[SÉRIES] Game of Thrones S04E04 – WHAAAAAT??

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Maseim? Cumequié? É o que nos perguntamos nós, os leitores, os iniciados nos tijolos de papel de George Martin que deram origem a Game of Thrones, ao assistir esse último episódio, o quarto da quarta temporada. Podem rir, senhores “espectadores” (que veem a série sem ter lido os livros), pois esse é o momento da sua vingança. Nós, que ficamos segurando o risinho e esfregando as mãos pra ver sua reação aos dois grandes casamentos da série (o “Vermelho” e o “Púrpura”) e tantos outros momentos, agora ficamos olhando pra tela com cara de bocó, genuinamente surpresos e sem fazer absolutamente a menor ideia do que vai acontecer em seguida. Tudo porque desde a segunda temporada (com as peripécias de Daenerys em Qarth) que a série não se afasta tanto da história original, criando situações novas e mudando radicalmente o destino de personagens conhecidos. Para falar disso, como já é tradicional… que venham os spoilers!

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Bem, começando pela parte fácil… Temos Verme Cinzento (eu gosto de chamá-lo de Porco Nudo – se você prestar atenção, é como ele se chama na língua lá da região) e Missandei em uma cena bem legal, que explora um pouco mais esses personagens geralmente esquecidos mas que eu gosto, e ainda por cima cria um climinha entre eles. Eu achei bacana, dá uma certa profundidade à série ao mostrar um lado bem humano de personagens que a gente nem dá tanto valor. Porco Nudo prossegue em sua “badassidão” ao liderar uma rebelião de escravos e entregar Meereen, a última das cidades escravagistas, à nossa Khaleesi, que logo faz questão de mostrar que não é nenhuma menininha frágil mandando pregar os folgados dos “Mestres” nos postes, como eles fizeram com as crianças escravas lá no primeiro episódio da temporada. Afinal, após não ser levada a sério por seus oponentes por ser uma mulher liderando um exército, e ainda mais depois de fazer fama de misericordiosa ao libertar todos os escravos, ela precisa provar que sim, é pra ter medo dela também.

Em Porto Real e adjacências, continuam os desdobramentos da morte de Joffrey. Descobrimos que esse feito foi um conluio entre Petyr Baelish e Olenna Tyrell, para remover um rei que era imprevisível e difícil de controlar demais para “Littlefinger” e perigoso demais para a neta de Olenna, além de cimentar uma aliança entre as duas partes. Sansa, que está metida no crime até o pescoço (literalmente), está agora sob a mercê de Littlefinger. Margaery Tyrell não perde tempo e trata de começar a seduzir o novo rei, Tommen, em uma cena que eu achei bastante divertida, principalmente a cara de inadequado do moleque. Cersei continua a se mostrar cada vez mais babaca, alienando inclusive Jaime, o qual, após conversar com Tyrion, está convencido de que ele é inocente. Disposto a fazer alguma coisa boa pra tentar se redimir, Jaime presenteia Brienne com a espada mega blaster que ele acabou de ganhar do pai, mais uma armadura bacana e o escudeiro desajeitado de Tyrion, para que ela vá cumprir o que prometera a Catelyn e encontrar Sansa. Parece que rola alguma coisa entre os dois… o que significa que, ao contrário dos livros, a química que tem entre eles não foi desperdiçada.

E muito se fapou nos aposentos reais nesta noite.

E muito se fapou nos aposentos reais nesta noite.

Bem, tudo isso são coisas que, mesmo não tendo sido mostradas nos livros, certamente se encaixam no background dos acontecimentos descritos lá. Agora, vamos pra parte da piração total (e digo isso no bom sentido, porque achei foda o rumo que as coisas tomaram). Na Muralha, vemos que chegou à Patrulha da Noite um novo recruta: Locke, o cara sinistrão que trabalha pro Lorde Bolton, e que ficou de encontrar e eliminar os últimos rapazes Stark. Ou seja, tá na cara que o objetivo dele ali é grudar no Jon Snow até Bran e Rickon Stark aparecerem, e passar a faca geral quando encontrá-los (no final das contas, nem Bran nem Rickon foram encontrar o Jon, mas Locke não sabe disso). Portanto, quando Jon resolve ir pra fortaleza de Craster dar cabo dos ex-Patrulheiros renegados – o que, aliás, torna-se uma boa ocasião para provar a seus inimigos dentro da Patrulha a força de seu nome e popularidade – Locke não hesita em se fazer voluntário. A cena é bastante emblemática: Alliser Thorne, o babaca que quer se livrar de Jon, sanciona o ataque esperando que ninguém vá e Jon morra sozinho no combate, mas ao invés disso o que presencia ali é o nascimento de uma liderança bastante capaz de fazer frente a ele.

Por falar nisso, na fazendinha de Craster… somos introduzidos a outro personagem novo, Karl, que passa um bom tempo falando o quanto ele é fodão, e contando histórias de como ele é fodão, e perguntando pro outro cara “ei, eu não sou fodão?” “é sim, chefe, você é fodão”… sinceramente, ficou bem forçado isso. Ficou com toda a cara de que ele caiu ali de pára-quedas, ah e por acaso ele é fodão, vamos martelar isso na cabeça do povo até ficar bem claro? Que, claro, pra mim parece ser o que aconteceu. Sei lá, deveriam ter introduzido o personagem mais cedo (os créditos indicam que ele tava lá na temporada anterior, na rebelião em que mataram Craster e o Comandante Mormont, mas sinceramente não lembro dele) e provado sua fodonice com exemplos ao invés de tagarelice. Regra de ouro da criação de histórias: Mostre, não conte. Enfim, a birra que eu tomei dele à parte, esse cara agora comanda os rebelados, e pelo jeito eles estão com o lobo do Jon Snow numa gaiola. Quando as “esposas” de Craster aparecem com um bebê masculino e informam que ele deve ser sacrificado aos Caminhantes Brancos em um coro sinistro à la culto satânico, Karl diz “ok, sem problemas”, como se isso fosse a coisa mais normal desse mundo, e manda o zé-ruela (que, até antes desse episódio, deveria ser o líder dos rebelados) fazer o delivery.

Pobre Hodor... já vou avisando: se ele morrer, eu paro de assistir!

Pobre Hodor… já vou avisando: se ele morrer, eu paro de assistir!

Bran e sua comitiva estão ali por perto, pois eles ouvem o choro do bebê, e nosso telepata animal de plantão resolve investigar na pele de seu lobo. Claro, o trouxa tinha que cair em uma armadilha, bem a tempo de ver o lobo de Jon – portanto, lá vai a molecada (e o Hodor) tentar salvar ambos os animais. Previsivelmente a coisa dá merda (por mais que Jojen e Meera Reed sejam competentes, do outro lado tem um monte de Patrulheiros profissionais), e a turma toda é capturada, pra delírio da turma que leu o livro e não achava que nada disso deveria estar acontecendo. (Pra ter uma ideia, os patrulheiros rebeldes deveriam ter morrido logo após matar Craster e Mormont, em um confronto contra Caminhantes Brancos.) Hodor vira uma espécie de animal de circo, com todo mundo batendo nele só de zoeira (que raiva eu passei…) e os moleques são levados pra dentro da casa, onde, a fim de salvar a vida de Jojen, Bran revela quem é. Pronto, fudeu tudo. OK que, teoricamente, Jon Snow está chegando pra salvar o dia, mas não sabemos quanto tempo isso vai levar, sem contar que tem um traíra junto com ele…

E, pra completar, no momento maior de piração, nós vemos o que acontece com as crianças que são entregues aos Caminhantes Brancos – são levadas a um lugar doido, um tipo de Stonehenge de gelo, onde aparece um Caminhante Branco todo estilosão, de preto e cheio de chifres/espinhos/coroa/sei lá o que é aquilo, e transforma o moleque em um deles. Aêêê, sabemos de onde esses caras vêm! O que pode ser um problema para alguns, pois tudo o que envolve essas criaturas era pra ser um mistério total. Isso, aliás, tem sido fonte de reclamações sobre esse episódio: esse negócio de ter virado high fantasy de uma hora pra outra, com cenários estilo Conan e o Rei dos Velhotes Congelados. Tipo, qualquer coisa é bem mais assustadora quando você não a compreende direito, quando é tudo escondido, sombrio, envolto em mistério. Quando você não só mostra os Caminhantes, mas também mostra a casa deles e o processo pelo qual eles são criados (o que não tem nos livros), a coisa fica bem mais mundana. Eu mesmo não sei o que pensar disso – apesar de concordar com a coisa do mistério, eu morro de curiosidade de ver os elementos mais fantásticos da série “na prática”, e gosto pra caramba quando eles aparecem mais claramente. Mas que a cena final foi meio brochante, isso foi.

Sério... você votaria nesse cara pra vilão-mór da porra toda?

Sério… você votaria nesse cara pra vilão-mór da porra toda?

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2 thoughts on “[SÉRIES] Game of Thrones S04E04 – WHAAAAAT??

  1. Acho que vc respondeu a uma dúvida que eu tive ao ver o episódio. Muito se fala que a história atual do Bran é coisa do quinto livro. Aí a história dele interagindo com a do Jon Snow me fez pensar que talvez a do Jon tb estaria adiantada… mas pelo jeito está tudo bagunçado mesmo.

    Ah, e o vilão-mor ficou a cara do Darth Maul.

  2. A impressão que eu tive é que eles jogaram um “empecilho” no caminho do Bran (ser capturado por esse pessoal) pra dar uma estendida na história dele, que tá muito mais adiantada que a dos outros personagens. Entretanto, eu li coisas sobre a produção dessa (quarta) temporada que indicam que devem acontecer coisas que pertencem, sim, ao quinto livro. Pra você se situar, a terceira e quarta temporadas correspondem mais ou menos ao terceiro livro (primeira e segunda metades respectivamente); a cronologia bagunça um pouco no quarto e quinto livros, pois o quarto conta o que acontece com alguns personagens, e outros (os mais relevantes na minha opinião), entre eles Bran, ficam de fora. O quinto livro em parte corre em paralelo com o quarto (o pessoal que ficou de fora), principalmente na primeira metade. Pelo que consta, vão retrabalhar essa divisão na série e colocar as histórias em ordem cronológica mesmo, com todos os personagens em todas as temporadas, o que faz muito mais sentido. Mas isso tudo é pra entender que o Bran, que demorou praticamente o terceiro livro todo pra chegar na Muralha, ficou de fora no quarto, e tendo suas aventuras além da Muralha no quinto. Já a história do Jon parece estar mais ou menos nos trilhos com a cronologia geral, tirando o fato de que essa incursão na fortaleza de Craster não tá no livro.

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