[QUADRINHOS] Turma da Mônica Jovem N.10/110 – As Sete Pragas Do Limoeiro (Ou Um Belo Título Clickbait)

A Edição de Outubro de 2017 da revista/mangá Turma da Mônica Jovem me surpreendeu bastante, por ser uma história completamente diferente da que eu esperava pela sinopse da edição anterior. Roteiro de Daniela Nascimento e adaptação de roteiro de Marcelo Cassaro.

Indo direto ao ponto, a história não é boa. Ela subestima a inteligência do público com uma trama que depende da suspensão de descrença do leitor.

Sinopse: O professor Rubens, vulgo professor de ciência da turma e amor platônico da Magali, foi demitido e acusado de plagiar trabalhos acadêmicos. Paralelo a isso, vários pragas vêm assolando o bairro: lixo em excesso, nuvens de gafanhotos, enchentes, desmoronamentos, e outros problemas ambientais. Como se isso não fosse o bastante, um ecoterrorista autointitulado “Arauto do Apocalipse” decide assumir a autoria das pragas. Vendo os acontecimentos, Denise, usando uma dedução tão boa quanto as do L de Death Note (o do filme não do anime – isso foi sarcasmo, se você ainda não reparou), decide acusar o professor Rubens de ser o tal Arauto.

Antes da avaliação, tenho mais a dizer. A história deixa um monte de incoerências, tipo:

  • A suspeita em cima do professor Rubens não faz o menor sentido. Se eu fosse demitido e fosse me vingar, eu não gastaria tanto tempo e dinheiro pra isso. É só um bairro; um professor não teria dinheiro pra financiar tais alterações climáticas; e se ele é tão bom a ponto de conseguir gerar alterações climáticas, por que é que ele ainda dá aula pro ensino médio?
  • Em determinada parte da história, o “Arauto do Apocalipse” hackeia todos os canais do Youtube, redes sociais, canais de streaming e redes televisivas, e a justificativa que o Cebola encontra pra isso é: “Ele não é qualquer hacker.” Um argumento bem preguiçoso do roteiro pra tentar explicar uma situação exagerada pra p*&%#.
  • O ecoterrorista destrói o meio ambiente pra convencer as pessoas de preservá-lo.
  • Ele é inteligente o bastante pra hackear todo o mundo pra passar uma mensagem, mas não se toca que apenas 3,5%(aproximadamente) da população mundial fala português. Portanto, só eles entenderiam a mensagem.
  • As pragas só atacam o bairro do Limoeiro e o Arauto quer assustar o mundo.

Avaliação: 

Arte de Capa e Storyboard – A capa está cheia de erros de proporção. A cabeça da Magali está maior que o resto do corpo. Do torso pra cima, o corpo da Mônica está maior que a parte debaixo. E a capa não condiz com a história. Eu não me lembro de carros virados ou incêndios na revista. A quarta capa ficou bem feita. O Storyboard ficou muito bom, sem erros de proporção e bem desenhado. (1,5/2)

Enredo – O enredo é fraco, tenta passar para o leitor uma lição de moral sobre preservação ambiental, mas ofusca a mensagem a ser passada com absurdos narrativos. Teve uma crítica muito boa (propositalmente ou não) na página 29: quando o Franja e o professor Ragu começam a falar sobre o meio ambiente, a Turma vai embora, pois na vida real é assim, ninguém gosta de falar sobre esse assunto. (1/2)

Criatividade e Coerência – A história está cheia de incoerências e problemas na narrativa, muitos deles já citados acima. (0,4/2)

Marketing – A prévia da última edição tentou vender um apocalipse bíblico ou algo do gênero. Até a capa desta edição remete a algo assim. E apesar de não ter entregado nada disso, a proposta do tema vende. Eu compraria. (1,7/2)

Diversão – Eu fiquei tão ocupado tentando ignorar os erros do enredo que não consegui me divertir com a leitura. Mas, quando eu reli a revista, encontrei umas situações bem cômicas. A parte do Cascão indo tomar banho foi muito engraçada. (1/2)

Nota Geral5,6/10

P.S: O Desabafo – Eu sinto que as histórias atuais da TMJ não são pensadas pros leitores que acompanham a revista desde 2008. Eu quero continuar a gostar das revistas, mas nesse ano só tiveram duas edições boas de verdade. No rodapé da capa está escrito “Aconselhável para maiores de 12 anos”. Então, por que todas as historias recentes têm um enredo tão fraco? Desafiem mais seus leitores!

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