[QUADRINHOS] Uma Bolota Molenga e Feliz, de Sarah Andersen (resenha)

Eu poderia falar do seu imposto de renda.

Eu poderia falar dos problemas políticos do Brasil.

Eu poderia pagar de cult/ politizada/ super intelectual….

Eu poderia fazer tudo isso junto em um textão no face com um a foto conceitual de uma caneca de café e parte do meu rosto aparecendo. Tudo noir… Um olhar despreocupado de quem sabe que é superior…

Eu poderia. Afinal, é o que a maior parte das blogueiras fazem mesmo. (Ou poderia tirar uma foto olhando para o chão. Também serviria…)

Como podem notar, alguma pessoa alguma trocou meu inocente café por cerveja.

Mas eu estou aqui para pulverizar seu resto de dignidade, esfregando na sua cara o quanto cada uma das tirinhas da Sarah Andersen faz todo sentido na sua vida.

Se na edição anterior nós descobrimos que “Ninguém vira adulto de verdade” (fato comprovado por pesquisas sociológicas baseadas em porra nenhuma), nessa edição nos deparamos com situações bobas daqueles que já aceitaram a condição de ter uma vida patética, tolinha, boboca e absolutamente normal.

Mesmo dentro de situações ridículas.

Sobre ter gatos: Se você não tem um gato e não sabe como funciona, aviso logo que toda aquela ideia de que eles são exatamente aquilo que você vê no Instagram está meio completamente equivocada.

Claro que eles têm comportamento fofinho, são amigos adoráveis, saem lindos nas fotos…

Mas acredite, você talvez não ache tão fofo que seu gato resolva ter hábitos estranhos, caso isso atrapalhe seu trabalho.

Dependendo de quando você tiver que entregar seu TCC/Trabalho/Relatório, seu gato passa a ser mais irritante que criança de cinco anos fazendo pirraça no supermercado.

“Poxa, mas esse teclado duro e cheio de sobressaltos é tão gostoso…”

Sobre ter a vida social mais “TOP”: É moda ser socialmente muito bem aceito. Se você é “TOP”, certamente você tem mais de dois mil seguidores no instagram, apesar de só postar selfies com biquinho de pato e retratos do seu prato de comida. Mas a necessidade de ser sociável parece ir muito além das redes sociais.

Estranho como antigamente as pessoas tinham amigos e ponto final. Agora parece que ser sociável and shine and happy é uma opção.

Como sou das antigas, minhas reações com meus amigos são quase padronizadas. Sobretudo se eles forem iguais a mim:

Sobre aquelas músicas que VOCÊ ama (mas nem todo mundo ama): Quando li esse quadrinho, tentei me limitar a pensar que vou tentar não fazer mais isso com ninguém…

Acho…

Então, vocês já ouviram uma música chamada Freedom do Anthony Hamilton?

NÃO??
Sobre prazos apertados e o absoluto “nadismo”: O nadismo é uma arte para poucos, e talvez mais difícil de entender para as mentes mais cartesianas, mas eu explico: Você, pessoa adulta, precisa cumprir seus prazos do trabalho, adiantar sua vida acadêmica, precisa dar atenção a tarefas corriqueiras…. Mas dentro de tudo isso surge um MALDITO prazo de prova, entrega de trabalho ou algo no estilo. O que você faz?

(a) Corre para adiantar tudo e entrega seu trabalho antes do prazo, lembrando sempre o porquê de você ser sempre um exemplo de pontualidade e assiduidade.

(b) Continua empurrando absolutamente tudo com a barriga até que o tempo passe tanto e tão rápido que você precisa passar noites resolvendo aquele problema que deveria ser algo simples.

Resposta: B. Porque está tudo ótimo… :3
Sobre tatuagens: Como tatuada/tatuadora não é difícil entender como funciona a dinâmica de se fazer uma tatuagem: Você faz a primeira e pensa que aquela tattoo será sua marca registrada, uma definição da sua personalidade, um ponto de puro charme sensual. Mas, algum tempo depois, uma tatuagem só parece não completar esse seu lado selvagem e sexy. Você precisa de mais uma tatuagem, mais duas… Afinal, muitas coisas são importantes na sua vida.

O fim desse óbvio é previsível.

Eu? Bom… parei de contar na 21ª tattoo.
Sobre ser FIT: Essa gente fitness é chata pra caral… Opa… Deixa… Eu estou nessa vibe.Sobre vitórias pessoais: Se eu conseguisse SÓ arrumar a cama, eu me sentiria adulta… Sobre obras-primas: Eu tenho um apreço por artes, mas preciso dizer que, quando li essa tirinha, eu ri tanto que precisei me trancar no banheiro do trabalho pra não espalhar o mico. Lembrei de um professor que eu tinha… Ele tinha uma bela arte… Sobre a minha… que era mesmo? Eu não preciso explicar muito sobre como funciona minha memória depois dessa tirinha. Obrigada, Sarah Andersen, por decifrar minha mente.  Sobre comprar a HQ da Sarah Andersen: Não dá pra dizer que você vai conseguir a seriedade com qualquer tirinha de Andersen. Então, junto com essa pequena amostra grátis, vão duas recomendações: COMPRE a HQ para se divertir muito! Mas JAMAIS leia em público!


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Capa dura

19,6 x 16,2 x 1,8 cm

136 páginas

Onde comprar:

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