[QUADRINHOS] Turma da Mônica Jovem N.14/114 – O Portal das Trevas – Parte 1 (Resenha)

Finalmente, depois de quase dois anos, temos uma nova saga em TMJ. A revista/mangá Turma da Mônica Jovem de Fevereiro de 2018 nos trouxe a primeira parte de O Portal das Trevas, saga roteirizada por Wagner Bonilla. Repetindo a fórmula das melhores edições da revista, temos uma história de terror envolvendo a turma, que nos deixa com mais perguntas do que com respostas.

A história é focada no Cascão, com a participação do Xaveco, da Denise e do sumido Jeremias, todos eles com participações pontuais e uma relevância significativa pra trama. Sem contar que essa saga está ligada à Saga Savert, que começou em Chico Bento Moço. Isso fica nítido na página 93, onde aparece o pen drive com o simbolo da organização, uma fusão da Triforce com o Olho que tudo vê.

Sinopse: Em uma noite chuvosa, Cascão e Cebola têm uma discussão pela internet que coloca a amizade dos dois em risco, mas eles não têm tempo de se desculpar, porque Cebola entra em um tipo de coma e a causa é misteriosa. Quando esse mal começa a atingir outras pessoas, algumas de maneira sobrenatural, Cascão é guiado por mensagens misteriosas que o fazem descobrir o que todos os afetados tinham em comum: todos assistiram ao mesmo filme. Mas como reverter isso?

Avaliação: 

/* A avaliação será feita lavando-se em conta a maneira com que a TMJ 14/114 funciona como introdução à saga */

Arte de Capa e Storyboard – A capa é bem desenhada, enigmática e se encaixa com a história. Já a quarta capa faz isso três vezes melhor: ela é macabra o suficiente pra surpreender, e me lembrou um pouco a capa de “unFollow: Deus está assistindo“, já que a página simula a tela de um tablet.

O desenho das páginas ficou acima da média: usaram as formas chibi dos personagens, expressões faciais mais complexas, situações anatomicamente complicadas de se desenhar, e ainda tivemos o Brilhante, um grande ser que parece uma mistura de furão com dragão, com seis patas e asas de pássaro. Manter a proporção no corpo do Brilhante não deve ter sido fácil. Tivemos alguns erros, como o rosto do Cascão no último quadro da página 68, mas isso não retira os méritos da equipe responsável pelos desenhos. (1,9/2)

Enredo – O roteiro fez o que tinha que fazer: criar situações e dúvidas que catapultassem o protagonista pro conflito – a discussão do Cebola com o Cascão, as mensagens de celular misteriosas – e criar dúvidas para serem respondidas na próxima edição:

Spoilers

Que foto era aquela na página 102? Quem é o cara que está perseguindo o grupo (eu acho que é o técnico da seleção)? Qual é a missão do Brilhante? Por que nem todos que assistem o filme entram em coma? E por quê?

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(2/2)

Criatividade e Coerência – A ideia de forças de outra dimensão usarem a tecnologia da Terra como forma de disfarçar um ritual para passarem pra esse mundo foi muito boa, não é 100% original, mas deixa uma crítica sobre como a internet pode ser usada pra disseminar coisas ruins (Leram isso pessoas toxicas das redes sociais? Sejam mais construtivas!). Apesar da boa ideia, essa revista segue a cartilha das histórias de terror pra adolescentes: um grupo de jovens, uma relíquia ou objeto amaldiçoado, um perseguidor macabro, e um plano que envolve mais coragem do que um grupo de jovens teria na vida real. E quanto às referências, não foram poucas, tivemos: O salto de fé de Assassin’s Creed na página 10; a cena de abertura de O Exorcista na página 90; Pokémon GO na página 84; o Brilhante, que faz referência a The Last Guardian e a A Viagem de Chihiro; e, pela temática, ainda temos referência a O Chamado e a Corrente do Mal. (1,7/2)

Marketing – A capa é chamativa: é uma trama de terror. E ainda lançaram duas preview da edição, que teve marketing de verdade e muito bem feito. (2/2)

Diversão – E engraçada na medida certa, deixa um gosto de “quero mais”, tem um fator replay muito bom e você comenta sobre a revista com outras pessoas que não leem TMJ. (2/2)

Nota Geral – 9,6/10

P.S – Escrevi esse post ouvindo Queen, Foo Fighters e Chuck Berry, Go! Go! Go! Johnny Go!

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