[SERIES] ARROW (Arqueiro) – resenha

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Você certamente conhece este herói: é um bilionário excêntrico que paga de playboy sem noção durante o dia, e à noite sai de sua base subterrânea para vestir um uniforme e usar treinamento marcial foda, e o melhor da tecnologia que o dinheiro pode, comprar para fazer mingau de criminosos e malfeitores.

Claro que estamos falando de ninguém menos que… Oliver Queen, o Arqueiro Verde. O quê? Estava pensando no Batman?

O conceito do personagem não é exatamente original, mas não menos interessante por conta disso: e se Bruce Wayne fosse um ser humano de verdade quando não está sendo o Batman? Confesso que não estou realmente a par de como as coisas funcionam nos quadrinhos, mas em todas as outras mídias, Bruce Wayne é apenas uma desculpa não muito importante para o Batman.

Mas e se ele fosse tratado como um personagem completo, com família, amigos e outras preocupações, além de moer bandidos com as mãos nuas? Pois esta é a proposta de Arrow.

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Falando em proposta, Arrow tem uma muito interessante: contar duas histórias ao mesmo tempo. Oliver Queen é o herdeiro da poderosa e rica, RICA, RICAAAAAAAAAA família Queen, que passou 5 anos desaparecido em uma ilha no Pacífico, até ser resgatado e voltar para Starling City. A série conta, alternando as cenas, as aventuras de Oliver bolando a ideia de ser um justiceiro encapuzado, ao mesmo tempo que mostra os flashbacks dos 5 anos que ele passou perdido no Pacífico, e onde, de playboy vagalzão, passou a ser uma das armas mais mortais do DCverso.

A coisa interessante é que Oliver não está interessado em ser um herói realmente, e sim apenas livrar sua cidade dos ricos e poderosos que fodancham com a vida de todo mundo. Para isso ele tem um caderninho de anotar que hora caíram as pedras, digo, os aerolitos deixado por seu pai, com uma lista de pessoas que devem ir dormir com os peixes.

Mais ou menos uma versão ocidental do mangá Akumetsu, só que, ao longo da sua jornada, o Arqueiro vai compreendendo o que realmente significa ser um herói de verdade, e que matar bandidos apenas o torna um deles.

Na teoria o conceito é bem interessante, uma Jornada do Herói literal, mas a teoria não é nada se não funcionar na prática. E funciona?

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Armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas. A menos que você tenha olhos tão fortes que detenham flechas disparadas a mais de 50 kg de pressão

NA PRÁTICA A TEORIA É OUTRA

A primeira coisa que chama atenção em Arrow é sobre o quanto a produção é realmente barata. Tanto que a melhor definição para a série, visualmente, é “um bando de cosplayers combatendo o crime”, e em alguns momentos é difícil acreditar que aquilo ali é sério mesmo. Então você percebe que é sério mesmo, porque a galhofa trash é a tonalidade de toda série.

Não é só o visual que é zoado, e parece série de heróis dos anos 90 (Steel, alguém?), todo roteiro da série segue esse nível. Arrow é novelesco, clichê, e não tem vergonha de passar vergonha. Adicione a isso atores ruins que se levam a sério demais, e temos um clássico dos prazeres culpados de se assistir.

Sem mentira que os roteiros são tão bregas e clichês, que às vezes é difícil de discernir se você está assistindo uma série americana ou uma novela mexicana. Quando se descobre que a guria lá é filha do, oh, pior inimigo do Arqueiro, eu realmente esperei o momento em que alguém diria dramaticamente “como pode fazer isso comigo, oh, Alvaro José Dias Consuelo?!?”

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Tara Strong como Arlequina. Esquece tudo que eu disse, eu amo essa série! Ah, wait, foi só um cameo mesmo…

Posso dar como exemplo a Canário Negro, que quando está lutando chuta bundas masculamente como se não houvesse amanhã, mas quando o “modo combate” acaba, ela é insegura e menininha como uma princesinha esperando ser resgatada das garras do terrível vilão. Quer dizer, não tem a menor possibilidade de sequer acreditar que é o mesmo personagem, mas Arrow é tosca desse jeito.

Não entendam errado, eu amo trash, e acho que a televisão é melhor por ter uma série que – como eu já disse antes – não sente vergonha de passar vergonha. O problema real é que a escolha do formato de 24 episódios por temporada, e não 12, faz com que a fique cansativo.

Por mais que seja divertido ver atuações ruins e vilões estereotipados, que você certamente já viu cosplayers melhores em qualquer animebatata da vida, a série acaba se arrastando e uma hora a piada cansa. Não fosse isso a série seria deliciosamente trash de se assistir.

A primeira temporada é dedicada à construção do cenário, e Oliver Queen montando sua equipe de paladinos da justiça (bem, na verdade apenas seu segurança particular, que era das Forças Especiais, e sua técnica de TI, que é o maior gênio da computação da galáxia, apenas porque sim), enquanto a segunda temporada é mais voltada para heróis e coisas do gênero (temos uma participação maior da Liga dos Assassinos, o Esquadrão Suicida, e participações como o Flash e o Deathstroke, coisas do gênero).

E essa foi sua cota diária de fanservice. De nada.

E essa foi sua cota diária de fan service. De nada.

O nível das atuações e os roteiros são tão mexicanamente ruins, que eu não consigo lembrar de uma cena do Ricardito (Roy Harper, o “Robin” do Arqueiro Verde) sem dar risada, ou pensar como os imbróglios românticos do senhor Queen fazem os filmes de Julia Roberts parecerem tratados sobre a natureza humana, mas isso não quer dizer que eles não acertem também.

Mais precisamente, existem três coisas que valem a pena destacar na série.

A primeira são as cenas de ação, que são muito boas, bem feitas e não entediam o espectador. Principalmente nos finais de temporada, em que conseguem ser realmente bem construídas e épicas, onde dá pra sentir que tem muita coisa em jogo.

A segunda coisa que vale a pena é o policial Quentin Lance, que é meio que o Comissário Gordon do Arqueiro. Com a diferença que ele tem uma trajetória bem interessante, desde odiar o vigilante e querer prende-lo como um criminoso comum, até se tornar um aliado do cara das flechinhas. A jornada de Lance é bem razoável e faz sentido, ao mesmo tempo que na versão brasileira ele é dublado pelo Marco Ribeiro (dublador do Yusuke) e não tem como não gostar desse cara.

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A outra coisa muito legal de Arrow é Felicity Smoak, o gênio hacker e deus ex-machina regular de Oliver Queen. Felicity chama atenção porque a escolha da atriz para o papel foi muito, muito, muito equivocada. Quer dizer, dá uma olhada na Emily Rickards e tem como ver que nunca, jamais, em nenhum universo concebível e imaginável, esta mulher seria nerd. Muito menos esse tipo de nerd dork e losersona. Ela como “Betty, a feia”? Sério. Nunca. Jamais. Mesmo. Nem sonhando.

Nerd dork loser sem vida social e friendzonada. Me diga UM multiverso que isso seria sequer imaginável...

Nerd dork loser sem vida social e friendzonada. Me diga UM multiverso que isso seria sequer imaginável…

Porém, conforme você supera isso, dá pra notar que a Emily é uma excelente atriz e muita divertida no papel, tanto que você completamente deixa de lado o fato que ela tem o tipo físico errado para a personagem. Sua principal qualidade é que em nenhum momento ela se leva a sério demais, e tem o tom absolutamente perfeito para a presepada trash que é a série, sem descambar abertamente para a galhofa. Cada vez que a Felicity abre a boca, podemos ter certeza que teremos uma boa cena.

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“Eu estava acostumada a ser sua garota. Quero dizer não a sua garota , garota, a sua garota. Eu sei que soa como a mesma palavra, mas tipo, isso soou diferente na minha cabeça.”

Ela meio que  representa o que a série tentou ser: “ok, a gente sabe que é ruim e está errado, mas dá pra se divertir assim mesmo, não é?”. Até porque, o padrão das séries do canal da Warner não é exatamente alto, só lembrando que é o canal que tinha como carros chefe Smallville e Supernatural até bem pouco tempo atrás.

Curiosamente, Arrow traz em si, por ter sido a primeira, o embrião do que viria a dar certo em Gotham e Flash (que fazem parte do mesmo universo, tanto que a origem do Flash é contada em um episódio de Arrow antes dele ganhar uma série própria). Se você parar para pensar está tudo ali, só não funciona muito bem em Arrow porque foi o projeto piloto. E enquanto isso tem um certo valor televisivo histórico, na prática não existem lá muitos motivos para assistir Arrow.

nota-2

(aumente para BOM se você tem uma paixão proibida por coisas trash, como eu)

4 thoughts on “[SERIES] ARROW (Arqueiro) – resenha

    • Tanto que no final da segunda temporada e na terceira a série acerta justamente em focar seus pontos fortes: mais tempo de tela para a Felicity e mais foco na ação e elementos de quadrinhos

  1. A trama da série considero Boa e sempre assisti esperando que acontecesse um milagre e melhorasse mas só declinou na qualidade…as cenas de lutas na primeira e segunda temporada até que eram boas mas da terceira em diante parece mais com os Power Rangers…muito ruim. Salvo os personagens Digle, Ra’s al Ghul, e Slender. Amo o Stephen e considero sua atuação Boa…

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