[QUADRINHOS] Sopa de Salsicha, de Eduardo Medeiros (resenha)

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Bananas podem ser bastante violentas

Há tempos ouvi dizer que, quando um artista não tem mais ideias, tende a tornar a arte e a si mesmo temas principais de sua obra. Não sei se por esse motivo, mas se assim foi, Eduardo Medeiros soube alinhar perfeitamente o tema arte em quadrinhos e os dramas da vida pessoal em sua graphic novel Sopa de Salsicha. E em minha opinião, foi um dos livros mais divertidos que li nos últimos tempos. Deus sabe como fico grato por artistas genuinamente bons perseverarem, e por existir editoras com o ótimo senso de não os deixarem escapar. A edição caprichada não deveu em nada ao traço simples e bem humorado de Medeiros.

A história aborda de maneira bem humorada a dificuldade do artista em encontrar o caminho para algum sucesso, e, quem sabe, enriquecer trabalhando com o que ama (sim. Foi uma piada). Simplesmente não consegui parar de ler. Logo de cara o autor me arremessou num sonho em que ele mesmo, no meio do espaço, ouve um conselho do cantor Michael Bolton em pessoa. Os diálogos simplesmente fluíam e foi difícil evitar. É meio idiota contabilizar isso, mas confesso que “Sopa de salsinha” me tirou em média uma risada a cada quatro tirinhas, sem exagero, e isso me atrapalhou um pouco em curtir alguns detalhes dos desenhos. Voltei um bocado de vezes para não passar pequenas coisas como a estrela na parte da frente da cueca de Bolton, aquele monte de gato e cachorro no sofá, ou a cena das mil versões dele mesmo ao redor da esposa, a baixinha.

Para quem acha impossível se divertir com trivialidades como o caso de compreensível ódio por Bob Marley (não é pessoal, fiquem tranquilos) e um conflito obscuro que nosso amigo tem com bananas, Medeiros prova que domina a arte de contar uma boa história.

Das revelações de adolescência à declaração oficial da Primeira Guerra Mundial de Cusparada, uma mudança para nova casa em um lugar meio óbvio chamado Floripa, eu definiria “Sopa de Salsicha” como bem afetuosa sem ser melosa (nada contra ser melosa, lembrando meu passado com Soppy!), ideal para o tipo de madrugada como esta, em que queremos só rir um pouco de alguém que parece bastante com a gente, rir dos anseios colossais de um cara normal, que vive não tão longe daqui, e que atravessa a noite em claro pensando no próximo parágrafo ou quadro que irá desenhar.


P. S.: Caro, Eduardo. Se ler isto saiba que meu dia hoje foi uma droga, mas reli seu livro e me diverti escrevendo esta resenha. Matei a tristeza com risadas. Valeu, cara. Mesmo. É sério. Ri não.


sopa-de-salsicha-eduardo-medeiros-quadrinhos-na-cia-capasopa-de-salsicha-eduardo-medeiros-quadrinhos-na-cia-contracapaQuadrinhos na Cia

Brochura

25,8 x 17,8 x 1,4 cm

172 páginas

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