[QUADRINHOS] “The Witcher – A Casa de Vidro” de Paul Tobin e Joe Querio (resenha)

The Wicher: A casa de vidro

The Wicher: A casa de vidro

Geralt, um Witcher, conhece Jakob, um caçador viúvo que é atormentado pelo “cadáver amaldiçoado” de sua esposa. Quando ambos resolvem se afastar do pântano onde vivia Jakob, e se embrenham na agourenta floresta que o cerca, descobrem uma casa cuja atmosfera misteriosa os atrai. Eis a premissa da graphic novel The Witcher – A Casa de Vidro.

Apesar da HQ ambientar-se no universo dos games produzidos pela CD Projekt Red, que por sua vez são adaptações dos livros de Andrzej Sapkowski, o primeiro arco de histórias escritas por Paul Tobin e desenhadas por Joe Querio funciona independente do leitor conhecer ou não os games ou os livros. Eis o primeiro ponto positivo desse encadernado lançado pela Ediouro através de seu selo Pixel Media.

the-witcher-casa-de-vidro-resenha-03A Casa de Vidro” segue o mote clássico do herói misterioso que aparece pra lidar com um problema desconhecido pelos coadjuvantes. Muito sobre as origens e poderes do Witcher fica subentendido em suas falas e ações, o que achei uma forma elegante e econômica de transmitir tais informações a leitores não-iniciados como eu, que podem deduzir o essencial a partir das pistas espalhadas habilmente pela dupla criativa. Há breves menções de aventuras anteriores de Geralt, cujo conhecimento não é fundamental para apreciarmos a HQ.

Também gostei de como Paul Tobin explorou dois cenários clássicos de terror: a floresta e a casa mal-assombradas. Além de confrontar o herói com diversos tipos de monstros, desde bruxas, passando por ghouls, succubus, leshens, zumbis, entre outros. Tudo isto contribuiu para o dinamismo da trama. Mas Tobin também soube desacelerar o ritmo pra estabelecer um clima de terror e paranoia que permeia toda a trama, enquanto os personagens são desenvolvidos e seus conflitos se desenrolam.

the-witcher-casa-de-vidro-resenha-02E cercando Jakob com fenômenos sobrenaturais que ele não entende, Tobin criou uma ótima justificativa para expôr aos poucos seus traumas, e torná-lo mais humano, aumentando nossa identificação com ele. Geralt serve de contraponto a Jakob, sendo um personagem mais discreto, centrado e um tanto frio ao lidar com todos os perigos e monstruosidades que enfrenta. Isto cria uma dinâmica interessante entre os dois. Mais adiante na história surge Vara, cuja figura feminina serve ao propósito de deixar o protagonista e o leitor com a “pulga atrás da orelha” quanto a sua lealdade e reais objetivos.

Com relação à arte de Joe Querio, ela é eficaz na concepção da atmosfera soturna e inquietante da trama. Querio também é competente na composição dos quadros, na decupagem da ação e nas expressões faciais e corporais. Sua arte lembra uma mistura de Stuart Immonen e Mike Mignola. Não é foto realista, mas também evita a caricatura ou estilização acentuadas, o que combina com a sobriedade da história.

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Carlos Badilha também merece elogios por usar suas cores a favor da complementação e texturização da arte de Querio, ampliando seu impacto visual e expressividade e a dinamicidade da ação.

Fiquei muito satisfeito com a história de um modo geral, pois em toda a sua duração ela entretém. Mas o final acaba se destacando, por apresentar algumas reviravoltas que não chegam a surpreender, mas levam o leitor a revisitar toda a história para reavaliar as pistas que a dupla criativa espalhou, as quais sustentam as revelações do clímax.

Como atrativos extras, a edição da Pixel traz nas últimas páginas algumas artes descartadas, e as etapas de produção de algumas das capas, incluindo um detalhado registro fotográfico da produção de uma arte Duncan Fegredo, desde o esboço a lápis, as cores finais. Tudo isto torna a edição um ótimo investimento.


nota-4


The Wicher: A casa de vidro

144 páginas

17 x 26 cm

Capa Dura

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