[QUADRINHOS] Marvel NOW!: Avengers Arena #6, Fantastic Four #5, Fearless Defenders #2 e Thunderbolts #6

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Hoje falo do final do primeiro arco de Avengers Arena; da edição 5 de Fantastic Four; do segundo capítulo de Fearless Defenders; e da decepcionante Thunderbolts #6.

Os reviews abaixo contém SPOILERS.

Avengers-Arena-06-pg-000Avengers Arena #6

Roteiro de Dennis Hopeless
Desenhos de Kev Walker
Cores de Frank Martin Jr.

Finalmente acontece aquilo que Arcade vinha tentando provocar desde a primeira edição de Avengers Arena: um herói mata o outro! Mas até que se descubra a identidade do assassino e da vítima, Dennis Hopeless faz uma bela aula de suspense, com uma construção gradativa de tensão e igual aumento da temperatura dos ânimos da maior parte dos personagens, tornando a tarefa de descobrir quem cederá ao impulso assassino parte da diversão.

Nestas seis primeiras edições que fecham seu primeiro arco, Avengers Arena já se provou como entretenimento de qualidade. Hopeless entende como a cabeça dos jovens funciona, o que move seus conflitos internos, e de que forma eles repercutem em suas relações sociais. Além disto, ele já mostrou que sabe criar versões extremas das picuinhas, amores, ansiedades e inseguranças da adolescência e juventude num cenário que permite aos hormônios falarem mais alto, e as atitudes alcançarem resultados perigosos, como se constata no final esta edição.

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Este capítulo é mais focado em Anacronismo, o gordinho que, da noite pro dia, se transformou num guerreiro bárbaro bombadão. Sua relação passada com Kid Briton e Nara tem mais detalhes revelados, ao mesmo tempo que a dinâmica entre eles muda no jogo de Arcade, após a Academia Braddock ser dividida em dois grupos na edição passada.

A melhor característica das histórias de Hopeless é que os acontecimentos fora do controle dos personagens funcionam como catalizadores de novas combinações entre eles, gerando novos conflitos, e renovando o interesse do leitor, que fica curioso pra saber qual será o resultado destas novas combinações. Algumas podem ser benéficas, surpreendendo pelos pontos em comum que os heróis revelam uns aos outros no decorrer da jornada, e algumas explosivas e violentas.

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O que mais se destaca é sem duvida a série de pequenas situações que levam ao trágico final da história. Longe de ser apenas um surto de violência gratuita do autor, a morte que ocorre nesta edição é a consequência lógica de um cenário que veio se formando desde a edição 2, pelo menos.

Na arte dá pra notar que Kevin Walker está cada vez mais à vontade com os personagens, desenhando-os com mais desenvoltura e naturalidade, e as cores de Frank Martin Jr. continuam tão adequadas à história quanto as da edição da estréia. Neste número é notável o céu limpo e ensolarado, que cria um contraponto para a tensão e violência que ocorrem no Mundo do Crime. Um toque de ironia que torna tudo ainda mais impactante por ocorrer à luz do dia.

Mais um título que vale a pena continuar acompanhando.

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Roteiro de Matt Fraction
Desenhos de Mark Bagley
Arte-final de Mark Farmer
Cores de Paul Mounts

Mesmo entendendo que a intenção de Matt Fraction é seguir por uma vertente que é quase o exato oposto de seu antecessor no título do Quarteto Fantástico, fica difícil não achar que ele está ousando menos do que deveria.

Já estamos na quinta edição e tudo que tivemos foram histórias fechadas com algumas boas idéias, mas nada fora do comum, e um foco maior nas questões familiares, com Reed Richards escondendo até a edição passada seu problema de saúde. Nesta ele finalmente abre o jogo com a esposa, que apesar de muito irritada e magoada, acaba entendendo os motivos do marido. Paralelo a isto temos uma trama envolvendo o imperador romano Júlio Cesar, e uma revelação bem sacada sobre seus últimos dias de vida.

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Neste número o autor tem boas idéias para conduzir a conversa entre Reed e Sue, especialmente na segunda parte dela, em que o diálogo gira em torno das meias gastas de Franklin e Valeria, usando-as como metáfora para as possíveis implicações da condição de Reed para o restante do Quarteto.

Já a trama envolvendo o alien nuvem viajante do tempo é um casamento bem feito entre a ficção científica e um episódio histórico da humanidade. Entretém enquanto dura, e deixa um gancho que pode render algumas surpresas futuras, mas nada que desperte mais curiosidade do que a presença de um monstro infernal numa arena romana sem que ninguém estranhe o ocorrido.

O que venho sentindo falta nas histórias de Fraction é a essência do que, pra mim, é o Quarteto Fantástico. O título sempre foi sobre uma família vivendo aventuras extraordinárias, e neste ponto ele até que vem acertando a mão. Mas com mais de cinco décadas de existência, o Quarteto precisa sempre ir além do que normalmente vemos numa história de ficção científica. A ciência nas histórias da equipe é mera desculpa para extrapolações que beiram o fantasioso. O Quarteto está mais para uma fantasia com toques de ficção científica do que o oposto, cheia de conceitos grandiloquentes e ameaças de proporções cósmicas, cujos limites sempre dependeram de quão longe a imaginação do autor estava disposta a ir.

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Se tem algo que ficou bem claro pra mim depois de acompanhar outros trabalhos de Fraction dentro da Marvel é que o cara é bem criativo. Basta pegar toda a sua longa fase como escritor do Homem de Ferro, o título que vem escrevendo do Gavião Arqueiro, e suas histórias recentes para FF, que logo concluímos quão brilhante ele pode ser quando sente-se à vontade com os personagens e os elementos que formam seu ambiente fantástico. Mas nestas cinco primeiras edições a impressão que Fraction passa é que ainda não tem uma grande idéia para uma trama maior. Sim, há essa ameaça microscópica que corre o risco de fraturar o Quarteto de dentro para fora, que é outra ótima sacada do autor, se levarmos em consideração que a equipe sempre foi conhecida por encarar inimigos capazes de devorar planetas inteiros. É uma inversão bem pensada. Assim como foi um ótimo começo usar isto para isolar o Quarteto do restante do mundo que ele fez crescer em torno de si com a criação da Fundação Futuro, que nas mãos de Jonathan Hickman tornou-se uma extensão da Primeira Família. E apesar de tudo isto, Fraction ainda está deixando a desejar na hora de explorar o lado Imaginautas do Quarteto. Aquele pegada “sem limites” das melhores fases da equipe nos quadrinhos, com suas histórias que encantavam pelas situações cheias de criatividade que levavam o leitor para mundos impensáveis, e o botava em contato com conceitos de ficção científica que dificilmente serão vistos num filme ou série de TV pela complexidade e custos elevados de execução.

Talvez ainda esteja cedo demais para acusar Fraction de ser menos fiel à essência do Quarteto, pois pode ser que estas tramas menores durem pouco tempo, e sirvam para ajudá-lo a explorar um pouco mais da intimidade dos personagens, antes de jogá-los numa trama de maiores repercussões e duração. Até que isto ocorra, fico aguardando o momento em que o autor fará jus à sua escolha para comandar a “Maior História em Quadrinhos do Mundo”. Quem sabe até lá ele não me convença de que o Quarteto precisava mesmo dar um tempo pros desafios maiores que a vida, especialmente quando suas vidas estão ameaçadas por algo tão pequeno quanto uma molécula instável?

Fearless Defenders 02-000Fearless Defenders #2

Roteiro de Cullen Bunn
Desenhos de Will Sliney
Cores de Veronica Gandini

Quando um autor tenta ser “cool” ao mesmo tempo em que bola bons desafios para seus personagens, e trabalha bem a dinâmica entre eles, tanto em sequências de ação quanto em momentos mais calmos, o aspecto “cool” é apenas uma das qualidades apresentadas, e mesmo que ele soe forçado em alguns momentos, os outros elementos da narrativa compensam a “mão pesada” do autor em suas tentativas de soar “cool”. Infelizmente este não é o caso de Cullen Bunn. Nesta segunda edição de Fearless Defenders tudo que me incomodou na primeira continua presente.

A cena de ação que abre a história é boa, mas nada fora do comum, e só serve para introduzir Dani Moonstar no elenco. Mais uma personagem que é tão boa no uso do arco e flechas que consegue dar conta de meia dúzia de black ops. Sou mais o Gavião Arqueiro enfrentando mafiosos russo em sua série solo estilosa, cuja leitura recomendo muito.

O resto da edição é usada para apresentar formalmente a trama central da série, que não é nada criativa, e servirá como desculpa pro título ser basicamente uma sequência de histórias em que um grupo de heroínas enfrentará um grupo de vilãs que tem ligações com os deuses asgardianos.

Resumindo, é um título que tinha tudo pra agradar o público masculino por razões óbvias, e potencial para atrair o feminino, mas que é prejudicado tanto pelas caracterizações estereotipadas de Bunn, como pelos traços pouco curvilíneos e nada graciosos de Will Sliney. A série merecia um desenhista que fosse mais generoso e flexível na hora de desenhar as heroínas. Frank Cho cairia como uma luva aqui, ou, na falta dele, Mark Brooks, que vem fazendo um ótimo trabalho nas capas da série, o que só faz lamentar ainda mais a qualidade da arte interna.

Pode melhorar? Sim. Desde que o escritor pare de “se achar” e comece a procurar o tom correto para dar voz e personalidade a suas heroínas, sem ficar o tempo todo tentando bolar catchphrases para elas.

A Marvel é cheia de ótimas heroínas, e parece que algumas delas participarão do título em edições futuras. Mas isto, por enquanto, não é o suficiente pra me convencer de que compensa a leitura. Se mexerem na dupla criativa pode até ser que eu volte, mas as chances são poucas, e o título corre o risco de sequer ter a chance de provar que pode ser mais do que apenas dispensável.

Thunderbolts #6 001Thunderbolts #6

Roteiro de Daniel Way
Desenhos de Steve Dillon
Cores de Guru eFX

Chato, desenhado nas coxas, com diálogos que dão sono, e apenas uma idéia que é, no máximo, boa (o particionamento de dados do cérebro do Líder, no caso), mas que não se mostra o suficiente pra me deixar interessado pelo próximo arco.

Daniel Way tem nas mãos um elenco de personagens que poderia render histórias colhudas, extremas, empolgantes, explosivas, e tudo que ele fez até agora foi jogá-los em direções aleatórias, envolvê-los em conflitos internos risíveis e cenas de ação tão excitantes quanto uma sequência de “foda” do Cine Privé, achando que isto é o bastante pra criar alguma de expectativa. Não é.

Thunderbolts é o pior título da Marvel Now, e dói dizer isto de uma série que tinha tudo pra ser uma das melhores e mais ousadas, se estivesse nas mãos de um Rick Remender, um Warren Ellis ou um Garth Ennis. Infelizmente nenhum deles está disponível no momento, então tudo que resta é torcer para que a Marvel perceba o desperdício que está fazendo e cancele o título antes que o estrago seja completo.

E neste final de semana: dose dupla de Jonathan Hickman (/!) com New Avengers #4 e Avengers #8, Nova #2, Savage Wolverine #3, Captain America #5, Indestructible Hulk #5, Cable and X-Force #6 e Superior Spider-Man #6.