[SEMANA SCI-FI] Cyberpunk: Um mundo de alta tecnologia, homens, máquinas e homens-máquinas!

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O que é? Onde vivem? Como se reproduzem? É o que vamos saber nesse texto. Ultimamente, esse gênero de sci-fi não está nos holofotes, mas tem uma importância enorme na cultura pop. Comecemos pelo começo…

O termo, fusão das palavras cyber+punk (não brinca…), tem como característica geral o lema “high tech, low life”, ou seja: toda tecnologia cibernética e informacional que possamos imaginar (e além), aliada a um modo de vida marginalizado, sujo, underground e até mesmo muitas vezes ilegal – isso tudo geralmente em uma sociedade distópica e pós-industrial. O cyberpunk pode abarcar qualquer outro gênero, como drama, film noir, romance, aventura e terror. As histórias se passam, geralmente, em duas realidades, a virtual e a real/física. No entanto, muitas vezes, devido à alta tecnologia, essas realidades se fundem, fazendo da associação cérebro – cibernética outra grande característica cyberpunk.

O termo cyberpunk veio de um conto de Bruce Bethke, escrito em 1980 e publicado em 1983. Dentre os principais autores temos também Bruce Sterling, Hohn Shirley, William Gibson, Rudy Rucker, Michael Swanwick, Pat Cadigan, Lewis Shines e Richard Kadrey. Desses, o que mais se destaca, e é considerado um cânone do gênero, é William Gibson, com sua obra-prima Neuromancer (lançada no Brasil pela Editora Aleph). Só pela sinopse dá para notar o tamanho da influência do livro:

No futuro, existe a matrix. Uma espécie de alucinação coletiva digital na qual a humanidade se conecta para, virtualmente, saber de tudo sobre tudo. Mas há uma elite que navega por essa grande rede de informação – os cowboys. Case era um deles, até o dia em que tentou ser mais esperto do que os seus patrões. Que fritaram suas conexões com o ciberespaço, tornando-o um pária entre os seus iguais. Ele vaga pelos subúrbios de Tóquio, mais envolvido do que nunca em destruir a si próprio, até ser contatado por Molly, uma bela e perigosa mulher que, assim como ele, desconfia de tudo e de todos. Os dois acabam se envolvendo numa missão cheia de mistérios e perigos. Esta edição comemorativa de 25 anos de ‘Neuromancer’ conta com nova tradução de Fábio Fernandes e prefácio de William Gibson. O romance de estréia de Gibson é o primeiro volume da chamada ‘Trilogia do Sprawl’, que ainda inclui os livros ‘Count Zero’ e ‘Mona Lisa Overdrive’.

Ser punk pressupõe ser contra a sociedade vigente, ser rebelde. Assim são os personagens das histórias cyberpunk. Seres marginalizados, revoltados contra um governo ditatorial, geralmente nos moldes Orwellianos. Outra característica desses personagens é que eles geralmente são gênios na computação, hackers, cientistas… Enfim, pessoas totalmente envolvidas com a tecnologia.

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Ainda na literatura, outras obras que se destacam são “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”, de Philip K. Dick (também à venda na Editora Aleph), “The Mirror Shades: The Cyberpunk Antholody”, de Bruce Sterling, “Nevasca”, de Neal Stephenson (à venda na Editora Aleph), “Ready Player One”, de Ernest Cline, “Altered Carbon”, de Richard Morgan e “The Bridge Chronicles”, de Gary Ballard, dentre outros.

Outro importante nome na história do cyberpunk é o jogo de RPG Shadowrun, de 1989 (lançado no Brasil em 1995). Com um sistema próprio, o jogo é ambientado em um mundo totalmente cyberpunk onde ciberespaço, engenharia genética e a fusão entre homem e máquina, chamada cyberware, coexistem com a magia.

No cinema talvez o maior expoente cyberpunk seja “Blade Runner“, que é vagamente baseado em “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”. Outros famosos nomes do gênero nas telonas são a trilogia “Matrix“, “Os 12 Macacos” (e outros filmes de Terry Gillian, como “Brazil“), “Metrópolis” (de Fritz Lang, filme de 1927 – definitivamente um precursor!), “Minority Report“, “Robocop“, “O Vingador do Futuro“, “Tron“, “Videodrome“, “THX:1138“, o anime “Ghost In the Shell“, “O Exterminador do Futuro” e até mesmo “Laranja Mecânica” (cujo livro também foi publicado pela Aleph, e pode ser comprado aqui).

Nos quadrinhos, os principais nomes do gênero são “Hard Boiled“, de Frank Miller e Geoff Darrow, “Transmetropolitan“, de Warren Ellis e “Akira“, de Katsuhiro Otomo.

Um autor que não é muito ligado ao gênero, mas que influenciou vários escritores – dentre eles o próprio William Gibson – e merece ser mencionado é William S. Burroughs, expoente da literatura beatnik. Os cenários distópicos, as criaturas bizarras e a tecnologia futurista de seus livros, além da afronta ao status quo e ordem vigente, com certeza ecoaram em muitas obras do gênero cyberpunk.

Em mundos tão imaginativos e incríveis, como os mundos cyberpunks, muitas vezes se torna difícil recriar as descrições e ambientações em nossas mentes. Que essa galeria de imagens abaixo sirva de inspiração!

One thought on “[SEMANA SCI-FI] Cyberpunk: Um mundo de alta tecnologia, homens, máquinas e homens-máquinas!

  1. Muito bom! Uma obra que você mencionou e que eu gostei pra caramba foi Altered Carbon, de Richard K. Morgan. A trilogia (que continua nos livros Broken Angels e Woken Furies) é fascinante, principalmente pela maneira como ele explora as consequências práticas, psicológicas, sociais etc. de poder trocar de corpo a hora que você quiser. Market Forces, do mesmo autor (sobre um futuro mais próximo, no qual disputas comerciais são resolvidas na base de duelos de carros) também é bem interessante.

    E é engraçado colocar Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? como cyberpunk… porque o livro é da década de 60. Não estou discordando do mérito – se ele fosse publicado 20 anos depois, se encaixaria no movimento com a maior tranquilidade. Tanto que Blade Runner é cyberpunk puro. Mas chega a ser estranha a maneira como Philip K. Dick antecipou a estética e as ideias do cyberpunk…

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