[SCI-FI] Pode o Cérebro Conectar-se a Universos Paralelos?

multiverso

Quem teve contato com os quadrinhos de autores britânicos que passaram a escrever para editoras americanas na década de 80 conhece bem a relação deles, e dos personagens que escreveram, com drogas psicoativas. Grant Morrison talvez seja um dos que usou mais ostensivamente as drogas como meios de explicar “cientificamente” o contato de seus personagens com seres alienígenas, universos paralelos, e até mesmo viagens no tempo.

Pois saibam que ele não está sozinho nesta “crença”. Em 2010 o psiquiatra Rick Strassman publicou o livro DMT: The Spirit Molecule (leia-o na íntegra aqui – em inglês), que chegou virar um documentário homônimo (que pode ser assistido aqui, algo que recomendo, pois é muito esclarecedor), no qual ele faz um estudo profundo dos efeitos da Dimetiltriptamina, ou DMT, um dos mais potentes psicodélicos existentes, na mente humana. Uma das teorias formuladas por Strassman a respeito da natureza das “alucinações” provocadas pelo DMT é muito interessante.

Segundo Strassman o DMT pode dar ao cérebro humano acesso confiável e regular a outros planos de existência.

Na concepção dele tais planos sempre existiram e transmitem informações constantemente, só que não podemos recebê-las porque não fomos “projetados” para isto: nosso “programa” nos mantém sintonizados num canal mental padrão e “normal.” O DMT altera o cérebro mudando seu canal mental, abrindo a mente para outros planos de existência.

Enquanto isto, num universo paralelo...

Enquanto isto, num universo paralelo…

Como isto acontece?

E se o DMT puder nos levar a mundos paralelos? Físicos teóricos assumem que a existência de mundos paralelos é baseada no fenômeno da interferência, diz Strassman. Uma das demonstrações deste fenômeno acontece quando um raio de luz passa através de um buraco bem estreito num cartão. Os vários anéis e bordas coloridas que aparecem na tela onde a luz é projetada não correspondem somente ao contorno do cartão. Como resultado de experimentos mais complexos, pesquisadores concluíram que existem partículas de luz “invisíveis” que colidem com aquelas que podemos ver, refratando a luz de maneiras inesperadas.

Mundos paralelos interagem uns com os outros quando ocorre a interferência. De acordo com as hipóteses teóricas, há um número inimaginável e gigantesco de universos paralelos, ou multiversos, todos semelhantes ao nosso e sujeitos às mesmas leis da física. Por isto não é necessário que exista algo particularmente estranho ou exótico em diferentes multiversos. Ao mesmo tempo, eles são paralelos devido às partículas que os formam, que estão em posições diferentes em cada universo.

O DMT faz o cérebro sentir o Multiverso.

Interpretação artísticas de como os universos "fofocam" uns com os outros.

Interpretação artística de como os universos “fofocam” uns com os outros.

Em seu livro Strassman faz referência ao cientista britânico David Deutsch, um respeitável teórico em sua área e autor de The Fabric of Reality (que pode ser lido aqui). Ele discutiu com Deutsch a probabilidade do DMT alterar as funções cerebrais de tal forma que dê ao cérebro acesso ou conhecimentos a respeito de mundos paralelos. O físico duvidou disto, pois, segundo ele, isto requer “computação quântica.” Este fenômeno, de acordo com Deutsch, “distribui componentes de uma tarefa complexa entre um vasto número de universos paralelos, que depois compartilham os resultados. Umas das condições necessárias para computação quântica é uma temperatura próxima do zero absoluto [-273,15°C].” Esta é a razão porque o físico acha improvável um contato prolongado entre universos num sistema biológico.

Porém, Strassman aponta que o DMT é uma substância que altera as propriedades físicas do cérebro, podendo permitir a computação quântica na temperatura corporal, tornando possível o contato com universos paralelos.

Isto levanta algumas questões, entre elas, talvez uma das que mais nos interessa: viria destes “vislumbres” de informações provenientes de universos paralelos as ideias usadas por escritores de livros e quadrinhos, e roteiristas de cinema e TV, a respeito de mundos fantásticos e super-heróis, entre outras? Se o cérebro realmente pode acessar informações de universos paralelos num estado de percepções alteradas, talvez parte delas cheguem naturalmente até nós como inspirações, o que torna toda a ficção científica e fantasia produzida pela espécie humana mais interessante do que suponhamos. Além disto, tal teoria dá um novo sentido à “viagens” pelas quais usuários não só do DMT, mas de outros psicodélicos, realizam quando alteram sua percepção.

E vocês, o que pensam a respeito desta teoria?

Fonte: Learning Mind

5 thoughts on “[SCI-FI] Pode o Cérebro Conectar-se a Universos Paralelos?

  1. Eu sou adepto do princípio da parcimônia, segundo a qual a explicação mais simples tem maior chance de ser correta, e portanto fico com a hipótese de mera piração induzida por psicotrópicos mesmo. Mas que é legal viajar na ideia de universos paralelos, isso com certeza. Algum dia desses eu queria escrever sobre a ciência por trás dos universos paralelos, múltiplas dimensões, e outras pirações do tipo…

    • Eu gosto de acreditar que há um fundo de verdade em todas as obras de ficção e fantasia produzidas pela humanidade, e que a maioria é baseada em informações que nosso cérebro capta ao sintonizar-se com a frequência com que elas viajam pelo Multiverso. Torna tudo bem mais divertido, e eu prefiro me divertir com as possibilidades mais loucas, do que me entendiar com as explicações mais simples. E nem acho essa teoria tão complexa assim. Ela meio que bate com teorias que explicam, por exemplo, porque algumas pessoas enxergam fantasmas e outras não, devido a uma formação diferente na glândula pineal. Faz sentido pra mim.

      • Cara, uma vez eu li sobre um fórum na internet onde se reúnem pessoas que acreditam que Digimon é real, tudo aquilo existe de verdade mesmo, e os autores da série simplesmente captaram essas informações de alguma forma transcendental ou coisa do tipo. E aí eles ficam tentando meditar pra entrar no mundo digital e conseguir seus próprios digimons (sei lá, nunca assisti esse negócio). Acho a ideia interessante, de um ponto de vista artístico e filosófico. Pra mim é como religião – não é algo que eu acredite ser literalmente real, mas é algo muito rico em possibilidades para se explorar filosoficamente. Inclusive porque, pelo menos na maior parte, o fato de ser ou não literalmente real não faz absolutamente a menor diferença nas nossas vidas.

  2. Olá a todos sei que este post é antigo mas estava atrás de algo que pudesse, me ajudar sempre tive sonhos que, eu estava em outro corpo parecido com meu em outra cidade totalmente diferente com prédios, pessoas, totalmente desconhecidas que eu nunca vi, mas o que eu acho incrível é os detalhes que são criados pela minha mente como uma cidade inteira e detalhes dos edifícios na parte interna como: extintores de incêndio se for uma escola lousa e carros sempre e diferente e as coisas são iguais a este mundo mas as vezes tem detalhes diferentes uma vez sonhei que eu era professor e saia da sala e na cidade que eu estava foi embora a energia mas então apareceu os bombeiros só que farda deles era verde e branca e não vermelho.
    E por esses sonhos já pensei se não são mundos paralelos.
    (desculpe erros de português)

    • É uma interpretação possível, Vitor.

      Outra é que essas cidades e pessoas são criações da sua mente, feitas a partir de lembranças que você acumulou de todas as cidades e pessoas que já viu em sua vida inteira, mesmo aquela que você só viu em filmes, séries ou vídeo games.

      Na dúvida, é sempre bom levar em conta outras possibilidades.

      Obrigado por compartilhar sua experiência conosco. 🙂

Comments are closed.