[QUADRINHOS] Turma da Mônica Jovem N.15/115 – O Portal das Trevas – Parte 2 (Resenha)

Na edição de Março de 2018 da revista/mangá Turma da Mônica Jovem tivemos a conclusão do arco O Portal das Trevas. O arco foi roteirizado por Wagner Bonilla, que junto aos demais responsáveis pela produção, entregaram uma ótima historia, muito corajosa, que surpreendeu e concluiu a trama respondendo as principais perguntas e os mistérios deixados, preparando o terreno para futuros segmentos da Saga Sarvet.

Um dos maiores méritos dessa edição foi conseguir expor o tom mais macabro que o apresentado habitualmente, em conjunto com uma narrativa mais sensitiva, que trabalha a evolução de um personagem, sem deixar entendiante. Com isso ganhamos situações que surpreendem de verdade. O leitor não sabe o que vem a seguir, e fica preso querendo saber como vai acabar, mas, ao mesmo tempo, torcendo para que o final demore para chegar, ele quer mais um pouco daquilo.

Sinopse: Após descobrir o motivo da Turma ter entrado em “coma”, Cascão, acompanhado de Denise, Jeremias e Xaveco abrem e entram no portal do mundo de onde vieram os espectros para salvar seus amigos. Mas uma vez lá dentro, eles têm que escapar de criaturas amedrontadoras, enquanto tentam resistir àquele mundo que tenta corrompê-los com os piores sentimentos possíveis.

Avaliação:

/* A avaliação será feita de forma a avaliar a edição 15/115 de TMJ como o encerramento da saga */

Arte de Capa e Storyboard – A arte da capa e da quarta capa ficaram ótimas. A capa está diretamente ligada à historia, transmitindo a continuidade do conflito entre Cascão e o Cebola. Já a quarta capa é mais contemplativa, e mostra uma bela imagem do Brilhante voando em um céu tempestuoso. Os desenhos do miolo mantiveram a ótima qualidade da edição passada. Tivemos novamente as formas chibi dando o ar da graça; um Brilhante com design mais simplificado mas bastante fofo; o visual western do cavaleiro Bravura (Todo mundo sabe que é o Chico Bento montado no Bravo); a ótima representação dos cenários e várias cenas muito bem desenhadas. Além de algumas homenagens à edição Chico Bento Moço N.22 – Bravura Indomável, que também faz parte da Saga Sarvet.

A desenhista e o resto da equipe conseguiram representar muito bem o outro lado do portal, desde os sintomas que ficar no outro mundo causam, até o design dos monstros que habitam o outro mundo, com destaque para o coletor e a forma verdadeira da Malevolência.

E ainda há duas cenas que merecem ser citadas: o Cascão salvando a Mônica, e a luta entre o Brilhante e a Malevolência. ambos com uma coreografia excelente, principalmente a luta. Ainda citando a luta, no segundo quadro, página 97, tem um erro de proporção no corpo da Malevolência em relação as pernas, que ficaram pequenas, mas isso não tira ou desmerece o trabalho da equipe. (2/2)

Enredo – A revista conseguiu dar fim ao arco O Portal das Trevas de forma fiel às regras e conceito estabelecidos na primeira parte. A trama tem dois núcleos: o Cascão procurando pelos amigos, e o grupo formado por Denise, Jeremias e Xaveco, que está tentando sobreviver do outro lado do portal. A transição entre os dois núcleos foi feito de uma forma bem criativa: são três corvos que ficam monitorando os dois grupos, e que ainda fazem ligação com outros arcos da Saga.

O enredo teve seus vários clichês, como: Um teste em que um tem que se sacrificar pelos outros, mas que é apenas um teste; a suposta morte de um personagem que motiva o protagonista em sua jornada; um discurso sobre amizade que dá um boost para o protagonista superar uma barreira que era intransponível (Também conhecido como discurso de anime shounen). Mas todos esses clichês foram bem trabalhados e complementados. É um padrão? Sim. É ruim? Não.

O ponto forte de Portal das Trevas é que não é um história da Turma, é uma história do Cascão com participação de outros personagens. O Cascão é o protagonista, a história gira em torno dele e o roteiro sabe disso, dando a ele o desenvolvimento necessário, fazendo-o evoluir para superar seus obstáculos e se conhecer melhor.

Usar balões de pensamento foram outro acerto. Nas cenas que o Cascão esteve sozinho não faria sentido ele falar pro vento. Isso também ajuda na construção de um vinculo entre o leitor e o personagem. (2/2)

Criatividade e Coerência – É possível reparar que essa segunda/última parte desse arco bebeu um pouco da fonte de séries como Rick and Morty e Stranger Things, que tratam de dimensões e universos paralelos. Kurnugia, o outro lado do portal, é quase o upside down de Stranger Things. Quase, porque é revelado que aquele lugar é um universo espelhado da Terra, mas as criaturas da dimensão das trevas começaram a influenciar as pessoas daquele lugar, através de sentimentos negativos transmitidos pela internet, fazendo assim a sociedade se auto-destruir (Essa parte foi uma boa critica às pessoas que só usam as redes sociais para disseminar ódio). Mesmo assim, se um desavisado ler a revista pode achar que é uma cópia.

A história conseguiu se encaixar a bem na Saga Sarvet, já que o principal protagonista da saga, Chico Bento, faz uma ponta na história, usando o alter ego de Bravura, e também o principal antagonista, Arawn, o deus das trevas da mitologia celta, aparece no final. (1,8/2)

Marketing – A repercussão, a temática e as boas reviews da edição passada, mais o marketing boca-a-boca, facilmente conseguiram garantir que esse arco ficasse bastante popular. (2/2)

Diversão – É uma aventura que dá gosto de ler, tem elementos de terror, drama e comédia bem balanceados. O Brilhante se revelando um personagem de personalidade cativante. Uma boa participação da turma, principalmente da Denise e do Jeremias. E um grande fator replay. Esse edição entra naquela lista de “O Melhor da TMJ”.(2/2)

Nota Geral – 9,8/10

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