[QUADRINHOS] Primeiras impressões: All-New, All-Different Marvel (Parte 7)

all new all different marvel parte 7

OI, ESTOU VIVO.

Sim, eu sumi semana passada. Vida conturbada, não está sendo fácil. Mas os quadrinhos continuam. The show must go on. Voltei, amigxs. E olha só, pra compensar minha ausência na última semana, essa semana vocês vão ter dois posts (por favor, não me odeiem).Um hoje, como de costume, e um extra no sábado.

Mas, enfim, desculpas pedidas (espero que vocês aceitem ♥), vamos aos comentários da semana: temos o Demolidor, que agora voltou à sua fase depressiva APENAS PORQUE SIM, uma Garota Lunar e seu Dinossauro Demonho (é mais legal do que parece, juro), os Totalmente Novos X-Men (que nem são novos coisa nenhuma, já tô cansando dos adjetivos) e Ms. Marvel, aka, meu xodózinho nessa editora.

Here we go again…


Demolidor

  • Roteiro de Charles Soule, arte de Ron Garney e cores de Matt Milla.

Daredevil 001-009

O grande problema de alguns relançamentos, é você tentar se desvencilhar de um volume anterior e se acostumar com o take que o novo roteirista quer introduzir. Okay, o leitor há de entender que tratam-se de fases diferentes e uma renovação, um novo ar em um personagem é necessário de tempos em tempos, mas é tudo questão de guiar o leitor gentilmente durante esse processo. O personagem em questão aqui é o Demolidor, e eu vou dar dois exemplos do que eu estou tentando dizer.

Quando Mark Waid assumiu os roteiros da série, o personagem estava no fundo do poço. Mesmo. Assumindo após os roteiristas Brian Michael Bendis e Ed Brubaker destruírem a vida de Matt Murdock, Waid resolveu dar um revamp no personagem. Se ao longo da última década Murdock tinha passado por maus bocados, nada mais natural do que uma abordagem mais positiva e heroica na fase recorrente. A questão é que Waid sempre deixou aquele passado ali, sabe? À espreita. Matt podia estar feliz, saltitante, beijando noivas de mafiosos e enfrentando vilões old-school com um ar todo ATREVIDO (põe a mão aqui quem entendeu a referência!). Mas em momento nenhum ele negou o seu passado, em momento nenhum nós esquecíamos que Matt Murdock teve um passado marcante, que ele carregava as cicatrizes de suas batalhas anteriores. Waid fez a transição das fases de maneira natural.

Agora, vamos ao segundo caso. Charles Soule, roteirista em ascensão no mercado atual de quadrinhos, parece a escolha perfeita pra escrever o Demolidor. Ele mesmo foi advogado por um bom tempo (e ainda é, se não me engano) e, poxa, quer prova melhor de que ele é muito competente do que sua fase à frente da Mulher Hulk (personagem que também é advogada, btw). Tinha tudo pra dar certo. O problema é que, pra quem já vem lendo essa HQ nas mãos do Waid, a transição para a fase do Soule não é nem um pouco natural. De toda a abordagem mais leve, somos jogados mais uma vez de volta na escuridão-emo-gótica-Nolan-das-trevas, numa clara tentativa de torna-lo mais próximo à sua contraparte da série da Netflix. Ótimo, meu problema nem é tornar o personagem mais coerente para os novos leitores. É possível fazer isso, com um pouquinho de elasticidade por parte do roteiro. O problema é quando isso fere qualquer sequência lógica que a história possa seguir, afinal, a grande sacada da tal Nova e Diferente Marvel é não ser um reboot, correto? Não, isso não pode, isso é coisa da concorrência. A questão é que as coisas aqui parecem tão mudadas, sem sequer uma referência às fases anteriores, que a sensação é a de que o personagem passou por um reboot mesmo. Mas o engraçado é que mesmo se você estiver chegando agora, fica aquela sensação de que tem algo faltando, um complemento, um elemento que empolgue, porque você não sabe muito bem quem é aquele cara ali. Na verdade, nem quem já lê faz tempo sabe quem é aquele cara na atual conjuntura. Uma pena, de verdade. Ou então, isso talvez seja apenas euzinho amargurado com esse recomeço.

De qualquer forma, independente da qualidade do roteiro, Ron Garney mostra-se como um desenhista mais do que competente para assumir esse título. Com um estilo muito mais sujo E minimalista do que os desenhistas que passaram pelo volume anterior, Garney consegue transpirar toda a atmosfera mais suja que o crime em Nova York deve passar, muitas vezes flertando com ares mais noir. Independente das escolhas do roteiro, o desenhista consegue passar perfeitamente as ideias propostas pelo texto e isso é louvável. As cores de Matt Milla acrescentam um charme a mais, complementando perfeitamente essa atmosfera mais pesada. No começo da edição rola uma cena com um resgate subaquático lindamente executada pelos artistas, com todo o preto de Garney predominando, apenas com pequenos toques das cores de Milla, transmitindo toda a claustrofobia que uma cena dessas deve causar no leitor.

Há quem vá dizer que esse é um recomeço (que nem é tão recomeço) necessário pro personagem, embora eu tenha meus receios aqui quanto a real necessidade disso tudo. De qualquer forma, Daredevil ainda é um título que tem bastante potencial. Talvez eu volte pra próxima edição, só por curiosidade mesmo. Mas deu uma preguicinha, viu.


Moon Girl and Devil Dinossaur

  • Roteiro de Brandon Montclaire e Amy Reeder, arte de Natasha Bustos e cores de Tamra Bonvillain.

Moon Girl and Devil Dinosaur (2015-) 001-006

Vou ser bem sincero aqui: eu não fazia a menor ideia de quem eram esses personagens antes de começar essa leitura. E gente, isso é bem empolgante, na verdade. É bom saber que essa nova fase não é feita só de recomeços, mas também de começos de verdade para novos personagens, para novas apostas. E Moon Girl e Devil Dinossaur se encaixam perfeitamente nessa categoria. Tá, depois de uma pesquisa, eu descobri que Moon Boy (?) e Devil Dinossaur foram criações de Jack Kirby e que passaram por essa reinventada na nova fase, mas a intenção aqui parece realmente começar esses personagens do zero. E a inovação não vem apenas no quesito personagens: os nomes por trás da equipe criativa aqui também são totalmente desconhecidos pra mim, então essa leitura foi realmente crua, sem nenhum precedente pra mim (diferente daquela análise toda amargurada de Demolidor ali em cima). Não esperem o parágrafo introdutório onde eu falo dos trampos anteriores do roteirista. Eu realmente não sabia o que eu ia encontrar nessa HQ.

E que surpresa agradável.

Okay, não trata-se de uma leitura INCRIIIIIVEL, mas o roteiro leve e despretensioso acaba capturando a atenção do leitor, apostando em uma protagonista bem simpática: Lunella, a Moon Girl do título, uma garota-prodígio com intelecto acima do normal. Enquanto sua professora de ciências quer explicar o que é a Teoria da Evolução, Lunella já está convencida de que isso não é mais teoria e está mais preocupada em criar um detector de vida alienígena. Nesse processo, a garota acaba reclusa dos círculos sociais no colégio. Ou até mesmo em casa, com uma relação conturbada com os pais. E aqui fica mais uma sacada do roteiro, que com isso torna a personagem ainda mais interessante aos olhos do leitor. Isso muda (ou ao menos, promete mudar) com a introdução de Devil Dinossaur na história, o tal dinossauro criado por Jack Kirby no passado, vindo direto da pré-história para os tempos atuais, colocando os dois personagens em um conflito (ou algo parecido). A história não vai muito além disso, então fica meio difícil saber se os desdobramentos dessa trama serão realmente interessantes, mas o que dá pra dizer por enquanto é que os roteiristas realmente sabem como introduzir uma personagem de forma cativante logo de cara em uma primeira edição.

Casando com o roteiro, a arte de Natacha Bustos é bem amigável e “fofa” mesmo, fazendo questão de destacar o quão adorável é a protagonista, contrastando toda a delicadeza dela com a do dinossauro demoníaco. Não há nada de muito ousado aqui, mas a arte colabora ainda mais pra essa se tornar uma leitura particularmente divertida.

Com uma primeira edição bastante eficaz, Moon Girl and Devil Dinossaur tem tudo pra ser um dos novos títulos promissores da Marvel: protagonista cativante, roteiro eficaz e arte competente.


All-New X-Men

  • Roteiro de Dennis Hopeless, arte de Mark Bagley e cores de Andrew Hennessy.

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Os X-Men do passado estão no presente. Em algum momento da sua vida, o Fera decidiu que era uma boa ideia extrair os cinco X-Men originais de sua linha do tempo no passado e traze-los para o presente. Jovens, lindos, tudo ótimo, maravilha. Deu merda, obviamente, mas isso ficou pra trás. Ou não exatamente.

Ao mesmo tempo que All-New X-Men é um recomeço para o Fera (agora, o do passado), Anjo, Homem de Gelo e Ciclope – que vêm acompanhados também pelo Kid Apocalipse, a nova Wolverine e Idie Okowonko – a HQ aposta também em fantasmas do passado e levanta uma questão bem instigante: estão esses personagens fadados a seguir o mesmo destino que suas contrapartes do presente? Essa questão é tratada através de Scott Summers de uma maneira bem pertinente. Como eu disse lá no review de Extraordinary X-Men, o Ciclope do presente fez alguma merda bem grande depois de Secret Wars e acabou se tornando o mutante mais odiado do mundo, então não é exatamente legal pro jovem Ciclope andar por aí mostrando o seu rosto e seus poderes e, apesar de pesar a mão nisso, o roteirista consegue transmitir a revolta de Scott ao lidar com sua contraparte contemporânea. Mas, ao mesmo tempo em que o roteiro passa um bom tempo remoendo essa questão, ele perde em não apresentar corretamente os leitores aos personagens que compõem a equipe. Se você é um leitor novo, provavelmente não reconheceu dois dos nomes que eu citei ali em cima: Kid Apocalipse e Idie Okowonko são personagens adicionados recentemente à mitologia dos X-Men, e não tiveram tempo de serem apresentados ao público maior, e acabam soando apenas como adições pra agradar leitores de longa data. E esse é um deslize bem grave de Hopeless: a narrativa acaba se desgastando desnecessariamente focando em um drama não tão necessário para o andamento da edição, enquanto o elenco com grande potencial pra cativar o leitor não passa de uma mera alegoria.

A arte de Mark Bagley não é uma das minhas favoritas na indústria. O cara já desenhou grandes personagens como o Homem-Aranha ou o Hulk, e é conhecido por sua agilidade na entrega dos trabalhos, mas isso se reflete bastante na qualidade do seu trabalho: os rostos são todos iguais, os cenários são desinteressantes, a linguagem corporal é pobre. Não chega a ser um desenhista ruim, mas também não empolga em momento algum.

All-New X-Men começa com alguns tropeços, mas ainda pode se tornar uma leitura válida, com certeza. Hopeless tem um histórico bacana com personagens mais jovens, então devo voltar por mais algumas edições pra ver como as coisas vão se desenrolar.


Ms. Marvel


  • Roteiro de G. Willow Wilson, arte de Takeshi Miyazawa e Adrian Alphona, cores de Ian Herring.

Ms. Marvelms-marvel-2015-001-002 já é uma das minhas leituras favoritas desde o seu último volume, e é tão bom ver que uma personagem tão bem recebida pelo público realmente recebe um tratamento à altura que merece. Seria fácil relaxar no roteiro, agora que Kamala Khan já é uma personagem mais bem estabelecida, mas o cuidado e o carinho que a roteirista (e criadora) da personagem tem com a história é bem nítido.

G. Willow Wilson ama Kamala Khan – e quem não amaria? Pra quem não conhece (e se não conhece, CORRE AGORA PRA LER O PRIMEIRO VOLUME DESSA HQ), Kamala é uma jovem paquistanesa que mora com os pais em New Jersey. Ela era a típica habitante do tumblr: fan-girl dos Vingadores, escrevia fan-fics pra blogs e vivia sonhando com o dia em que conheceria a Capitã Marvel. Até que ela se descobriu parte dos novos Inumanos que vem surgindo no Universo Marvel no último ano. E, claro, Kamala começou a usar seus novos super-poderes pra defender sua vizinhança, e agora se vê como parte de todo o universo que sempre cultuou.

Mas o que eu amo realmente em Ms. Marvel é que essa HQ tem o ritmo que todo quadrinho de super-herói deveria ter: os conflitos pessoais da protagonista podem não mudar o mundo, mas têm um impacto enorme no mundo dela e são tão graves SIM quanto o mais novo alien que quer destruir o mundo. O legal é que a roteirista não trata nunca os dramas de Kamala de forma piegas ou convincente, e mesmo o drama/romance adolescente que já é uma temática mais do que batida acaba tomando ares mais divertidos quando essa temática super-heroica é envolvida. É absurdamente divertido ver elementos tão grandiosos do Universo Marvel serem misturados em uma abordagem muito mais intimista e focada em personagens tão cativantes. Ah, e ainda que seja um título que já tenha volumes anteriores, a história é realmente acessível para novos leitores.

A arte de Miyazawa e Alphona faz dessa HQ uma das mais peculiares da editora no momento, com seu estilo mais oriental. Os artistas conseguem dosar perfeitamente os momentos de humor com os momentos de drama, nunca deixando com que o tom da história se perca, usando sempre de técnicas de narrativas ousadas e empolgantes. Legal também como os dois conhecem bem a personagem e dominam bem a gama de poderes da jovem Kamala, sempre se utilizando de formas bem inventivas quando retratam a heroína em ação.

Ms. Marvel é um título que nem precisava de um relançamento. A qualidade é um fator constante nessa HQ – não é à toa que ela figura entre as melhores de 2014 – mas o recomeço pode ser uma ótima oportunidade pra quem quer conhecer essa que deve ser a criação mais promissora da Marvel nos últimos anos. E olha, taí uma personagem que realmente merece esse reconhecimento todo.


Okay, os lançamentos aqui já nem foram tão incríveis quanto nas outras semanas. Salvo uma HQ que nem vale como relançamento, o restante não chega realmente a animar. Estariam os lançamentos da Marvel finalmente perdendo o fôlego? SERÁ?

Sábado tem mais, vamos descobrir juntos. Voltem no sábado. É sério. Por favor.

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