[SÉRIE] The OA: Uma ficção científica contemplativa.

The OA, nova série original da Netflix, é daquelas que voa baixo, passando despercebida pelos radares do grande público, mas que se mostra extremamente interessante quando se dá uma chance para ela.

Na série, somos apresentados a uma mulher, Prairie (Brit Marling), que após sete anos desaparecida, é encontrada por sua família. Seria mais um caso de um desaparecido que apareceu, se não fosse por todo o mistério envolvendo o seu retorno: quando Prairie sumiu anos atrás, ela era cega, mas agora, sua visão voltou ao normal; símbolos esquisitos estão marcados em suas costas; agora ela se autodenomina como OA e está tentando entrar em contato com um tal de Homer (Emory Cohen).

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Como se tudo isso já não fosse o suficiente para criar a aura de mistério ao redor da trama, Prairie ainda convoca cinco pessoas de sua cidade para que ela possa compartilhar sua história e para que eles a ajudem em uma certa tarefa. As cinco pessoas que se reúnem ao redor de OA formam um grupo disfuncional, com indivíduos de diferentes nichos e estilos, que têm de aprender a trabalharem juntos, o que acaba por impactar positivamente a vida de cada um deles. E a série acerta em cheio nesse ponto, estabelecendo logo de cara quem são esses personagens e quais os seus dilemas pessoais, e explorando isso no decorrer dos episódios.

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Embora o grupo funcione muito bem como elenco de apoio, o que movimenta a série é o carisma e otimismo da protagonista diante de situações horríveis que narra para seus novos aliados. Durante seu relato fantástico, somos apresentados a uma trama que mistura, de certa forma, temas esotéricos com tecnologias avançadas, em um misto de ciência e crenças espirituais. O mais interessante é que tudo é retratado de forma ambígua, fazendo com que tanto os personagens quanto os espectadores decidam se querem acreditar ou não nos relatos de OA. Em um momento temos certeza que o que ela fala é real, em outro, vemos um contraponto mais racional do que poderia estar acontecendo na realidade.

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Embora seja extremamente interessante e tenha uma premissa bem diferente daquilo que vem sendo lançado ultimamente, The OA não é perfeita, sofrendo de sérios problemas com relação ao seu ritmo em alguns episódios. Esse defeito é compensado por uma narrativa clara e focada, os ótimos ganchos nos finais dos capítulos, o excelente trabalho de desenvolvimento dos personagens e um trabalho lindíssimo de fotografia. Mas a produção poderia ter tido um pouco mais de refino com relação ao seu andamento.

The OA é uma série de ficção cientifica contemplativa, que sofre com alguns defeitos para achar seu ritmo, mas que no balanço final tem um saldo bem positivo, retratando uma história grandiosa de um jeito simples e sereno.


nota-4

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