[QUADRINHOS] Vincent Van Gogh – “Isto é para os loucos” (resenha)

Isto é para os loucos;
Os desajustados, os rebeldes, os criadores de caso;
Os que são peças redondas nos buracos quadrados;
Os que vêm as coisas de forma diferente.
Eles não gostam de regras e eles não têm nenhum respeito pelo status quo.
Você pode citá-los, discordá-los, glorificá-los ou difamá-los;
A única coisa que você não pode fazer é ignorá-los;
Porque eles mudam as coisas, eles inventam, eles imaginam;
Eles curam, eles exploram, eles criam, eles inspiram,
Eles empurram a raça humana para frente.
Talvez eles tenham que ser loucos.
Como você pode olhar para uma tela em branco e ver uma obra de arte?
Ou sentar em silêncio e ouvir uma música jamais composta?
Ou olhar para um planeta vermelho e ver um laboratório sobre rodas?
Enquanto alguns os vêm como loucos,
Nos vemos gênios.
Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo,
São as que de fato mudam.

(Steve Jobs)

A Editora Nemo iniciou uma Série chamada “Mestres da Arte em Quadrinhos”. Uma proposta fantástica de mostrar aos fãs de arte a vida de muitos grandes nomes do passado através da HQ. O segundo Volume dessa série chegou às minhas mãos quase que por acaso, talvez até por engano de algum despachante gentil da Nemo.

Ou talvez eles realmente apreciem minhas resenhas.O fato é que não pedi a HQ. E como gratidão é a palavra do momento, achei justo agradecer a História em Quadrinhos que veio assim tão de graça com uma atenção especial. Hoje, mesmo não tendo tempo, abri a HQ logo que a recebi e li.

Já passa do horário de dormir e já o que me motiva a resenhar não é gratidão. Ao menos, não a gratidão por receber uma obra literária, mas por ter tido oportunidade de ter contato com essa história em quadrinhos em especial.

Assim que vi o rosto de Van Gogh “estampado” na capa da Comic Book, pensei nos dizeres de Steve Jobs (aqueles postados logo no início, abaixo do vídeo).

Contudo, eu ignorava (sem querer) grande parte de suas mazelas e dificuldades. Nunca consegui enxergar Vincent Van Gogh humano para além de uma orelha mutilada e pincelada partidas, deixando claro um vestígio de problema mental latente.

Talvez esse tenha sido o grande truque de mestre da Nemo: quem faz quadrinhos deveria se preocupar preponderantemente com imagens, não é? Sobretudo se estamos falando de um artista plástico.
Juro que quase pensei que, ao abrir o livreto, daria de cara com um mini-manual de arte. Mas lembrei que desde os tempos de “Placas Tectônicas“, A Nemo só fez melhorar meus dias. Tive fé e não me arrependi.

Pois é, caro leitor. Apesar de falar por meio de imagens, e estar tratando de alguém que se comunicava por meio de imagens, essa HQ conseguiu refletir a Biografia de Van Gogh de forma tão sensível que chega a doer na carne e umedecer os olhos o sofrimento e a falta de norte do artista tão famoso.

Pobre gênio Van Gogh. Quem hoje ouve falar de seus quadros e não se interessa em saber de sua vida, pouco poderia saber que aqueles quadros espalhados pelos mais importantes museus do mundo – ostentando valores incalculáveis – já foram objetos de chacota.

Van Gogh foi um fracassado. Um louco. Um desajustado. Um rebelde. Um criador de caso… Alguém que realmente não gostava de regras. Alguém que atendia à definição de GÊNIO dada pelo visionário Steve Jobs.

Nota do editor: que também ganhou uma biografia em quadrinhos. Saiba mais aqui.

Holandês, filho de um religioso e muito isolado de todos desde jovem, o pintor sempre contou com o carinho e compreensão apenas de seu irmão caçula: Théo.

Talvez muitos saibam que nosso pintor perdeu a cabeça, foi tido como louco…

Poucos sabem, porém, porque ele se tornou um louco, por que razão ele foi considerado louco… Como e quando a loucura fez de Van Gogh um artista.

A discussão do “Fator Loucura” como algo essencial à genialidade já era grande desde a Grécia Antiga. E com certeza muitos de nossos escritores e artistas provaram e provam isso. Mas poucas pessoas conseguiram escrever a ferro e fogo na história, que genialidade e loucura estão intrinsecamente ligados como o fez o rapaz de cabelos revoltos, solitário e que amava pintar girassóis (murchos, ou não).

Ninguém compreende um visionário até que ele já não faça parte do seu tempo. E talvez seja isso que classifique o louco e o diferencie do ser humano normal.

Van Gogh jamais imaginaria que se tornaria um dos mais famosos pintores da humanidade.

A HQ é belíssima em mostrar esses detalhes da natureza humana do artista, que tantas vezes ignoramos em razão de um nome que se torna uma entidade maior que a vida vivida e sofrida.

No quesito imagético, Mirella Spinelli (roteirista e ilustradora) vai além das expectativas de qualquer um e permite que Vincent (sim… estou falando do homem, não do famoso artista) vá se modificando com o passar do tempo. Aos poucos os desenhos da ilustradora tomam as formas das pinceladas incertas do pintor. A evolução do tempo ligada à evolução dos desenhos é de arrepiar cada fio da nuca.

No mais, se falasse, estragaria a graça de uma viagem que só você, leitor, poderá fazer. E deve.

E claro… Permanece a dúvida. Van Gogh se matou?

Fica mais fácil saber através da HQ.


Nemo

Brochura

27,2 x 19,8 x 0,4 cm

48 páginas

Disponível nas livrarias:

Amazon

Saraiva