[SERIES] DOCTOR WHO s08e03: Robots of Sherwood (resenha)

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Talvez você pense que minha resenha esteja um pouco atrasada, mas se você pensa isso é porque acredita que o tempo é formado por uma linha direta de causa e efeito, quando na verdade ele é mais tipo… timey-wimey… stuff…

Seja como for, vamos falar do terceiro episódio da nova temporada da maior série de televisão de todos os tempos e esta semana descobriremos uma coisa nova sobre o Doutor: “pode o 13º ser engraçado?”. Veremos…

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“Não existe essa coisa de Robin Hood e… FIDUMAÉGUA!”

Mas sabe o que realmente me impressionou neste episódio? De verdade? Foi que finalmente eu entendi o que tanto me incomodava na sua companion, o que realmente tem de errado com a Clara. Se você leu meus reviews anteriores (aqui para o s08e01 e aqui para o s08e02), sabe que a Clarinha e eu não somos lá of BFF. Mas só agora eu entendi o motivo.

Neste episódio, pela primeira vez, eu vi a Clara se maravilhar com alguma coisa. E, porra, essa deveria ser a principal função da companion! Ela deveria representar o espectador, o elemento humano na história, e deixar o Doutor ser o alien com Asperger que ele é. Mas não, a Clara sempre estava sendo espertinha ou tentando ser desnecessariamente foda ou algo do tipo, quando ela precisava ser só … uma companion.

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“Ui, cuidado, temos um cara que usa colant verde durante a peste negra!”

E é o que temos neste episódio, quando o Doutor propõe que ela sugira um local/época para visitarem, e ela propõe visitarem um herói de infância dela: Robin Hood. Oooooh! A Clara tem heróis de infância, ela acha algo incrível, deus, por um momento quase parece um ser humano!

O Doutor fica muito cético com esse pedido, porque muito provavelmente o tal Robin deve ser uma lenda, já que ele é uma figura muito destoante da realidade britânica do século XII. Não esqueça que era a época das Cruzadas, a Europa era um lugar sujo, pobre, cruel e repleto de doença e nojentices.

Um paladino que rouba dos ricos para dar aos pobres, mora na floresta com seu bando de bandidos legais, desculpe, mas isso é realmente conto-de-fadas.

Só que não.

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Robin e seus homens alegres… ui!

Ao chegarem na Inglaterra do século XII, eles logo encontram Robin e seu bando de rapazes alegres (soa muito menos gay em inglês, eu juro) e tudo é realmente colorido, leve, conto-de-fadas-like. E a realidade não é assim, o que faz com que o Doutor invoque seu desconfiômetro negro de olhos vermelhos em modo de ataque.

Especialmente com Robin Hood, que parece muito mais um ator colorido hollywoodiano do que um autêntico bretão daquela época. Esta é a parte realmente divertida do episódio, o Doutor como um velho rabugento desconfiado implicando com tudo, porque nada daquilo deveria ser daquele jeito. E porque ele é chato e não quer dar o braço a torcer, mesmo que não tenha um plano… ou 12% de um. Tem que ter uma pegadinha… não tem? Clara acha que não, ela esta apenas curtindo a viagem como boa companion que é… Espera, ela é? Uau…

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Aquele momento constrangedor no primeiro encontro, quando você acha que chegou a hora de dar o bote, e ela fica toda “NOPE! NOPE! NOPE!”

Mas então, pode o Doutor ser engraçado? A resposta é: sim, pra caralho!

Minhas primeiras previsões se mostraram corretas (desculpa ae, sou foda), e o Doutor do Capaldi pode ser visto como realmente uma mistura do Dr. House com o Mr. Bean. As cenas dele implicando com o Robin são geniais, ele insistindo que nada daquilo era real (sem conseguir provar) é pura arte, e a cena do duelo da colher (sim, exatamente isso) é algo memorável.

Então, sim, o Doutor pode ser muito engraçado sem perder sua identidade de “rabugento sem tempo para suas merdas, mas que no fim acredita que aquelas pessoas lá embaixo nunca são pequenas demais.” Muito bom.

Outra coisa que chama atenção é como os episódios não só estão sendo bem produzidos, como também bem escritos, e é notável o uso de técnicas narrativas consagradas. Tipo a cena do duelo com a colher, por exemplo, não é só uma cena engraçadinha, mas mais pra frente se mostra importante para a história. Isso tudo sem perder a leveza de ser uma ficção científica que não se leva tão a sério.

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Outro ponto importante é que temos claramente um tema central sendo explorado (há mais uma alusão à “Terra Prometida”), mas desta vez de uma forma muito mais elegante e bem trabalhada do que nas outras temporadas.

Um grande diretor (que eu realmente esqueci o nome) disse uma vez que, após fazer um grande sucesso, o ideal é fazer um filme leve e divertido, para não saturar as pessoas e as expectativas. “Into the Dalek” é um baita episódio (como eu disse, fazia tempos que não tinha um episódio de Daleks tão bom), e este é justamente o contraponto.

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Frodo, você tem o meu machado… … e o meu arco… … e a minha colher!

Em resumo temos um episódio leve, que diverte (bastante), com grandes heróis, vilões e robôs medievais e castelos voadores, onde o Doutor aprende algo muito importante sobre si mesmo, ao mesmo tempo que continua sendo o alien mais foda ever (sem ser Mary Sue), em que ele vence o desafio não sendo mary sue e deus ex-machina, e sim um apaixonado que acredita no melhor da humanidade. Totalmente um ótimo episódio de Dr. Who.

Ao contrário das minhas expectativas mais sombrias, até que essa temporada está bem sendo bem divertida, e eu estou aceitando o Capaldi como novo Doutor bem mais rápido do que seria de costume. Deveras interessante…