[SÉRIES] DOCTOR WHO: season 8 season finale (s08e11 e s08e12)

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Com Dark Water e Death in Heaven se encerra a primeira temporada de Peter Capaldi como o Doutor mais antigo da televisão. Mas antes de pularmos para as conclusões da temporada, vamos falar sobre os dois episódios primeiro (que funcionam como um só, na verdade).

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ÁGUA PRETA

Ao longo da temporada, foi mostrado que as pessoas que morriam durante a temporada iam parar em um tipo de paraíso, recrutados por uma tal de Missy, então, era meio esperado que os episódios tratassem sobre isso, já que Doctor Who é uma série de ficção científica e não de elementos sobrenaturais coméquipodi uma porra dessas, Bátima?

A coisa que mais conta contra estes episódios são os seus próprios trailers, que foram recheados de cenas fora do contexto para parecerem muito mais foderosas do que realmente eram.

Para seu deleite, repare no replay instantâneo:

Era uma bilada, cino. As falas da Clara foram tiradas de contexto, apenas para efeitos de “uau”. Sério, não é nada do que parece, e isso gerou uma certa frustração.

Por sorte o episódio é muito bom, apesar disso. Nele, temos Clara vivendo sua vida de civil, longe das loucuras espaço-temporais do Doutor, com seu wubwub Danny Pink quando… Danny tem uma morte completamente imbecil e aleatória.

Como boa série de sci-fi trash que é, Doctor Who raramente trata a morte de forma elegante, e a cena do batimento de botas do Danny, e a reação da Clara em perder seu momozim, é muito ooooowwwwnnnn. Ficou elegante, mesmo.

Então, Clara recorre à única pessoa que pode ajudá-la a entrar no Tártaro e recuperar a alma do seu amado, e após muito mimimi, Clara e o Doutor parte em busca do pós-vida.

Eeeeeeeeeeee pára tudo pára tudo pára tudo!

Gente, como assim? Mas o que é isso, amici? Certo, vamos lá… Suponhamos que o Doutor tenha como encontrar a dimensão do pós-vida usando as gambiarras da TARDIS. Ok, essa não é a pior parte, o que realmente me incomoda é… POR QUE ELE NUNCA TENTOU ISSO ANTES?

Sério, não é como se Danny Pink fosse a pessoa mais importante que o Doutor já tivesse perdido. Como ele nunca tentou isso antes? Aí é teste pra cardíaco, amigo…

Mas tá, tirando essa forçação de barra tremenda, daí pra frente o episódio vai que vai, e o Doutor é apresentado a uma das verdades mais perturbadoras e aterrorizantes do mundo – na verdade a mais perturbadora de todas as verdades do mundo. Tão perturbadora e tão terrível, que eu tinha pesadelos com essa ideia quando era criança, coisa tensa mesmo.

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E é nesta ida ao “pós-vida” que o Doutor finalmente encontra Missy, que não é ninguém senão a regeneração de um velho conhecido do Doutor. Ah, qualé, isso nem conta como spoiler, você tem que ter um crayon enfiado no cérebro para não ter chegado a essa conclusão até esse ponto!

E o plano de Missy envolve todos os humanos que morreram na história da Terra até hoje, e os Cybermen, agora sim estamos falando de um puta episódio de Doutor Quem! Com efeito, Dark Water é um dos melhores episódios desta temporada…

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… o que talvez não possa ser dito de BATER AS BOTAS NA TERRA DOS PÉS JUNTOS

O episódio que fecha a temporada abre com todos os Cybermen da história marchando sobre a face da Terra, porém, não termina tão épico assim.

Seguindo uma coisa que tem virado meio que moda nesta temporada, o episódio tem furos de roteiro que fazem você questionar seriamente porque determinada cena está sequer acontecendo. Sério, algumas cenas são tão mal escritas, que você acha que a qualquer momento alguém vai puxar um Deus ex machina para explicar como saporra aconteceu, mas não, é só roteiro ruim mesmo. Principalmente as cenas envolvendo a Missy e os Cybermen.

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Falando em Cybercaras – que são completamente descaracterizados neste aqui – o episódio trás muitas cenas de homenagem ao passado, mas também deixa muito a desejar também. Vamos apenas dizer que se tem uma oportunidade de homenagear cada pessoa viva que o Doutor conheceu um dia, e com efeito existe uma grande pagação de pau para o Brigadeiro (um dos melhores amigos do Doutor durante a série clássica), mas poderia ter ido tão mais além (tipo, uma participaçãozinha dos Pond não teria doido). Mas ok, no quesito referencias está ok.

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Yes, they are *tente não chorar*

Posto isso, vamos a falar a coisa realmente legal do episódio: Missy. Todo mundo adora vilões loucos estilosos, e o Master (agora em sua regeneração moçoila) está mais louca e estilosa do que nunca. Adicione a isso agora toda a relação de amor e ódio que o Doutor e o Mestre sempre tiveram, mas que agora é politicamente correta ser explorada (porque agora o Mestre faz xixi sentada).

Sério, cada cena da criatura vale o seu peso em rublos e sangue de bebês. Ela é louca, ela é brilhante, ela tem um plano que vai pegar até o Doutor com as calças na mão, porque ela é tão brilhante quanto ele, mas… bananas!

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Eu realmente queria dizer que o episódio é genial apenas pela Missy e pelas referencias, só que, como já dizia Renato Russo, “mas existem outras coisas”.

A trama cheia de furos, cenas que não fazem sentido, a forçação de barra pra colocar importância em alguém que não era tão importante (desculpe, Danny, mas você não era, sorry), outro episódio que as coisas se resolvem sozinhas, o Doutor não percebendo coisas que são gritantemente óbvias para nós espectadores, o desfecho menos do que épico e a solução do conflito têm que ser mencionados.

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De bom fica que tivemos – e não cabe aqui elogiar o suficiente – a Missy como nova vilã (e que teve um final muito ambíguo, o que significa que a veremos novamente com certeza), e a decisão de que na próxima temporada o Doutor vai caçar onde diabos foi parar Gallifrey. Esse é um excelente gancho para a temporada, se querem saber minha opinião…

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E A TEMPORADA? COMO FOI?

Minhas previsões iniciais se mostraram acertadas e, efetivamente, Peter Capaldi é o melhor ator a encarnar o Doutor nesta retomada da série de 2005 para cá. Suas habilidades como ator são realmente inquestionáveis. Ele sabe ser engraçado, sério, filho da puta, alienado, filho da puta, sarcástico, filho da puta, sensível e eu já mencionei filho da puta. Definitivamente Capaldi é inquestionável como Doutor.

Mas… isso quer dizer que ele é o melhor Doutor ever?

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Complicado responder isso, na verdade, porque, veja, por melhor que seja o ator em si, essa temporada foi muito mal organizada em termos de estrutura narrativa.

Tivemos episódios brilhantes como Listen e Dark Water, episódios engraçados pra caralho como Robots of Sherwood e Flatline, e um excelente episódio de Daleks, algo que não víamos há muito tempo. Individualmente foram grandes momentos, mas como todo, a escolha foi menos do que otimizada.

Definitivamente a série poderia usar mais momentos como esse do tipo “Eu sou o Doutor e sou foda pra caralho!”

A impressão que dá é que a temporada é repleta com muita ação e plot (nem sempre bons), e não dá tempo para o Doutor respirar e mostrar quem ele é. Tanto que terminou a temporada sem termos certeza de que tipo de homem é o Doutor (embora o momento de epifania dele no último episódio tenha sido algo memorável, sobre ele não ser bom nem mau, apenas um idiota).

O desenvolvimento do Doutor foi bem até Listen. Até ali entendemos que ele era um “Dalek bom”, arrogante e orgulhoso, enfim, um sonserino do bem. Só que acaba aí. Dali pra frente é só correria e correria, e o Doutor está sempre só cumprindo o roteiro e com pouco tempo para ser ele mesmo.

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E fora do Doutor, as coisas foram menos bem ainda, porque ficou uma sensação muito amarga de que a série quis porque quis forçar a todo custo uma simpatia pela Clara e seu peguete, e não é assim que funciona. Uma das premissas básicas de qualquer narrativa é “mostre, não conte”, mas a série passou muito tempo nos DIZENDO como a Clara e o Pink eram wub wub, e pouco tempo MOSTRANDO isso.

Pior ainda, porque já tivemos peguetes de companions infinitamente melhores para comparar, como o Rory e o Mickey.

Em resumo, eu gostei dos episódios, mas não da temporada, e acho que faltou AQUELE episódio para o Capaldi se consagrar como o maior Doutor da era moderna. Listen chegou muito perto disso, tá quase, tá quase…

E, sério, olha essa cena do especial de Natal! Que coisa genial! Tenho sensação de que sairemos decepcionados com a tradicional qualidade dos especiais de Natal da série!