[SERIES] – NEW GIRL: de losers para losers, por losers.

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Ok filho, me escute e escute bem porque eu só vou dizer isso só uma vez: a vida é dura. A vida é uma biscate interessada apenas em vencedores. A vida não se importa se você é bem intencionado, se deixa os pedestres passarem, se deixa moedinhas no cofrinho do combate ao cancêr infantil, nada disso. A vida exige que você tenha perícias muito especificas em momentos muito especificos e se você não tem, bom, nada do que você fizer ou disser vai fazer lá muita diferença. Não, aqui a intenção não vale porra nenhuma.

Não é por nada que tipo 80% do entrenimento é sobre pessoas fodas fazendo coisas fodas. Quadrinhos, games, filmes, livros, fanfics yaoi não são sobre manés perdedores que falham miseravelmente na vida simplesmente porque essas pessoas não são interessantes e dariam pessimas histórias. MAS por outro lado ignorar completamente essa multidão de pessoas celofane sem nenhuma relevancia no mundo real e cujo desaparecimento não seria lamentado sequer por seus cachorros seria um erro comercial imenso. Essas pessoas perdedoras e totalmente não-legais tem tempo pra caramba, não raramente tem empregos suficientemente estaveis (usualmente os que tem pré-requisitos que envolvem uma dedicação que só pode vir daqueles que não tem talento nenhum mas também não tem nada melhor para fazer na vida) e uma carência emocional do tamanho dos desvios no orçamento da Copa.

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O MELHOR episódio dos Simpsons, apropósito

Eu posso passar a maior parte do tempo falando mal dos japoneses, mas puta que o pariu, como esses amarelos safados são inteligentes. Cara, sério. Eles foram os primeiros a perceber que essa massa de zé-ninguéns irrelevantes era um mercado monstruoso e dedicaram tempo e recursos assombriotricos (inventei essa palavra, ela me pertence!) para dar aos perdedores exatamente aquilo que eles queriam e como retorno ficaram muito ricos e comeram muitas putas de luxo.

Não é por coincidencia que 80% dos animes (na minha época ao menos, hoje eu nem faço idéia) que não eram de luta era sobre um Zé-oreia qualquer tão perdedor quanto eu e você e que do nada ganhavam do céu tudo aquilo que um cara pode querer: mulheres, iate, mulheres, mansões, mulheres, cem mil dolares. O assim chamado “anime de harem” foi um genero que surgiu para dar aos perdedores aquilo justamente que eles queriam com o minimo de qualidade envolvida e ao menos na decada de 90 foi um sucesso morfonomenal. Honestamente não faço idéia do que os amarelicos assistem hoje, e mais honestamente ainda nem ligo.

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Se você cresceu nos anos 90, leva menos de 3.14 segundos para reconhecer os estereotipos aqui

Repare, agora, prepara, que embora sejam semelhantes um anime de Harem não é igual a Jornada do Heroi. No arquetipo da Jornada do Heroi há uma premissa miraculosa (Luke é um filho de fazendeiros em um mundo fodido e descobre ser o filho do Jedi/Sith mais foda, Harry é um orfão fodido que descobre ser uma celebridade bruxistica) há toda uma jornada de sofrimento, perda e conhecimento (Luke passa por muita coisa para se tornar um verdadeiro jedi, Harry passa por muita coisa até finalmente obter a aprovação de seus pares bruxos).

E como é de praxe, um sucesso obscuro que nasce no Japão cedo ou tarde vai desembarcar de mala e cuia nos US and A para faturar mais bilhões de obamas e comprar mais putas pagas de luxo. Quer dizer, era só questão de tempo até alguém na América se dar conta que os losers sem graça existiam por aqui também aos borbotões e que era preciso jogar muito menos do que um osso para obter a lealdade infinita deles. Claro, embora no Japão os animes sejam um negócio lucrativo e forte na televisão (com horario nobre e tal), deste lado do meridiano de Sandwich as coisas não iam funcionar desse jeito e era necessário adaptar a formula. Foi assim que surgiram as Comédias Romanticas para Caras Losers de Meia Idade (ou CRoCLoMI, como chamarei daqui para frente).

Inicialmente uma CRoCLoMI engana por se parecer muito com Friends, que é uma versão mais pop e palatavel ao publico do modelo de Seinfield. Mas existem algumas diferenças: o protagonista é um cara de meia idade por volta dos 30 (assim como o publico alvo loser) com uma piada de emprego (idem) e com uma vida sentimental que faria o pia molestado pela Xuxa no filme sentir vergonha alheia. Mas para a série ficar assistivel esse cara tem que ter um amigo manezão mas que por algum motivo pega geral, uma amiga abusivamente gata mas pelo qual ele tem uma relação fraternal e outro amigo com principios para ser a balança moral da série.

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É, sim, sim, eu sei. Você acha que eu estou falando de How I Met Your Mother. Estou, mas não é só isso.

HIMYM é o exponencial, o grande vencedor de um genero que se popularizou com a internet (sobretudo em antros de losers masculinos de meia idade como o 9gag e o 4chan), mas HIMYM é só o carro chefe de um genero que tem um publico alvo carente que até então não tinha hobbies da sua idade e seriados falando para pessoas como eles o que os forçava a parasitar nichos claramente que não foram feitos para eles, como é o caso dos Bronies de My Little Poney e a fanbase doentia de Pokemon. Não que eu conheça esses casos de perto, claro, eu só ouvi falar. Caham. Cof cof… PROSSEGAMOS…

A grande coisa é que se você deixar os ataques de divisse de lado, HIMYM é uma boa comédia. Tem timing, trabalha bem com os principios do humor (acredite você ou não o humor é uma ciencia complexa e aquilo que foi zoado no filme do Borat é algo sério) e algum carisma, talvez justamente seja o carro chefe de sua geração. Outras séries não tem a mesma finesse ou as boas sacadas.

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Sim, esse é um dos motivos de eu ter assistido “O FIm dos Tempos” sete vezes.
O outro é que é o pior filme de todos os tempos. 

Essa combinação fazem meus olhos suarem…

Algumas séries tem apenas… Zoey Deschanel e seus encantadores olhos do tamanho de uma bola de tenis. Que é a forma de Deus dizer: foda-se, eu faço o que eu quiser nessa merda e ainda fica bom.

Seguindo a premissa de um bom CRoCLoMI, New Girl é sobre um cara fodido, sem vida amorosa, com um emprego que paga merda e tudo mais. Só que para fazer um pequeno plot twist o protagonista nesse caso não é o cara fodido e sim a garota mágica e incrivel que cai do céu no colo dele “just because”. E essa garota é estabanada, esquisita, espontanea, engraçada, canta bem,  ela é adoravel e encantadora em cada pequeno aspecto que você pode sonhar nos seus sonhos mais honestos que alguem possa ser. E é a Zoey Deschanel. Ou seja, foi costurada sob medida de uma mãe bordadeira para que manés perdedores como não pensassem duas vezes em largar a familia por uma garota como ela (não que eu tenha uma familia para ser largada, esse é meio que todo o ponto aqui, mas voce entendeu a idéia).

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Ham… desculpem, eu realmente esqueci o que ia escrever aqui…

;O conceito da série não podia ser mais básico possível: Jessica Day é uma garota que divide um apartamento com três outros caras (daí o New Girl do titulo) e apenas porque é um seriado isso existe e isso dá certo. Fora isso a série segue todos os preceitos de um CRoCLoMI anteriormente descritos sem um unico pingo de criatividade (a coisa é tão gratuita que a Jess tem uma amiga supergata modelo “just because”). O unico e grande trunfo da série é jogar todo peso do sucesso nas costas do carisma e do apaixonamentismo que a Zoey consegue causar. Pra você ter uma idéia a coisa é tão calcada nesse aspecto que apesar da Zoey ter peitos enormes isso não é explorado de forma nenhuma (na verdade eu não sabia disso até quase metade da segunda temporada pq não mostrava). Pq isso? Ora, pq ela não é apenas uma gostosa aleatória com a qual jamais teriamos chance, ela tem a função de ser a garota perfeita dos sonhos e por mais estranho que pareça na cabeça dos losers isso são duas coisas completamente diferentes (então se você jogou Final Fantasy VII vai entender porque por mais gostosa e legal que a Tifa seja, ela nunca vai ocupar o lugar da Aerith).

Ou seja, não vou enganar ninguém aqui: a série é fraca, raramente é engraçada e meio massante as vezes. Mas tem a Zoey.
E no fim, isso funciona?

Realmente depende muito de quem assiste. Digamos que você queira arrancar os segredos mais obscuros do nosso capitão-mor Eduardo Rosa: tudo que você precisa é de um pouco de fita adesiva e um box de DVDs dessa série para fazer ele confessar os seus pecados mais sinistros. Melhor que bambu embaixo da unha. Eu por outro lado reconheço que é uma das piores e menos criativas séries que eu já vi na minha vida e estou aqui, não estou?

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A fanbase da Zoey inclusive inventou uma palavra pra ela: ADORKABLE (Dork, que é uma subclasse mané de nerd sem inteligencia, com adorable), que define o tipo de garota (não existente, é claro) que assistiria Star Wars com você e então tropeçar em cima da TV. O que é altamente apelativo para certos publicos os quais eu não estou… han… familiarizado

Tudo depende do quão perdedor você realmente é, no fim do dia.
O que diz bastante sobre o publico dos US and A, considerando que a série está muito bem de audiencia na sua terceira temporada (é um dos TOP 5 da Fox atualmente) e sem sombra de duvida terá uma quarta. Porque aparentemente tudo que você precisa é um par de enormes olhos azuis e um publico doentemente carente. Quer dizer, eu ouvi dizer, é claro.

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