[SCI-FI] O Fim Da Eternidade (Resenha)

Isaac Asimov dispensa qualquer apresentação. O autor escreveu mais de 500 livros (contando com as compilações e lançamentos póstumos) e tem importância ímpar na história da ficção científica na literatura.

O Fim da Eternidade, obra de 1955, lançada no Brasil pela Editora Aleph (256 páginas, R$ 38,00), que aborda conceitos como viagens no tempo e engenharia social, é considerado uma de suas melhores criações e uma das melhores histórias sobre viagens no tempo. Confira a sinopse da contracapa do livro:

“O tempo não pára. Você certamente conhece essa máxima. Mas um outro ditado popular afirma que “toda regra tem sua exceção.” Os Eternos são a exceção à regra. Qualquer regra. Pois eles dominam a tecnologia de viagens no tempo. E por incontáveis eras dominaram indiretamente a Humanidade, interferindo em sua evolução sempre que achavam necessário, usando todos os meios ao seu alcance. Mudando o curso da história. Tudo para o bem da raça humana. Era o que o técnico Andrew Harlan pensava sobre seu trabalho como eterno. Mas, ao conhecer a bela e misteriosa Nöys Lambert, cuja existência está ameaçada por uma mudança no fluxo do tempo, ele percebe o quanto essas interferências podem ser terríveis, e decide alterar a história em nome do amor. Que é infinito enquanto dura. Ou não.”

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Nosso personagem principal, Andrew Harlan, é… Virgem. E também um Eterno (“membro de uma organização que monitora e controla o tempo. Um Técnico que lida diariamente com o destino de bilhões de pessoas no mundo inteiro: sua função é iniciar Mudanças de Realidade, ou seja, alterar o curso da história. Condicionado por um treinamento rigoroso e uma rígida autodisciplina, Harlan aprendeu a deixar as emoções de lado na hora de fazer seu trabalho”).  Os Eternos não são eternos, apesar de alguns séculos no futuro terem essa crença (o que é um ponto chave para a história). Em outras palavras, Eternos são pessoas totalmente tecnicistas que viajam durante os séculos para provocar mudanças de realidade necessárias. Para que essas mudanças ocorram, são feitas pesquisas prévias, observações, relatórios e investigações. A ação dos Eternos para efetuar essas mudanças de realidade pode ser entendida como Efeito Borboleta. Uma pequena mudança em algo em um determinado século influencia todos os séculos seguintes de maneira drástica. Assim, os Eternos encontram ações indesejáveis que aconteceram no futuro e viajam até ao passado para mudar algo que impeça que essas ações indesejáveis ocorram. Como exemplo: em um determinado século o uso de tabaco foi banido. Isso causou, centenas de séculos depois, uma guerra de proporção mundial. 

Onde os Eternos trabalham? Na Eternidade (dãhh). A Eternidade é um não-lugar onde o decorrer do tempo, contado em fisioanos, é semelhante ao passar do tempo na Realidade. Podemos pensar na Eternidade como uma enorme empresa, onde tudo relacionado ao tempo é pensado e trabalhado e onde todos envolvidos com isso trabalham. Um humano, ao se tornar Eterno, deve jurar nunca mais voltar ao seu próprio passado e também deve cortar todos os laços com familiares e amigos e tudo o mais que o ligue à sua vida na realidade antes da Eternidade. As emoções e sentimentos dão lugar à mais pura e complexa tecnicidade. Portanto, quando uma mulher (Nöys Lambert, uma tempista – posição bem abaixo dos Eternos) aparece na Eternidade (algo raro), Andrew Harlan se desconcerta. Não sabe como se sentir ao estar perto dela, não sabe como se portar. Como se isso não bastasse, ele é enviado ao século 482 para fazer uma mudança de realidade, juntamente com Nöys, que é desse século e vai orientá-lo por lá.

É claro que, então, Harlan se apaixona por Nöys, o que é proibido. E é aí que a história começa. Confesso que a sinopse da contracapa somada ao meu pouco conhecimento das obras de Asimov deixaram-me com um pé atrás. Pensei em se tratar de uma história de romance/aventura com viagens no tempo como pano de fundo. Bem, a história não deixa de ser um misto de romance, suspense e aventura com viagens no tempo, mas é muito, muito mais que isso. O autor a cada página nos apresenta palavras/coisas/conceitos que só existem no futuro, mas não explica o que são, como funcionam e nem para que servem, deixando tudo por conta de nossa imaginação. O conceito de Engenharia Social é belamente trabalhado na obra. Mudanças na Realidade que alteram a vida de bilhões por centenas de séculos são feitas diariamente de maneira prática e lógica, aparentemente sem nenhuma implicação ética ou moral.

E os paradoxos temporais, ahhh… Eles estão presentes. Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? E se a galinha tivesse sido enviada ao passado para botar o ovo que deu origem a ela no futuro?  De dar nó na mente, não? Pois através de um paradoxo semelhante a criação da Eternidade é mostrada. O que aconteceria se encontrássemos com nós mesmos no passado durante uma viagem no tempo é outro paradoxo abordado.

Asimov também utiliza a não linearidade em sua história (convenhamos, qual é a graça de ler uma história linear sobre viagens no tempo?) Mas essa não linearidade é sutil e exige atenção do leitor para ser encontrada. 

Ao efetuar a Mudança de Realidade no século 482, Harlan descobre que um dos efeitos práticos seria a inexistência de sua amada no novo futuro. Portanto, o Eterno contraria as ordens de seus superiores e põe toda a Eternidade em risco somente para salvar Nöys Lambert. Para isso ele foge com ela até os chamados séculos proibidos, onde nenhum Eterno pode ir e ninguém tem controle ou conhecimento sobre nada. Como se os paradoxos e as ações de engenharia social não bastassem, a trama é repleta de revelações e reviravoltas. E o final… O final é Épico.

A obra é considerada uma prequela para a série de livros sobre o Império Galáctico, que por sua vez é uma prequela para a série Fundação. Ou seja, além de ser uma das melhores obras sobre viagem no tempo, e uma das melhores obras de Isaac Asimov, o livro também tem importância seminal no universo Asimoviano. Clássico em todos os sentidos.

Isaac Asimov

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