[SERIES] DOCTOR WHO – s08e01

Levou exatamente 0,014s para saber que eu estava assistindo novamente um episódio de Doctor Who. Quer dizer, um dinossauro andando pelas ruas da Londres vitoriana, o que mais poderia ser?

Isso é um trabalho para...

Isso é um trabalho para…

Bom ver que o (roteirista) Moffat não perdeu o jeito com as coisas timey-wimey que caracterizam a série e isso fica bem claro quando alguém pergunta se os dinossauros não deveriam ser menores (aquele tem o tamanho do Big Ben) e a resposta é algo na linha “ah sabe, timey-wimey wobbly stuff…”. Sim, definitivamente estamos assistindo um episódio de Doctor Who.

Eu gosto particularmente dos episódios que se passam na Londres vitoriana porque esse elenco de suporte (Strax, Madame Vastra e Jenny) é decididamente o melhor elenco de apoio que o Doutor já teve (por mais que eu adore a feitiçaria pélvica do Capitão Harkness), seguramente a melhor coisa que aconteceu com a série desde o fim da era Pond.

Esses efeitos especiais custaram os olhos da cara (ba-tum-dass). Não, sério, a qualidade da produção esta top de linha sem dever muita coisa aos blockbusters seriaticos gringos

Esses efeitos especiais custaram os olhos da cara (ba-tum-dass).
Não, sério, a qualidade da produção esta top de linha sem dever muita coisa aos blockbusters seriaticos gringos

Desnecessário entrar no mérito de descrever o episódio, até porque você vai assistir mesmo, mas fique tranquilo que temos, além do citado dinossauro (aliás, dinossaura, my lady friend), temos ciborgues muito doidos e carismáticos com suas próprias regras, temos coisas fascinantes e medonhas (como um balão de pele humana sobrevoando Londres) e o “mistério da temporada” sendo plantado – e um que parece interessante, algo relacionado ao pós-vida e alguém que é amada pelo Doutor, embora ele não necessariamente saiba disso (timey-wimey stuff, sabe como é).

Enfim, o episódio não é brilhante (não é o episodio sobre o Silêncio, nem a biblioteca dos Vasta Nerada), mas é bom. É sólido e bom.

E até porque, honestamente, ninguém está muito interessado no episódio em si nesse momento, está? Não, não está. O que nós queremos saber, o que o Brasil baronil quer saber, o que o mundo quer saber é… que tipo de homem é o 13º (porque eu me recuso veementemente a ignorar qualquer coisa feita pelo John Hurt… exceto Dogville, porque Dogville ninguém merece, né) Doutor?

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Se você entende o que eu quero dizer…

A resposta é… calma, vamos falar da sua fiel companion primeiro.

Clara, Clarinha, Clara Lee Osvald.. O que é que eu faço com você?

Ok, eu admito que talvez nós não tenhamos tido o melhor dos começos, porque o Moffat se esforçou demais para nos fazer gostar dela e achar que ela é importante (regra número um do roteiro: não conte, mostre). Mas a verdade é que a moça não se ajuda.

O Doutor é uma entidade de mais dois mil anos, viu e fez coisas cuja mera compreensão derreteriam estrelas… e a maior preocupação dela é que ele não tá mais gatcheeenho? Quer dizer, sério Clarinha? Mesmo?

Vá que durante o próprio episódio é desenvolvido um pouco mais e que não é só isso na verdade, é um pouco mais profundo mas… o gosto ruim já ficou na boca. Sei lá, ou vai ver que é implicância minha mesmo, não sei.

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Ah qualé! Quem deixou o Michael Bay dirigir o episódio!?

Seja como for, finalmente temos então o lendário e famigerado Doutor e a grande pergunta que permeia toda existência desde o início dos tempos: o Doutor é ruivo? Não, ele não é.

Mas então que tipo de homem é o Doutor, é o que todos queríamos ver, é o que passamos as “férias” esperando para saber e a resposta é… não se sabe.

Parece frustrante, bastante decepcionante, mas dessa vez não dá pra tirar uma conclusão completa ainda. Isso porque, como é próprio da regeneração (e essa última foi uma bem especifica), ele passa mais de meio episódio zureta, mais pra lá do que pra cá. Acordando, falando nonsense, desmaiando, mais perdido que cachorro que caiu da TARDIS na evacuação de Gallifrey.

REALLY?

REALLY?

A parte boa disso é que ao menos uma das dúvidas pode ser sanada: Peter Capaldi pode sim ser muito engraçado como o Doutor. Todo os promos davam a entender um Doutor bem sério e rabugento, mas a verdade é que ele pode sim ser bem fanfarrão e alien da forma que amamos. De certa forma ele lembra um pouco o Rowan Atkinson quando está sendo engraçado e isso é um dos maiores elogios que podem ser feitos (na verdade, me fez pensar que o Mr. Bean seria um excelente Doutor, sério mesmo).

Nas horas em que não estava surtando geral (ótimas cenas, aliás), ele foi o alien brilhante com Síndrome de Asperger que nós aprendemos a amar, sendo frio e distante na medida certa. Ouso dizer que nesse aspecto ele está mais para o 9º do que para o 11º na forma “não to nem aí” de salvar todos que pode.

Mas isso meio que todos os Doutores sempre são, a pergunta é: que tipo de Doutor especificamente o Capaldi será?

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Só mais pro final do episódio isso começa a ser respondido quando ele escolhe o seu novo estilo de roupa (estiloso pra caralho, a par com o 1º) e começa a mostrar que ele vai ser o homem que vive sob o peso de quem cometeu erros demais. E que agora ele não é do tipo que abraça (nem do que flerta, o que eu prefiro).

E é nessa parte, isso dá impressão no finalzinho, que é onde a Clarinha pode realmente fazer a diferença. Não como a fangirl apaixonada que quer sentir a chave-de-fenda sônica enlouquecida do Doutor, mas sim como o elemento humano que traz ele de volta a realidade – o que essencialmente é a função da companion, na prática.

O Doutor precisa de uma amiga mais do que precisa de uma namorada, e ele tem uma excelente fala nesse sentido.

"By bringing it here, he will be lured from the dangers of London to this place of safety, and we will melt him with acid." - Strax sendo Strax

“By bringing it here,
he will be lured from the dangers of London to this place of safety, and we will melt him with acid.” – Strax sendo Strax

Adicionalmente o finalzinho do episódio ainda tem uma inesperada participação especial do Matt Smith, e embora tenha tido um pouco cara de puro fan service, você realmente não vai me ver reclamando disso.

Então é isso, o episódio é bom, diverte na medida certa (principalmente com o Doutor pirando com o novo corpo e as cenas do Strax, que sempre valem o dia) mas não responde muita coisa sobre quem será o Doutor. Intriga para querer ver mais do Pedrão como o 13º Doutor.

E a Clara… eu quero acreditar que agora vai encontrar o seu lugar ao Sol, embora tenho que dizer que os rumores dela não chegar a terminar essa temporada não me deixam exatamente triste…

E o teaser do proximo episódio parece muito in-te-res-sante! IN-TE-RES-SAN-TE! IIIINNN-TE-REEEESSS-SSAAANTEE!!

E o teaser do próximo episódio parece muito in-te-res-sante! IN-TE-RES-SAN-TE! IIIINNN-TE-REEEESSS-SSAAANTEE!!