[SERIES] DOCTOR WHO s08e02 – “Into The Dalek”

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No primeiro episódio desta temporada eu apontei que a pergunta que todos realmente queriam saber (que tipo de homem é esse novo Doutor) acabou não sendo satisfatoriamente respondida.

Pois bem, no episódio desta semana temos aquilo que usualmente é o que mais define o Doutor: o encontro com os Daleks. Quem segurou os feelz quando o Dalek disse ao 9º que ele seria um excelente Dalek?

Mas sabe, se tem uma coisa que estava me incomodando nas ultimas temporadas era a forma com que o tio Moffat estava representando os Daleks, eles já estavam virando bucha de canhão e ficando quase cômicos. Tanto é que o 11º Doutor sequer levava eles a sério.

Ele não está flertando, minha querida, não entenda errado

Ele não está flertando, minha querida, não entenda errado.

Mas uma das belezas do show é que os Daleks devem ser levados a sério, muito. Imagine a pior pessoa que você consiga imaginar, uma pessoa incapaz de sentir qualquer coisa positiva como arrependimento, empatia, compaixão ou qualquer coisa mesmo que não seja puro ódio e xenofobia.

Agora imagine que essa pessoa, que faria Hitler parecer uma noviça cantante, foi submetida a séculos de engenharia genética e tecnologia para amplificar essas características. Isso é um Dalek.

E neste episódio temos os Daleks sendo Daleks novamente, uma força a ser temida que não dialoga, não argumenta, não faz prisioneiros. Apenas extermina. Eu diria que faz muito tempo que não tínhamos um episódio de Daleks tão bom, e só por isso o episódio já valeria a pena.

Mas espere! Tem ainda mais!

Mas espere! Tem ainda mais!

Então vamos à pergunta que não quer calar: que tipo de homem é o Doutor?

Bem, como eu vou explicar isso… mas imagine, se puder, como seria uma mistura do Rowan Atkinson (Mr. Bean) com o Dr. House, e você vai ter uma ideia bem aproximada do que podemos esperar de Capaldi como o Doutor.

Isso significa, na prática, que ele é alien e tem o seu jeito esquisito de pensar, com seus maneirismos pouco ortodoxos, ao mesmo tempo que é brilhante, mas não tem a menor paciência para as suas merdas. Ele não flerta, ele não quer ser seu amigo, ele não quer um abraço, diabos!, ele não quer saber nem o seu nome, ele vai salvar o dia porque é isso o que ele tem que fazer, e seria bom se você pudesse deixá-lo fazer o trabalho dele sem ficar no caminho.

Colocando assim pode parecer que ele é frio e distante, mas na prática ele é grosso e sarcástico de um jeito muito adorável, e que realmente lembra o médico mais rabugento da TV. Tanto que é dele uma das melhores frases do show até então:

“Esta é Clara, minha importadora. Ela se importa, para que eu não tenha que fazê-lo.”

Genial. Pura arte.

Aparentemente Capaldi tem uma clausula do contrato para esticar os braços, pode reparar como ele faz  isso direto

Aparentemente Capaldi tem uma cláusula do contrato para esticar os braços, pode reparar como ele faz isso direto.

E se não fosse suficiente este ser um bom episódio sobre Daleks, com a não menos divertida personalidade do Doutor sendo revelada, o episódio em si é muito bom.

Na trama, uma nave de resistência humana captura um Dalek avariado, que ficou tão avariado ao ponto em que ele ficou bom! O Doutor cruza o seu caminho e, no melhor estilo Viagem Insólita, ele e sua trupe de humanos amestrados são miniaturizados e entram dentro do lek para “consertá-lo” (embora o motivo deles fazerem isso não tenha ficado muito claro) e o interior de um Dalek é uma aventura empolgante, ao mesmo tempo que faz o Doutor descobrir muito sobre si mesmo.

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Ao entrar dentro do Dalek, o Doutor revive aquela famosa frase de Friedrich Nietzsche:

“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.”

Pode um Dalek ser bom? Pode o Doutor ser um homem bom?
Como desenvolvimento de personagem o episódio é realmente brilhante, brilhante eu digo.

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Outra coisa positiva a ser dita do episódio é o quanto a direção, edição e polimento das cenas tem melhorado. Se Doutor Who recomeçou em 2005 como um sci-fi trash que passaria de boa no Sci-Fi channel (conhecido por não exatamente a qualidade de suas obras), hoje a série tem um acabamento e visual que não deixa em nada a dever para os grandes blockbusters da televisão americana.

Mas para não dizer que só falei de flores… o maior problema do episódio, te dou um doce se adivinhar. Pois é, ela mesma, Clarinha da Silva.

Eu nem falo do episódio querer a pau e corda imputar mais carisma e inteligencia nela do que ela, definitivamente ela não faz bem o contraponto de ser a mera humana que traz o Doutor de volta à realidade, como a Donna, e nem a garota brilhante que tem o direito de mandar nele, como a Amy – até porque o Doutor não é mais esse tipo de homem.

Clara ranger, hora de morfar!

Clara ranger, hora de morfar!

O problema mesmo é que o episódio desperdiça vários minutos com a vida pessoal da Clara e suas tentativas desesperadas de sentir o corretivo magico do amor de um colega professor – depois que ela entendeu que o novo Doutor tá pouco se fodendo pra uma fodida. Sei lá, talvez isso seja importante para a série posteriormente (acho até que vai ser) mas com certeza não é nem um pouco interessante de assistir.

Enfim, anyway, overall, o episódio é muito bom, bem editado (em alguns momentos quase ao nível de Don’t Blink, mas aquilo é uma obra prima mesmo), uma ideia criativa,  mostra Daleks sendo Daleks do jeito certo, e atende as expectativas e mostra que, se feito do jeito certo, Capaldi será um excelente Doutor.

Nota 9/10

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