[QUADRINHOS] Primeiras impressões: All-New, All-Different Marvel (Parte 4)

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Oi, migxs.

Estamos de volta com as avaliações semanais da tal nova fase da Marvel, que deveria ser Toda Diferente e Toda Nova, mas que não vem sendo exatamente assim. Mas okay, tá ótimo, tô amando. Juro. Lembrando que essa é apenas minha opinião e eu não reflito a opinião das empresas Nelson Silva, que vem colaborando graciosamente para a produção dessa série de posts.

Antes de começar, eu queria aproveitar a oportunidade pra agradecer o rapaz Nelson mesmo. Eu não sei como o todo poderoso chefe Rodrigo conseguia fazer aquela série de reviews da Marvel Now por conta própria, mas se toda semana nós trazemos esses reviews da All-New, All Different Marvel pra vocês, o mérito é, obviamente, do Nelson também, que tem me ajudado MUITO com tudo isso. Obrigado, moço. ♥

Enfim, essa semana tem o octogésimo-nono relançamento de Deadpool, tem o Carnificina (aquele vilão do Homem-Aranha que não é o Venom), o novo (e polêmico) Capitão América, o título daquele personagem dos Guardiões da Galáxia que ninguém liga muito (a.k.a. Drax), e os Supremos, que finalmente tem uma formação digna do nome que a equipe carrega, né.

Pois bem, vamos finalmente às opiniões:


Deadpool

  • Roteiro de Gerry Duggan, arte de Mike Hawthorne e cores de Val Staples.

Eu nunca fui fã do Deadpool. Não porque eu acho o personagem sem graça. Na real, ele até que é bem engraçado. O problema é que o personagem dificilmente passa disso, sabe? Talvez a minha história favorita com ele seja a Fabulosa X-Force de Rick Remender, onde o personagem ganhou uma personalidade mais trabalhada mesmo. Mas enfim, não é como se eu fosse começar a leitura desse título a contra-gosto. NÃO, eu vi aqui a minha oportunidade de talvez me afeiçoar pelo personagem, afinal.

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Gerry Duggan, que já vem escrevendo o personagem há um bom tempo, aproveita esse título pra ir fazendo conexões com a outra HQ escrita por ele também (os tais “Fabulosos” Vingadores), e essa é uma boa maneira de fazer o personagem conversar com o restante do universo Marvel. Espere aparições de outros membros do grupo por aqui. E diferente do que foi mostrado no título da equipe, aqui a apresentação de Wade Wilson como o financiador da equipe de Steve Rogers parece mais plausível (pois é, quem diria que uma HQ do Deadpool seria mais plausível que uma dos Vingadores). E tudo isso é apresentado de uma maneira bem bacana e meio metalinguística: Wade aproveita do seu status de superstar, vendendo quadrinhos, filmes, bonecos e afins, pra investir nos Heróis Mais Poderosos da Terra, mas claro, conciliando esses feitos com sua clássica profissão: o mercenário sanguinário de sempre. E até nisso temos uma inovação. Com ares de Corporação Batman e do atual volume de Espetacular Homem-Aranha, Pool convoca um grupo de personagens BEM esquecidos pra vestir seu uniforme e ajudar a manter a paz no mundo (e, claro, pra ganhar uma grana no processo). É bacana notar que Duggan consegue apresentar vários plots em uma única edição, deixando vários pontos em aberto que podem ter desdobramentos bem legais. O ritmo da história é meio confuso, e oscilando entre o humor já característico e alguns poucos momentos dramáticos, o tom acaba se perdendo um pouquinho, mas okay, dá pra perdoar.

A arte de Mike Hawthorne se encaixa perfeitamente com a atmosfera proposta pelo roteiro, acompanhando as tais oscilações de Duggan, mas de maneira positiva. Em cenas de ação, o artista utiliza uma diagramação bem eficiente, com quadros perfeitamente distribuídos em páginas duplas, traduzindo toda a euforia que o personagem traz em cenas perfeitamente compreensíveis. A sequência de abertura é um exemplo disso. Funcional também nos momentos de humor, como nas reuniões dos Deadpools angariados por Wade, o artista parece entender bem o universo do personagem retratado aqui, e isso é mais do que o suficiente pra nos entregar um trabalho bem acima da média. Mesmo nos momentos onde o roteiro desliza, a arte de Hawthorne é divertida o suficiente pra te manter interessado na leitura.

Se você não conhece o personagem ainda (o que é meio impossível, mas ok, eu sou a prova de que isso é possível), esse relançamento de Deadpool é uma boa oportunidade pra embarcar nesse universo. Pros leitores de longa data, não espere piadas tão descerebradas como nos volumes anteriores, mas também não espere seriedade e dramaticidade ao extremo. Parece que Duggan finalmente encontrou o meio termo certo pro personagem, e isso é bem empolgante.


Carnage, por Nelson Silva

  • Roteiro de Gerry Conway, arte de Mike Perkins e cores de Andy Troy.

Carnificina é um vilão que nunca me chamou atenção. Um derivado do simbionte Venom, o personagem em si carrega uma representação do que os anos 90 tinham de pior nos quadrinhos: um serial killer que se fundia com um ser alienígena e tornava-se um super-psicopata. Reflexo duma era onde imperava o exagero na exploração da violência pela violência.

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Agora, o veterano escritor Gerry Conway e o artista Mike Perkins pegaram a tarefa de assumir um título do personagem. A primeira edição de Carnage não é lá tão surpreendente, mas é executada de forma eficiente como uma HQ de horror. Conway prepara o cenário claustrofóbico, que muito lembra os filmes da franquia Alien, para criar situações de tensão e conflito. Mike Perkins, embora possua uma arte inconsistente, dá conta de passar bem a sensação de ameaça crescente durante a história.

Sobre o antagonista em si, Conway mantém Carnificina em sua caracterização superficial, tornando-o mesmo um “monstro” típico de filmes de horror. O que interessa para ele são os personagens que encaram o vilão: uma equipe de militares formada pelo filho de J. Jonah Jameson e o ex-Venom e atual Toxina, Eddie Brock. Alguns diálogos são escritos de forma verborrágica e datada, às vezes empacam a narrativa, mas Perkins segura o leitor na construção das imagens.

Como estreia, não faz feio e nem muito bonito, vale uma olhada sem compromisso.


Sam Wilson, Captain America

  • Roteiro de Nick Spencer, arte e cores de Daniel Acuña 

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O Capitão América é um personagem que eu aprendi a admirar recentemente. Apesar da imagem errada que uma galera por aí tem do personagem, seus ideais vão além do uniforme que ele veste. Toda a fase de Ed Brubaker e a própria Guerra Civil de Mark Millar provam isso. Mas isso é válido quando falamos de Steve Rogers. A questão é que ele não é mais o Capitão América. Recentemente, o Falcão assumiu seu manto. Mas no fim das contas, quem é Sam Wilson? Quais seus ideais? Seria ele um simples reflexo de Rogers?

Esse manto não foi passado tão recentemente. Desde o começo do ano já acompanhamos as aventuras de Wilson como o novo Capitão, anteriormente sob o comando de Rick Remender. Particularmente, acho que Remender já teve tempos melhores como roteirista e, embora o começo da fase tenha sido empolgante, logo a trama se tornou massante. Mas Nick Spencer (sim, o mesmo cara de Homem-Formiga) assume o relançamento aqui, e devo dizer que foi uma revigorada mais do que necessária para o personagem. Diferindo do ar mais “super-espião” de Brubaker e da ficção científica de Remender, Spencer aposta numa pegada mais street-level, adicionando relações mais familiares ao mix. E política. MUITA política. E por isso, é meio complicado entrar no mérito dessa HQ em uma crítica sem envolver opiniões políticas de cunho pessoal, mas vou fazer o meu melhor aqui, eu juro.

Mostrando mais uma vez que o manto do Capitão América é muito mais do que se vê à superfície, Wilson já difere de seu antecessor e deixa isso bem claro: enquanto Steve tentava se manter acima de qualquer posicionamento político, Sam sabe muito bem de suas crenças e ideologias, e ele não vai abrir mão disso. E ele vai até onde for necessário pra defender o povo americano e seus ideais também. E, obviamente, isso o coloca em conflito direto com a S.H.I.E.L.D. e com grande parte da população americana. Os desdobramentos desse conflito são deliciosamente interessantes e o roteiro de Spencer nunca trata o assunto com fanatismo ou agressividade. Os personagens de apoio, Misty Knight e D-Man, tem pouco tempo de história, e ainda assim, são perfeitamente introduzidos.

A arte de Daniel Acuña é elétrica e vívida, e todas as cenas são visualmente atrativas, mesmo quando temos uma longa sequência de diálogos com desenvolvimento de personagens. Não há grandes ousadias por parte do desenhista, e nenhum painel vai fugir muito do convencional, mas ainda assim, Acuña é o artista PERFEITO pra capturar a atmosfera mais ácida e crítica que o título propõe.

Sam Wilson, Captain America despertou meu interesse pelo personagem mais uma vez, algo que não acontecia desde os tempos de Brubaker no título. Minhas esperanças pra essa fase são BEM altas. É como se finalmente pudéssemos conhecer quem é esse novo Capitão América, e cada minuto dessa descoberta é intrigante. Um dos melhores títulos da iniciativa da Marvel até o momento, sem dúvidas.


Drax

  • Roteiro de CM Punk e Cullen Bunn, arte de Scott Hepburn e cores de Matt Milla.

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Os Guardiões da Galáxia são a mais nova propriedade rentável da Marvel e, claro, eles vão querer capitalizar o máximo possível com isso. Assim, surgiram os títulos solo de cada um dos membros da equipe. Senhor das Estrelas, Groot, RocketRaccoon, Gamora e… Drax. Mas, sei lá, será que o Drax tem tanta história assim digna de ser contada? Parece que sim. E só o fato de apostarem em um título desses já chamou minha atenção. Okay, temos Cullen Bunn no roteiro, e esse é um nome que não me empolga tanto assim. Suas histórias nos títulos do Wolverine ou do Sinestro (na DC) passaram longe de me agradar, mas o interessante aqui é quem acompanha Bunn na escrita: CM Punk, campeão da WWE (!), tipo o Dave Bautista, o cara que interpreta o Drax no filme dos Guardiões. Não sei bem qual a ideia que eles queriam atingir com isso, mas foi mais um motivo pra me manter de olho nesse título.

E a minha pergunta ali em cima é respondida: não temos nenhuma história revolucionária aqui. Apesar de ter um background BEM interessante em publicações anteriores da Marvel, nessa história Drax não tem muito o que fazer além de picar aliens e, claro, seguir seu propósito original: caçar Thanos, no intuito de mata-lo. A questão é que o roteiro de Punk e Bunn torna isso estranhamente divertido. Se por um lado a história peca por não ter quase nenhuma profundidade ou apelo emocional, ela foca bastante nessa confusão do personagem e temos momentos de alivio cômico realmente engraçados, além de cenas de combate bem empolgantes.

E aí entra a arte de Scott Hepburn. Com traços extremamente cinéticos e flexíveis, às vezes até mesmo com ares de mangá, Hepburn funciona em momentos engraçados, mas retrata Drax com um ar cômico e ao mesmo tempo ameaçador. Enquanto você pode achar que Drax parece um pouco desengonçado em meio a tantos músculos, o personagem surpreende com a brutalidade ao despedaçar seus inimigos, e o mérito dessa mistura é todo do artista. As cores de Matt Milla também colaboram (e muito) pra dar vida ao universo que cerca o protagonista.

Drax é uma das surpresas mais divertidas da All-New, All-Different Marvel até o momento. Não espere uma grande história, com grandes desdobramentos. E nem personagens profundamente interessantes. Essa aqui é uma leitura bem leve mesmo, e enquanto ela se propuser a ser isso, tenho certeza de que continuará sendo bastante divertida.


The Ultimates, por Nelson Silva
  • Roteiro de Al Ewing, arte de Kenneth Rocafort e cores de Dan Brown.
Durante a fase de Jonathan Hickman em Vingadores e Novos Vingadores (título protagonizado pelos Illuminati, – grupo formado pelas mentes mais geniais e arrogantes do universo Marvel), vimos super-heróis sendo postos à prova em situações extremas e realizando o impossível, ultrapassando seus limites físicos e morais. De um lado tínhamos um panteão de heróis benevolentes funcionando como um engenhoso superorganismo vivo para proteger a Terra, doutro um grupo de homens que acreditavam serem deuses e abusaram do poder de destruir mundos e abalar realidades. No fim do multiverso, ambos falharam.
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Agora na All-New, All-Different Marvel, surge a nova versão dos Supremos para unir o melhor dos Vingadores e dos Illuminati, o virtuosismo e a genialidade, a fim de conseguirem não repetir os mesmos erros que derrubaram ambas as equipes. Apesar de utilizar o nome da famosa releitura de um dos atuais times-medalhões da editora, o escritor Al Ewing procura nem um pouco seguir os passos de Mark Millar nessa nova série The Ultimates, e sim dar seguimento as ideias grandiloquentes de Hickman na Marvel, com a premissa de que o Multiverso poderia ter reiniciado a si próprio diversas vezes como forma de se reestruturar.
A primeira edição pula a formação da equipe e já introduz os membros dentro de suas respectivas funções. Marvel Azul lidera a equipe como um bom Superman cientista, Capitã Marvel assume como em segunda em comando nas operações de campo, Pantera Negra é o representante político e estrategista do time, Monica Rambeau e Miss America são a força-bruta do time, lidando com situações intensas de conflito. Sinceramente, uma das melhores combinações de personagens dos últimos anos da editora.
Ewing economiza tempo e equilibra bem a participação de cada herói, seus diálogos são bastante descontraídos e sensíveis na relação entre os personagens, mas seu texto carrega a densidade de informações duma boa ficção-científica quando necessário. A arte do Kenneth Rocafort está bem alinhada com as cores de Dan Brown. Juntos eles criam um clima de psicodelia cósmica que lembra o que Christian Ward vem fazendo em Ody-C (releitura da Odisseia de Homero escrita por Matt Fraction), com cores vibrantes e composições arrojadas de diagramação.
Essa estreia encerra de maneira absurda e positiva com a entrada de Galactus, que já havia sido revelado na própria capa do título, o que leva a história para caminhos mais inesperados. The Ultimates realmente é um título para ficarmos atentos nessa nova fase da Marvel.

E de novo, o fim. Afinal, “everything dies”, já dizia Jonathan Hickman em seus (maravilhosos) Vingadores. Sério, nunca canso de recomendar essa leitura. E isso não tem nada a ver com o propósito desse post, me desculpem.

Opiniões? Dúvidas? Reclamações? Eu tô aqui pra ouvir vocês. Espero que vocês estejam gostando, cada post desses sai com muito amor, carinho e insônia, especialmente pra vocês. Façam bom uso deles.
Até semana que vem.

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