[SERIES] DOCTOR WHO s08e06: The Caretaker

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Como todos sabemos Doctor Who é uma série que extrapola o tempo e o espaço, mostrando aventuras no limite da imaginação humana seja no ano 5 milhões ou no dia em que a Terra se formou (sim, a Terra foi formada em um dia em especifico, você não sabia disso porque não assistia Doctor Who… ou a Bíblia).

O episódio desta semana nos levou, no entanto, a um tipo muito especifico de viagem no tempo: ela nos levou precisamente ao ano de 2005.

Não, não, não entenda errado.O Doutor não vai a lugar nenhum no episódio, sua TARDIS fica bonitinha e paradinha em 2014: quem viaja no tempo é você! (parece uma reversal russa, mas é exatamente isso).

Acontece que esse episódio é meio que uma homenagem aos primórdios da série e em sua estrutura transborda nostalgia. Você lembra da série em 2005, certo? Quando o Doutor era um alien orelhudo de jaqueta de couro que não tinha muita noção de como as pessoas funcionavam, dos dias de Rose Tyler como protagonista da série e seus rolos com Mickey, o idiota?

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Naqueles dias em que boa parte dos episódios era sobre o “alien do dia” que tocava o terror em Londres e cabia ao Doutor e sua fiel companion tinham que entender o que estava acontecendo. Lembra o episódio sobre os políticos peidorreiros (sim, é sério isso), ou sobre o alien que comia o fandom? Bons tempos aqueles, tempos mais simples. A série, claro, não tinha 1/5 do esmero e qualidade da produção que tem hoje, mas não tem como não sentir saudade.

Alias o que será que aconteceu com Christoffer Eccleston? Ele saiu da série logo depois da primeira temporada e sequer toca no assunto, sabe-se que ele não saiu em bons termos com a BBC de modo que ele sequer quis participar do especial de 50 anos mas ninguém sabe exatamente o que aconteceu. O que realmente é uma pena, ele pode não ser o Doutor número 1 da lista de  ninguém mas se hoje eu assisto a essa série maravilhosa é graças a esse homem brilhante.

Ah, Mickey, o idiota, quanto tempo não é mesmo?

Bem, acabei me perdendo em nostalgia… mas o episódio é sobre isso, afinal.

Também nunca entendi porque as pessoas tem mais de uma roupa...

Também nunca entendi porque as pessoas tem mais de uma roupa…

Na aventura desta semana Clara está tentando realizar o feito mais difícil conhecido pelo homem: ter uma vida social (ao menos pra mim é, mas eu sou um nerd gordo amargurado, não reparem). E isso se torna mais difícil ainda quando do meio do nada ela tem que largar tudo para ser deixada para morrer em Marte, ou conhecer a terrível e incrível gente-peixe. Tudo bem, a TARDIS é uma máquina do tempo e você pode sair  no meio do jantar e voltar 15 segundos depois após 3 meses em Vênus, mas isso não funciona muito bem na prática.

Então Clara decide tirar férias da sua vida de paradas muito lokas e ser apenas uma professora por enquanto… quando a sua escola contrata um novo  zelador (o “caretaker” do título). Sua real identidade é um completo mistério, mas com um pouco de esforço dá para deduzir quem é esse homem misterioso de sotaque escocês.

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E se o Doutor (sim, é ele, spoilers) está por perto é porque algo sinistro vem por aí – já dizia Shakespeare (ou o trailer de Harry Potter, mas isso é outra história)

O episódio em si não é nada tão complexo dessa vez. Nada que vai fazer o seu cérebro bugar e fazer você dizer “UAT?!?”, nenhuma grande reviravolta, nenhum plot twist e nenhum novo meme. Um episódio bem básico sobre um “alien do dia”, como era antigamente.

A grande sacada do episódio, como não podia deixar de ser, é sobre as traquinagens do Doutor e seu fiel grupinho de humanos adestrados.

Eu vi o que voce fez aqui...

Eu vi o que voce fez aqui…

Peter Capaldi, o Pedrão, o que dizer deste Doutor que conheço faz tão pouco tempo e já considero pacas? Sério, estou ficando sem palavras para elogiar esse cara e o quanto a série valeria apenas pelas cenas dele.

Se teve algo que sempre foi difícil para o Doutor, este algo foi passar os dias normalmente entre os humanos. Sabe, um dia de cada vez, com rotina, obrigações e coisas chatas. E para este Doutor isso se mostra mais difícil ainda – o que nos leva a observações muito interessantes.

O Doutor falando da River. Toma meu feelz, champs!

O Doutor falando da River. Toma meu feelz, champs!

Uma vez foi dito para o Doutor que um Senhor do Tempo deveria ver os humanos como meros insetos: suas vidas curtas, sua inteligência limitada, suas vidas de um dia após o outro e sua capacidade de gastar seu já escasso tempo em coisas absolutamente desinteressantes. Na verdade é como a maioria dos Senhores do Tempo (ao menos os que foram mostrados até aqui) pensam dessa maneira e que a humanidade não é nada senão um bando de “filhos dos outros” (pq pra aguentar criança só sendo seu filho mesmo).

Na época ele não só negou veementemente como ficou ofendido com a ideia, mas aquele foi um outro Doutor, um outro homem. Agora vemos como o Doutor, do alto de seus mais de dois mil anos de vida, vê a humanidade com um ar de enfado e nos subestima a um ponto que começa a soar perigosamente parecido com o Mestre (ou como o 10th Doutor estava nos últimos dias antes do fim, quando ele passou  a andar sem companion)

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Uma das coisas que mais chama a atenção é como o Doutor parece feliz e satisfeito em trabalhar sozinho enquanto salva aquele bando de humanos retardados (todos eles, na verdade) bem debaixo do nariz deles sem que eles saibam de nada.

E embora as traquinagens do senhor Capaldi confiram um clima leve ao episódio, debaixo da camada de shenanigans voltamos a pergunta que marca esta temporada: o Doutor é um homem bom?

Um sábio ditado diz que um homem deve ser julgado não por como ele trata seus superiores, mas sim como ele trata aqueles que estão abaixo dele.

Bem, porque é o que nós fazemos, certo? Saimos cantando por aí sem nada na cabeça despreocupadamente, é o que seres humanos fazem, certo?

Bem, porque é o que nós fazemos, certo? Saimos cantando por aí sem nada na cabeça despreocupadamente, é o que seres humanos fazem, certo?

Mas como na temporada original de 2005, o Doutor é só um coadjuvante aqui. A protagonista do episódio é sua companion Clara (como a Rose era a protagonista da série em 2005) e sua tentativa de ter uma vida normal mesmo com um gallifreyniano vestido de zelador aprontando alguma coisa por aí.

Embora a Clara não seja brilhante ao menos parece estar se encontrando como personagem e seu papel de ser o grilo falante de um Doutor cada vez mais desapegado da humanidade. E no meio disso tudo ela tenta levar uma vida dupla porém acaba tendo que apresentar o seu namorado ao Doutor. E é nisso que temos os melhores momentos do episódio.

Tanto porque o Doutor trata o “professor de educação física” como um idiota, tanto porque o Danny Pink é um ótimo personagem e tem pensamentos que estão na mesma frequência do espectador.

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Ele pergunta a Clara, por exemplo, que tipo de relacionamento ela tem de verdade com o Doutor e porque ela embarca nessas aventuras doidas no tempo e no espaço – como qualquer um perguntaria, exceto o Harry Potter que é um bocó e nunca pergunta as coisas realmente importantes – e as respostas são tão sinceras e genuínas que não tem como não simpatizar com a Clarinha no fim do dia.

No fim o episódio tem uma mecânica muito parecida com a da série original de 2005: a companion como protagonista tentando levar uma vida normal, o Doutor completamente desligado das coisas humanas e o Mickey – tratado como idiota – que no fim acaba provando para o Doutor que os humanos podem ser, as vezes, mais do que o olho encontra.

Tivemos também mais uma estranha menção ao misterioso “pós-vida” que parece ser o tema da temporada, mas mais importante que isso… chegamos a metade da temporada pessoal! Nossa, mas já? Pois é, o tempo voa quando o Pedrão está gastando como Doutor…

Vou apenas deixar isso aqui pela vibe de feelz nostalgicos

Sim, voce certamente foi.Vou apenas deixar isso aqui pela vibe de feelz nostalgicos