[SÉRIES] BELIEVE (ou EU ESPERAVA MAIS DE VOCÊ CUARÓN)

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Estive acompanhando a série Believe que estreou em março deste ano. Resolvi esperar um pouco para escrever essa resenha (spoiler free amigos), pois o primeiro episódio foi realmente decepcionante. Se fosse contar só por ele, teria somente coisas ruins a relatar. Mas eu sou insistente e resolvi continuar assistindo para ver no que dava. Meu veredito?

Bem…

mais ou menos

Voltemos ao início. A série me chamou a atenção por três fatores. Primeiramente é uma série criada pelo diretor Alfonso Cuarón, que ganhou o Oscar de melhor diretor pelo filme Gravidade (já falamos desse filme no NGF aqui, aqui, aqui e aqui). Segundo, a produção executiva ficou por conta de J.J. Abrams (esse dispensa comentários). Finalmente, é uma série que trata de poderes psíquicos (ou psíticos, como um amigo meu costumava falar). Tudo isso foi suficiente para eu já classificar a série como foda.

Erro meu.

A história começa com William Tate (interpretado por Jake McLaughlin, que tem cara de galã de comédia romântica), que está no corredor da morte, faltando poucos minutos de sua execução. Aparentemente ele está lá por um crime que não cometeu. Um misterioso padre, lhe oferece a chance de fuga se ele aceitar uma perigosa tarefa.

NBCUniversal Events - Season 2014

Previsivelmente a tarefa é aceita e Tate consegue escapar. Sua incumbência? Cuidar da pequena garotinha Bo (interpretada pela fofíssima Johnny Sequoyah). Bo possui fortes poderes psíquicos que ainda está aprendendo a controlar e é perseguida pela Orchestra, uma organização evil que a quer para os seus fins egoístas, malignos, nada legais, feios e bobos.

Bom, até aí temos um episódio recheado de clichês, com vários mistérios lançados, mas que falha naquela que é a missão de um episódio piloto: prender a atenção do telespectador.

A trama ainda segue por vários episódios seguindo a mesma receita. Tate e Bo fugindo, neste meio tempo, acabam ajudando um desconhecido, através dos poderes de Bo. Chegando para o final, quando a coisa aperta, os nossos fugitivos recebem uma ajuda daquele mesmo estranho que foi ajudado durante o episódio e conseguem mais uma vez fugir da terrível organização evil. Claro, não poderíamos esquecer da agente policial dedicada ao seu trabalho de prender Tate e resgatar a menina, mas que invariavelmente vai se tornar um par romântico para o protagonista e acabar ajudando nossos heróis.

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Uma fórmula certeira para dar errado e não passar da primeira temporada. Estamos sofrendo de uma terrível safra de séries com personagens sem carisma, que não conseguem manter uma trama interessante.

Entretanto, minha insistência em continuar assistindo valeu a pena. Believe mostrou-se uma trama que não tem pressa em revelar seus segredos. Ainda assim sem a pretensão de guarda-los a sete chaves para somente liberá-los no final. Tudo vai sendo explicado aos poucos, em doses homeopáticas.

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As razões de Tate ser condenando à morte, o porquê dele ser escolhido para proteger Bo, as motivações por trás da Orchestra. Tudo vai sendo revelado ao longo dos episódios. Devo confessar que muitos desses mistérios poderiam ter sido melhor elaborados, mas ainda assim servem para assegurar a atenção na trama. Aos poucos vão saindo do modelo imposto pelos primeiros capítulos e mais variações vão sendo mostradas no decorrer da série.

A utilização de poderes psíquicos na trama começa de forma sutil e vai sendo cada vez mais extrapolada. Mas nada que se compare a uma atividade super heróica.

No veredito final, dificilmente colocaria Believe entre as melhores séries que já assisti. Ainda assim, se você tiver força de vontade de passar pelos primeiros episódios, ela se mostrará um bom entretenimento.

Acredito que a minha decepção se deveu ao fato de eu ter colocado muita expectativa pelos nomes envolvidos. Mas no final, é uma série que indico se você gosta de perseguições, poderes mentais ou está sem nada melhor para ver.

E prometo usar menos parênteses no próximo post…

UPDATE: foi confirmado o cancelamento da série em maio e nesta semana do dia 15 de junho foi exibido o último episódio (12º). Parece que não era somente eu que esperava mais do Cuarón…