[SÉRIES] PUNHO DE FERRO (ou quem é Danny Rand?)

Semana passada estreou uma das séries mais aguardadas do ano, Os Defensores. Mas antes de falar dela – a.k.a. enquanto eu assisto a série, porque eu não faço maratonas – eu vou aproveitar para falar da última série que falta dos que compõem os Vingadores de baixo orçamento: a arma viva, o imortal Punho de Ferro.

A campanha de marketing da Netflix para a série do último dos Defensores girava em torno do teaser “Quem é Danny Rand?”. Inicialmente eu pensei que essa fosse a chamada para o público, tipo “assista e conheça Danny Rand”. Mas não, era uma pergunta de verdade, porque aparentemente a Netflix não faz a mais remota ideia de quem seja o rapaz, que nunca precisa usar o celular como lanterna.

Talvez a produção tenha sido apressada, talvez o orçamento simplesmente não estava lá para dar a muitos de nós a série que estávamos procurando, talvez tenha sido uma decisão criativa deliberada – há muitos “talvez” aqui, embora a triste realidade é que um dos piores elementos de Iron Fist é o próprio protagonista, Danny Rand (interpretado por Finn Jones).

Este é um ponto discutível, é claro (tem muitas coisas ruins na série), mas fiquei com a sensação de que há mais do que apenas algumas coisas que se destacam em Iron Fist como sendo, vamos colocar educadamente, menos do que ideais. Mas o maior de todos os problemas é que a série nunca descobriu quem Danny era como personagem e, aparentemente, tentou descobrir enquanto a série rolava, ao invés de ter parado e decidido isso antes do programa começar

Claire is full your hero shit, heroes

DANNY RAND #1 – Paz e amor, bicho!

Quando Danny aparece em sua primeira cena, parecia que ele seria o alivio cômico do seu próprio show. O que não é uma coisa ruim. Descalço em Nova York, e um tanto quanto hippie, Danny estava de boa vivendo no parque enquanto esperava Joy e Ward Meachum aceitá-lo como o bilionário Danny Rand, que desapareceu em um acidente de avião no Himalaia há 15 anos e foi dado como morto.

Esse Danny Rand é um sujeito de bom coração, mas também um pouco arrogante, totalmente inconsciente do verdadeiro impacto que sua ressurreição faria. Ok, isso é algo com que podemos trabalhar. Ele foi criado desde os dez anos de idade por monges, é ok que ele seja meio sem noção da realidade. Mas também aprendeu a ser todo zen e alinhar seu “chi” para não ficar sobrecarregado com emoções negativas. Esse é Danny #1.

DANNY RAND #2 – As vozes na minha cabeça!

Oh, espera… Como se vê agora, parece que, na verdade, Danny é TODO emoção. Tanta emoção, na verdade, que seu cérebro dá pau quando ele pensa sobre qualquer memória antiga. Ele literalmente segura sua cabeça e se encolhe quando experimenta lembranças ruins, como se ele tivesse um chip da Iniciativa igual ao que colocaram no Spike, e ele tentou empurrar uma criancinha para tomar seu lugar na fila do sorvete.

Alguém realmente poderia pensar que ele tem um tumor ou um microchip implantado na sua cabeça, pela a maneira como ele tem espasmos e surta. Ele é uma bomba-relógio emocional, apesar dos quinze anos de treinamento para ser um guerreiro calmo e estóico. Esse é o Danny # 2.

Você tem que ser um floquinho de neve especial, né Danny?

DANNY RAND #3 – Thor de baixo orçamento

Aos 25 anos de idade, Danny ainda não tem uma teoria da mente formada (supostamente uma criança já deveria ter isso aos 5 anos de idade). Não diferente do Thor em sua primeira visita a Terra, Danny não entende que tem algum problema em vir a público, e dizer a qualquer um que demorar demais perto dele que ele é o guardião sagrado de um monastério celestial super secreto chamado K’un Lun – um paraíso monge inter-dimensional onde ele passou os últimos quinze anos aprendendo a nunca sentir frio.

Apesar de ser um rapaz inteligente, em nenhum momento lhe ocorre que algumas pessoas podem não aceitar essa explicação de cidades interdimensionais que só aparecem a cada dez anos.

Então, sim, às vezes ele não é obtuso, e tem muito bom senso para entender as pessoas. E às vezes ele puxava um 180 e senta em cima do seu livrinho de verdades prontas, se tornando um guerreiro denso com a flexibilidade empática de um eleitor do Bolsonaro. O problema é que a série nunca estabelece qual é o verdadeiro Danny, ou se há um padrão para essa oscilação de visão de mundo. Meio que muda conforme for mais conveniente escrever a cena. Esse é o Danny # 3.

DANNY RAND #4 – O Shazam da Marvel!

Um elemento de série que poderia ter sido transformado em algo interessante, ou mesmo engraçado aqui e ali, é o fato de que Danny também tem 10 anos de idade. Ou algo assim. Como ele passou 15 anos sem nenhuma experiência social com o mundo moderno ele tem a mente do menino e o corpo de um adulto. Ele é Josh Baskin de “Quero ser grande” se o Tom Hanks ocasionalmente pudesse fazer sua mão brilhar.

Seu tempo afastado no Himalaia mais ou menos pausou seu crescimento emocional. Faz sentido, e certamente poderia ter ser uma abordagem interessante para um super-herói – mas, principalmente, dar-lhe algo diferente para contribuir para os Defensores. Mas, em vez desta característica ser totalmente explorada, ou lembrada às vezes, Danny pega disso apenas a parte de ser petulante e birrento, sem muita noção ou auto-consciência.

Ele sempre acredita em tudo que todos lhe dizem – até que alguém lhe diga algo diferente. Ele teimosamente exige coisas, e depois se pergunta por que as pessoas se afastam dele. Não demora muito tempo antes de você se sentir mal por Joy e Ward, perguntando o que eles fizeram para merecer este filhote de cachorro mijando todo o seu tapete persa. Ou pelo coitado do Davos, que sonhou em ser o Punho de Ferro a vida toda enquanto o Danny ficou com o titulo apenas porque “sei lá, deu vontade, vai que desse um barato legal”, como uma boa criança mimada que é. Ele diz isso mais ou menos com essas palavras, aliás.

Esse é o Danny #4.

Enquanto isso, em K’un Lun…

DANNY RAND #5 – O pior Punho de Ferro de todos os tempos!

Gao, Davos, e alguns outros personagens, frequentemente fazem um ponto bastante real ao longo da temporada, ao constantemente dizer a Danny que ele é um Punho de Ferro terrível. Inclusive tem uma sequencia que mostra um antigo Punho de Ferro de verdade lutando, e o quanto você gostaria que a série fosse sobre AQUELE cara só ilustra o quanto Danny Rand é fraquinho no seu trabalho de protetor místico da cidade mística interdimensional. Agora, se eu sei alguma coisa sobre narrativa, isso é um arco, certo?

Essa é uma história de origem, e com alguma sorte, esperamos que até o final Danny talvez aprenda … a não ser um Punho de Ferro horrível?

Mas esse momento nunca chega. Ele se torna tão concentrado em vingar as mortes de seus pais (uma busca que faz você se sentir mal por ele querer isso, não torcer por ele), que a cena final do show não é sua redenção, é prova abjeta de suas falhas.

Danny termina o show percebendo, mesmo que lhe tenha  sido dito muitas vezes, que ele é – wait for it – um Punho de Ferro horroroso. A série termina com Danny falhando miseravelmente na principal missão do Punho de Ferro e, pior ainda, aparentemente sem aprender nada com isso.

Eu não senti uma evolução no personagem, não senti que ele aprendeu nada realmente. Eu mal posso dizer que sei realmente quem ele é, porque, com certeza, o show não decidiu realmente. E isso é um problema muito grande.

Essa pode ter sido a melhor ideia que nasceu dessa série

Veja, você consegue sentir a frustração do Matt com a zorra que é o crime na Cozinha do Inferno.

Você sente o trauma e a culpa da Jéssica pelo que aconteceu enquanto estava com o Killgrave.

Você consegue sentir a raiva do Luke após a morte do Pops.

Mas do Danny não dá para tirar nada realmente. Sua única motivação é vingança pessoal, meio que ignorando todo o pessoal que criou ele pelos últimos quinze anos. E não é como se ele deliberadamente odiasse K’un Lun porque ele foi maltratado ou algo do tipo, é apenas algo que ele não dá a menor bola. Sabe o Luke Skywalker, que ignora solenemente a família que o criou ser carbonizada, mas fica abalado pela morte de um cara que ele conhecia há dois dias? Tipo isso.

Ah sim, e também sua outra resposta para tudo é dizer “Eu sou o Punho de Ferro”, quando ele claramente não faz a menor ideia do que isso realmente significa. Verdade seja dita, não acho que os produtores da série tinham muita ideia do que qualquer coisa significa, porque é difícil passar 15 minutos sem um furo broxante de roteiro.

Logo no começo, se diz que Danny tem que levar umas porradas para encher a barra de rage evocar o Iron Fist… essa ideia nunca mais é sequer mencionada depois dessa cena. Então nos dizem que ele não pode fazê-lo, a menos que seu chi esteja centrado. Mas ele não sabe como centrar seu chi. Uau… algum professor monge deixou essa passar, hein?

Mas está tudo bem, porque ele, de alguma forma, recupera o poder de alguma maneira. E então perde… e às vezes funciona ou não, dependendo do que a cena precisa. Eu realmente fiquei confuso sobre quando ele pode usar o Punho de Ferro ou não.

Eu não tenho paciência para listar todos os furos de roteiro da série… mas aqui vão alguns.

Nos primeiros episódios, Danny aparece com um iPod que ele tinha desde o acidente. Depois do choque de perceber que iPods realmente já tem mais de quinze anos no mercado, várias perguntas me ocorreram. Mas, principalmente, onde ele carregou a bateria disso? Eles têm tomadas em K’un Lun? Ou Nova York oferece carregadores para seus mendigos manterem seus gadgets ligados?

A Madame Gao tem um escritório no 13º andar. Ela é vista e seguida sem muita dificuldade… exceto que, nos últimos 15 anos, ninguém nunca percebeu um “andar secreto” em um dos prédios mais famosos de Nova York. Precisamos de um cofre secreto aberto, porque há um documento incriminador (estranhamente não destruído) no seu interior… Bem, imagino que o Punho de Ferro vai socar o metal, certo? Não, ele é aberto (e deixado aberto) por Meachum, porque é também onde ele mantém a sua … pistola. Sim. E nem sequer é uma arma especial nem nada.

O Tentáculo sabe onde todos vivem. Mas nunca ataque uma única casa ou dojo enquanto as pessoas estão dormindo, eles cavalheiramente só atacam quando tem pessoas ali, que sabem se defender e estão perfeitamente preparadas. Claire, a pacifista, aprende Kung Fu o suficiente em uma semana para enfrentar assassinos do Tentáculo.

E assim vai. Os furos da série vão muito além do nosso herói “peixe fora da água”, que depois de anos no Himalaia não só sabe como usar um smartphone, mas sabe que eles podem ser geo-localizados.

Porque a série não tem mais do mestre do Punho Bebado, Zhou Cheng, é uma escolha da Netflix que eu nunca serei capaz de entender, porque é a melhor cena de ação da série toda. Diabos, ele deveria ser o protagonista – digo isso não por algum chilique retardado de SJW, mas porque ele é muito legal mesmo

Eu costumo pensar em mim como um homem simples de gostos simples. Tudo que eu esperava da Netflix era uma série sobre um monge no mundo moderno que socou um dragão no coração. A Netflix decidiu que eu teria um adolescente tendo uma crise de aborrescência muito confusa no lugar disso. Oh, bummer.

Mas, hey, não quer dizer que, porque o show não fez (a principal) coisa certa, que eles tenham errado tudo, certo? Então, agora vamos à segunda parte, sobre o que funcionou na série do último dos Defensores!

A maior parte da primeira metade da série é sobre Danny tentando convencer as pessoas que ele é, de fato, um bilionário que foi dado como morto há mais de quinze anos, e não apenas um mendigo que é muito bom em revirar o lixo das pessoas.

Surpreendentemente, essa é uma parte mais interessante do que eu imaginava – ser o maior mestre de Kung Fu do universo Marvel (não que esse Danny seja, mas deveria) ajuda muito pouco em questões legais e burocráticas. Eu nunca tinha parado pra pensar no quanto é fácil você deixar de ser “você”: é só alterar uns papeizinhos – ou perde-los – e bam!, você não tem mais casa, nome ou conta no suicidegirls.com

Adicionalmente a isso, os irmãos Meachum (atuais dirigentes das empresas da família Rand) não estão nada felizes com algum mendigo surgindo e dizendo que é dono de 51% da porra toda. O irmão mais velho, Ward Meachum, que parece ser um babaca executivo que queremos socar – ele, por exemplo, reconhece que, talvez, aquele maluco seja realmente Danny Rand (mas foda-se, porque ele não vai dar centavo nenhum praquele refugo de Game of Thrones).

Acontece que, na verdade, Ward é o personagem mais interessante da série, e ela faz um excelente trabalho estabelecendo suas motivações, seu modo de pensamento e seus objetivos. Muito antes do fim, não só percebemos que Ward é uma pessoa normal reagindo a coisas muito fora da realidade, como estamos torcendo por ele.

Em determinado momento alguém diz a ele que “Danny alega ser o Punho de Ferro, protetor de K’un Lun e inimigo declarado do Tentáculo. Sabe o que isso significa para nós?”

Ward responde honestamente: “Não. Não realmente.” Ward totalmente me representa!

Essa cena não faz muito sentido realmente, mas a cara da Madame Gao fazendo meme do Sapo Caco faz ela valer totalmente! #kermitdecuérola

A segunda metade da série é mais sobre a corrupção do Tentáculo, que usa a empresa da família Rand para conduzir seus negócios, e muitas coisas certas são feitas aí. Para começar, é mostrado que o “Tentáculo” não é uma família de supervilões que tramam dominar o mundo unidos em uma sala escura.

Na verdade, como qualquer organização muito grande e muito antiga, é composta por uma miríade de facções e ideologias diferentes. É mostrado ao menos duas facções dentro do Tentáculo, e possivelmente exista uma terceira. Mas, mais importante que isso, é mostrado de uma forma muito inteligente porque a série permite que você chegue a essa conclusão por conta própria.

Ninguém para e narra explicitamente isso, é uma ideia que você começa a alimentar muito antes. Quando a Madame Gao é resgatada por seus asseclas em determinada cena, você para e pergunta “ué, mas esses não são os ninjas imortais do Tentáculo”. E assim a série vai dando pequenas pistas de que nem tudo são flores e abraços na casa dos super vilões.

Enquanto nenhuma das facções do Tentáculo talvez seja realmente boa, ao menos elas são realmente diferentes na forma de conduzir os negócios. Possivelmente nem os monges de K’un Lun sejam também, mas a série fala tão pouco sobre isso (e o que fala é através do Danny, que é um moleque que sabe tanto quanto alguém que discute política no Facebook) que não dá realmente para saber.

Eu me pergunto o que tem em K’un Lun que possa interessar tanto o Tentáculo. Já que o Punho de Ferro é apenas o guardião do lugar, eu me pergunto, então, o que é que ele deve (ou deveria, no caso do Danny) estar guardando.

O maior problema de Ward é que o seu pai claramente tem um dos filhos como favorito e não é ele. Me pergunto onde Harold Meachum aprendeu a ser assim…

Sei que eu prometi que ia falar das coisas positivas da série agora, mas isso foi uma coisa que me incomodou muito. Nós sabemos que K’un Lun é uma das Sete Capitais do Céu, porque Danny diz isso. Sabemos que seu papel lá é importante, porque vários personagens dizem isso. O problema é que a série nunca mostra como é a vida lá, que impressão ela causou nele, e como, em suas circunstâncias únicas, ele formou sua personalidade e suas dúvidas. Além de algumas cenas em falésias nevadas e fora de uma caverna, nós nunca vemos realmente K’un Lun.

Então a escolha relevante de Danny, de deixar o seu posto, nunca é realmente significativa, porque nós não fazemos ideia do que ele está deixando. Uma escolha de que não sabemos as consequências não é uma escolha, é apenas aleatoriedade. É apenas falar sobre um passado vago e irreal. Se o ponto inteiro de sua história é que ele é um peixe fora da água na América, ter uma sensação de onde ele construiu sua identidade enquanto pessoa é crucial.

Mas, enfim, o Tentáculo é legal.

Como eu já disse, há muita coisa para não gostar em Iron Fist. Em vez disso, quero falar sobre o herói não reconhecido do programa, o único personagem a fazer qualquer maldito sentido nesse mundo: Claire Temple.

Minha garota Claire, interpretada por Rosario Dawson, tem sido a enfermeira em todas séries da Netflix no universo cinematográfico Marvel. Ao longo de quatro shows e cinco temporadas, nós a vimos crescer. Enquanto os primeiros episódios de Daredevil a usaram como um plot device – um interesse amoroso transformado em uma donzela que precisa ser resgatada – Iron Fist a mostra como alguém que não só sabe se cuidar sozinha, como tem mais noção do que está acontecendo do que o herói da história.

Claire não tem nenhum superpoder, a menos que você conte paciência, bom senso e acesso a produtos farmacêuticos como superpoder. O que a faz realmente notável é como ela é comum neste mundo de personagens extraordinários. Ela é apenas humana e sabe disso.

Isso significa que, embora o enredo de Iron Fist se divida entre forças místicas do mal e partes brilhantes do corpo, Claire pode atuar como a porta-voz para nós céticos em casa. Quando Danny Rand começa a pavonear sobre como ele é “o Punho de Ferro”, Claire respira alguma leviandade muito necessária para a cena, por agressivamente encolher os ombros e perguntar: “O que diabos isso significa?”

“Motivação bacana. Não menos assassinato por causa disso!”

Ela é rápida para apontar quando os planos são uma bosta e tem de dissuadir os heróis do show de sair matando geral, apenas porque eles podem.

O charme de Claire não é apenas sobre como o personagem é escrito. Dawson interpreta a enfermeira como uma pessoa que vive de acordo com as regras do mundo real: ela não resolve todos os seus problemas socando eles com a superforça que ela não tem, então ela tem que encontrar uma solução como o resto de nós normais. Isso a torna mais poderosa do que um idiota com uma mão brilhante. E muito mais agradável de se assistir.

É engraçado que, após cinco temporadas dos quatro heróis da Marvel na Netflix, a minha personagem favorita em tudo isso seja aquela que parece ter o maior superpoder de todos: bom senso. Outra coisa muito legal de se assistir na série é a Jeri Hogarth, que basicamente é uma versão mais prática da Claire, só que infelizmente com muito menos tempo de tela.

Pensando sobre isso agora, me ocorreu que as melhores personagens de Punho de Ferro (junto com a Madame Gao) na verdade são personagens de outras séries (bem melhores), que acontecem de estar passando por ali. Meio que faz um resumo muito bom do que a série é, realmente.