[SÉRIES] Person of Interest – Jesus está de olho em você!

Person of Interest

Você está sendo vigiado.

O governo possui um sistema secreto, uma máquina que espiona você a todas as horas de todos os dias.

Eu projetei a máquina para detectar atos de terrorismo, mas ela vê tudo. Crimes violentos envolvendo pessoas comuns.

O governo considera essas pessoas “irrelevantes”.

Nós não.

Caçados pelas autoridades, nós trabalhamos em segredo. Você nunca nos encontrará mas, seja vítima ou criminoso, se seu número aparecer…

Nós encontraremos você.

Visualize a seguinte cena: você está andando pelas ruas, com um café da Starbucks na mão, procurando um táxi (afinal, você mora em Nova York). De repente, para do seu lado um carro sem placas e com vidros escuros, abrem-se as portas e saem uns caras encapuzados e com metralhadoras na mão. Eles te algemam e te jogam dentro do carro sem muita explicação, e saem cantando pneu. Na primeira esquina, aparece de repente bem no meio da rua um sujeito alto, de terno, levemente familiar. Pensando um pouco, você se lembra – ele estava do seu lado no Starbucks, mexendo no celular. A diferença é que, agora, ele está com uma bazuca na mão, apontada bem pra você. Ele explode o chão logo abaixo do carro, fazendo-o capotar. Ainda zonzo e todo dolorido pela pirueta que o veículo deu, você vê os poucos inimigos encapuzados em condições de andar serem derrubados por tiros altamente precisos no joelho, novamente vindos do homem de terno. O misterioso homem puxa você para fora, quebra suas algemas, e fala para você segui-lo. Quando você protesta, ele chama você pelo nome, fala detalhes impressionantes de sua vida e explica que essas pessoas são da máfia russa ou CIA ou seja lá o que for, e querem eliminar você pelo motivo XYZ. Quando você pergunta quem ele é, a resposta é algo como “uma terceira parte interessada”.

Parabéns, você acaba de participar de uma cena típica de Person of Interest!

O que acontece quando Jesus, Benjamin Linus (de LOST) e uma inteligência artificial praticamente onisciente se juntam para combater o crime? A resposta, como não poderia deixar de ser, é uma das séries mais interessantes da atualidade. Misturando elementos de ação, intriga, espionagem, investigação, drama policial/criminal e uma boa dose de ficção científica, POI (para os íntimos) consegue se manter imperdível temporada após temporada, apesar da natureza episódica de “caso da semana”, através de uma trama envolvente e inteligente, cheia de surpresas e momentos de impacto.

Finch e Reese

Ben e Jesus, prontos pra chutar bundas

A ideia básica: Um bilionário excêntrico (qual não é?), que geralmente se apresenta como Harold Finch (mas, assim como muita gente nessa série, não sabemos seu verdadeiro nome), interpretado por Michael Emerson, construiu para o governo americano, como parte do esforço pós-11 de setembro, uma “Máquina” que reúne informações de câmeras de vigilância, telefonemas, e-mail, mensagens de celular, rádio, telex, laptop da Xuxa… basicamente TUDO o que tiver componentes eletrônicos em uma base de dados enorme, e analisa tudo isso através de uma complexa programação para não apenas desvendar quem está falando sobre terrorismo (como eles fazem hoje) mas inclusive prever atentados futuros. Tais dados, por serem o objetivo do programa, são considerados “relevantes”.

Entretanto, como diz o texto introdutório acima (que é falado na sequência de apresentação da série), a máquina também detecta crimes violentos envolvendo pessoas comuns, que são consideradas pelo programa como “irrelevantes”, sendo essa informação deletada logo em seguida. Após circunstâncias que você vai descobrindo pouco a pouco ao longo da série, Harold resolveu instalar uma “backdoor” (porta dos fundos – sem relação) no programa que fornece a ele os números “irrelevantes”. Digo número porque, para evitar o abuso de todas essas inúmeras informações que a Máquina obtém, Harold a programou para que ela desse como “output” única e exclusivamente o número de Seguro Social (equivalente ao nosso CPF) da “pessoa de interesse” (olha aí o nome da série), que pode tanto ser a vítima quanto o (futuro) autor do crime.

Enfim, de posse do número da pessoa de interesse irrelevante, Harold e John Reese (também um nome falso), um ex-agente da CIA, Boinas Verdes, Comandos em Ação, Clã das Sombras etc. e badass-mór que ele recruta logo no episódio piloto, interpretado por Jim Caviezel, vão lá investigar do que se trata e tentar impedir os crimes antes que aconteçam (Minority Report mandou lembranças). Adicione Joss Carter (Taraji P. Henson), uma detetive implacável em busca do “homem de terno”, Lionel Fusco (Kevin Chapman),um policial corrupto que Reese mantém sob seu controle, e uma rama de organizações criminosas, espiões, hackers, grupos secretos do governo, e todo tipo de elementos duvidosos, e você tem Person of Interest.

John Reese is Batman

Ele é inteligente, bom de briga, tem acesso a todo tipo de equipamentos e combate o crime em segredo… ele é John Reese!

A premissa parece bem simples a princípio: uma fonte qualquer diz aos heróis qual é a pessoa de interesse da semana, e eles vão lá acabar com os bandidos e salvar os inocentes. Aliás, essa é uma série que, em mãos menos competentes, poderia ser simplesmente um primo pobre de Law & Order, CSI, e outros tantos “procedurals” e cair na mesmice de ficar apresentando simplesmente caso após caso. A diferença aqui é que temos à frente da série gente do gabarito de Jonathan Nolan (irmão do Christopher e o cérebro por trás dos roteiros do excelente Memento e de O Cavaleiro das Trevas Ressurge), J.J. Abrams (se você não liga o nome à pessoa, o que está fazendo aqui?!), Brian Burk (colaborou com Abrams em LOST, Fringe, Alias, Cloverfield, Star Trek, entre outros) e por aí vai.

O resultado é uma série que amarra os diversos “casos da semana” em uma trama complexa, que desafia sem fazer o espectador de bobo. Coisas que roteiristas menores desconsiderariam, como as experiências passadas de Reese como espião, o dilema de Carter ao descobrir que ele está do lado “do bem”, as intenções de Howard e seus colaboradores ao criar a Máquina, e (a minha parte favorita) o que exatamente é a Máquina, como ela funciona e como ela pode evoluir, são trazidas ao centro da trama mais ampla e exploradas a fundo. Não há respostas fáceis em Person of Interest, e todos os personagens são profundos, complexos e ambíguos. E, mesmo assim, a série não cai na armadilha de ficar “cabeçuda” demais – Reese (e, mais tarde, também Samantha Shaw, interpretada por Sarah Shahi) mantém o estoque de adrenalina sempre cheio, com seus famosos tiros no joelho e métodos “criativos” de interrogar as pessoas.

Há muito o que se falar ainda sobre a série, mas por enquanto eu deixo você à vontade para ir atrás e entrar fundo na maratona para alcançar o hiato do meio da terceira temporada (onde estamos agora). Mais tarde, quando você já tiver assistido tudo (daqui a 56 horas, pelas minhas contas), quem sabe eu fale mais sobre a fascinante Máquina e as inspirações reais por trás dela…

A Máquina

Como a Máquina vê o mundo

Para obter Person of Interest de maneira “alternativa”:

Primeira Temporada Completa

Segunda Temporada Completa

Terceira Temporada: episódios 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11

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2 thoughts on “[SÉRIES] Person of Interest – Jesus está de olho em você!

  1. Hei! Agora que a série já tem três temporadas completas, e deu tempo suficiente pro povo assistir todas, podia rolar um post sobre a Máquina, depois de sua cobertura de Game of Thrones, não?

    Terminei de assistir a primeira temporada esse fim de semana, e gostei tanto que já emendei a segunda. Ótima dica! 🙂

  2. Ih rapaz, entre idas e vindas eu não assisto desde o meio dessa terceira temporada. Não por falta de interesse, por mudança de rotina mesmo. Bom lembrar pra que eu pegue de novo e termine…

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