[SÉRIE] WTF! SHERLOCK: O roteirista e produtor explica o que foi aquele final do primeiro episódio da quarta temporada.

ATENÇÃO! SPOILERS DO PRIMEIRO EPISÓDIO DA 4ª TEMPORADA DE “SHERLOCK”! LEIA POR SUA CONTA E RISCO!

“Sim, nós não estamos brincando. Ela está morta.”

A 4ª temporada de Sherlock começou com todos os personagens mais felizes do que nunca. Mas isso não duraria muito. O episódio de estreia terminaria com Mary Watson (Amanda Abbington) sendo baleada e morta, tomando uma bala para salvar a vida de Sherlock (Benedict Cumberbatch). Pobre Watson (John Martin Freeman)!

WTF! O que foi aquilo?

A reviravolta da trama, quando tudo indicava que o término daquele evento seria satisfatório, foi explicada por Steven Moffat, em entrevista para a Entertainment:

“Essas torções só funcionam se você tiver uma chance justa de trabalhar [a ideia, ter pensado nela]. Uma volta escura em um show só funciona se você tiver recebido uma espécie de aviso, mas tenha preferido ignorá-lo”.

Aqui outras respostas para as dúvidas dos fãs:

EW: Só para que os fãs não interpretem mal esse final… Mary está realmente morta, né?
Steven Moffat: Sim, nós não estamos brincando. Ela está morta.

EW: O que fez você decidir se livrar de Mary? Ela morreu nas histórias de Arthur Conan Doyle, mas a causa da morte nunca foi mencionada …
Steven Moffat: A verdade é que nunca se estabeleceu que ela tenha morrido nas histórias. Nós apenas presumimos isso [que ela morreu] porque Watson se refere à sua ‘triste perda’, que é provavelmente uma morte, mas não necessariamente. A realidade disto, claro, é que Sherlock Holmes é [uma história] sobre Sherlock e Dr. Watson e sempre vai voltar a isso – sempre, sempre e sempre. Eles se divertiram formando um trio, mas não seria um trabalho de longo prazo ‘(…)’
Esse é o formato. Mark Gatiss e eu não temos a ilusão de que sabemos mais do que Sir Arthur Conan Doyle. É assim que o show funciona e sempre será. Reiniciamos a versão mais tradicional e famosa do programa.

EW: O que fez Mary decidir tomar uma bala por Sherlock?
Steven Moffat: Bem, ela salvou o amigo dela. Não havia muito tempo para fazer qualquer outra coisa a respeito disso. Ao longo do episódio, ela é realmente bastante protetora deles. Ela é, de verdade, melhor em tudo isso do que eles [Watson e Sherlock] são. Ela os considera uma dupla de talentosos amadores. Não toma uma decisão enorme sobre isso, ela faz o que pode, e sem tempo para pensar.

EW: Sua mensagem post-mortem dela dizia ‘Salve John’, significa é protegê-lo de que ele se perca sem ela?
Steven Moffat: Sim, você pode estar seguro de que vamos desenvolver isso na próxima semana.

EW: Watson lamentou de forma tão angustiante durante aquela cena, e, claro, Freeman e Abbington foram casados na vida real (e recentemente anunciaram que estão se separando). Como foi filmar isso?
Steven Moffat: Foi emocionante, mas ao mesmo tempo… nós fizemos essa cena um milhão de vezes… Houve uma sensação de que este foi um momento extremamente importante num programa que seguimos fazendo por todo este tempo, e foi a saída de Amanda de um show do qual ela tem sido parte já há alguns anos. Portanto, foi um grande negócio.

EW: Você disse que isso vai “redefinir” a relação entre Sherlock e Watson, mas parece tratar-se de uma fenda que nunca poderá ser curada completamente.
Steven Moffat: Levamos adiante essa cisão durante toda a temporada. Não a ignoramos. Não vamos ver John voltar e dizer: ‘Bem, eu pensei sobre isso e está tudo bem’. Se fosse feito alguma coisa, a coisa ia fica pior. Nós decidimos que se fôssemos fazer aquilo, íamos tratar da dor de forma adequada. Fizemos com que as consequências surgissem corretamente. A intenção era transmitir o que as pessoas passam normalmente nessas circunstâncias que, claro, é infernal. E do jeito emocionalmente reticente como Sherlock Holmes é, não é preciso ser muito mais do que um garoto de doze anos de idade, para descobrir que ele é um homem profundamente emocional. Nós não saiamos em torno dele. Nós não só continuamos com a [costumeira] história da semana – embora haja uma história da semana. Há um grande vilão [contra quem] para lutar. Mas o futuro e o cerne da temporada são a consequência da morte de Mary e a culpabilidade de Sherlock. Ele poderia ter feito melhor, foi o estilo de vida dele que a matou no final.

EW: Foi interessante porque [dá para perceber] muito claramente que toda a situação poderia ter se desenrolado sem derramamento de sangue, não fosse Sherlock incitando naquele momento.
Steven Moffat: Passamos muito tempo tentando descobrir qual era a culpabilidade dele. Obviamente, não foi culpa dele. [Foi] Mary [que escolheu e] tentou salvar a vida dele. Mas tendo sido Sherlock incapaz de parar de se exibir, ela toma aquele tiro, e eu acho que [isso] acrescenta outra camada. Nós estávamos determinados a tornar [esse episódio] tão difícil para nós quanto fosse possível [como escritores] e a assumir as seguintes coisas: vamos causa tristeza em grande forma, teremos a fenda entre eles, e será real e nunca vai findar completamente, porque você sempre pensará nisso, por mais imperecível que seja a amizade deles. Ao mesmo tempo, [ainda] temos de ser um bom show de detetives com ação apropriada, vilões adequados, resolução assertiva do mistério. Houve um grande debate sobre se deveríamos matar [a personagem] no episódio 1, ao invés de, mais tradicionalmente, [fazê-lo] no episódio 3 no final [da temporada]. Mas não vamos dá para nós mesmos esquecermos como eles foram loucos para si nos últimos dois anos. Então, tivemos que fazê-lo numa circunstância em que pudéssemos voltar e continuar com o show na semana seguinte. Evidentemente, eu não sou a pessoa que faz o julgamento. Todas as consequências são críveis e dolorosamente no lugar [certo] com o enredo de Sherlock Holmes, e com algum tipo de resolução para tudo o que torna possível continuar.

EW: O que não quer dizer que o resto do elenco esteja seguro nos próximos dois episódios?
Steven Moffat: Qualquer coisa pode acontecer a qualquer um. Acho [no entanto] que é seguro dizer que não poderíamos fazer Sherlock Holmes sem o Dr. Watson e sem Holmes. Mas ninguém está seguro e as consequências estão por toda parte e há algumas coisas emocionalmente esgotantes vindo. Há bom humor também. Nós mostramos o episódio 2 para algumas pessoas, e embora seja o mais sombrio que já fizemos, ainda havia pessoas sorrindo.