar quando a grande líder desse movimento criminoso e a própria avó de Kara!

O episódio piloto de Supergirl mostra o potencial que a série pode desenvolver em sua primeira temporada. Está distante da abordagem superficial que o trailer nos faz acreditar e nos oferece uma personagem adorável. Melissa Benoist brilha como Kara. Seus trejeitos lembram o modo bobo do Clark Kent de Christopher Reeve, esbanjando simpatia e inocência que deixa a personagem divertidíssima. Sua Supergirl é forte em cena, capta os olhares e não parece estar em nenhum momento desconfortável.

Este primeiro episódio não oferece nada de originalidade narrativa, nada daquilo que você nunca viu antes numa série de TV e tão pouco te engana em suas pretensões. Supergirl deseja ser divertida e agregar um público mais diversificado, diferentes da audiência de Arrow e The Flash. Supergirl, enquanto personagem, tem o potencial de sair da sombra do primo famoso, tem força para ganhar representatividade, tem de tudo para voar alto e muito longe.

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