[SÉRIES] Gotham s01e03: “The Balloonman” (Resenha)

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Esta semana em Gotham surgiu um vigilante que começou a livrar a cidade de indivíduos corruptos literalmente mandando-os para o espaço. Enquanto isto, Oswald retornou sorrateiramente a Gotham, e começou a ensaiar uma aliança com a família criminosa rival dos Falcone: os Moroni. E Bruce aprendeu uma ou duas lições importantes para seu futuro como o Cavaleiro das Trevas.

Depois de três episódios, já dá pra dizer que a série está começando a tornar clara sua “fórmula padrão”. Cada episódio tem um “bandido da semana”, que deverá ser descoberto e preso por Gordon, que por sua vez descobrirá mais uma pequena pista sobre a verdade por trás assassinato dos Wayne, cujo filho, Bruce, aprenderá mais alguma coisa que ajudará a formar seu caráter, e a plantar a semente de mais um aspecto de sua futura luta contra o crime de Gotham City. Há vantagens e desvantagens nisto. A principal vantagem é que, com um esqueleto pré-definido para cada episódio, os roteiristas podem se concentrar mais em preenchê-lo com novas histórias, sem se preocupar tanto com a estrutura. A desvantagem é que isto torna a maioria dos episódios previsíveis demais, como já vem acontecendo.

Claro que isto tudo pode mudar, já que a série ainda está no início, e novos roteiristas podem entrar na equipe, ou o grupo atual pode simplesmente começar a subverter sua própria fórmula, e ousar algumas mudanças, tanto na estrutura quanto no estilo de direção e montagem da série. Torço muito por isto. Mas, até lá, continuamos listando o que aprendemos com cada novo episódio.

No que foi exibido segunda-feira, descobrimos que Gotham já teve um vigilante antes do Batman surgir, no que eu chamaria de um “proto-vigilante”. Um Zé Ninguém que cansou de ver a cidade sendo dominada por gente corrupta, e resolveu fazer justiça com as próprias mãos e… alguns balões meteorológicos. O modo extravagante como elimina seus alvos chama atenção da polícia e da mídia local, e também de nós, telespectadores, pois isto remete aos crimes performáticos dos futuros vilões do Batman. Assim, o tal “Homem do Balão” parece uma fusão deturpada do Batman com algum de seus inimigos, como o Pinguim, por exemplo.

De algum ponto sua vilania tem que começar...

De algum ponto sua vilania tem que começar…

E já que o citei, acho muito justo dizer que, por enquanto, ele é o personagem que vem sendo melhor desenvolvido pela série até o momento. Em Oswald vemos uma progressão clara em direção ao seu futuro como um dos grandes criminosos da cidade. Já dá pra deduzir alguns dos passos que dará e intrigas que plantará para promover sua ascensão no submundo do crime de Gotham City, e considero isto um acerto. Seu primeiro contato com Sal Maroni (David Zayas) promete tornar a disputa entre as famílias criminosas da cidade ainda mais acirrada, o que pode ser outra trama maior desta 1ª temporada, que talvez mereça mais destaque que o mistério acerca do assassinato dos Wayne. Aliás, desperta curiosidade mais uma citação a eles envolvendo Arkham, que sai tanto da boca de Maroni quanto da de Falcone, em uma conversa entre ele e Fish. Qual é o grande mistério envolvendo estas três famílias e a instituição que, no futuro, abrigará a maioria dos vilões do Batman? O jeito é continuar acompanhando a série pra descobrir.

Sal Maroni dando conselhos pro "Pinguim". Mal ele sabe que...

Sal Maroni dando conselhos pro “Pinguim”. Mal ele sabe que…

O que não é nenhum mistério, pelo menos não depois deste episódio, é de onde surgiu o interesse de Bruce em aprender esgrima. Na cena mais “feliz e empolgadinha” do episódio, acompanhamos o jovem patrão brincando de “espadinha” com seu mordomo (sem duplo sentido… ¬¬). Será que logo ele começará a ter lições de Alfred? Este é um dos caminhos que alguns já esperam que a série tomará para tornar a participação de Bruce mais relevante. Acompanhar o menino já aprendendo alguns truques desde cedo tornaria tudo mais interessante.

Climão entre Barbara e Renée (Beija! Beija! Beija!)

Climão entre Barbara e Renée (Beija! Beija! Beija!)

Mas, voltando aos mistérios da série, parece que tivemos um deles parcialmente resolvido neste 3º episódio. Depois de levantarem suspeitas no piloto, agora ficou bem claro que Barbara Kean, futura esposa de Gordon, e mãe de Barbara Gordon, a futura Batgirl, realmente teve um caso com Reneé Montoya, que, pra quem não sabe, nos quadrinhos é lésbica, e chegou a namorar um tempo Kate Kane, atual Batwoman. Qual a importância disto para a trama maior de Gotham? Ainda não sabemos. O que sabemos é que Montoya, que nos quadrinhos é uma personagem bem bacana de se acompanhar, ainda não mostrou a que veio, ao lado de seu parceiro Crispus Allen. Por enquanto os dois só estão complicando a vida de Gordon, fazendo perguntas sobre o aparente assassinato de Oswald, que… Bom, daí só assistindo o final do episódio pra descobrir mesmo. ;P

Acontecimentos menores que não tiveram relevância pra trama principal do episódio, mas que podem gerar frutos mais adiante:

  • Lazlo, depois de tomar uma surra dos capangas de Falcone no episódio anterior, ficou todo cheio de medinhos, o que fez Fish Mooney dar um pé na bunda dele. Se isto será ou não um dos motivos que o levará a tornar-se o lunático Professor Porko (que foi “premonitoriamente citado” no início do episódio, quando o Homem do Balão aparece usando uma máscara de porco), só o tempo dirá.
O "porco" que não é o Professor Porko

O “porco” que não é o Professor Porko

  • Brucinho aprendeu que é errado punir criminosos com a morte, pois isto torna o vigilante tão criminoso quanto aquele que foi punido. Parabéns, Bruce! Agora trate de entrar num curso de kung fu, moleque! >.<
  • A teia de intriguinhas entre Falcone e Mooney, que promete tornar-se maior com a apresentação oficial de Sal Maroni, e a rede de relações entre diversos personagens (como a de Barbara com Renee, a de Oswald com Sal, a de Selina com Bruce e Jim, entre outras), parece ser um dos temas que percorrerão toda a série, mostrando quão ligados todos estão, e o quanto cada um é responsável, em parte, pelas tragédias futuras que recairão sobre suas vidas. Não é uma ideia original (como a maioria das ideias atualmente), mas pode render boas histórias, se bem explorada.

Reparem que mal falei de Gordon desta vez. Pois é, ele continua sendo o protagonista com pinta de coadjuvante. Alguém precisa lembrar-se urgentemente de que é pro Jim ser o representante do telespectador dentro daquela cidade, e dar algo mais interessante e envolvente pra ele fazer, do que apenas servir de testemunha para a formação de uma Gotham City dominada por vilões lunáticos e… Ah tá, essa é a premissa da série! Mas dá pra ser melhor do que isto, pôxa! >.<

Nota 7,0