[SEMANA SCI-FI] SPACE OPERA: indo audaciosamente onde nenhum geek jamais esteve

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Em algum momento da história, um dos primeiros homens saiu de sua caverna à noite, olhou para cima, e viu aquela coisa preta com um monte de pontinhos brancos. Então, por um breve momento, ele pensou: “ugnag tug” que significa “que porra é essa?” (sim, a interrogação ainda não havia sido inventada).

Depois disso, nosso amigo voltou para sua caverna, a fim de não ser devorado por um tigre dentes-de-sabre, um triceratops, um mastodonte, ou qualquer uma dessas coisas que formavam os zords originais dos Power Rangers.

Mas o grande ponto relevante aqui é que esse breve pensamento fugaz sobre os peidos no céu jamais realmente deixou nosso subconsciente, e nós sempre admiramos o espaço.

Porém, foi só quando começamos a compreender o que realmente era o espaço, planetas, aliens, que as coisas realmente começaram a ficar loucas. Ora, se haviam outros mundos lá em cima, talvez como o nosso, é claro que haveriam outras pessoas, outras culturas, outros potenciais completamente em branco.

Diante desta conclusão, a humanidade fez com isso o que sempre fez com tudo desde o inicio dos tempos: pornografia.

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Sério, o que vocês esperavam? Ah é, sim, isso, conta histórias também. E é aqui que nascem as Space Operas.

A SPACE OPERA SÓ ACABA DEPOIS DA ALIEN GORDA CANTAR

Mas afinal, o que são Space Operas? Bem, a melhor tradução de Space Opera seria “novela espacial” (pense em “opera” da expressão “soap opera”, não de ópera, opera mesmo) e com isso fica mais fácil entender o conceito.

É um subgênero da ficção que versa sobre ser abarrotado de clichês (como toda boa novela), só que no espaço, saltando de nave em nave, ou de planeta em planeta.

O quê? Parece um conceito idiota para você? Bem, com certeza é… mas você não pode dizer que não funciona. Star Wars, Cowboy Bebop, Mass Effect, o Guia do Mochileiro das Galáxias e tantos outros, estão do meu lado para provar isso.

Heck, até o amado Guardiões da Galáxia tem MUITO de space opera.

Ao contrário da ficção científica em si, a Space Opera não se foca tanto na ciência e na tecnologia. Por exemplo, Star Trek (a série clássica) não é uma space opera – ela versa com toneladas de ciência (certa ou errada) sobre como os motores funcionam, como a atmosfera do planeta é possível, das relações em descobrir novas raças e por aí vai.

Star Wars, por sua vez, é mais “zum, pow, kabrow, boom!!!”. As naves apenas viajam na velocidade da luz, espadas de laser empurram umas as outras, e os aliens só têm a função de parecer legais. Claro que uma space opera pode conter  mais ou menos ciencia, mas o grande segredo é que ela se baseia muito mais no “fator legal” do que tentar se levar a sério. Imagine que a space opera está para a ficção cientifica tradicional como as histórias pulp de detetive estão para os clássicos literários de mistério.

Aliás, taí! Se a ficção cientifica fosse o cinema arte, a Space Opera seria televisão. E quer saber? às vezes isso é exatamente o que a gente precisa.

É 20% mais legal.

Uma “space opera” geralmente se situa no espaço exterior ou num planeta distante. A grande regra aqui é a lei da conveniencia universal: nada de dormir por centenas de anos em viagens criogênicas, para manter a história num passo acelerado, uma espaçonave pode voar distâncias quase ilimitadas num curto espaço de tempo, e pode mudar de rumo com imensa facilidade, sem a tediosa necessidade da desaceleração.

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Terraformação? Só se for relevante à dramaticidade da história (Khaaaaaaaannnn!!!!!!), pois os planetas geralmente possuem atmosferas similares à da Terra e os alienígenas geralmente falam inglês (ou existe uma ferramenta universal de tradução… embora a ferramenta de tradução não impeça que algumas vezes os aliens falem com sotaque…). As máquinas em “space operas” frequentemente incluem (além das espaçonaves), armas de raios, robôs (embora mais estereotipados, pense menos Asimov e mais C3P0) e carros voadores. Aliás, muitas coisas voadoras, porque coisas voadoras são legais!

Justamente por ser tão galhofada em tantas coisas, e ter tão pouca ciência de verdade por trás delas, que as Space Operas têm uma liberdade absurda para mesclar romance e drama com alta tecnologia e culturas aliens de uma forma palatável para todos os públicos. O centro da história são mais os personagens e seus dramas, desejos e sonhos, do que a tecnologia ou suas habilidades. Você não pode dizer, por exemplo, que Star Trek é sobre o desenvolvimento de personagens da tripulação (que até acontece, mas o foco do programa não é esse), ao passo que Battlestar Galactica se carrega inteiramente com o peso do drama (às vezes mexicanão brabo) dos personagens.

Grandes vilões, heróis lendários, paisagens além da compreensão humana (até hoje eu lembro de como meu queixo caiu quando eu entendi o que era o “halo” da série Halo), batalhas pelo destino de galáxias (ou da continuidade espaço-tempo), e muitas, mas muitas naves mesmo, se treteando.

Então, sobre o que são Space Operas? São sobre contar uma história interessante e atraente sobre bons personagens e relacionamentos entre eles, ao mesmo tempo que uma puta nave do tamanho de uma estrela dispara canhões de lasers ao som de “pew pew pew”.

É tipo pegar uma boa história, e riscar dela as impossibilidades da física e as limitações da imaginação, botar um monte de naves, robôs e lasers, e mostrar como, mesmo sendo tão pequenos em um universo tão grande, podemos fazer grandes coisas.

Apenas Space Operas podem nos propiciar o contexto para este tipo de cena (tenha a opinião que você tiver sobre a trilogia nova, mas não há como negar que a cena é linda. Feelz, man!)

No fim não é tão diferente de porque eu amo Doctor Who, e não é estranho que este seja o meu gênero favorito. Porque aqui é space opera, onde deuses parasitas mais antigos do tamanho de estrelas podem queimar com um discurso épico! Uma raça de máquinas mais antigas que o próprio tempo podem cair para um homem que se recusou a desistir. Onde todo um Império intergaláctico cai para um garoto que entendeu o que era realmente importante.

THIS IS SPACE OPERA!

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