[SÉRIES] Game of Thrones S04E10 – Que m****!

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E, como prometido, temos aqui um final de temporada verdadeiramente épico, explodindo cabeças (só em sentido figurado dessa vez) com uma série de reviravoltas surpreendentes, novos mistérios e tramas que serão desenvolvidas daqui pra frente. A coisa tá ficando empolgante, inclusive porque, ao menos em um núcleo, a série alcançou o final do que é mostrado nos livros, e o que vem daqui pra frente é uma incógnita. Mais sobre isso logo que liberarmos os…

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Dando sequência ao episódio anterior, começamos com o pessoal da Patrulha da Noite, ou mais especificamente Jon Snow, que tá indo dar um plá com o chefão dos selvagens, Mance Rayder. Eles têm o momento obrigatório de desconfiança mútua, trocam ideias e brindes sobre quem morreu dos dois lados, todo esse protocolo social, e quando tão tentando resolver o impasse do que fazer sobre seus objetivos conflitantes (Jon quer que os selvagens deixem a Muralha e os Sete Reinos quietos, Mance quer atravessar a muralha com a turma toda pra fugir dos Caminhantes Brancos), de repente todos são surpreendidos com um bando de cavaleiros que aparecem do nada e começam a passar o rodo geral em todo mundo. Snow e o resto da Patrulha da Noite estão tão surpresos e confusos quanto os selvagens (e nós, espectadores), pois ninguém tinha avisado que a cavalaria tava chegando pra salvá-los, literalmente. Quando a poeira (ou, nesse caso, neve) abaixa, vemos que o misterioso exército é liderado por ninguém menos do que Stannis Fucking Baratheon.

Só pra quem manja de Monty Python...

Só pra quem manja de Monty Python…

Quem tava prestando atenção no final da terceira temporada viu Ser Davos entregar a carta da Patrulha da Noite pedindo a ajuda do rei Stannis (na verdade eles mandaram uma carta pra cada um dos reis que havia na época) para lidar com a dupla ameaça de Mance Rayder e dos Caminhantes Brancos. Ao vê-la, Melisandre diz que Stannis precisaria salvar o Norte, e todos sabemos que é ela que manda nessa joça. Nos episódios anteriores, vemos Stannis, Mel e companhia se preparando para uma grande viagem… então as dicas tavam todas lá. De qualquer maneira, o Rei Carrancudo informa a todos que ele chegou pra botar ordem nesse puteiro, queiram todos por favor se enfileirar ali do lado pra ajoelhar e beijar a mão dele, blablablá, ao que Mance Rayder diz “que se dane, não ajoelho pra ninguém”. Jon resolve o climão que surge entre os dois com a sugestão de tomar o Rei Além da Muralha como prisioneiro, e aliás que tal queimar todos os mortos antes que virem malditos zumbis de gelo?, o que Stannis acata em respeito a seu pai Ned Stark. Após o funeral dos “corvos” mortos, no qual Jon e Melisandre trocam olhares bem significativos (o que essa maluca tá planejando pra ele?), Lorde Snow faz um funeral em particular pra sua ruivinha, marcando a despedida definitiva de Ygritte e seu bordão.

Mais ao norte, a patotinha de Bran encontra a tal árvore vermelha radiante bacanuda que ele via em suas visões (e onde estará o tal corvo de três olhos), bem a tempo de Jojen Reed desfalecer aleatoriamente. Isso não seria nada de mais se não surgissem de repente, do chão, um monte de esqueletinhos pra zoar o pessoal. Bran entra na pele de Hodor novamente pra lutar (te contar viu, nos livros não é essa apelação toda de virar “Brandor” o tempo todo), mas isso não é o bastante, os mortos-vivos são muitos. Tudo parece perdido quando de repente surge uma (aparente) criança toda estranha, chovendo bolas de fogo em cima dos esqueletos.

Eu sabia que aquela árvore era familiar.

Eu sabia que aquela árvore era familiar.

A turminha (menos Jojen, que teve que ser sacrificado) corre pra dentro da tal árvore, e os esqueletos explodem quando tentam entrar também, porque as crianças além da Flor de Fogo tinham também Super Estrelas “o poder que os anima não funciona aqui”. Então tá. A menina explica que seu povo era conhecido pelos Primeiros Homens como “crianças da floresta”, apesar de serem muito mais antigas do que eles. E aqui vale um adendo: Muita, mas muita coisa mesmo do background das Crônicas de Gelo e Fogo foi deixada de fora da série de TV (leia um pouco a respeito aqui). Isso é inevitável, claro, pois as mídias são diferentes, e a TV não comporta muitas digressões ou discussões de fatos aleatórios do passado, o que é mais fácil de digerir em um livro. Mas o caso é que um dos detalhes que ficaram de fora até o momento são justamente as “crianças da floresta”, que nos livros foram mencionadas várias vezes antes (principalmente pela velha babá de Winterfell, mas por outros também), sendo até esse ponto um dos grandes mistérios do mundo de George Martin. Portanto, eu como leitor fiquei extremamente empolgado quando li o capítulo correspondente a essa cena, pois já tinha isso em mente, enquanto o pessoal que só assiste a série provavelmente ficou mais é confuso mesmo. Enfim, voltando ao episódio – as tais crianças conduzem Bran até o famigerado corvo de três olhos, que no caso é um velhote sentado em um trono de raízes, que diz que os observava com mil e um olhos, e que Bran não vai voltar a andar, mas vai voar. Parece que agora o rapaz finalmente encontrou alguém que compreende plenamente suas habilidades, e poderá transformá-lo em um ser muito mais poderoso do que qualquer um imagina…

Bran, daqui a pouco

Bran, daqui a pouco

Lá no reino da embromação sem fim, Daenerys continua despachando da sala do trono. Um ex-escravo (excravo?) aparece e deixa claro que, pelo menos pra ele, tudo era melhor no tempo em que ele era propriedade, e há outros na mesma situação também. O que, se você parar pra pensar, não é tão surpreendente – as pessoas se adaptam a todo tipo de situação, e principalmente no caso de pessoas de idade, como ele, é fácil imaginar que seria difícil se adaptar de novo a uma situação nova de liberdade. Enfim, ela permite que o cara faça um contrato de não mais de um ano com seu antigo dono, sendo devidamente avisada por Ser Barristan Selmy de que na prática isso vai fazer a escravatura voltar, porque passa a ser só uma questão de burocracia pra legitimar a coisa toda. Nós aqui do Brasil sabemos bem como isso funciona. O próximo expediente é mais um sujeito que veio depositar ossos de mais uma vítima dos dragões… exceto que, dessa vez, não é uma cabra, mas sim uma criança. Isso força a Mãe dos Dragões a tomar uma decisão drástica: ela pega dois de seus dragões e os tranca dentro de uma masmorra, fazendo questão de executar todo o trabalho sujo sozinha, à la Ned Stark. O terceiro dragão – Drogon, o negro e maior de todos, e o que matou a criança – está sumido.

Enquanto isso, Brienne e Podrick continuam em busca de Arya e Sansa, quando, após terem seus cavalos roubados, encontram uma menininha treinando com sua espada. Sandor aparece e é reconhecido por Pod, o que leva Brienne a crer que a menina só pode ser… Arya! Isso nos deixa em um impasse, pois Brienne faz questão absoluta de pegar Arya e levá-la pra… não sei onde, se não sobrou mais nenhum parente vivo (o que Sandor faz questão de ressaltar), enquanto Clegane se sente no dever de defender a pequena Stark e não vai entregá-la pra qualquer pessoa que aparece brandindo uma espada que ganhou de presente dos Lannisters. Segue-se uma das lutas mais ferrenhas e sangrentas da série, entre dois brutamontes exímios com a espada, na qual vale até dar uma de Evander Holyfield e arrancar a orelha do Cão fora (pelo jeito isso virou procedimento padrão; vide a última luta em que ele se envolveu, na qual isso também acontece). O resultado final é Clegane mortalmente ferido e jogado de um penhasco, e Brienne, apesar de vencer a luta, perdeu a Arya, que saiu de fininho. Ela encontra seu captor/guarda-costas, moribundo, que faz de tudo para que ela o mate e acabe com seu sofrimento (inclusive xingá-la, confessar o crime pelo qual ela queria que ele fosse executado, e por aí vai), ao que ela, como boa pequena psicopata que está se tornando, só fica olhando pra ele pacientemente, pra no final roubar sua bolsa e dar no pé. Mais tarde, ela encontra um navio, cujo capitão se recusa a levá-la para a Muralha (onde está o último parente que ela sabe estar vivo, Jon Snow), e revela ser de Braavos. Lembrando-se do que Jaqen H’ghar lhe disse, Arya pega sua moeda de ferro, entrega-a para o homem e diz “Valar morghulis”, o que o faz imediatamente mudar de atitude e descolar pra ela um lugar privilegiado na cabine. Fica pra próxima temporada saber o porquê disso… mas digo que vai ser FODA PACARAI.

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Com isso, vamos para Porto Real, saber o que diabos aconteceu depois do dramático e mal-fadado julgamento por combate de Tyrion. Oberyn morreu, claro, mas não sem antes causar um belo estrago no Montanha, pois descobrimos aqui que Ser Gregor foi envenenado por uma substância poderosíssima, sendo completamente desenganado pelo Grão-Meistre Pycelle. No entanto, Qyburn, o ex-meistre que foi expulso da Cidadela (o “QG” dos Meistres, um tipo de mega-universidade) por experimentos antiéticos com seres humanos, diz que é possível fazer algo a respeito, algo… controverso. Algo que o deixará… diferente. (Mas não mais fraco, como Cersei faz questão de se certificar.)

Isso também me soa familiar...

Isso também me soa familiar…

Mais animada após ver alguém sofrendo horrivelmente e tendo seu sangue drenado, Cersei enche a cara (pra variar) e resolve ir tirar satisfação com seu paipai, Tywin, batendo o pé que ela não vai casar com o cavaleiro florido Ser Loras. Ele, claro, não quer nem saber de conversa, e começa com seus já conhecidos sermões sobre família e dever e coisa e tal quando sua filha-prodígio vem com um ás na manga: se ele não fizer a vontade dela, ela vai simplesmente arruinar tudo pra todo mundo admitindo que aquilo que todo mundo já sabe (seus filhos são de Jaime, não do finado Robert) é verdade, o que não só jogaria o nome dos Lannisters na lama mas destruiria totalmente a legitimidade da sucessão de seus filhos ao trono. Tywin dá uma de corno teimoso e não acredita nem quando a própria pessoa envolvida admite e esfrega a verdade na cara dele. Já com o sangue fervendo, Cersei vai procurar seu boy para avisá-lo de sua decisão energúmena e dar uma bimbada de reconciliação com ele (já que os dois andavam bem frios).

Mais tarde, nas masmorras, chegou a hora da verdade para o pintor de rodapé mais daora de todas as existências. No meio da madrugada, Tyrion recebe a visita inesperada de seu irmão Jaime, que pelo jeito decidiu que alguém nessa porra de família tem que não se ferrar totalmente na vida, e portanto vai ajudá-lo a fugir, juntamente com Varys. Quando chega a hora de encontrar o eunuco pra se mandar do local, o anão tem um lampejo maligno e resolve tomar conta de alguns assuntos primeiro. Ele dá meia-volta, pega umas passagens secretas (a Fortaleza Vermelha, sede do poder de Westeros, é cheia delas) e vai parar nos aposentos da Mão do Rei, que costumavam ser dele e agora são ocupados por seu digníssimo genitor. E olha só, quem ele encontra toda sensualmente espalhada na cama senão sua ex-namorada (e que cravou o último prego no caixão de seu julgamento), Shae. Aqui vale um apontamento: na série de TV, eu achei a “queda” da Shae meio repentina e mal-explicada; ela tinha um relacionamento extremamente amoroso com Tyrion, eram praticamente o único casal realmente saudável da série, até que ele a dispensou para sua própria segurança – de uma maneira cruel, mas ainda assim, a reação dela mais tarde (entre o julgamento e isso aqui) me pareceu exagerada. Já nos livros, ela é uma personagem muito mais ambígua, de moral e lealdade bem mais duvidosas, o que torna sua traição mais crível. (O mesmo se aplica a Bronn, aliás.) Enfim, Tyrion recompensa sua trairagem estrangulando-a com seu próprio colar, demonstrando que ainda sofre muito por ela, mesmo ao tomar essa atitude extrema.

Com essa questão resolvida, ele parte para seu real objetivo ali, tirando uma besta da parede e saindo em busca de seu pai, que ele encontra na produção de churros de chocolate. Com isso, eles podem ter uma conversa bem diferente das que vinham tendo anteriormente, com a dinâmica de poder totalmente invertida – Tyrion segurando em suas mãos o instrumento da morte de seu pai, e Tywin na situação mais humilhante possível que uma pessoa pode se encontrar no dia-a-dia. Nessa conjuntura, o patriarca Lannister se mostra todo compreensivo, dizendo até que jamais tinha a intenção de deixar Tyrion ser executado, e que isso não iria ocorrer (mentira deslavada, claro), e chamando-o de “meu filho”. O anão procura se convencer de que seu pai no fundo nunca se importou com ele, e isso vem com aquela história de chamar a Shae de puta. Tipo, o cara acabou de matá-la, mas ainda assim não admite essa afronta, o que para mim significa duas coisas – uma, que ele ainda nutre sentimentos complexos por ela (que vimos com as desculpas que ele pede a seu cadáver após matá-la), e duas, que isso também tem muito a ver com a implicância que Tywin tem com as “putas” de seu filho, o que vem desde o episódio de seu “casamento” em sua adolescência (contado na primeira temporada, assim que Tyrion conhece Shae). Aliás, no livro, essa sua “esposa” do passado é muito lembrada nessa cena, tanto na (breve) conversa com Jaime quanto no confronto com Tywin. De posse de sua justificativa (ao menos em sua própria mente), Tyrion se vinga de uma vida toda de desprezo assassinando seu pai a sangue-frio. Feliz Dia dos Pais! (Jamais vou acreditar que a data foi mera coincidência.) Ele finalmente se encontra com Varys, que o encaixota, coloca-o em um navio, e ao ouvir os sinos indicando a morte de Tywin, resolve ficar no barco mesmo e ir junto com o anão.

Varys, no final do episódio.

Varys, no final do episódio.

E com isso encerramos mais uma temporada de Game of Thrones. O quarto ano foi bastante interessante; teve lá seus momentos arrastados, mas compensou-os com algumas boas surpresas, inclusive para quem já conhecia a história dos livros. Nessa temporada, vemos as peças se encaixando no Jogo dos Tronos, se posicionando para um grande confronto, e limpando muitas pontas soltas. Há muito o que se responder na temporada seguinte: o que diabos Stannis está fazendo no Norte? Como ele vai afetar a dinâmica da Patrulha da Noite e dos selvagens? Como é que Melisandre e sua religião se encaixam nisso tudo, principalmente tendo em mente a ameaça dos Caminhantes Brancos, com seu gelo diametralmente oposto ao fogo de R’hllor? O que será de Porto Real agora, com Tywin morto, e ninguém com juízo pra governar a porra toda? (Jaime tá de saco cheio de tudo, e Cersei é uma porra-louca total, como demonstrou nesse último episódio.) Aliás, pra onde Tyrion está indo, e qual será seu destino lá? O que Varys está tramando pra ele? E Arya, o que diabos ela está indo fazer em Braavos? Será que Daenerys vai sair desse marasmo de Meereen e ir logo pra Westeros duma vez? O que vai ser do pobre Theon, agora indo pra Winterfell com os Bolton? E quanto a Bran, o que vai acontecer com ele naquela árvore maluca com um velhote vidente e um bando de crianças soltadoras de bola de fogo? Essa última, aliás, é uma pergunta que eu realmente me faço, pois a história de Bran (tirando uns 5 minutos finais que não entraram no episódio) realmente chegou ao final do que é retratado no quinto livro, o último publicado até o momento. Quero ver o que eles vão inventar pra esse moleque (que, aliás, tá ficando crescidinho demais). Nos despedimos então desse pessoal que já virou praticamente nossa família… até ano que vem!

Despedidas sempre são tristes...

Despedidas sempre são tristes…

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