[QUADRINHOS] Primeiras impressões: All-New, All-Different Marvel (Parte 6)

Untitled-1

Mais uma semana. Mais lançamentos da Marvel. E mais um post com as avaliações da Totalmente Nova, Totalmente Diferente Marvel (Fazendo AQUELE esforço pra não dormir enquanto escrevo esse nome gigante. Não tinha um nome menor não?)

Dessa vez, temos os tão aguardados Totalmente Novos e Diferentes Vingadores de Mark Waid (spoiler: dessa vez eles realmente fazem jus ao nome da HQ e são novos e diferentes mesmo), a totalmente grávida Mulher Aranha, o totalmente dispensável Senhor das Estrelas e a totalmente maravilhosa Thor, que também é totalmente minha HQ favorita dessas todas aí.

Ah, em nota totalmente não relacionada, acabo de ver o novo trailer de Batman v Superman e MEUS AMIGOS, TÁ LINDO. Só pra deixar claro aqui que eu sei dividir o meu amor entre Marvel e DC.

AGORA, aos títulos:


All-New, All Different Avengers

  • Roteiro de Mark Waid, arte de Adam Kubert e Mahmud Asrar, cores de Sonia Oback e Dave McKaig.

O primeiro a ser anunciado dentre toda essa nova leva de títulos, foi também o que mais chamou minha atenção e que me deixou mais ansioso pela sua chegada: os Totalmente Novos, Totalmente Diferentes Vingadores de Mark Waid. Porque, né, convenhamos, é MESTRE WAID escrevendo os Vingadores. Então essa é uma análise que merece todo um carinho especial da minha parte. ♥

All-New, All-Different Avengers (2015-) 001-007

Okay, você tá chegando agora e não sabe quem é Mark Waid. Tudo bem, vamos lá: o cara é um dos maiores nomes da indústria, e se você for um dos sortudos que vão à Comic Con Experience esse ano, tu vai ter a chance de conhecê-lo. Waid já escreveu grandes ícones da indústria tipo o Flash, Quarteto Fantástico, Capitão América e o já clássico Reino do Amanhã na DC Comics. Mais recentemente, emplacou sua fase no Demolidor como um sucesso com a crítica e com os fãs também. E cara, recomendo ALTAMENTE essa fase, uma das minhas favoritas do personagem.

Anyway, voltando ao que interessa: os Vingadores. Devo dizer que o título é tudo o que eu esperava. Não temos nenhuma grande revelação ou surpresa nessa primeira edição, mas o que temos é o suficiente pra nos convencer de que essa é uma das formações mais interessantes da equipe: nada dos grandes figurões já carimbados, as únicas faces familiares aqui são as de Tony Stark e do Visão. Juntando-se aos veteranos, temos o novo Capitão América (Sam Wilson), a nova Thor (Jane Foster), o Homem-Aranha Ultimate (Miles Morales), a nova Ms. Marvel (Kamala Khan) e o novo Nova (nunca canso desse trocadilho, Sam Alexander). Pelo menos, essa é a promessa que a capa aponta, já que a equipe mesmo não está reunida de verdade nessa primeira edição. Tá todo mundo ali, mas tudo acidentalmente. E é legal como Waid consegue ecoar perfeitamente as histórias mais clássicas dos personagens, mas sem deixar de mostrar que essa é uma roupagem totalmente nova. É a típica história onde os heróis se trombam por aí e decidem formar um grupão pra combater o mal e tals. E esse ar mais “antiquado” é um tom mais do que bem-vindo no momento. Com ares mais intimistas, Brian Bendis criou uma espécie de sitcom com os Vingadores. Jonathan Hickman apostou em um épico de proporções cósmicas e reinventou o conceito da equipe. Waid já é mais pé-no-chão e isso não é um ponto negativo, de forma alguma. Na real, essa é uma característica bem conhecida dele: a volta ao básico, pra reconstruir e recriar mitologias já estabelecidas, agora sob uma nova perspectiva. Exemplo claro disso é sua passagem pelo Demolidor. Nada de sofrimento, dores e sombras. Ele pegou tudo o que constituía a essência do personagem e reconstruiu o conceito dele a partir dali. E tudo indica que ele deve seguir esse mesmo caminho com os Vingadores, e cara, isso é MUITO empolgante. É tudo muito leve, heroico, vivido, e esse é um take que eu vinha sentindo bastante falta nesse núcleo de personagens.

E após a história principal, onde vemos os heróis combatendo a grande ameaça que pretende destruir a Terra – same old, same old -, temos uma segunda história menor que foca em dois dos jovens recrutas da equipe: o primeiro encontro de Nova e Ms. Marvel. Se na primeira história vemos como Waid sabe trabalhar bem a dinâmica de uma equipe, na segunda história podemos ver sua capacidade magistral em definir e estabelecer personagens individualmente, mesmo que seja com tão pouco tempo de cena. A interação entre Sam e Kamala é divertida na medida certa, e o diálogo flui naturalmente, mostrando bem como os dois são heróis encarregados de salvar o mundo, mas que também são apenas duas crianças que não fazem a menor ideia de como interagir um com o outro, dando um aspecto bem humano pra história.

All-New, All-Different Avengers (2015-) 001-024

Acompanhando Waid na trama principal temos a arte de Adam Kubert (outro grande nome da indústria, conhecido por trabalhos nos X-Men, Homem-Aranha e Hulk). Kubert não é um dos meus desenhistas favoritos, mas surpreendentemente, sua arte aqui é bastante eficaz. Esbanjando todo o heroísmo que o roteiro de Waid opta por focar, Kubert aposta em cenas bem iluminadas, nítidas e vívidas. Exemplo disso é a sequência de abertura da edição, onde vemos Sam Wilson realizar atos heroicos, com todo brilho que o Capitão América merece.

Na história secundária, temos o trabalho de Mahmud Asrar (All-New X-Men, Supergirl), um dos novos talentos contratados pela Marvel. Com um estilo que muitas vezes lembra o estilo de Stuart Immonen (que é, talvez, um dos meus desenhistas favoritos), Asrar aposta em um traço mais cartunesco, com ares mais cômicos, perfeito para o ar mais engraçado dessa segunda narrativa. Se não me engano, ele e Kubert devem se revezar entre as histórias primárias e secundárias da HQ, e eu não sei como Asrar se sairia em uma história de maiores proporções, mas estou ansioso pra descobrir.

Começando com o pé direito, All-New All-Different Avengers promete ser mais um adendo à lista de sucessos de Waid. Com uma formação poderosa (mais em nome do que em poder bruto), a equipe respira um novo ar, mas com uma atmosfera de saudosismo, o suficiente pra interessar a novos e velhos leitores da editora. Um dos começos mais divertidos e empolgantes da nova fase da Marvel. E sim, estou sendo totalmente parcial porque amo o Mark Waid.


Spider-Woman

  • Roteiro de Dennis Hopeless, arte e cores de Javier Rodriguez.

Spider-Woman (2015-) 001-015

Em seu segundo volume à frente do título da Mulher-Aranha, o roteirista Dennis Hopeless continua apostando em uma abordagem mais intimista, mas não menos grandiosa por isso. Só que diferente de outros relançamentos recentes, esse aqui realmente parece ter passado por uma transformação drástica. Com o salto de 8 meses após os acontecimentos de Secret Wars, bastante coisa mudou na vida de Jessica Drew: a heroína-título da HQ está grávida.

Se no volume anterior (que eu não li por inteiro, sorry), Hopeless apostava forte no trabalho de Jess em equipe, nesse volume, esse item é presença constante: Drew está grávida e, bom, não é exatamente seguro pra ela sair por aí dando porrada em vilões. E aí entra o seu elenco de apoio: o jornalista do Clarim Diário – e figura carimbada do Universo Marvel – Ben Urich e o vilão recém-reformado Porcupine (que é um ex-vilão tão classe-C que eu nem sei se algum dia traduziram o nome dele pro português). Enfim, os dois fazem o trabalho pesado enquanto Jessica acompanha o trabalho de longe, dando seus palpites. Mas o legal é que o roteiro tem uma abordagem bem leve e descompromissada, com personagens secundários bem engraçados e com interações bem mundanas entre esses personagens, embora o elemento extraordinário esteja sempre ali. Tipo, sei lá, uma consulta de pré-natal em uma clínica alienígena situada em Manhattan (!). É uma pegada que vários títulos recentes da Marvel vêm seguindo e que foi iniciada, provavelmente, pelo Gavião Arqueiro de Matt Fraction, e devo dizer que é uma aposta bem legal da editora, mostrar mais do cotidiano desses personagens em pequenos contos, com pequenas jornadas, guardando suas aventuras mais fantásticas pros títulos maiores, pras aventuras com os Vingadores ou com os X-Men. É uma sitcom com super-heróis, com direito à Mulher-Aranha socializando com os migos em uma festinha pré-licença maternidade no telhado do Gavião Arqueiro, e claro, odiando tudo isso porque ela queria era estar combatendo o crime e não falando sobre a sua gravidez. E é sério: isso é surpreendentemente divertido. O elemento mais agitado da história fica mesmo pro final, com um cliffhanger previsível, e talvez desinteressante, mas a história não está aqui pra impactar e sim pra divertir, e o roteiro de Hopeless faz isso muito bem.

A arte de Javier Rodriguez capta todos os nuances mais cômicos da história e é bem bonita de se observar, de verdade. Com traços e cores muitas vezes flertando com o realismo e às vezes assumindo ares mais cômicos, a narrativa visual de Rodriguez nos surpreende quando a personagem se vê mudando repentinamente de um ambiente urbano para uma dimensão paralela, habitada por seres extraterrestres, retratando muito bem toda a estranheza e psicodelia que uma reviravolta dessas deve causar no leitor. Destaque para as opções de diagramação tomadas pelo artista, distribuindo os quadros de forma a pintar uma imagem visualmente interessante ao leitor, nunca mantendo um padrão cansativo ou repetitivo. As cenas na tal clínica alienígena, por exemplo, contam com perspectivas bem exóticas.

Spider-Woman é aquela leitura que entretém bastante, com uma das mudanças mais bacanas que esses lançamentos trouxeram. Não é aquele MUST READ, mas se você decidir ler, tenho certeza que você se divertir muito. Um quadrinho feito por gente que realmente entende dessa mídia.


Star-Lord

  • Roteiro de Sam Humphries, arte de Javier Garron e cores de Antonio Fabela e Frank D’Armata.

“Star-Lord, man. Legendary outlaw…?”

Tá, os Guardiões da Galáxia estão em alta e o Senhor das Estrelas ganhou (mais um) título-solo. Sam Humphries (que é um roteirista bem mais ou menos, já vou adiantando) vem escrevendo o personagem desde o ano passado. Acontece que esse aqui é, literalmente, um recomeço do zero.

Star-Lord (2015-) 001-003

Voltando às raízes do personagem, Humphries decide narrar a primeira aventura de Peter Quill, ou seja, revisitamos a origem do lendário fora-da-lei. A questão é que, por mais que o roteiro seja até competente, essa não parece ser uma história tão importante assim ao ponto de ganhar um título inteiramente dedicado a ela. Poxa, tudo aqui dá aquela sensação de “já vi isso antes”, sabe? A origem do personagem ecoa a origem do Capitão James Kirk, no reboot de Star Trek de J. J. Abrams, por exemplo. Na verdade, era nesse filme que eu pensava durante toda a leitura. Falta um quê de originalidade aqui, e isso acaba desanimando bastante o processo de leitura. Como eu disse, não é que a história seja ruim. É apenas mais do mesmo. De qualquer forma, o gancho final deixa o personagem em um campo interessante e pode ser que eu até volte na próxima edição pra ver o que vai rolar. Não posso deixar de registrar que seria BEM mais empolgante ver as aventuras de Quill assumindo o manto do pai como imperador do que revisitar uma história que já foi contada outras vezes, mas isso deve aparecer durante a fase de Brian Bendis à frente dos Guardiões. Mesmo assim, fico aqui na esperança de que Humphries mude o foco do título depois do primeiro arco de histórias.

Ah, e tem também a arte de Javier Garron, que não é tão interessante assim e colabora ainda mais pra mesmice da HQ, embora seja importante destacar a habilidade do desenhista em retratar as expressões mais cômicas de Quill, nos remetendo ao que seria um Chris Pratt mais novo, talvez (?).

Star-Lord não chega a empolgar e falha por apostar em uma história de origem já batida. Talvez se você gostar MUITO do personagem, possa se entusiasmar com o que o título traz. Se não, nem sei se vale a recomendação.


The Mighty Thor

  • Roteiro de Jason Aaron, arte de Russel Dauterman e cores de Matthew Wilson.

Jason Aaron é provavelmente meu roteirista favorito trabalhando pra Marvel atualmente (se eu disse isso sobre algum outro cara em alguma outra review anterior, favor desconsiderar). E boa parte desse meu amor vem dos dois últimos volumes à frente do Deus – e agora DEUSA – do Trovão. Se no primeiro volume (Thor: God of Thunder) tivemos um épico digno dos mais belos contos nórdicos e que ecoava por várias linhas temporais, e no segundo volume (só Thor mesmo) víamos a – até então – misteriosa mulher assumir o manto de Odinson como Deusa do Trovão, no volume atual (agora com o adjetivo Mighty) temos a chance de conhecer não só o lado glorioso da história, mas também a faceta humana de Thor, vindo na forma da portadora atual do martelo místico: Jane Foster.

The Mighty Thor (2015-) 001-013

“A carne pode ser fraca, mas o trovão é forte.” Essa frase rege toda a edição escrita por Aaron. Foster vem lutando contra um câncer e passa por sessões de quimioterapia para combater o tumor, mas a cada vez que assume a identidade de Thor, ela abraça cada vez mais a sua doença: o poder do martelo neutraliza os efeitos da terapia, mas não elimina o câncer, que já é parte de seu organismo. E ao mesmo tempo que o mundo PRECISA da Thor, e ela se vê obrigada a manter seu manto, Asgard precisa da Senadora Jane Foster para representar os interesses da Terra no Conselho dos Nove Mundos. E daí surge o que pode ser um dos dramas mais comoventes que já tive a oportunidade de ler num título do Deus do Trovão. Ah, e além de se aventurar pela política do mundo nórdico, Foster ainda tem de lidar com o regime ditatorial imposto por Odin na cidade dourada, dando ainda mais profundidade à trama. E se você ainda tem alguma dúvida quanto a Foster estar à altura do manto de Thor, pode ficar tranquilo: desde seu último volume no título, Aaron faz questão de deixar claro que temos aqui uma das personagens mais incríveis a brilhar nos holofotes da Marvel nos últimos anos. Todo o elenco de apoio é muito bem construído também: Volstagg, um dos Três Guerreiros e senador de Asgard, Frigga, a mãe do Thor original e esposa de Odin, e claro, os vilões que vêm na forma de Malekith (aquele do filme) e Dario Agger, CEO da Roxxon, uma corporação que representa tudo de pior que pode se esperar do mundo corporativo nos dias atuais. Ah, e o cliffhanger no final não me agradou tanto, mas acho que vai empolgar bastante gente por aí.

A arte de Russel Dauterman é absurdamente linda, e as cores de Matthew Wilson dão ainda mais vida ao universo extraordinário ao qual a personagem pertence. Mesmo nas cenas menos fantásticas, onde acompanhamos a situação clínica de Jane, por exemplo, a narrativa é visualmente atraente, e Dauterman e Wilson conseguem captar o sentimento de dor e angústia que a personagem passa durante seu tratamento. Um desenhista que não deixa nada a desejar a outros grandes nomes que já passaram pelo personagem, como Olivier Coipel e Esad Ribic.

The Mighty Thor chegou pra ser, provavelmente, meu novo título favorito da Marvel. Se você já vem acompanhando as aventuras de Thor escritas por Jason Aaron, pode ter certeza que o roteiro vai te recompensar por isso. Tudo o que os volumes anteriores tinham de bom está ali. Se você está começando agora, essa é a oportunidade perfeita para embarcar nessa leitura fantástica. Com uma equipe criativa incrível, esse é daqueles títulos que vocês TEM QUE LER MESMO. QUERO NEM SABER.


E olha, depois de uma semana como essa, eu posso afirmar com propriedade: independente do que venha daqui em diante, o saldo desse relançamento já é positivo. Com grandes recomeços e alguns poucos que são dispensáveis, eu queria dizer que tô bem orgulhosinho de ser fã da Marvel.

amazon loja quadrinhos dezembro 2015 banner