[SÉRIES] Game of Thrones S04E06 – You can’t handle the truth!

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TOMA!! Pra quem reclamou da embromação do episódio passado, toma-lhe um excelente episódio no qual até não avança tanto assim a história (e também recheado de coisas que não estavam no terceiro livro, grande parte inclusive adiantando reviravoltas que aparecem só no quinto volume), mas que é um dos melhores até agora só por conta da cena ÉPICA do julgamento do Tyrion. Mais especificamente, claro, a atuação do próprio anão, e o discurso impressionante que ele faz. Claro, sendo o Tyrion que todos nós conhecemos e amamos, não era pra esperar outra coisa, mas PQP… o cara surpreende, extrapolando todas as expectativas e dando o tapa na cara da sociedade que a gente esperava há muito tempo. Vamos conferir então!

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Tyrion, resumidamente

Começamos vendo Stannis Baratheon e seu fiel escudeiro Davos dando um pulinho na cidade de Braavos, pra passar no banco. Mais especificamente, o Banco de Ferro, que é praticamente dono do Trono de Ferro e da família Lannister, se você for contar as dívidas (e eles contam). Após o gerente da agência deixar bem claro que tá pouco se lixando pra esse negócio de rei e o escambau e negar aquela linha de crédito bacana, Ser Davos faz um discurso foda (hoje é dia, pelo jeito) em que prova por A+B que, por incrível que pareça, independente dessa história de ser ou não o herdeiro legítimo, Stannis é realmente a melhor opção que tem pra governar Westeros no momento… e vou te falar, até eu que achava o cara um pela-saco do caramba tô convencido. Tudo bem que, com a Daenerys “We have a Hulk three dragons” Targaryen, na minha opinião não é uma questão de se, mas quando ela vai conquistar os Sete Reinos (sem contar que ela tem muito mais direito ao trono que o Stannis, incesto ou não), mas com os vacilos que ela dá de vez em quando eu tô começando a simpatizar mais com esse cara. Resumo da ópera, a dupla descola uma grana, contrata o pirata negão gente-fina (um desses personagens pequenos que a gente adora) e, pelo jeito, se preparam pra partir pro pau.

Por falar em “partir” e “pau”, voltamos um pouco para nosso pobre projeto fracassado de badass, Theon Greyjoy… ou melhor, sua irmã Yara, que parte com uma equipe tática de vikings modafoca pra resgatá-lo das garras de Ramsay Snow. (Aliás, pra quem tiver a audácia de chamar Game of Thrones de machista, olha aí a mulher fodona resgatando o homenzinho indefeso.) Como vemos, ela esbarra em um pequeno problema: a lavagem cerebral que Theon sofreu foi tão profunda que ele fica aterrorizado pela ideia de ser resgatado, e corre de volta pra jaula na primeira oportunidade. Isso faz com que Ramsay tenha tempo de chegar, e destroçar um monte de Homens de Ferro em uma das cenas de luta mais mentirosas da série (o fim do professor de esgrima da Arya não era pra ser uma lição de que enfrentar gente fortemente armada sem armadura e com armamento inferior é suicídio?) e soltar os cachorros em cima do resto, espantando o grupo de resgate. Segue-se a isso uma cena um tanto quanto homoerótica (não criticando, só apontando) entre Ramsay e Theon, na qual Alfie Allen (que interpreta Theon) dá um show mostrando o quão perturbado e traumatizado seu personagem está. Ele ganha uma missão, na qual deverá assumir seu verdadeiro nome de novo (ao invés de Fedor)… vamos ver o que isso faz com a psiquê dele.

Enquanto isso, os produtores da série abrem a torneira do orçamento de efeitos especiais o bastante para que Drogon, o dragão negro de Daenerys, apareça brevemente pra incinerar uma pobre fazendinha de cabras. O pastor vai choramingar lá com a dona, que restitui o valor dos animais em triplo (já tô vendo um monte de gente tacando fogo nas próprias cabras pra sacar o Bolsa-Dragão). Logo em seguida é a vez de um jovem nobre, que vai reclamar da sem-noçãozice que foi pregar 160 e sei lá quantos “Mestres” nos postes, e pedir pra enterrar seu pai. Dany fica numa situação difícil: se ela for inflexível, ela passa por desalmada e ganha a inimizade de muita gente na cidade; se relaxar sua decisão de deixar todos os “Mestres” apodrecerem na cruz, isso pode erodir sua imagem de fodona. Como o cara pede com jeitinho, ela resolve pender mais pro lado da misericórdia e deixar o cara tirar o velho do poste.

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Eeeeee chegamos à parte que realmente interessa, o julgamento do século. Depois de uma ceninha whatever na qual Oberyn Martell é introduzido ao Pequeno Conselho, o qual recapitula a temporada atual pra quem não tava prestando atenção, Tyrion é finalmente levado à sala do trono para ser julgado por seu pai Tywin, Oberyn e Mace Tyrell. A primeira parte dos trabalhos prossegue como uma peça de teatro bem ensaiada: o rei Tommen entrega o julgamento pras pessoas já combinadas, eles começam a chamar uma porrada de testemunhas, que fazem um “melhores momentos” da vida de Tyrion, só que sempre tentando distorcer as coisas pra parecer que o cara é um FDP… O anão até tenta protestar durante o testemunho do cavaleiro da Guarda Real, esclarecendo que brigou com Joffrey porque ele estava humilhando a Sansa gratuitamente, mas Tywin manda-o calar a boca. Ou seja, tudo completamente armado pra ferrar com o pobre coitado. Quem tinha esperança que Tywin fosse ter um pingo de imparcialidade (depois que ele aloprou Cersei, quando ela tentou influenciar o julgamento) logo percebeu que não era bem por aí. O Grão-Meistre Pycelle até inventou uma porrada de mentiras pra deixar perfeitamente claro que Tyrion tinha o veneno necessário para matar Joffrey. Curiosamente, a única pessoa que parece realmente interessada em saber o que de fato aconteceu, e que faz perguntas pertinentes às testemunhas, é Oberyn Martell – não por acaso, o único ali que não tem quaisquer interesses pessoais no resultado do julgamento, nem uma opinião pré-concebida a respeito de Tyrion.

Lá pelas tantas, o juiz Tywin chama um intervalo, e Jaime, mostrando que realmente está querendo ser um cara bacana, vai tentar convencê-lo a poupar a vida de seu irmão. Ele, que entrou pra Guarda Real (o que significa perder qualquer direito a títulos, terras etc.) pra se rebelar contra seu pai e largar para trás a família, se oferece para abandonar seu posto e assumir o encargo de herdeiro dos Lannister caso a vida de Tyrion seja poupada (o que significaria pedir misericórdia e ir pra Patrulha da Noite), o que Tywin aceita na hora. Jaime comunica o acordo ao anão, que não gosta muito da ideia mas parece pelo menos levá-la em consideração. Tudo isso muda quando o tribunal chama uma testemunha que ninguém esperava ver de novo: Shae, a (ex-)namorada de Tyrion, a mesma que ele mandou pra bem longe para que ela não fosse morta pelos Lannister (e que ele fingiu desprezar de forma humilhante, pra que ela desgrudasse dele). Aparentemente, ela ficou magoada mesmo com ele, pois ela entra no teatrinho e começa a desfiar uma série de mentiras, distorcendo todo o histórico que ela teve com Tyrion (e que foram as cenas mais românticas e fofas da série) em algo horrendo e vulgar. Tyrion virando pra ela e dizendo “por favor, não faça isso” é bem emblemático – não se trata de simplesmente testemunhar contra ele, que a essas alturas já tá ferrado mesmo, mas de partir seu coração e destruir a última coisa boa que restava em seu mundo.

Esse depoimento foi a última gota d’água para o anão – não só em relação ao julgamento, mas por sua vida toda, como ele deixa bem claro em seu discurso impressionante no final. Afinal, o julgamento é só a culminação de toda uma vida de preconceito e perseguição, a expressão máxima do ódio imerecido que ele sempre recebeu de seu pai e sua irmã. No fundo do poço, abandonado por todos, (praticamente) condenado à morte e com seu nome jogado na lama mesmo depois de tudo o que fez pela cidade e pelos Sete Reinos (ao comandar a defesa contra a invasão de Stannis e ao segurar as pontas das pirações do Joffrey), Tyrion resolve simplesmente ligar o “foda-se”. Que se dane esse negócio de misericórdia e Patrulha da Noite, ele ficou puto demais da vida. Ele abre o coração e fala tudo o que pensa (e nós pensamos também) – todo mundo ali é um bando de hipócritas ingratos filhadaputa, ele não matou o Joffrey mas bem que queria ter matado, e queria também ter veneno de sobra pra matar todo esse monte de víboras traiçoeiras. Se por um acaso você não viu (o que tá fazendo aqui?) faça um favor a si mesmo e assista – nenhuma descrição pode fazer justiça. Enfim, ele termina virando a mesa (como sempre), ao pedir um ordálio por combate. Ficamos na expectativa pra ver quem vai ter a coragem de defender o homem mais odiado de Westeros…

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E, só pra descontrair, olha só o final alternativo pro episódio que caiu na net:

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