[VARIEDADES] São Jorge – Ogum – Siegfried . (Oração de São Jorge em áudio )

Este é um post para todos aqueles que têm fé, para os que em nada creem e par aqueles que pouco se importam com o que realmente é fé.
Afinal, os mitos, os grandes Heróis e as grandes façanhas da humanidade existem ou inexistem. Apenas isso. E isso nunca dependerá daquilo que você acha.
Hoje é dia do tão famoso Santo guerreiro São Jorge.
E àqueles que creem…A versão NGF da oração:
Voz e mixagem de Sérgio Delduque.
Trilha sonora: Remember Me ( OST Troy)

Mas como eu disse, por mais que grite a minha fé, esse não é um site religioso. Interessa, contudo, saber quem foi esse homem de nome turco, tão comum em casa de católicos e espíritas em forma de estatueta de gesso, resina ou mesmo em quadros.
E para conhecer São Jorge, ou Jorge da Capadócia, é preciso paciência e capacidade de avaliar todos os aspectos que formam o vermelho da capa do Herói ainda hoje amado por muitos.

Quem foi São Jorge?

São Jorge (Grego: Γεώργιος Geṓrgios; Latim: Georgius) (entre 275 e 280 – 23 de abril de 303) foi, conforme dita a tradição, um soldado ( ou centurião) romano no exército do imperador Diocleciano, venerado como mártir cristão.
Na hagiografia, São Jorge é um dos santos mais venerados no catolicismo (tanto na Igreja Católica Romana e na Igreja Ortodoxa como também na Comunhão Anglicana). É imortalizado na lenda em que mata o dragão. É também um dos Catorze santos auxiliares.
Considerado como um dos mais proeminentes santos militares, a memória de São Jorge é celebrada nos dias 23 de abril e 3 de novembro. Nestas datas, por toda a parte, comemora-se a reconstrução da igreja que lhe é dedicada, em Lida (Israel), na qual se encontram suas relíquias. A igreja foi erguida a mando do imperador romano Constantino I.
São Jorge é o santo padroeiro em diversas partes do mundo tais como: (países) Inglaterra, Portugal (orago menor), Geórgia, Catalunha, Lituânia, Sérvia, Montenegro, Etiópia, e (cidades) Londres, Barcelona, Génova, Régio da Calábria, Ferrara, Friburgo em Brisgóvia, Moscovo/Moscou e Beirute.
Há uma tradição que aponta o ano 303 como ano da sua morte. Apesar de sua história se basear em documentos lendários e apócrifos (decreto gelasiano do século VI), a devoção a São Jorge se espalhou por todo o mundo.

O Sopro do Dragão.

Baladas medievais contam que Jorge era filho de Lorde Albert de Coventry. Sua mãe morreu ao dá-lo à luz e o recém nascido Jorge foi roubado pela Dama do Bosque para que pudesse, mais tarde, fazer proezas com suas armas. O corpo de Jorge possuía três marcas: um dragão em seu peito, uma jarreira em volta de uma das pernas e uma cruz vermelho-sangue em seu braço. Ao crescer e adquirir a idade adulta, ele primeiro lutou contra os sarracenos e, depois de viajar durante muitos meses por terra e mar, foi para Sylén, uma cidade da Líbia.
Nesta cidade, Jorge encontrou um pobre eremita que lhe disse que toda a cidade estava em sofrimento, pois lá existia um enorme dragão cujo hálito venenoso podia matar toda uma cidade, e cuja pele não poderia ser perfurada nem por lança e nem por espada. O eremita lhe disse que todos os dias o dragão exigia o sacrifício de uma bela donzela e que todas as meninas da cidade haviam sido mortas, só restando a filha do rei, Sabra, que seria sacrificada no dia seguinte ou dada em casamento ao campeão que matasse o dragão.
Ao ouvir a história, Jorge ficou determinado em salvar a princesa. Ele passou a noite na cabana do eremita e quando amanheceu partiu para o vale onde o dragão morava. Ao chegar lá, viu um pequeno cortejo de mulheres lideradas por uma bela moça vestindo trajes de pura seda árabe. Era a princesa, que estava sendo conduzida pelas mulheres para o local do sacrifício. São Jorge se colocou na frente das mulheres com seu cavalo e, com bravas palavras, convenceu a princesa a voltar para casa.
O dragão, ao ver Jorge, sai de sua caverna, rosnando tão alto quanto o som de trovões. Mas Jorge não sente medo e enterra sua lança na garganta do monstro, matando-o. Como o rei do Marrocos e do Egito não queria ver sua filha casada com um cristão, envia São Jorge para a Pérsia e ordena que seus homens o matem.
Jorge se livra do perigo e leva Sabra para a Inglaterra, onde se casa e vive feliz com ela até o dia de sua morte, na cidade de Coventry.

De acordo com a outra versão, Jorge acampou com sua armada romana próximo a Salone, na Líbia. Lá existia um gigantesco crocodilo alado que estava devorando os habitantes da cidade, que buscaram refúgio nas muralhas desta. Ninguém podia entrar ou sair da cidade, pois o enorme crocodilo alado se posicionava em frente a estas. O hálito da criatura era tão venenoso que pessoas próximas podiam morrer envenenadas. Com o intuito de manter a besta longe da cidade, a cada dia ovelhas eram oferecidas à fera até estas terminarem e logo crianças passaram a ser sacrificadas.
O sacrifício caiu então sobre a filha do rei, Sabra, uma menina de catorze anos. Vestida como se fosse para o seu próprio casamento, a menina deixou a muralha da cidade e ficou à espera da criatura. Jorge, o tribuno, ao ficar sabendo da história, decidiu pôr fim ao episódio, montou em seu cavalo branco e foi até o reino resgatá-la, mas antes fez o rei jurar que se a trouxesse de volta, ele e todos os seus súbditos se converteriam ao cristianismo. Após tal juramento, Jorge partiu atrás da princesa e do “dragão”. Ao encontrar a fera, Jorge a atinge com sua lança, mas esta se despedaça ao ir de encontro à pele do monstro e, com o impacto, São Jorge cai de seu cavalo. Ao cair, ele rola o seu corpo, até uma árvore de laranjeira, onde fica protegido por ela do veneno do dragão até recuperar suas forças.

Ao ficar pronto para lutar novamente, Jorge acerta a cabeça do dragão com sua poderosa espada Ascalon. O dragão derrama então o veneno sobre ele, dividindo sua armadura em dois. Uma vez mais, Jorge busca a proteção da laranjeira e em seguida, crava sua espada sob a asa do dragão, onde não havia escamas, de modo que a besta cai muito ferida aos seus pés. Jorge amarra uma corda no pescoço da fera e a arrasta para a cidade, trazendo a princesa consigo. A princesa, conduzindo o dragão como um cordeiro, volta para a segurança das muralhas da cidade. Lá, Jorge corta a cabeça da fera na frente de todos e as pessoas de toda cidade se tornam cristãs.
O dragão (o demônio) simbolizaria a idolatria destruída com as armas da Fé. Já a donzela que o santo defendeu representaria a província da qual ele extirpou as heresias.

A capa de OGUM

Ogum ou Ogulê (em iorubá: Ògún) é, na mitologia iorubá, o orixá ferreiro, senhor do ferro, da guerra, da agricultura e da tecnologia. O próprio Ogum forjava suas ferramentas, tanto para a caça, como para a agricultura e para a guerra. Na África, seu culto é restrito aos homens, e existiam templos em Ondo, Ekiti e Oyo. Ogum foi provavelmente a primeira divindade cultuada pelos povos yorubá da África Ocidental. Acredita-se que ele tenha wo ile sun, que significa “afundar na terra e não morrer”, em um lugar chamado ‘Ire-Ekiti’.

É também chamado de Ògún, Ogoun, Gu, Ogun e Oggún. Sua primeira aparição na mitologia foi como um caçador chamado Tobe Ode.
Tradicionalmente um guerreiro, Ogum é visto como uma poderosa divindade dos trabalhos em metal e senhor da guerra, semelhante à Ares na mitologia grega e Ganesha na mitologia hindu. E poderoso e triunfal, mas também exibe a raiva e destrutividade do guerreiro cuja força e violência pode virar contra a comunidade que ele serve. Dá força através da profecia e magia, e é procurado para ajudar as pessoas a obter mais um governo que dê resposta às suas necessidades. Mas essas também são formas sincréticas.
No Brasil, Ogum tomou as vezes de São Jorge e vice e Versa. Levando em conta que ambos eram guerreiros destemidos e que todos os devotos de São Jorge são “guerreiros” ( aponto como uma característica pessoal), relacionar as duas entidades tornou-se o ideal.

À Semelhança de Siegfried

O guerreiro Siegfried é um dos heróis mais importantes da mitologia nórdica. Personagem principal da Canção dos Nibelungos, tradicional história germânica que baseou a ópera de Wagner, aparece em várias outras narrativas do Norte da Europa, como a saga Volsunga dos islandeses. Seu inimigo mortal é o dragão Fafnir. Outrora filho de Hreidmar, rei dos anões, Fafnir transforma-se numa besta fera após matar o próprio pai e tomar posse do seu tesouro, guardando-o num buraco embaixo da terra. Fafnir é uma espécie de Caim germânico, mistura de traidor, parricida e ganancioso, desumanizado pelo dinheiro e pela cobiça. Típica lenda nórdica. Na verdade, a mais conhecida delas, que serviu de base para outra história conhecidíssima: O Senhor dos Anéis.
Quando os primeiros padres deixaram o sol acalentador do Mediterrâneo e aventuraram-se pelas brumas do Norte Europeu, aquela terra habitada por gnomos, orcs, goblins e toda sorte de criaturas imaginárias – dentre as quais Siegfried e Fafnir -, tiveram de convencer aqueles homens amigos da guerra que o cristianismo não era uma religião de fracos e pusilânimes. Para completar, a época em que os primeiros missionários chegaram – o século V – era a de decadência do Império Romano, então cristianizado e cada dia mais desprestigiado.Para a mente germânica, era difícil imaginar uma razão especial para um homem morrer pelo amor à humanidade, ainda mais se fosse filho de Deus. Para quê converter-se a algo que pregava o amor entre os homens, pois, como sabiam os germanos, os homens eram de dois tipos: ou como Fafnir, ou como Sigurd. Ou mesquinhos e avarentos, ou impulsivos e autoconfiantes.

Os primeiros padres da Igreja notaram logo que, para convencer guerreiros, era preciso trazer um guerreiro. E o melhor guerreiro que a Igreja do século V tinha era São Jorge da Capadócia. Era nada menos do que capitão do exército romano quando, numa reunião com o Imperador Diocleciano, proclamou em alto e bom som que a Verdade estava com Jesus Cristo e que os demais deuses eram todos falsos. A Jorge foi destinada a pena que, à epoca, se destinava aos cristãos: a tortura. Caso renegasse a fé, os martírios parariam. Jorge nunca renegou, mesmo diante das mais terríveis dores. Lutou contra o Império da única maneira que era possível a um cristão devoto. Acabou degolado no ano 303.
A grande questão é que talvez São Jorge devesse ter sido, desde sempre, retratado como um mártir. Vesti-lo como guerreiro enche de confiança aqueles que o seguem. Mas Jorge foi Mártir e essa talvez seja uma forma de fé mais nobre ainda.
Ao contar a história para os germanos, os padres mudaram um pouco os detalhes do personagem. São Jorge foi transportado para um cenário um pouco diferente. Deram-lhe uma espada, semelhante à de Sigurd, e colocaram-no diante de um dragão, semelhante a Fafnir. O dragão exigia dos habitantes de uma vila na Líbia o sacrifício de ovelhas para manter-se longe dela. Aos poucos, porém, passou a exigir crianças. Foi raptada uma menina chamada Sabra. Jorge toma sua espada, Ascalon, e seu cavalo branco e vai atrás do monstro para salvar a criança e, assim, converter a vila ao cristianismo. Não é difícil ver, aí, o dragão como simbolo da falsa idolatria, do falso Deus, que acaba por tirar tudo o que de mais valor existe num povo. E Jorge o vence pela espada, assim como Siegfried venceu Fafnir. Estava morta a falsa idolatria e trilhado o caminho para a vida eterna dos povos louros do Norte. Mesmo que, para isso, fosse preciso vestir um santo com as roupas de outro.

Siegfried e Fafnir