[QUADRINHOS] SÃO JORGE – Soldado do Império e A Última Batalha.

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Ganhei os dois volumes da HQ de Danilo Beyruth nos dias próximos ao meu aniversário do ano passado. Não a recebi apenas por gostar de história ou por ter muito bom grado em ler histórias em quadrinhos; São Jorge é meu Herói particular.

Sempre foi. Desde meu nascimento difícil, até os dias de hoje.

De toda forma, não houve tempo na época para ler a História em quadrinhos.

Mas hoje é dia do Santo Guerreiro, Jorge da Capadócia, morto por sua fé em Cristo. Senti a obrigação de devota.

Contudo, as páginas magistralmente escritas e desenhadas por Beruyth não foram feitas para católicos, espíritas, umbandistas, pagãos ou ateus.

A história que encontramos não é de um Santo homem, mas a breve narrativa de um centurião Romano, que se destacava por sua habilidade e que, um belo dia, tornou-se mito. Mas a força do mito não foi suficiente para amolecer o coração do Império Romano, determinado a perseguir Cristãos.
A história é desenhada em apenas preto e branco, o que causa certo desconcerto logo de início.

Acredite. Assim como tempos o costume, até bem chato e preconceituoso, de dizer que pessoas orientais são todas as iguais, posso assegurar que isso nem pode ser comparado à semelhança dos Romanos.

Brincadeiras à parte, de primeira é difícil identificar alguns personagens em razão de seu aspecto muito parecido.

O fato de o artista haver usado hachuras para produzir sua arte também foi preponderante para tornar os rostos similares, de certa forma.

Mas esse ponto parece se desfazer em meio ao suor da batalha, à medida que começamos a lidar com os acontecimentos daquele pequenino pedaço do Império Romano.
A história começa a ter verdadeira relevância quando, em um vilarejo longe dos olhos do Imperador, Diocletianus, pessoas começam a serem atacadas por um dragão. Com suas vidas ameaçadas e suas cabeças de gado – única fonte de sobrevivência – começam a serem dizimadas.

Para resolver isso o valente Tribuno Jorge (tribuno era uma patente de oficial em uma legião romana) é designado para dar um jeito no dragão. Contudo, as motivações vão além de sua competência.

Jorge é Cristão e, por isso, fora escolhido para uma missão mais distante, isolada, longe das graças do Imperador.

As complicações são maiores do que um réptil gigante tentando devorar uma pobre donzela (tudo isso há na história divida em dois volumes). A luta de Jorge é física: contra os malfeitores e contra o mal personificado no dragão (que na verdade não é dragão); E é uma luta espiritual, pintada das cores de sua fé, dada a ele por seus pais indo de encontro a tudo aquilo que fez em lealdade ao Império.

Quanto vale a sua fé para que você aceite ser torturado e morto por ela?
Ler esses dois tomos repletos de ação e muita adrenalina gráfica (a melhor forma de explicar tantas confusões por quadrinhos) é uma experiência de assistir a um belo filme de ação, mas que tem um contraste incrível da aura de fé e espiritualidade.

Como explicar de forma mais clara uma experiência que excita e ao mesmo tempo dá paz ao coração?


Mesmo não sendo religiosa, a HQ é sobre Fé; A fé sólida que remove obstáculos concretos (porque, creiam ou não, a história narrada por Danilo Beyruth é mais do que realista) e nos faz ter uma centelha de esperança. Ainda que não em uma força maior, na força de nós mesmos.

Se eu pudesse eleger a melhor HQ que li até hoje (com exceção daquelas de cunho humorístico), essa HQ Seria São Jorge.